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  • Arte, Vida e Poltica:ensaios sobre Foucault e Deleuze

  • Jorge Vasconcellos&

    Guilherme Castelo Branco

    Arte, Vida e Poltica:ensaios sobre Foucault e Deleuze

    1 edio

    Rio de JaneiroEdies LCV/SR3/UERJ

    2010

  • ReitorRicardo Vieiralves de Castro

    Vice-ReitoraMaria Christina Paixo Maioli

    Sub-Reitora de GraduaoLen Medeiros de Menezes

    Sub-Reitora de Ps-Graduao e PesquisaMonica da Costa Pereira Lavalle Heilbron

    Sub-Reitora de Extenso e CulturaRegina Lcia Monteiro Henriques

    Departamento CulturalRicardo Gomes Lima

    Centro de Educao e HumanidadesGlauber Lemos

    Instituto de ArtesRoberto Luis Torres Conduru

    Departamento de Linguagens ArtsticasAlexandre Vogler

    Programa de Extenso LCV/UERJJorge Luiz Cruz

    Projeto Edies LCV/SR-3/UERJRodrigo Guron

  • Conselho EditorialJorge Luiz CruzLeandro Jos Luz Riodades de MendonaMichelle Cunha SalesRodrigo Guron Conselho ad hocCristina Maria PapeJorge Luiz CruzJorge VasconcellosLeandro Jos Luz Riodades de MendonaLeonel Azevedo de AguiarLiliane HeynemannMichelle Cunha SalesPaulo Guilherme Domenech OnetoRodrigo Guron

    Apoio tcnicoAline Martins Alonso Bolsista de ExtensoTatiane Silvana Bolsista de ExtensoAna Paula Santos de Souza Voluntria

  • Universidade do Estado do Rio de JaneiroSub-Reitoria de Extenso e Cultura SR3Programa de Extenso LCVCampus Francisco Negro de LimaPavilho Joo Lyra FilhoR. So Francisco Xavier, 524, 11 andar.Maracan Rio de Janeiro RJ CEP 20.550-900

    CrditosEditorao Jorge Cruz e Rodrigo GuronBibliotecria Eliane de Almeida PrataProjeto grfico Roberta NunesReviso Fernanda Nunes PereiraDiagramao Roberta Nunes

    Copyright Jorge Vasconcellos e Guilherme Castelo Branco

    CATALOGAO NA FONTEUERJ/REDE SIRIUS/BIBLIOTECA CEH-B

    V331 Vasconcellos, Jorge Arte, vida e poltica: ensaios sobre Foucault e Deleuze / Jorge Vasconcellos e Guilherme Castelo Branco. Rio de Janeiro: Edies LCV, 2010. p.136

    ISBN 978-85-62864-04-9 1. Arte Filosofia. 2. Esttica. 3. Filosofia francesa. 4. Foucault, Michel, 1926-1984 Crtica e interpretao. 5. Deleuze, Gilles, 1925-1995 Crtica e interpretao. I. Castelo Branco, Guilherme, 1955-. II. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Laboratrio de Cinema e Vdeo. III. Ttulo.

    CDU 7.01

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    Fernanda e Valentina,os amores do Jorge

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    Para Lucrecia, Clarice e Vinicius,pelo amor e desafios que inventamos todos os dias.

    Guilherme

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    SMARIO:

    Prefcio: Os filsofos arteiros, Edson Passetti.....................................

    Apresentao.........................................................................................

    Materialismo e Vitalismo a esttica de Gilles Deleuze, Jorge Vasconcellos............................................................................................

    Anti-individualismo e vida artista, Guilherme Castelo Branco.....................................................................................................

    A escrita do filsofo a esttica do estilo em Gilles Deleuze, Jorge Vasconcellos...........................................................................................

    Michel Foucault e a literatura. Guilherme Castelo Branco.....................................................................................................

    Teatro e Filosofia Gilles Deleuze, Carmelo Bene, Jorge Vasconcellos............................................................................................

    A gagueira e a arte potica em Deleuze, Guilherme Castelo Branco..

    Foucault, Deleuze e a pintura, Jorge Vasconcellos...............................

    A Arte, a escolha e o intolervel, Guilherme Castelo Branco...............

    Antropofagia e Filosofia da Diferena Oswald & Deleuze, Jorge Vasconcellos............................................................................................

    A acomodao e a vida artista, Guilherme Castelo Branco..................

    Sobre os autores....................................................................................

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    PREFCIO

    Os filsofos arteiros

    Andar com Foucault e Deleuze. Caminhar com Nietzsche. Atravess-los com Guilherme Castelo Branco e Jorge Vasconcellos, pelos interiores de um livro que conversa com a filosofia, encontra um espao para a esttica e remete esttica da existncia.

    Para ser claro e escrever com rigor preciso certa lentido na reflexo. Mas seu efeito no est em palavras excessivas, em longos e infindveis perodos, digresses e notas e mais notas, como atestados da erudio de frequentador de bibliotecas interminveis. Castelo Branco e Vasconcellos, ou Guilherme e Jorge, so leves cariocas e experimentados artfices da filosofia, que no se exigem o regime da prova. Expem suas inquietaes nos convidando vida em transformao. So filsofos na poltica, preciosos para com suas existncias livres. Atraem o leitor destemido para compartilhar as inquietaes de andarilhos e propcio a desafi-los nas interpretaes. Contudo, imantando-se como parceiro nos diagnsticos.

    Eles nos levam a problematizar a esttica e a arte sem nos confinar s extensas citaes capazes de comprovar seus domnios sobre os filsofos. Preferem outros percursos, atiados pela centelha dos homens-pensadores com os quais andam, caminham e atravessam. O livro tem como um de seus textos a gagueira na linguagem de Deleuze, imediatamente explicitada por meio da poesia de Ghrasim Luca: uma obra no se justifica pela vida do autor, apanhada pela psicanlise ou por meio da biografia. Literatura empenho do artista, diante do estatuto da realidade e da imaginao. Segundo Vasconcellos: no escritor ou artista quem quer, mas quem tem verve para isso. Sejamos gagos!

    Guilherme Castelo Branco, em conjunto de artigos sobre a esttica da existncia em Foucault, passa a ser o parceiro do leitor em outros quatro momentos do livro. Convida-nos a compartilhar reversos da vida no-fascista, do individualismo burgus, das acomodaes e das

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    tolerncias. Vida artista, mais uma vez, diferencia-se da vida de artista, pois parte constitutiva da obra, pelas relaes conosco vinculadas transformao do mundo e compartilhadas em grupos propiciadores de desindividualizao. Pensar por si prprio, na atualidade, ir adiante da maioridade conquistada em conformidade com Kant. um pouco mais, sim. arte na construo de si como obra. At quem no produz um objeto arte precisa de verve.

    Diante da maioridade um menor potente, como sublinha Deleuze ao enveredar pelas experimentaes de Carmelo Bene, reaparecidas no derradeiro artigo deste livro. Jorge Vasconcellos indica, com preciso, que a escrita do filsofo no obedece a um molde, seja em Nietzsche ou Deleuze, da mesma maneira nem todo livro se inicia na primeira pgina, tomando por referncia Jogo da amarelinha de Cortzar, nem tampouco a vida como obra de arte tem uma origem. Est relacionada com o que fazemos de ns mesmos.

    A presena da arte ultrapassa a disciplina do conhecimento e o escaninho do filsofo, como maneira de inventar e improvisar ultrapassagens diante dos confortos da cincia e da filosofia, sem desconhecer que a improvisao uma arte de quem cria e domina certa tcnica. A estranha subjetividade artista s existe exposta ao perigo, ao risco. Dela no se espera uma conduta transgressora, mas os excessos, pelos quais se afirma um contra-discurso.

    A esttica da existncia no se aparta da luta contra a explorao, a dominao e o estatuto do indivduo; encontra-se na agonstica constante entre controle e liberdade. O artista, se dele nos ocupamos, d estilo ou forma sua prpria vida, como Baudelaire ou Nietzsche, no sculo XIX. Aparta-se do artista engajado de vanguarda atrelado relao arte e poltica, mais ou menos palatvel ao mecenato do sculo passado, e aceitvel entre os emergentes individualistas no incio deste sculo. Quem no produz um objeto de arte, faz sua vida artista livre apartada do hedonismo hebdomadrio, e disposta s transformaes pblicas. A vida artista antiburguesa e livre dos engajamentos doutrinrios ou vanguardistas. Realiza uma atitude que se concretiza ao dar forma liberdade, ou como disse certa vez Foucault como pirotecnia: um cerco, uma guerra, uma destruio para que se possa passar, avanar, derrubar muros.

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    Incomodar: atiar os assujeitados na atualidade como Ismene na tragdia grega diante da intolervel tirania de Creonte, impedindo a irm Antgona de enterrar o irmo. Ao comedido, conformado, acomodado e que no ousa ser livre, por amar a obedincia, ver os livres como perigosos e colaborar para silenci-los, vivendo sua vidinha de felizes assujeitados, ope-se, segundo Castelo Branco, a vida libertria invadindo o manda quem pode, obedece quem tem juzo. Diante de ismenes em massa, obedientes e humilhados, acobertados em humanismos e democratismos, um parceiro de Nietzsche brada: no quero comandar, no obedeo e no me comando!

    Com Jorge Vasconcellos, retornamos arte como intercessor da filosofia em que a esttica dos processos materiais de criao toma a dianteira diante da reposio constante do mesmo pela teoria do juzo. Est em evidncia a fora de vida que as obras emanam no teatro, na pintura, no cinema, na literatura e, porque no, na filosofia? O que h antes e depois do Zaratustra? A escrita por aforismos, poesia ou escrita convencional decidida pelo filsofo segundo as foras expandidas de sua vida-obra. Um filsofo, portanto, no deve se habituar ao molde, mas gaguejar e produzir variaes dissona