a busca do símbolo perdido - aves.org.· a busca do símbolo perdido uma análise sobre o porte de

Download A busca do símbolo perdido - aves.org.· A busca do símbolo perdido Uma análise sobre o porte de

If you can't read please download the document

Post on 13-Dec-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

Ano XII | N 153 | Maio de 2018

pg. 16

REVISTA DA ARQUIDIOCESE DE VITRIA - ES

A busca do smbolo perdido

Uma anlise sobre o portede arma ao cidado

Especial - 38 Entrevista - 34 Reportagem - 05 Cantando a gente

Aprende a transformarA lembrana de um Brasil

que no queremos

TESTEMUNHAR A F

EDITORIAL

A corrida eleitoral j deu sinal de partida e, se ainda existem

indecises ou indefinies o fato que nem os mais otimistas

olham com confiana para a eleio de 2018.

Faltam lderes, faltam propostas, faltam perfis de candidatos

apaixonados pela nao e pelo povo. Sobram discursos engano-

sos e radicalismos extremos que na prtica no introduzem

nenhuma mudana expressiva para a realidade que est posta. A

classe poltica est desacreditada e em casos como este a tendn-

cia das pessoas procuraralternativas radicais, que faam

rupturas com o modelo que no satisfaz.Por onde seguir?

Esta edioprope algumas reflexes para o momento atual

tanto do ponto de vista religioso quanto civil, afinal a f s existe

em humanos que esto inseridos na realidade atual e nela que

faz sentido ter e testemunhar a f.

Boa leitura!

Maria da Luz Fernandes

FALE COM A GENTEANUNCIE ASSINATURA

Associe a marca de sua empresa ao projeto

desta Revista e seja visto pelas lideranas das

comunidades. Ligue para ( 27) 3198-0850 ou

vlorenzetto@redecres.com.br

Envie suas opinies e sugestes de pauta para

mitra.noticias@aves.org.br

Faa a assinatura anual da Revista e receba

com toda tranquilidade. Ligue ( 27) 3198-0850

@arquivitoria arquidiocesevitoria mitraaves www.aves.org.br

Editora

arquivitoria

Arcebispo Metropolitano: Dom Luiz Mancilha Vilela Bispo Nomeado de Bauru: Dom Rubens Sevilha Editora:

Maria da Luz Fernandes / 3098-ES Reprter: Andressa Mian / 0987-ES Conselho Editorial: Alessandro Gomes,

Edebrande Cavalieri, Vander Silva, Lara Roberts, Marcus Tullius e Rmulo Benha Colaboradores: Pe. Andherson

Franklin, Arlindo Vilaschi, Dauri Batisti, Giovanna Valfr, Fr. Jos Moacyr Cadenassi- Reviso de texto: Yolanda

Therezinha Bruzamolin Publicidade e Propaganda: vlorenzetto@redercres.com.br (27) 3198-0850 Fale com a

revista vitria: mitra.noticias@aves.org.br Projeto Grfico e Editorao: Blend Criativo - Designer: Gustavo Belo

- Impresso: Grfica e Editora GSA (27)3232-1266.

DILOGOS 24

31. Pensar

33. Sugestes

34. Entrevisa

36. Mundo litrgico

40. Viver Bem

05. Reportagem

Espiritualidade11.

Economia poltica13.

Fazer bem14.

Catequese21.

Ideias22.

Aspas27.

Caminhos da bblia28.

Porte de arma aocidado comum.

38

ESPECIAL

ATUALIDADE 16

42. Lies de Francisco

44. Acontece

46. Arquivo e memria

REPORTAGEM

maio/2018 | vitria | 05

A LEMBRANA DE UMBRASIL QUE NO QUEREMOS

conturbado momento poltico do Brasil, faz com que Oalguns pensem em repetir experincias que, na viso de grande maioria e de todos os nossos entrevistados, traria ao pas novamente os desrespeitos s pessoas e cercea-

mento da liberdade. O pas vive algumas semelhanas com o

perodo pr-ditadura militar, que teve incio com o Golpe 1964 e

durou mais de 20 anos. Naquela poca havia um governo enfra-

quecido e um parlamento extremamente conservador, dennci-

as de corrupo, uma imprensa conivente e manipuladora agindo

em concordncia com o governo. Tambm havia manobras para

tentar conter o crescimento da oposio no pas e o clamor de

alguns grupos para que os miliares tomassem o poder, com a

justificativa que somente eles colocariam ordem no pas.

Os brasileiros esto assustados e a aparente apatia da popula-

o gera um clima de insegurana e de desorientao. Um apelo

pelo retorno dos militares ronda o Brasil. Pesquisa de opinio

realizada em dezembro de 2017 pelo Instituto Paran Pesquisas

mostrou que 43, 1% dos brasileiros defendem a volta da interven-

o militar. O apoio volta do regime militar maior entre os

jovens de 16 a 24 anos, chegando a

46,1% e menor entre os mais velhos,

de 60 anos ou mais, com 37,2%.

Para entendermos o que se desenro-

la no atual contexto, necessrio

relembrarmos a histria a partir do

Golpe Civil e Militar de 64, um golpe

apoiado pela sociedade civil, por

donos de veculos de comunicao,

empresrios, pelo governo dos

Estados Unidos, pela Ordem dos

Advogados do Brasil (OAB) e por

setores conservadores da Igreja

Catlica, que em nome do combate ao

Comunismo e corrupo, e em nome

de Deus e da famlia, defenderam a

tomada do poder pelos militares, com

a destituio do presidente Joo

Goulart. Na poca Jango pretendia

realizar diversas reformas no Brasil,

como a reforma agrria, a reforma

poltica, a urbana, a bancria e a

universitria, e tal situao no

agradava os interesses dos grupos

dominantes.

O que se viu depois da tomada do

governo pelos militares foi uma

sequncia de atos desumanos,

conhecidos como Atos Institucionais

(AI), que afetaram toda a sociedade,

deixando sequelas fsicas e psicolgi-

cas nos brasileiros, alm de muitos

mortos e desaparecidos.

O AI 5, instalado em dezembro de ...

REPORTAGEM

06 | vitria | maio/2018

1968 durante o governo do general Arthur da Costa

Silva, foi considerado o mais perverso, concedendo

ao general e a seus sucessores poderes absolutos

como o direito de pr em recesso, por tempo

indeterminado o Congresso Nacional, as Cmaras

de Vereadores e Assembleias Legislativas. Com

isso, o Poder Executivo ficou autorizado a legislar

em todas as matrias e a exercer todas as atribui-

es previstas nas Constituies e nas Leis

Orgnicas dos Municpios.

Foi neste perodo que se acirraram as persegui-

es polticas e qualquer manifestao, reunio e

at mesmo um encontro entre amigos poderia

gerar desconfiana e acabar em priso, tortura e

morte. Estudantes, intelectuais e engajados

polticos, foram as principais vtimas do sistema

que contestavam. Um clima de terror se instalou no

pas e os brasileiros foram impedidos de votar, de

emitir opinies sobre o regime, e at mesmo de sair

de casa aps determinado horrio. A imprensa e a

classe artstica sofreram perseguies e censura.

Em 2014, depois de dois anos e sete meses de

trabalho, a Comisso Nacional da Verdade (CNV)

confirmou, em seu relatrio final, 434 mortes e

desaparecimentos de vtimas da ditadura militar

no pas. O documento comprovou a prtica siste-

mtica de detenes ilegais e arbitrrias, tortura,

execues, desaparecimentos forados e oculta-

o de cadveres por agentes do Estado brasileiro

da poca.

No Esprito Santo no era diferente, lembramos

aqui que a priso e a tortura aconteceu para um

grupo de jovens de Colatina que participavam da

Igreja de Vila Lenira no qual, alm do estudo do

Evangelho eram feitas discusses sobre a realidade

social. Renato C. Gama era um desses jovens. Era

um grupo sem nenhuma pretenso de reao ao

sistema, apenas discutamos temas sociais, mas

fomos denunciados por ligaes ao

comunismo. Fomos presos e sofremos

todo o tipo de tortura psicolgica

possvel. Nada foi provado contra ns,

mas o fato trouxe repercusses que

levamos para toda a vida, relata.

A lembrana deste perodo tambm

difcil para Perly Cipriano, que foi

preso e torturado neste perodo,

cumprindo uma pena de 10 anos aps

ser julgado e condenado por subver-

so.

Fui preso trs vezes, a terceira no

Nordeste, sendo condenado a 94 anos

e oito meses de priso. Passei por

muitas prises e a ltima foi o ...

REPORTAGEM

Complexo Penitencirio Frei Caneca, no Rio. Foram .

anos terrveis, com maus tratos, tortura e nenhuma

dignidade. Quando eu sa da cadeia, no terceiro dia,

voltei para a militncia. Eu s pensava nisso, em

continuar a luta contra o regime, conta.

A professora de Histria do Instituto Federal do

Esprito Santo e mestre em Histria Poltica pela

Universidade Federal do Esprito Santo, Dinorah

Lopes Rubim Almeida, explica que aps o golpe, a

reao passou a acontecer quando as bases sociais

se organizaram, e o que vem acontecendo no

Brasil novamente.

Contra a forte represso do regime surge a luta

armada, organizada de maneira muito forte em

vrias partes do Brasil, inclusive no Esprito Santo,

na regio do Capara. No entanto, esta reao no

consegue atingir o objetivo, que era de derrubar o

governo. Em 1975 a gente comea a organizar outro

tipo de resistncia ditadura, a chamada resistn-

cia democrtica com a participao do movimento

estudantil, da imprensa alternativa, das associa-

es de moradores, da associao de profissionais

liberais, do movimento sindical, dos movimentos

sociais, da classe artstica, d