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Depois de uma longa jornada na construção da Marcha das Margaridas 2015, nos dias 11 e 12 de agosto ecoou em Brasília, em seu momento nacional, a voz de Margaridas de todos os cantos e recantos de nosso país. Margaridas do campo, da floresta, das águas, da cidade, representadas pela sua força, garra e ousadia, na sua forma mais plena, expressada em cada rosto, em cada chapéu, em cada palavra de ordem ecoada durante a caminhada, em cada faixa com os dizeres e reivindicações que brotaram da alma e do anseio de cada mulher. Sob o nosso lema “Margaridas seguem em Marcha por Desenvolvimento Sustentável com Democracia, Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade”, fomos às ruas mais uma vez para protestar contra as desigualdades sociais; para denunciar todas as formas de violência, exploração e dominação vivenciada pelas mulheres do campo, das florestas, das águas e das cidades, e apresentar propostas para avançar na construção da igualdade e em defesa da democracia.

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  • JORNAL DA CONTAG 1A CONTAG filiada :

    Veculo informativo da Confederao Nacional dos Trabalhadores na Agricultura

    CONFEDERAO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA (CONTAG)ANO XI NMERO 126 AGOSTO/SETEMBRO DE 2015

    CONTAGJornal da

    SOMOS TODAS MARGARIDAS

    Rafael Fernandes

    Luiz Fernandes

  • JORNAL DA CONTAG2

    PRESIDNCIA

    MARCHA COM POSIO POLTICA Iniciamos saudando todas e todos Margaridas. Margaridas que na refe-rncia de luta e militncia de Maria Margarida Alves construram mo mo

    a nossa 5 edio da Marcha. Gente que

    h anos vem fazendo rifas, bingos, co-

    mercializando artesanato, enfim, se mul-

    tiplicando em mil para se fazer presente

    nos dias 11 e 12 de agosto em Bras-

    lia (DF). Margaridas que passaram mais

    de dois dias na estrada para chegar na

    capital federal, porque acreditam que

    possvel construir um Brasil e mundo

    com Desenvolvimento Sustentvel, De-

    mocracia, Justia, Auto nomia, Igualda-

    de e Liberdade.

    Para essas Margaridas, todas as nos-

    sas saudaes e honras. Me permitam re-

    viver com vocs caminhos, memrias, de-

    talhes da histria do Movimento Sindical

    dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais

    (MSTTR) e das organizaes parceiras

    que fazem a Marcha, que jamais devem

    ser esquecidos...

    Muitas pessoas que olham de fora veem

    apenas uma manifestao, mas ns sabe-

    mos que a 5 Marcha foi, e , bem maior que

    um simples Ato. Ela o resultado de 15 anos

    de Jornadas debaixo de sol e chuva, onde

    Margaridas param nas suas comunidades

    de base, nos lugares mais distantes desse

    imenso Brasil e mundo, sobretudo Amrica

    Latina, para discutirem o campo, a floresta,

    as guas e as cidades, a partir de um olhar

    feminino, menos patriarcal, com mais igual-

    dade de gnero e sem preconceito.

    E como difcil romper com tais desa-

    fios impostos s mulheres. Prova de tal

    afirmativa que nem mesmo a presidenta

    do Brasil, Dilma Rousseff, tem sido pou-

    pada das falas, atos machistas e precon-

    ceituosos, pelo simples fato de ser mulher.

    Talvez por sentirmos na pele as chico-

    teadas do macho que abusa do bas-

    to, como cita a msica oficial da Marcha

    das Margaridas, que nesta 5 Marcha, a

    CONTAG, entidade que realiza a Marcha

    das Margaridas, juntamente com nossas

    Federaes, Sindicatos, Delegacias Sindicais

    de Base, Organizaes parceiras da Marcha

    e milhares e milhares de Margaridas, resol-

    veram trazer um tom mais poltico no Ato do

    dia 12. Um tom em defesa da democracia,

    que diz NO ao retrocesso dos direitos das

    trabalhadoras e trabalhadores, ao conserva-

    dorismo do Congresso e ao preconceito nas

    suas mais diversas formas.

    Companheiras e companheiros, tenha-

    mos a certeza que hoje o Brasil e o mundo

    tm uma viso mais ampla da Marcha. Eles

    j no a veem como um simples Ato que

    acontece a cada 4 anos, mas, sobretudo,

    como um lugar onde Margaridas esto em-

    poderadas, sabem o querem, por isso vo

    s ruas com suas bandeiras hasteadas e

    grito na garganta, lutar com coragem e de-

    terminao por seus direitos, como os que

    foram conquistados e trazidos na resposta

    da presidenta Dilma Rousseff para pauta de

    reivindicaes da 5 Marcha, que comparti-

    lhamos com vocs nas pginas 4 e 5 desta

    edio do Jornal da CONTAG.

    Uma Marcha feita por mulheres des-

    temidas. Mulheres que ficam na histria,

    como as companheiras Maria Pureza

    dos Santos Nascimento, Maria Ozenira

    Cardoso Arajo, Maria das Dores Salvador

    Priante e Izabel Gonalves dos Santos,

    que se eternizaram durante as aes da

    5 Marcha das Margaridas, a quem ns

    mais uma vez prestamos, em nome de to-

    das e todos que fazem a Marcha, nossas

    homenagens.

    Assim, no exemplo das Marias, Izabis,

    Franciscas, Joanas, das Margaridas

    Alves, seguiremos em Marcha at que

    todas sejamos livres. Continuaremos flo-

    rescendo o mundo!

    Luiz Fernandes

    Alberto Erclio BrochPresidente da CONTAG

  • CONTAG

    A VOZ DE MARGARIDAS DE TODOS OS CANTOS E RECANTOS

    Queridas companheiras! Depois de uma longa jornada na constru-o da Marcha das Margaridas 2015, nos dias 11 e 12 de agosto ecoou em Braslia, em seu momento nacional, a voz de Margaridas de todos os cantos e recantos de nosso pas. Margaridas do campo, da floresta, das guas, da cidade, representadas pela sua fora, garra e ou-sadia, na sua forma mais plena, expressa-da em cada rosto, em cada chapu, em cada palavra de ordem ecoada durante a caminhada, em cada faixa com os dizeres e reivindicaes que brotaram da alma e do anseio de cada mulher, que neste mo-mento de unidade e fora das mulheres em nosso pas foram s ruas.

    Em todas as partes de nosso pas se pode observar a Marcha acontecendo em sua essncia mais profunda, que se deu atravs do despertar de inmeras mulhe-res para a luta a partir do momento que se renem, mobilizam, planejam, sonham e discutem alternativas de mudanas sua realidade, necessidades e anseios, em comunidades e municpios, regies e estados, em todo o Brasil. Este processo desperta tambm o pertencimento uma mesma luta das mulheres em diversos pa-ses que, a partir do sentimento de solida-riedade, passam a fazer parte da identida-de e da fora das Margaridas.

    Mulheres que se desafiam a comparti-lhar desta luta, ainda que tenham que, no caminho, dividir marmitas, farofas, e que no deixariam, por desafio nenhum, de partilhar e viver este momento histrico.

    Mulheres que solidariamente apren-dem umas com as outras e juntas fazem e marcam a histria no s de Braslia, mas de todos os recantos de onde sa-ram, onde em seu dia a dia, no seu lo-cal com o p no cho da terra, desafiam construir a luta das mulheres, deixando marcado um rastro por onde passam, seja em cada reunio de articulao da Marcha em sua comunidade, em seu es-tado e finalmente o Brasil e o mundo. E aqui quero condecorar com a medalha Margarida Alves marcada no peito de cada uma das Margaridas que coorde-naram este processo, desde sua comuni-dade, Plo ou Regional, mas de maneira muito especial s minhas companheiras de Coordenao Nacional da Marcha,

    Roberto Stuckert Filho / PR

    componentes da Comisso Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Contag, conjuntamente com cada com-panheira representantes das diversas organizaes parceiras. Para todas ns a premiao maior foi ver realizada essa grande ao, expressa no brilho dos olhos de cada mulher que, com o sangue de Margarida Alves, fez parte da constru-o de mais uma Marcha por conquistas aps longas e duras batalhas.

    Sob o nosso lema Margaridas se-guem em Marcha por Desenvolvimento Sustentvel com Democracia, Justia, Autonomia, Igualdade e Liberdade, fomos s ruas mais uma vez para protestar contra as desigualdades sociais; para denunciar todas as formas de violncia, explorao e dominao vivenciada pelas mulheres do campo, das florestas, das guas e das ci-dades, e apresentar propostas para avan-ar na construo da igualdade e em defe-sa da democracia.

    No temos dvida do papel cumpri-do pela Marcha das Margaridas de 2015 ao trazer s ruas toda nossa esperana e compromisso com a transformao, mos-trando, com ousadia, sociedade e ao Estado a que viemos. Ocupamos as ruas, para dizer, em um momento profunda-mente desafiador em nosso pas, que as Margaridas sabem o que defendem, e no tm dvidas de que projeto de socieda-de querem, marcando assim a fora das mulheres e tambm dos companheiros, demonstrada na unidade entre as diver-sas categorias da classe trabalhadora que se somaram Marcha em defesa da no reduo de direitos, da democracia, da reforma agrria, da agroecologia, da sobe-rania alimentar, da sade, da educao, da

    JORNAL DA CONTAG 3

    Alessandra LunasSecretria de Mulheres da CONTAG

    democratizao da comunicao, da edu-cao, entre outras pautas.

    Sabemos que a atual conjuntura segue complexa, no apenas em nvel nacional, mas tambm mundial, que se expressam, de forma especial em cada um dos mu-nicpios e estados brasileiros, onde mui-tas vezes nem sequer tm com quem, de maneira permanente, tratar dos anseios e necessidades das mulheres por polticas pblicas, da mesma forma nos estados, onde os recursos para o trabalho com as mulheres so escassos.

    Portanto, companheiras, o prximo perodo desafia a cada uma de ns, for-talecidas pela energia da Marcha das Margaridas, a seguirmos incidindo cole-tivamente, marchando e cobrando para que os mais de 400 itens de pauta que apresentamos possam ser conquistas re-ais na vida de cada mulher, com a clareza que s com a fora e unidade das mu-lheres, sejam elas do campo, da cidade, das guas, da floresta mudaremos nosso pas. Quanto mais as mulheres estiverem unidas, mais fora teremos para que estas mudanas de realidade ocorram mais r-pido, evitando assim que as vidas de mui-tas mulheres sejam retiradas pela violncia contra mulheres, pela fora do capitalismo no campo, ou pelo avano do conservado-rismo e do machismo. Precisamos, com a clareza dos passos que ainda teremos que dar, continuar mostrando nossa fora e ex-plicitando que no admitiremos retrocesso no que j avanamos e que seguiremos em Marcha at que todas sejamos livres!

    Vamos Luta!!!

  • JORNAL DA CONTAG4

    5 MARCHA DAS MARGARIDASWanessa Marinho

    Em resposta s Margaridas, a pre-sidenta Dilma Rousseff entregou pessoalmente, no dia 12 de agosto no Estdio Nacional Man Garrincha, o ca-derno de respostas e compromissos com as mais de 400 reivindicaes apresenta-das na plataforma poltica das mulheres do campo, da floresta, das guas e das cidades. Simbolicamente alguns compro-missos fora

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