edição nº 1527

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Dirio do Alentejo

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    A gua que nacionalizou o usque nasceu h 112 anosHistria centenria que est patente em Moura no recente museu da gua Castello

    pgs. 12/13

    SEXTA-FEIRA, 29 JULHO 2011 | Diretor: Paulo BarrigaAno LXXIX, N 1527 (II Srie) | Preo: 0,90

    Castro e Brito admiteno fazer Ovibeja

    pg. 7

    Extino da ExpoBeja est a gerar guerra de nervos entre a cmara e a ACOS

    Instalado numa antiga casa agrcola, a Casa da Leda, o Museu da Ruralidade abre hoje as suas portas em Entradas. Um equipamento onde se reproduzem as antigas ofi cinas de ferreiro e abego, onde a Feira de Castro visitvel fora de poca e onde os grupos corais, os tocadores de viola campania e os poetas populares se tornam a encontrar ao balco de uma taberna.

    pgs. 2/3

    Padre de Baleizo no deixa sair procissoProco e comisso de festas de Baleizo no se entendem e, pela primeira vez em muitos anos, no se realiza durante os festejos da aldeia a procisso em homenagem a Nossa Senhora da Graa. pg. 5

    rgos socias da Coop Beja demitem-seDificuldades financeiras levaram demisso em bloco dos corpos sociais da Coop Beja. Direo demissionria garante que as lojas e os postos de trabalho no esto em risco. Esto marcadas eleies para 13 de agosto. pg. 6

    Hortas comunitrias de Boavista sob polmicaProprietrio das terras onde h 20 anos co-mearam a surgir os hortejos quer acabar com as barracas, com o lixo e com o negcio ilegal de hortalias. Horteles temem o fim das pequenas plantaes. cadernodois

    Extin

    Museuda Ruralidadeabre hojeem Entradas

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    Na capa

    entrada, a taberna acolhe os visitan-tes como se regressassem de um dia de trabalho rduo, no campo. Ser, como nos velhos tempos, um ponto de encontro dos grupos corais do concelho, tocadores de viola campania e poetas populares, alm da antec-mara que abre caminho para um vasto esplio de objetos que testemunham como foi, no ter-ritrio do Campo Branco, o trabalho da terra e seus ofcios subsidirios. neste dilogo entre o patrimnio material e o imaterial, entre o que palpvel e o que saber ou arte, que se cons-tri o Museu da Ruralidade, espao que abre portas hoje, sexta-feira, pelas 18 e 30 horas, na vila de Entradas, com a exposio Mquinas, objetos e memrias da ruralidade, associando - -se aos festejos tradicionais desta freguesia de Castro Verde, as Noites em Santiago. So volta de 150 peas, entre os pequenos instrumentos e os utenslios de grande dimenso, que servi-ro para mostrar s populaes aquilo que nos deram e nos emprestaram e que ns, ao longo

    Museu da Ruralidade hoje inaugurado

    Ver, ouvir e registar o mundo rural em Entradas

    arriscado diz-lo mas talvez

    seja o primeiro projeto museo-

    lgico na regio a abarcar verda-

    deiramente o conceito da rurali-

    dade aquele que nasce hoje, pelas

    18 e 30 horas, em Entradas. Pelo

    menos, com esta filosofia de di-

    logo entre os patrimnios mate-

    rial e imaterial e este enfoque na

    oralidade como testemunha pri-

    vilegiada de um mundo rural que

    nos foge das mos. O Museu da

    Ruralidade, instalado numa an-

    tiga casa agrcola, a Casa da Leda,

    reproduz as antigas oficinas de

    ferreiro e abego, torna a Feira

    de Castro visitvel fora de poca e

    prope que grupos corais, tocado-

    res de viola campania e poetas

    populares voltem a encontrar-se

    na taberna. Na sua taberna.

    Texto Carla Ferreira Fotos Jos Ferrolho

    destes ltimos dois anos, recolhemos e trat-mos, explica Miguel Rego, tcnico do munic-pio de Castro Verde que coordena o projeto. No ptio que assinala a parte final do percurso mu-seolgico, o arquelogo apresenta algumas das relquias reabilitadas: Daquela debulhadora ocuparam-se trs ou quatro pessoas a tempo inteiro, ao longo de seis meses, a limpar, pintar, desmontar e voltar a montar. E este carro, que foi o ltimo que o nosso abego fez, tambm foi todo retocado da cabea aos ps.

    O projeto j vem sendo pensado desde h muito (pelo menos desde os anos 90) e cons-trudo, passo a passo, at smula final, que agora se mostra com enquadramento mu-seogrfico. O primeiro foi a recuperao, em 2003, do moinho de vento que adorna o largo da Feira em Castro Verde. Ali mesmo, enten-deu-se a lgica: o moinho de vento, smbolo dos cereais que alimentavam as antigas ca-sas agrcolas do concelho, e a Feira de Castro, ponto de encontro secular do mundo rural.

    Uma coisa casava com a outra e o projeto foi andando, recorda Miguel Rego. Entradas surge entretanto como o espao ideal para re-ceber as memrias da ruralidade do concelho, pela conjugao de vrios fatores. A histria, por um lado. Entradas , desde o sculo XVI, a porta de entrada do Campo Branco, zona importante de pastagens onde, inclusiva-mente, se fazia a contagem do gado e se conta-bilizavam os dividendos do rei e da Ordem de Santiago. Restam uma filosofia de descentra-lizao por parte do municpio e, finalmente, a oportunidade de adquirir uma casa agrcola, neste caso a Casa da Leda, que abre hoje por-tas como Museu da Ruralidade.

    O imaterial o que est a acontecer no mo-mento No novo espao, um edifcio com aproximadamente 500 metros quadrados na rua de Santa Madalena, abrem-se trs reas expositivas. Uma delas ser a zona de expo-sies temporrias, onde estaro patentes

    O objetivo deste espao ter a representao da Feira de Castro, com fotografias de grande formato e atravs de um jogo que aqui fizemos com recolhas, que foram feitas ao longo de vrios anos, desde 1948, por fotgrafos, pelo prprio municpio e pela escola secundria

    Mquinas, objetos e memrias da ruralidade a exposio que assinala, a partir de hoje, sexta --feira, o incio das atividades do Museu da Ruralidade, em Entradas. So volta de 150 peas, entre os pequenos instrumentos e os utenslios de grande dimenso, que serviro para mostrar s populaes aquilo que nos deram e nos emprestaram e que ns, ao longo destes ltimos dois anos, recolhemos e tratmos, explica Miguel Rego, tcnico do municpio de Castro Verde que coordena o projeto.

    Exposio inaugural

    mostra peas recuperadas

    algumas alfaias agrcolas e objetos represen-tativos da ruralidade campania, cujo esplio ser alternado consoante as temticas impos-tas por cada perodo do ano. Eventos como o festival Plancie Mediterrnica, em setembro, a Feira de Castro, nos finais de outubro, o So Martinho, j em novembro, o Entrudanas, pelo Carnaval, ou a Quinzena Cultural Primavera no Campo Branco, l para abril, so bons pretextos para desempoeirar a casa e captar visitantes, porque disso que se trata. Naturalmente que o que ns queremos que o museu seja visitado. Mas temos tambm que ter a preocupao de ir buscar as pessoas, fa-zendo iniciativas com alguma regularidade, procurando pblicos com interesses especfi-cos, avana Miguel Rego.

    H depois a zona de exposies semiper-manentes, que acolhe as oficinas do ferreiro e do abego e uma coleo de miniaturas de alfaias agrcolas, produto da habilidade do arteso Conceio Silva. A primeira a

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    Um museu aberto s universidades

    Dotado tambm de um centro de documentao/biblioteca e de uma sala de projeo, o Museu da Ruralidade assume claramente uma vertente de estudo e investigao mas pretende remet-la para quem de direito. Um dos nossos objetivos estabelecer protocolos com instituies universitrias e centros de investigao, para tomarem conta desta vertente, porque no vocao do municpio faz-lo, escla-rece o tcnico Miguel Rego. Entre as colees que esto na posse do mu-seu, encontram-se toda a documentao do Grmio da Lavoura de Castro Verde e uma parte significativa do acervo da Fbrica Prazeres & Irmo, uma das moagens mais importantes da regio, entre finais do sculo XIX e meados do sculo XX. So colees com mais de 300 caixas de docu-mentos, que temos que ir digitalizando. Essa documentao um muito bom contributo para se entender o mundo rural por esses anos, acres-centa.

    Carla Ferreira

    menina dos olhos de Miguel Rego e nela o visitante poder assistir, em direto, ao longo do fim de semana de inaugurao, arte de trabalhar os metais, j que o prprio fer-reiro estar por l fazendo uso da bigorna e do fole, entre outros velhos utenslios, agora com aspeto de prontos a estrear. Na oficina do abego, e falta do arteso, hoje com 77 anos e sade frgil, entram as novas tecno-logias. Um ponto multimdia oferece v-rias alternativas para perceber qual a mis-so de cada um dos objetos expostos, fruto de uma recolha feita pelos alunos da Escola Secundria de Castro Verde, entre elas um vdeo sobre o processo de feitura de uma roda, uma entrevista ao ltimo abego do concelho e vrios registos fotogrficos.

    Mas no Ncleo da Oralidade que mora a maior peculiaridade deste novo museu, que faz da Feira de Castro e da viola campa-nia, manifestaes efmeras e irrepetveis por natureza, algo de visitvel.

    O objetivo deste espao um pouco ter a representao da Feira de Castro, com fo-tografias de grande formato e atravs de um jogo que aqui fizemos com recolhas, para pre-servar a imagem e a memria, que foram fei-tas ao longo de vrios anos, desde 1948, por fo-tgrafos, pelo prprio municpio e pela escola secundria, descreve o responsvel, adian-tando que tambm vai estar disponvel um filme sobre a temtica da viola campania.

    Na taberna, e de volta entrada, est pre-visto imprimir a tal dinmica de ponto de en-contro, convidando os grupos corais (s no concelho existem 11) e outros artesos do ef-mero a usarem e viverem o espao. Tal pro-gramao permitir fazer tambm o registo das expresses musicais campanias, tal como elas chegaram aos dias de hoje. O patrimnio imaterial o que