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  • Captulo 7Reaproveitamento de gua residuria em sistemas

    de produo de leite

    Marcelo Henrique Otenio

    gua residuria

    Entende-se por gua residuria, a gua descartada aps utilizao em diversas atividades ou processos. Nos sistemas de produo de leite gerado grande quantidade de gua residuria nas diversas etapas do processo.

    As guas residurias oriundas de sistemas de produo de leite carregam uma quantidade considervel de materiais poluentes que se no forem retirados podem comprometer a qualidade dos corpos de gua e do solo.

    Em levantamentos realizados por Pereira (1992), uma vaca elimina o equivalente a 9% do seu peso por dia, sendo que 60% de fezes com teor de gua de 85%. Esses valores so mais significativos nos sistemas de confinamento, quando uma grande quantidade de animais est geran-do resduos em um espao muito limitado.

    Na Tabela 1, pode-se observar a produo diria de biomassa animal.

    Tabela 1. Produo diria de dejetos por animal.

    Tipo de animal Mdia de produo de dejetos (em kg por dia)

    Bovinos 10,00

    Sunos 2,25

    Avirios 0,18

    Equinos 10,00

    Fonte: Sganzerla, (1983). Adaptado por Colatto e Langer (2011).

  • 140 Sustentabilidade ambiental, social e econmica da cadeia produtiva do leite: Desafios e perspectivas

    A agroindstria tambm um setor que exige grande utilizao da gua em todo o processo produtivo, consequentemente gera grande quantida-de de gua residuria com significativa carga de resduos slidos, bem como uma elevada carga orgnica. Este efluente oriundo da limpeza/higienizao das instalaes apresenta alta Demanda Qumica de Oxi-gnio (DQO) e Demanda Biolgica de Oxignio (DBO). Estes demandam a busca de solues de gesto e tratamento que levem, no somente reduo desses resduos na sua gerao, como tambm o descarte de um efluente mais limpo no meio ambiente, aliando ao reuso da gua em diversas aplicaes.

    O reaproveitamento de guas residurias realidade em alguns pases, como Israel, no qual 65% do efluente sanitrio tratado so utilizados na irrigao agrcola. No Mxico, 45.000 litros/por segundo, de esgoto pro-duzidos na cidade do Mxico so misturados diariamente com gua de chuva, sendo a mistura encaminhada por meio de canais a uma distncia de 60 km, para irrigao de 80.000 hectares cultivados com cereais e forragens (BERTOCINI, 2008). No caso de Israel, a prtica do reuso planejada e controlada por meio de legislao, e no caso do Mxico, no h tratamento, nem controle da disposio de efluentes sanitrios no solo, caracterizando uma situao no recomendvel.

    Na Austrlia, reas de 600 hectares cultivadas com cana-de-acar es-to sendo irrigadas com efluentes de tratamento de esgoto. A utilizao dos efluentes proporcionou aumento de 45% da produo e 62,5% da produo de acar (BERTOCINI, 2008).

    O reuso de gua consiste no reaproveitamento de determinada gua que foi insumo ao desenvolvimento de uma atividade. Este reaproveitamento ocorre a partir do tratamento da gua residuria gerada em determinada atividade para ser usada novamente em atividades menos exigentes.

    A reutilizao de guas residurias deve ser considerada no planejamen-to e na gesto sustentvel dos recursos hdricos como um substituto para o uso de guas destinadas a fins agrcolas e de irrigao, entre outros. Deixando as fontes de gua de boa qualidade para atividades de

  • 141

    outros usos prioritrios, contribuindo para conservao dos recursos h-dricos, com a reduo da demanda sobre os mananciais de gua devido substituio da gua potvel por uma gua de qualidade inferior.

    No Brasil, j existe atividade de reuso de gua com fins agrcolas em certas regies, porm sem controle adequado de impactos ambientais e de sade pblica. Por isso h necessidade de se institucionalizar, regu-lamentar e promover o setor atravs da criao de estruturas de gesto, preparao de legislao, disseminao de informao, e do desenvol-vimento de tecnologias compatveis com as nossas condies tcnicas, culturais e socioeconmicas.

    Diversas pesquisas tm evidenciado a concentrao de nutrientes nos dejetos lquidos e slidos do gado de leite, o esgotamento de recursos naturais e a degradao do meio ambiente est fazendo com que haja uma preocupao forte e constante no desenvolvimento de conhecimen-tos e tecnologias de reciclagem de nutrientes, na disposio ambiental correta dos dejetos animais e na reutilizao dos resduos rurais. Um manejo adequado dos resduos uma necessidade sanitria, ecolgica e econmica.

    Em um sistema de produo de leite adequadamente planejado, a quan-tidade dos resduos pode ser estimada e usada como recursos de supri-mentos, tanto de energia como de fertilizante (HARDOIM et al. 2000).

    Legislao

    A legislao sobre reuso muito generalista. E faltam ainda estudos que evidenciem a utilizao segura de aplicao de guas residurias e quais os riscos reais. A Resoluo 430/2011 do Comana (BRASIL, 2011) esta-belece apenas critrios de qualidade para lanamento nos corpos dgua superficiais mas no estabelece critrios de qualidade para reuso.

    A Organizao Mundial da Sade (OMS) lanou um documento baliza-dor, onde foram classificados os tipos de reuso em diferentes modalida-des, de acordo com seus usos e finalidades, a saber (WHO, 1973):

    Reaproveitamento de gua residuria em sistemas de produo de leite

  • 142 Sustentabilidade ambiental, social e econmica da cadeia produtiva do leite: Desafios e perspectivas

    Reuso indireto: ocorre quando a gua j usada, uma ou mais vezes para uso domstico ou industrial, descarregada nas guas super-ficiais ou subterrneas e utilizada novamente a jusante, de forma diluda. Trata-se da forma mais difundida onde a autodepurao do corpo de gua utilizada, muitas vezes sem controle, para degradar os poluentes descartados com o esgoto in natura;

    Reuso direto: o uso planejado e deliberado de esgotos tratados para certas finalidades como irrigao, uso industrial, recarga de aqufero e gua potvel. Exige a concepo e implantao de tec-nologias apropriadas de tratamento para adequao da qualidade do efluente estao qualidade definida pelo uso requerido; re-ciclagem interna: o reuso da gua internamente as instalaes industriais, tendo como objetivo a economia de gua e o controle da poluio. constitudo por um sistema em ciclo fechado onde a reposio de gua de outra fonte deve-se s perdas e ao consumo de gua para manuteno dos processos e operaes de tratamento;

    Reuso potvel direto: ocorre quando o esgoto recuperado, atravs de tratamento avanado, diretamente reutilizado no sistema de gua potvel. praticamente invivel devido ao baixo custo de gua nas cidades brasileiras, ao elevado custo do tratamento e ao alto risco sanitrio associado;

    Reuso potvel indireto: caso em que o esgoto, aps tratamento, dis-posto na coleo de guas superficiais ou subterrneas para diluio, purificao natural e subsequente captao, tratamento e finalmente utilizao como gua potvel. Compreende o fluxograma onde o trata-mento do esgoto empregado visando adequar a qualidade do efluen-te estao aos padres de emisso e lanamento nos corpos dgua.

    Considerando o reuso direto planejado para fins no potveis, pode-se subdividi-lo nas seguintes modalidades: Reuso no potvel para fins agrcolas: embora quando se pratica esta

    modalidade de reuso via de regra haja, como subproduto, recarga do lenol subterrneo, o objetivo precpuo desta prtica a irrigao de plantios, tais como rvores frutferas, cereais, etc. e de pastagens e forraes, alm de ser aplicvel para dessedentaro de animais.

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    Reuso no potvel para fins industriais: abrangem os usos industriais de refrigerao, guas de processo, para utilizao em caldeiras, limpeza etc. Pode-se considerar alguns usos comerciais tais como a lavagem de veculos;

    Reuso no potvel para fins recreacionais: classificao reservada irrigao de plantas ornamentais, campos de esportes, parques, gramados e tambm para enchimento de lagoas ornamentais, recre-acionais etc. Em reas urbanas pode-se considerar ainda a irrigao de parques pblicos, reas ajardinadas, rvores e arbustos ao longo de rodovias, chafarizes e espelhos dgua;

    Reuso no potvel para fins domsticos: so considerados aqui os casos de reuso de gua para rega de jardins residenciais, para des-cargas sanitrias e utilizao desse tipo de gua em grandes edif-cios. Pode-se considerar tambm o reuso para reserva de incndio, lavagem de automveis e pisos.

    O Conselho Nacional de Recursos Hdricos (CNRH) elaborou um docu-mento, similar a recomendao da OMS, a Resoluo 54 CNHR que es-tabelece modalidades, diretrizes e critrios gerais para a prtica de reuso de guas residurias, no sentido de incentivar o reuso de guas de qua-lidade inferior e estabelecendo padres de qualidade dos efluentes para cada qualidade de reuso. Porm esta norma no estabeleceu parmetros especficos para reuso de gua. A Resoluo 54, de 28 de novembro de 2005, (BRASIL, 2006) estabelece:i) que o reuso de gua se constitui em prtica de racionalizao e de

    conservao de recursos hdricos;ii) a escassez de recursos hdricos observada em certas regies do terri-

    trio nacional, a qual est relacionada aos aspectos de quantidade e de qualidade;

    iii) a elevao dos custos de tratamento de gua em funo da degrada-o de mananciais;

    iv) que a prtica de reuso de gua reduz a descarga de poluentes em corpos receptores, conservando os recursos hdricos para o abaste-cimento pblico e outros usos mais exigentes quanto qualidade, e

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  • 144 Sustentabilidade ambiental, social e econmica da cadeia produtiva do leite: Desafios e perspectivas

    v) que a prtica de reuso de gua reduz os custos associados poluio e contribui para a proteo do meio ambiente e da sade pblica.

    Ainda na referida resoluo so estabelecidas as seguintes modalidades de reuso:I) Reuso para fins urbanos: utilizao