noções introdutórias de psicanálise

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  • PSICOLOGIA GERAL noes introdutrias1

    ... as pessoas no esto sempre iguais, ainda no foram terminadas...

    (Guimares Rosa)

    A Psicologia to antiga quanto o prprio homem, pois desde sempre se colocaram questes ao homem sobre si prprio e sobre o que vulgarmente se designava "alma". At o sc. XIX a Psicologia tinha um tom especulativo e sem qualquer explicao ou base experimental, sendo sempre orientada para a metafsica, mantendo-se fortemente ligada filosofia at aquela poca. A Psicologia Clssica ocupava-se pelo estudo da conscincia, da alma, do esprito, baseando-se em crenas, f, dogmas e convices emocionais. Envolvia a interveno de filsofos, padres, mediums e exorcistas.

    A psicologia fazia parte da filosofia, que teve o seu incio na Grcia por volta do sculo VI a.C., com a preocupao de entender e explicar o cosmo (perodo cosmolgico). O mtodo de estudo era a reduo do elemento complexo ao mais simples, sendo denominado por esta razo de elementarismo, atomismo ou monismo.

    A Psicologia na antiguidade ganhou consistncia com Scrates, para quem a principal caracterstica humana era a razo, condio que permitia ao homem sobrepor-se aos instintos, a base da irracionalidade. Scrates acreditava que o nico conhecimento que podia ser obtido era do prprio "eu" "conhece-te a ti mesmo" o mtodo filosfico da introspeco. A conscincia da prpria ignorncia o ponto de partida do conhecimento ("sei que nada sei"). As teorias da conscincia foram assentadas nesta base filosfica.

    Plato procurou definir no corpo fsico um lugar para a razo (ou a alma), que seria a cabea. Ao morrer, segundo ele, o corpo desaparecia e a alma ficava livre para ocupar outro corpo. Para Plato, o mundo material, mutvel seria uma cpia imperfeita do mundo ideal (mundo das idias), imutvel e perfeito. Na sua concepo o homem um ser dualista, composto de mente e corpo. Dessa viso dualista surgiram duas correntes filosficas, a da essncia (mundo ideal) e a da existncia (mundo concreto).

    Aristteles, ao contrrio, postulava que alma e corpo no podiam ser dissociados. Para ele tudo, at mesmo os vegetais, possuam a sua psych ou alma. A diferena que o homem teria a alma racional, com a funo pensante. Aristteles acreditava que o indivduo ao nascer uma "tbula rasa", que ir adquir conhecimento pelas experincias, por meio dos sentidos. As sensaes seriam os elementos mais simples do conhecimento empirismo. Ele foi o primeiro a escrever tratados em psicologia, sendo o mais significativo o relativo memria.

    Dois grandes filsofos representaram a Idade Mdia: Santo Agostinho, que considerava a alma, sede do pensamento, como uma manifestao do divino; e So Toms de Aquino, que foi buscar em Aristteles a distino entre essncia e existncia.

    1 Compilado de BOCK, Ana Maria et alii. Psicologias, DAVIDOFF, Linda. Introduo Psicologia, SCHULTZ, Duane P.; SCHULTZ, Sydney Ellen. Histria da psicologia moderna.

    PSICOLOGIA GERAL/ UEA Profa. Graa Medeiros 1

  • O perodo pr-cientfico da psicologia teve incio no Renascimento, por meio da retomada do mtodo atomista ou elementarista, com o uso da observao, experimentao e quantificao. A fisiologia e a anatomia contriburam para o desenvolvimento da psicologia, pelo estudo do organismo que reage frente aos estmulos, tendo o estudo do sistema nervoso ocupado grande parte do interesse dos estudiosos, especialmente o crebro. A quantificao e a estatstica colaboraram com a cincia, tornando os resultados das pesquisas mais objetivos e confiveis.

    No Renascimento Descartes postula a separao entre a mente (alma, esprito) e o corpo, afirmando que o homem possui uma substncia material e uma substncia pensante (dualismo mente-corpo). Descartes coloca a dvida como ponto de partida de todo raciocnio. Seu mtodo de estudo a dvida metdica ("Penso, logo existo"). Introduziu o estudo do conceito de ao reflexa, relacionado ao comportamento dos animais, dando origem as duas teorias, o dualismo psicofsico e a interpretao mecanicista do comportamento animal. Embora a Filosofia h muito tempo se preocupasse em desvendar o humano, a Psicologia s se constituiu como campo de conhecimento cientfico no final no sculo 19, por isso houve tempo de apresentar teorias acabadas e definitivas, que permitam determinar com maior preciso o seu objeto de estudo que, em sentido mais amplo o homem.

    Um grande problema enfrentado pela Psicologia, assim como por todas as Cincias Humanas que, conforme a definio de homem h diferentes concepes de objeto que combine com ela. Como atualmente h uma riqueza de valores sociais que permitem vrias concepes de homem, pode-se dizer que a cincia psicolgica estuda os diversos homens concebidos pelo conjunto social, caracterizando-se, assim, pela diversidade de objetos de estudo.

    Essa diversidade de objetos justifica-se porque os diversos fenmenos psicolgicos no podem ser acessveis ao mesmo nvel de observao e, portanto, no podem ser sujeitos aos mesmos padres de descrio, medida, controle e interpretao. No momento, ento, no existe uma psicologia, mas cincias psicolgicas em desenvolvimento.

    A matria-prima da Psicologia, ento, o homem em todas as suas expresses, visveis e invisveis, singulares ou genricas. A sua contribuio especfica para a compreenso da totalidade da vida humana o estudo da subjetividade, a maneira prpria de cada indivduo experienciar o mundo, construda aos poucos, ao mesmo tempo em que o homem atua sobre o mundo e sofre seus efeitos.

    A origem da psicologia cientficaA psicologia cientfica veio luz na segunda metade do sculo XIX, na Alemanha, tendo como expoentes Fechner e Wundt.

    Em meados do sc. 19 os problemas e temas da psicologia passam at investigados pela Fisiologia e pela Neurofisiologia. Por volta de 1860 foi formulada uma importante lei no campo da Psicofsica: a Lei de Fechner-Weber, que estabelece relao entre estmulo e sensao, permitindo a sua mensurao. Essa lei teve muita importncia na histria da Psicologia porque instaurou a possibilidade de medida do fenmeno psicolgico.Gustav Theodor FECHNER sua obra Elementos de Psicofsica foi um marco na histria da psicologia, na qual procurava encontrar a relao existente entre o fsico e o psquico adotando a idia do paralelismo, sendo a mente e o corpo faces da

    PSICOLOGIA GERAL/ UEA Profa. Graa Medeiros 2

  • mesma moeda e a ligao entre esses dois mundo uma relao matemtica quantitativa. Essa concluso foi alcanada por meio de diversas experincias, nas quais testava os processos psicolgicos com os mtodos das cincias exatas. Seus mtodos de pesquisa constituiram uma contribuio metodolgica para a psicologia, e ainda hoje so instrumento de pesquisa psicolgica, sendo Fechner considerado o precursor da psicometria. Wilhelm WUNDT a afirmao da psicologia como cincia autnoma e experimental foi marcada pela publicao dos livros Elementos de Psicologia Fisiolgica e pela fundao, em 1875, do primeiro Laboratrio de Experimentos em Psicofisiologia, em Leipzig, na Alemanha. Wundt desenvolveu a concepo de paralelismo psicofsico, segundo a qual aos fenmenos mentais correspondem fenmenos orgnicos. Em sua obra a psicologia estruturada e normatizada, deixando de ser o estudo da vida mental e da alma para ser o estudo da conscincia ou dos fatos conscientes. Para estudo dos processos mentais utilizou a observao, a experimentao e a quantificao, sem desprezar a introspeco. Para explorar a mente ou conscincia do indivduo, Wundt criou um mtodo denominado introspeccionismo.

    medida em que se liberta da filosofia, o status de cincia da psicologia passa a atrair novos estudiosos que, com base a novos padres de conhecimento, buscam produzir teorias a partir dos critrios bsicos da metodologia cientfica, ou seja, buscando a neutralidade do conhecimento cientfico, reunindo dados passveis de comprovao e conhecimento cumulativo que possa servir de ponto de partida para outros experimentos e pesquisas.

    A ESTRUTURAO DA PSICOLOGIA NO SCULO XX ESCOLAS PSICOLGICASNo incio do sc. XX, as diversas tendncias foram reorientadas e aglutinadas em novas ramificaes, estruturando e caracterizando as chamadas escolas psicolgicas. Nos Estados Unidos a Psicologia cientifica encontra campo para um rpido crescimento, com o o Estruturalismo, de Edward Titchner, o Funcionalismo, de William James, e o Associacionismo, de Edward L. Thorndike.

    O Estruturalismo define a psicologia como cincia da conscincia ou da mente, sendo esta a soma total dos processos mentais. A tarefa da psicologia seria a descoberta do verdadeiro contedo da mente e maneira pela qual ela se estrutura. Edward Bradford TITCHENER foi o seu representante mximo. Ele considerava que toda a vida psquica construda a partir das sensaes, imagens, afeies e sentimentos, e o mtodo empregado para chegar a esses elementos deveria ser a introspeco, sem, no entanto, desprezar a experimentao. O estruturalismo um sistema elementarista, atomista e associacionista, procurando entender a concatenao da unidade no todo. Sua linha filosfica o empirismo crtico, sendo uma escola mais pura que aplicada, que procurou estabelecer leis gerais, sem preocupao com as diferenas individuais e os problemas prticos. O Funcionalismo foi a primeira escola exclusivamente norte-americana. Concentra seus esforos em questes de ordem prtica e utilitria ("para que serve? ", "qual a funo?"), dirigindo ao estudo ao aspecto fundamental da conscincia, cuja funo ajustar o homem s condies ambientais fsicas e sociais. A conscincia exerce uma atividade adaptativa, destina-se a ajustar a ao. O funcionalismo se enquadra no modelo filosfico do pragmatismo, em que a funo da consci

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