eu sou deus

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Material promocional. © 2002 Baldini & Castoldi © 2003 Baldini Castoldi Dalai editore (Rio de Janeiro: Intrínseca, 2011) Todos os direitos reservados

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  • As guerras acabam. O dio eterno.

    2 MILHES DE EXEMPLARES VENDIDOS NA ITLIA Assim como Sergio Leone inventou o spaghetti western, Faletti criou o

    spaghetti thriller e com um s golpe modernizou todo o tradicional mundo

    literrio e editorial italiano.

    CORRIERE DELLA SERA

    Aparentemente no h qualquer mor-bidez nas aes do serial killer que man-tm Nova York sob ameaa. A escolha de suas vtimas no obedece a complica-dos percursos mentais nem ele as encara enquanto morrem, mesmo porque no teria olhos para tanto.

    Uma jovem detetive que esconde os prprios dramas pessoais sob a sli-da imagem profi ssional e um reprter fotogrfi co de passado discutvel, em busca de uma segunda chance, so a nica esperana de deter um psicopa-ta que sequer assume a autoria de seus crimes. Um homem que est realizando uma vingana terrvel, por uma dor que afunda suas razes numa das maiores tragdias norte-americanas. Um homem que acredita ser Deus.

    Nascido em Asti, no Piemonte, em 1959, o italiano Giorgio Faletti tem formao em direito, mas tornou-se cantor, compositor e comediante de televiso. Estreou na lite-ratura em 2002 com Eu mato, tambm pu-blicado pela Intrnseca, que vendeu mais de quatro milhes de exemplares na Itlia e foi traduzido para 25 idiomas. autor de Niente di vero tranne gli occhi e Fuori da un evidente destino, da antologia de contos Pochi inutili nascondigli e de Appunti di un venditore di donne todos best-sellers que chegaram marca dos 11 milhes de exemplares vendidos.

    www.intrinseca.com.br

    M

    onzino

    AUTOR DE EU MATOwww.intrinseca.com.br

    Giorgio Faletti

    EU SOU DEUS

    EU SOU DEUS

    Giorgio Faletti

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  • GI O RG I O FA L E T T I

    Eu sou Deus

    TRADUO DE ELIANA AGUIAR

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  • 2002 Baldini & Castoldi 2003 Baldini Castoldi Dalai editore

    TTULO ORIGINALIo Sono Dio

    CAPA

    Mara Scanavino

    PREPARAO

    Paulo Guanaes

    REVISO

    Fatima Amendoeira MacielLuna de Oliveira Valeriani

    DIAGRAMAO

    Editoriarte

    CIP-BRASIL. CATALOGAO-NA-FONTESINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

    F178e

    Faletti, GiorgioEu sou Deus / Giorgio Faletti ; traduo Eliana Aguiar. -

    Rio de Janeiro : Intrnseca, 2011.

    368p.Traduo de: Io sono dio ISBN 978-85-8057-010-6

    1. Romance italiano. I. Aguiar, Eliana. II. Ttulo.

    10-6137. CDD: 853 CDU: 821.131.3-3

    [2011]

    Todos os direitos desta edio reservados

    EDITORA INTRNSECA LTDA.Rua Marqus de So Vicente, 99, 3o andar22451-041 GveaRio de Janeiro RJTel./Fax: (21)3206-7400www.intrinseca.com.br

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  • A Mauro, pelo resto da viagem

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  • Sinto-me como um carona surpreendido por uma chuva de granizo numa autoestrada do Texas.No posso fugir.No posso me esconder.E no posso parar a chuva.

    Lyndon B. JohnsonPRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS

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  • OITO MINUTOS

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    COMEO A CAMINHAR. Caminho lentamente porque no preciso correr. Caminho lentamente por-

    que no quero correr. Tudo est previsto, inclusive o tempo destinado a meu passo. Calculei que oito minutos so sufi cientes. Tenho um relgio de poucos dlares no pulso e um peso no bolso da jaqueta. uma jaqueta de tecido verde e, na frente, em cima do bolsinho, sobre o corao, houve em certa poca uma tira costurada na qual se viam uma patente e um nome. Pertencia a uma pessoa cuja lembrana, como se entregue aos cuidados de uma memria outonal, se desbotara. S restou um leve trao mais claro, uma pequena mancha no tecido, que sobreviveu agresso de mil lavagens quando algum

    quem? por qu? arrancou aquela tira fi na e transferiu o nome inicialmente para um tmulo e

    depois para o nada. Agora uma jaqueta e ponto. A minha jaqueta. Resolvi us-la toda vez que sair para minha breve caminhada de oito minutos.

    Passos que se perdero como sussurros no fragor de milhes de outros passos dados a cada dia nesta cidade. Minutos que se confundiro como caprichos do tempo, estrelas cadentes sem cor, um fl oco de neve no perfi l dos picos das mon-tanhas que o nico a saber que diferente de todos os outros.

    Devo caminhar oito minutos num passo regular para ter certeza de que o sinal de rdio ter alcance sufi ciente.

    Li em algum lugar que, se o Sol se apagasse bruscamente, sua luz ainda che-garia Terra por mais oito minutos antes de tudo mergulhar na escurido e no frio do adeus.

    De repente, eu me lembro disso e comeo a rir. Sozinho, em meio ao trnsito e s pessoas, em uma calada de Nova York, com a cabea erguida para o cu,

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    com a boca escancarada como se surpreendido ao avistar um satlite no espao, comeo a rir. Pessoas em redor se movem e olham para o sujeito que est rindo como um louco, de p na esquina de uma rua.

    Talvez at pensem que eu realmente seja louco.Uma pessoa inclusive para e acompanha minha risada por alguns instantes,

    at perceber que est rindo sem saber o motivo. Rio at as lgrimas da incrvel e irnica infmia do destino. Homens h que viveram para pensar, enquanto ou-tros no puderam faz-lo porque tinham como nica incumbncia sobreviver.

    E outros, morrer.Uma angstia sem remdio, um estertor de sufocamento um ponto de inter-

    rogao para carregar nas costas como o peso de uma cruz, porque a sada uma doena que no acaba nunca. Ningum encontrou o remdio, por um motivo muito simples: no existe remdio.

    A minha proposta uma s: oito minutos.Ningum entre os seres humanos que se afl igem a meu redor capaz de sa-

    ber o momento em que os ltimos oito minutos tero incio.Eu sou.Eu tenho o Sol em minhas mos muitas vezes, e posso apag-lo quando quiser.

    Chego ao ponto que representa, para meu passo e meu cronmetro, a palavra aqui enfi o a mo no bolso e meus dedos circundam um pequeno objeto sli-do e conhecido.

    Minha pele sobre o plstico um guia seguro, uma trilha a percorrer, uma memria alerta.

    Encontro um boto e o aperto com delicadeza.E mais um.E outro ainda.Um instante ou mil anos depois, a exploso um trovo sem temporal, a

    terra recebendo o cu, um momento de libertao.Depois, os gritos, a poeira dos carros que se abalroam, e as sirenes que avi-

    sam que para muitas pessoas atrs de mim os oito minutos chegaram ao fi m.Esse o meu poder.Esse o meu dever.Esse o meu querer.Eu sou Deus.

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  • MUITOS ANOS ANTES

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    O TETO ERA BRANCO, MAS PARA o homem estendido na cama ele estava repleto de imagens e espelhos. As imagens eram as que o atormentavam toda noite havia meses. Os espelhos eram os da realidade e da memria, nos quais continuava a ver seu rosto refl etido.

    Seu rosto de agora, seu rosto de outrora.Duas fi guras diversas, a trgica magia de uma transformao, duas peas que em

    seu percurso marcaram o incio e o fi m daquele longo jogo de sociedade que fora a guerra. Muita gente o tinha jogado, gente demais. Alguns pararam por uma rodada; outros, para sempre.

    Ningum venceu. Ningum, nem de um lado, nem do outro.Mas, apesar de tudo, ele retornou. Conservara a vida e a respirao e a possi-

    bilidade de olhar, mas perdera para sempre o desejo de ser olhado. Agora o mun-do para ele no ia alm do limite de sua sombra, e como punio continuaria a correr at o fi m da vida, a fugir perseguido por algo que carregava colado em si como um cartaz num muro.

    s suas costas, o coronel Lensky, psiquiatra do exrcito, estava sentado numa poltrona de couro, uma presena amiga numa posio da qual podia se defender. Fazia meses, talvez anos, na realidade sculos, que se encontravam naquele quar-to que no conseguia apagar do ar e da mente o leve cheiro de ferrugem que se respirava em qualquer ambiente militar mesmo quando, em vez de uma caser-na, se tratava de um hospital.

    O coronel era um homem de ralos cabelos castanhos, voz calma e uma apa-rncia que, primeira vista, lembrava mais um capelo que um soldado. s vezes, vestia o uniforme, mas quase sempre estava paisana. Roupas discretas, cores neutras. Um rosto sem identidade, uma daquelas pessoas que a gente encontra e esquece rapidamente.

    Que querem ser esquecidas rapidamente.

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    Por outro lado, durante todo aquele tempo tinha ouvido mais sua voz que olhado seu rosto.

    Pois ento, sair amanh.Aquelas palavras continham o sentido defi nitivo da despedida, o valor ilimi-

    tado do alvio, o signifi cado inexorvel da solido. Mesmo? Acha que est pronto?No!, gostaria de gritar. No estou pronto, assim como no estava quando tudo isso

    comeou. No estou pronto agora e no estarei nunca. No depois de ter visto o que vi e de ter vivido o que vivi; no depois de meu corpo e meu rosto...

    Est

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