contraponto 102

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Março de 2016

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  • JORNAL LABORATRIO DO CURSO DE JORNALISMO Faculdade de Filosofia, Comunicao, Letras e Artes PUC-SP

    ANO 16 N0 102 Maro 2016

    A

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  • CONTRAPONTO Jornal Laboratrio do Curso de Jornalismo - PUC-SP Maro 2016

    PUCPontifcia Universidade catlica

    de so PaUloPUc-sP

    reitor

    vice-reitor

    Pr-reitora de Graduao

    Pr-reitor comunitrio

    facUldade de filosofia,comUnicao, letras e artes

    faficla

    diretormrcio alves da fonseca

    diretora adjuntaregiane miranda nakagawa

    chefe do departamento de Jornalismovaldir mengardo

    coordenador do Jornalismocristiano Burmester

    vice-coordenador do JornalismoJos salvador faro

    c o n t r a Ponto

    conselho editorialJos arbex Jr.,

    marcos cripa e Pollyana ferrari

    comit laboratorialluiz carlos ramos, rachel Balsalobre, salomon cytrynowicz, Wladyr nader

    editorJos arbex Jr.

    ombudsman

    secretria de redaomaria eduarda Gulman

    secretrias de produoandressa vilela e Giovanna fabbri

    editor de fotografialeonardo m. macedo

    PUC

    E D I T O R I A L

    SUMRIO

    capa: ato contra dilma na PUc-sP

    alice v. / democratize

    meritocracia # meu primeiro emprego pg. 3

    manifestaes Polcia Militar ataca alunos da PUC-SP pg. 4

    educao A reorganizao continua pg. 6

    direitoshumanos Sistema carcerrio ignora as mulheres pg. 8

    sade Aedes Aegypti 4 x 0 Brasil pg. 10

    ensaiofotogrfico Dois atos pg. 12

    tensosocial O mito da hospitalidade brasileira: racismo e refgio pg. 14

    cinema Oscar expe falta de diversidade na indstria cinematogrfica pg. 16

    cultura O poder da charge na crtica poltica pg. 18

    abandono Cinzas da memria pg. 20

    comunicao Uma imagem vale mais que mil palavras? pg. 21

    resenha As perguntas que no entram na reportagem pg. 22

    crnica O outro lado da ponte pg. 22

    antena PMDB rompe com o governo Dilma pg. 23

    machismo Mulheres no mundo artstico: muito alm das aparncias pg. 24

    simetria design Grfico projeto/editoraoWladimir senise fone: 2309.6321

    contraPonto o jornal-laboratrio do curso de Jornalismo da PUc-sP.

    rua monte alegre 984 PerdizesceP 05.014-901 so Paulo sP

    fone: 3670.8205

    nmero 102 maro de 2016

    cill Press Grfica e editorafone: 993.583.533

    ErramosNo CP 99, a matria intitulada O direito cidade de autoria de Pedro Prata,Paola Micheletti e Laura Jabur.

    No CP 100, a secretria de redao Maria Eduarda Gulman.

    No vai ter golpe No 16 de maro, quarta-feira, o Palcio do Planalto lanou uma nota oficial nomeando o

    ex-presidente Luiz Incio Lula da Silva como ministro da Casa Civil, ocupando o lugar de Jaques Wagner. O ex-presidente fez uma reunio com a presidenta Dilma Rousseff na noite do dia 15 para acertarem os ltimos detalhes e o comunicado oficial foi feito no dia seguinte.

    As reaes da populao no demoraram a acontecer. J no dia 16, foram organizados dois atos: um a favor da democracia e outro a favor do impeachment de Dilma. O primeiro ocorreu nas dependncias do TUCA, o Teatro da Universidade Catlica de So Paulo, e contou com a presena de Marilena Chau, Gilberto Maringoni, Maria Rita Kehl e outros importantes intelec-tuais e artistas. O segundo, na Avenida Paulista, reuniu pessoas contra o governo do Partido dos trabalhadores (PT). Ao longo da noite, o prdio do Federao das Indstrias do Estado de So Paulo (Fiesp) se iluminou com as cores da bandeira brasileira e os dizeres Renuncia J.

    Manifestantes presentes no ato da Paulista permaneceram acampados em frente ao prdio da Fiesp, que serviu filet mignon como almoo aos cidados de bem na quinta-feira do dia 17. Alguns dos manifestantes, que tambm pediam por interveno militar, s foram retirados do local quando a Tropa de Choque usou bombas de efeito moral e jatos dgua a fim de dispersar o acampamento, que j bloqueava a avenida por muitas horas.

    J no final da tarde da sexta-feira, 18, partidos de oposio de esquerda marcharam ao lado de organizaes do PT contra o golpe e a favor da democracia. Segundo o instituto Datafolha, a manifestao reuniu 95 mil pessoas.

    impossvel dizer que a grande mdia no se posicionou em relao aos recentes aconte-cimentos envolvendo os escndalos de corrupo e o PT. Foi armado um circo miditico para cada ao que ligava um membro do partido a algum caso da Operao Lava Jato. A imprensa brasileira parou para noticiar o ex-presidente Lula depondo e at levou algumas pessoas a acreditarem que era um pedido de priso, devido cobertura miditica tendenciosa que foi dada.

    Infelizmente, no de hoje que a grande mdia escolhe ficar do lado de uma direita que se mostra golpista. Como bem lembrado nos gritos do povo brasileiro na noite de sexta-feira, a verdade dura, a Rede Globo apoiou a ditadura. A esquerda sofreu muito na mo de militares para saber que 1964 no deve se repetir e no ir permitir um impeachment vindo da comisso mais corrupta j vista no Senado. A palavra de ordem uma s: no vai ter golpe.

    EXPEDIENTE

  • CONTRAPONTOJornal Laboratrio do Curso de Jornalismo - PUC-SP Maro 2016

    Por carol rocha, isabela rovaroto e letcia seplveda

    MeritocraciaCONTRAPONTO

    A poltica em seus vrios desdobra-mentos sempre mostrou o quo importante chegar ao poder. Existem aqueles que afirmam que, na verdade, poltica poder. Maquiavel escreveu em sua obra O Prncipe que para alcan-lo e se manter soberano, no im-porta os meios que os indivduos usam, desde que consigam chegar aos seus fins. Atualmen-te, possvel observar no Brasil a ascenso de candidaturas atravs de vrios modos. Existem os que conseguem por apoio das classes sociais, bancadas religiosas e at mesmo os que usam o seu capital poltico, isto , a bagagem poltica de suas famlias, para tornar mais fcil o acesso aos cargos pblicos. Talvez esse seja o caso de Joo Henrique Campos, filho do ex-candidato presidncia pelo PSB Eduardo Campos, morto em um acidente de avio no ano de 2014. O jovem foi nomeado pelo governador de Pernambuco, Paulo Cmara, ao cargo de chefe de gabinete.

    Depois da morte de seu marido, Renata Campos passou a ser mentora do filho. Ele as-sumiu o mesmo cargo que seu pai exerceu nos anos 1980 durante o governo de seu av, Miguel Arraes. Com a morte do pai, Joo Campos ficou responsvel por preservar o capital poltico que a famlia possui a geraes, o que explica o seu in-teresse em candidatar-se nas prximas eleies. Em 2014, ele esteve envolvido em uma disputa pela liderana da Juventude Socialista Brasileira (JSB-PE). Na poca, recusou o cargo, dizendo no estar preparado para assumi-lo e defender o legado. Alm disso, enfatizou que gostaria de ser reconhecido por seus mritos e no por suas ligaes familiares.

    A nomeao de um jovem de apenas 22 anos, recm-formado em engenharia civil e com salrio superior a sete mil reais, gerou uma discusso sobre aplicao da meritocracia na poltica brasileira. A discusso resultou na criao de uma hashtag (#meuprimeiroemprego), na qual os internautas usaram suas redes sociais como ferramenta para protestar. Foram diversos depoimentos a respeito das dificuldades encon-tradas nas primeiras experincias profissionais: #meuprimeiroemprego oficialmente foi em um cargo pblico, estranhamente eu tive que fazer concurso para entrar no mesmo e acho que por no ter o sobrenome Campos eu ganhava pouco mais de um salrio mnimo, publicou Diogo Xavier, estudante da universidade federal rural de Pernambuco (UFRPE).

    Para o cidado comum, encontrar um trabalho sem que seja necessrio ter experincia prvia uma tarefa cada vez mais difcil. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego do terceiro tri-mestre de 2015 ficou em 9%, a mais alta desde 2012. Alm disso, no mesmo perodo, a mdia de renda real do brasileiro foi de R$1.899. Em um cenrio como esse, a atuao de familiares influentes na promoo de cargos pblicos alvo de diversos questionamentos.

    O discurso meritocrtico, to presente nas pautas de diversos setores da sociedade, sobretudo dos conservadores, parece no valer quando o assunto favorecimento poltico. Cerca

    vez que possuiu muitos familiares na poltica. Isso justificaria o fato de sempre ter recebido orientao para assumir um cargo pblico. Deste modo, a famlia poderia se manter atuante na poltica, perpetuando seu nome entre o eleitora-do. Por outro lado, o professor Wagner no acha justificvel o atual cargo de chefe de gabinete que o jovem exerce. Poltica esfera publica, lugar sustentado pelos recursos pblicos e pelo trabalho da maioria das pessoas. O setor publico tinha que dar exemplo, no poderia acontecer isso nunca, ressaltou.

    Em si, a meritocracia justa; entretanto na prtica, no isso que ocorre. No Brasil, um jovem de 22 anos sem auxlio poltico da famlia dificilmente chegaria ao mesmo cargo que Joo Campos assume atualmente. Favorecimentos por herana familiar ainda so uma prtica comum na poltica do Pas. Enquanto isso, milhes de brasileiros continuam a percorrer as mais diversas etapas de formao em busca de uma vaga que garanta seu sustento, enfrentando obstculos que um sobrenome como o de Joo evitaria. a lgica meritocrtica se perpetuando como um mito.

    #meu primeiro empregoPanorama atual do mundo do trabalho no Brasil produz reflexos

    na arena pblica

    de 49% do Congresso Nacional possui ligao com polticos ou ex-ocupantes de cargos; quando o raio restringido aos mais jovens, com idade inferior a 35 anos, o percentual passa a ser de 85%. o que diz um estudo feito pela organi-zao no governamental (ONG) Transparncia Brasil, a respeito da dominao dos cls polticos nas ltimas eleies, em 2014.

    A partir de dados como esses, fica evidente o quanto situaes como a de Joo Campos so corriqueiras. O caso trouxe tona uma discusso sobre a meritocracia que, segundo o