contos de edgar allan poe edgar allan poe vol 2

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  1. 1. DADOS DE COPYRIGHT Sobre a obra: A presente obra disponibilizada pela equipe Le Livros e seus diversos parceiros, com o objetivo de oferecer contedo para uso parcial em pesquisas e estudos acadmicos, bem como o simples teste da qualidade da obra, com o fim exclusivo de compra futura. expressamente proibida e totalmente repudivel a venda, aluguel, ou quaisquer uso comercial do presente contedo Sobre ns: O Le Livros e seus parceiros disponibilizam contedo de dominio publico e propriedade intelectual de forma totalmente gratuita, por acreditar que o conhecimento e a educao devem ser acessveis e livres a toda e qualquer pessoa. Voc pode encontrar mais obras em nosso site: LeLivros.link ou em qualquer um dos sites parceiros apresentados neste link. "Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e no mais lutando por dinheiro e poder, ento nossa sociedade poder enfim evoluir a um novo nvel."
  2. 2. Este projeto tem por objetivo disponibilizar livros digitais gratuitos para nossos leitores, agregando assim valor e disseminando a cultura. Contos de Edgar Allan Poe Volume 2 Editora Navras Digital 25/04/2013
  3. 3. SUMRIO INTRODUO SOBRE O AUTOR O CORAO DENUNCIADOR O DEMNIO DA PERVERSIDADE WILLIAM WILSON IMPORTANTE EXPEDIENTE
  4. 4. INTRODUO Esta coleo tem por objetivo democratizar a leitura e disponibilizar obras de qualidade com informaes autorais. Que esta seja a primeira de muitas obras gratuitas que iremos disponibilizar. Peo desculpas por no colocar os creditos do tradutor, j que a fonte aonde foi buscado os contos, no fazia meno aos mesmos. Gustavo Gonalves Editor da Navras Digital
  5. 5. Sobre o Autor Edgar Allan Poe destacou-se como contista, poeta e crtico literrio exigente Segundo filho de David Poe e Elizabeth Arnold, ambos atores, Edgar Poe ficou rfo ainda criana e foi adotado por um casal rico de Richmond, Virgnia, Jonh Allan e Frances Kelling Allan. Isso lhe permitiu ter uma educao de qualidade, bem como fazer uma longa viagem pela Inglaterra, Esccia e Irlanda com os pais adotivos. Regressou aos Estados Unidos em 1822 e continuou seus estudos sob a orientao dos melhores professores dessa poca. Dois anos depois, entrou para a Universidade de Charlotesville, distinguindo-se tanto pela inteligncia quanto pelo temperamento inquieto, que o levou a ser expulso da escola. A seguir, verificou-se um perodo ainda pouco esclarecido na vida de Poe, no qual se registram viagens fora dos Estados Unidos. Retornou a seu pas em 1829 e manifestou desejo de seguir a carreira militar. Foi admitido na clebre Academia de West Point, mas acabou expulso poucos meses depois por indisciplina. Com a morte da me adotiva, John Allan voltou a casar-se, com uma mulher muito jovem que lhe deu dois filhos. Isso impediu que Poe se tornasse herdeiro da fortuna paterna e ele se afastou da casa do pai adotivo, deixando Richmond. Aps um perodo de relativa dificuldade, conheceu uma certa prosperidade ao vencer simultaneamente os concursos de conto e poesia promovidos pela revista "Southern Literary Messager". O fundador da publicao, Thomas White, convidou-o a dirigir a revista que rapidamente se imps ao pblico. Durante dois anos, Poe esteve a frente do peridico, onde pde exibir seu talento, que se manifestava num estilo novo, no conto e na poesia, bem como pelos artigos de crtica literria que revelavam seu rigor e sensibilidade esttica.
  6. 6. Escritor bem-sucedido, Poe casou-se com Virginia Clemm. Entretanto, ao fim de dois anos, White cortou relaes com o escritor, que j desenvolvera a doena do alcoolismo. Poe passou a produzir como "free-lancer", em grande quantidade, mas sem ganhar o suficiente para manter uma vida digna e saudvel, o que o levou a afundar-se ainda mais na bebida. A morte de sua mulher agravou o problema. O escritor passou a beber cada vez mais e j sofria os primeiros ataques de delirium tremens. Numa viagem a Nova York, para tratar de negcios, parou em Baltimore e hospedou-se numa taberna onde se distraiu durante horas bebendo com amigos. Era a noite de 6 de outubro de 1849. O escritor morreu na madrugada do dia 7, aos 40 anos. Hoje Poe um escritor estudado e cultuado em todo o Ocidente. Entre suas obras destacam-se: The Raven (O Corvo, poesia, 1845), Annabel Lee (poesia, 1849) e o volume Histrias Extraordinrias (1837), onde aparecem seus contos mais conhecidos, como "A Queda da Casa dos Usher", "O Gato Preto", "O Barril de Amontillado", "Manuscrito encontrado numa Garrafa", entre outros, considerados obras-primas do terror.
  7. 7. O Corao Denunciador verdade tenho sido nervoso, muito nervoso, terrivelmente nervoso! Mas por que ireis dizer que sou louco? A enfermidade me aguou os sentidos, no os destruram, no os entorpeceram. Era penetrante, acima de tudo, o sentido da audio. Eu ouvia todas as coisas, no cu e na terra. Muitas coisas do inferno eu ouvia. Como, ento, sou louco? Prestai ateno! E observai quo lucidamente, quo calmamente posso contar toda a histria. impossvel dizer como a idia me penetrou primeiro no crebro, uma vez concebida, porm, ela perseguiu dia e noite. No havia motivo. No havia clera. Eu gostava do velho. Ele nunca fizera mal. Nunca me insultara. Eu no desejava seu ouro. Penso que era o olhar dele! Sim, era isso! Um de seus olhos parecia com o de um abutre... um olho de cor azul plida, que sofria de catarata . Meu sangue se enregelava sempre que ele caa sobre mim; e assim, pouco a pouco, bem lentamente , fui-me decidindo a tirar a vida do velho e assim libertar-me daquele olho para sempre. Ora, a que estava o problema. Imaginais que sou louco. Os loucos nada sabem. Devereis, porm, ter-me visto. Devereis ter visto como procedi cautelosamente, com que prudncia, com que previso, com que dissimulao, lancei mo obra! Eu nunca fora mais bondoso para com o velho do que durante a semana inteira, antes de mat-lo. todas as noites, por volta da meia-noite, eu girava o trinco da porta de seu quarto e abria-a... oh! Bem devagarzinho! E depois, quando a abertura era suficientemente para conter minha cabea, eu introduzia uma lanterna com tampa, toda velada, bem velada, de modo que nenhuma luz se projetasse para fora, e em seguida enfiava a cabea. Oh! Tereis rido ao ver como enfiava habilmente! Movia-a lentamente, muito, muito lentamente, a fim de no perturbar o sono do velho. Levava uma hora para colocar a cabea inteira alm da abertura, at pode-lo ver deitado na cama. Ah! Um louco seria precavido assim? E depois, quando minha cabea estava bem dentro do quarto, eu abria a tampa da lanterna cautelosamente... oh! Bem cautelosamente!... cautelosamente... por que a dobradia rangia... abria-a s at permitir que apenas um dbil raio de luz casse no olho de abutre. E isto eu fiz durante sete longas noites... sempre precisamente meia-noite... e sempre encontrei o olho fechado. Assim, era impossvel fazer minha tarefa, porque no era o velho que me perturbava, mas seu olho Diablico. E todas as manhs, sem temor, chamando-o pelo nome com ternura e perguntando como havia passado a noite. Por a vedes que ele precisaria ser um velho muito perspicaz para suspeitar que todas as noites, justamente s doze horas, eu o espreitava, enquanto dormia. Na oitava noite, fui mais cauteloso do que de hbito, ao abrir a porta. O ponteiro dos minutos de um relgio mover- sei-ia mais rapidamente do que meus dedos. Jamais, antes daquela noite, sentira eu tanto a extenso de meus prprios poderes, de minha sagacidade. Mal conseguia conter meus sentimentos de triunfo. Pensar que ali estava eu, a abrir a porta, pouco a pouco, e que ele nem sequer sonhava com meus atos ou pensamentos secretos... Ri com gosto, entre dentes, e essa idia; e talvez ele me tivesse ouvido, porque se moveu de sbito na cama, como se assustado. Pensava talvez que recuei? No! O quarto dele estava escuro como piche, espesso de sombra, pois os postigos se achavam hermeticamente fechado, por medo aos ladres. E eu sabia, assim, que ele no podia ver a abertura da porta; continuei a avanar, cada vez mais, cada vez mais. J estava com a cabea dentro do quarto e a ponto de abrir a lanterna, quando meu polegar deslizou sobre o fecho da porta e o velho saltou na cama gritando: "Quem est a?" Fiquei completamente silencioso e nada disse. Durante uma hora inteira no movi um msculo e, por todo esse tempo, no o ouvi deitar-se de novo: ele ainda estava sentado na cama, escura; justamente com eu fizera, noite aps noite, ouvindo a ronda da morte prxima. Depois, ouvi um leve gemido e notei que era um gemido de terror mortal. No era um gemido de dor ou pesar, oh no! Era o som grave e sufocado. Bem conhecia esse som. Muitas noites, ao soar a meia-noite, quando o mundo inteiro dormia, ele irrompia de meu prprio peito, aguando, com o seu eco espantoso, os terrores que me aturdiam. Disse que bem o conhecia. Conheci tambm o eu o velho sentia e tive pena dele, embora abafasse o riso no corao. Eu sabia que ele ficara acordado, desde o primeiro leve rumor, quando se voltar na cama. Da por
  8. 8. diante, seus temores foram crescendo. Tentara imagin-los sem motivo mas no fora possvel. Dissera a si mesmo; " s o vento na chamin", ou " s um rato andando pelo cho", ou "foi apenas um grilo que cantou um instante s": sim, ele estivera tentando animar-se com essas suposies, mas tudo fora em vo. Tudo em vo, porque a Morte, ao aproximar-se dele, projetava sua sombra negra para frente, envolvendo nela a vtima. E era a influncia ttrica dessa sombra no percebia que o levava a sentir - embora no visse, nem ouvisse - a sentir a presena de minha cabea dentro do quarto. Depois de esperar longo tempo, com muita pacincia, sem ouvi-lo deitar-se, resolvi abrir um pouco, muito, muito pouco, a tampa da lanterna. Abri-a, podeis imaginar o quo furtivamente; at que, por fim, um raio de luz apenas, tnue como o fio de uma teia de aranha, passou pela fenda e caiu sobre o olho de abutre. Ele estava aberto; todo, plenamente aberto. E, ao contempl-lo, minha fri