Aprenda xadrez com Garry Kasparov

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  • 1. Aprenda Xadrez com Garry Kasparov Repleto de idias e estratgias geniais 1
  • 2. 2
  • 3. Sumrio Notao Algbrica ............................................................................ LIO 1 Por Que Estudar Xadrez? ................................................. LIO 2 Idias e Tcnicas ............................................................... LIO 3 Equilbrio Material ........................................................... LIO 4 A Importncia do Centro .................................................. LIO 5 Como Ganhar Espao ....................................................... LIO 6 Estruturas de Pees ........................................................... LIO 7 Dinamismo e Iniciativa ..................................................... LIO 8 Evitando Desastres na Abertura ........................................ LIO 9 Negligenciando os Princpios da Abertura ........................ LIO 10 O Objetivo da Abertura ................................................... LIO 11 A Escolha da Abertura .................................................... LIO 12 A Arte do Planejamento .................................................. LIO 13 Forando as Continuaes .............................................. LIO 14 Sacrifcios de Dama ........................................................ LIO 15 Estratagemas Tticos ....................................................... LIO 16 O Final ............................................................................. LIO 17 Mtodos de Ataque .......................................................... LIO 18 Ataque ou Defesa ............................................................. LIO 19 Contra-ataque ................................................................... LIO 20 A Oposio ....................................................................... LIO 21 O Ataque no Final ............................................................. LIO 22 Fortalezas no Tabuleiro ..................................................... LIO 23 A Beleza do Xadrez ........................................................... LIO 24 Dedique-se Bastante .......................................................... ndice de Jogos e Posies .................................................................. 3 4 5 8 13 18 24 29 34 39 44 50 56 63 69 74 79 84 89 94 99 104 109 114 120 125 128
  • 4. Notao Algbrica Os lances que aparecem neste livro so escritos segundo a "notao algbrica", uma denominao pomposa para descrever um mtodo muito simples de se anotar os movimentos. Os leitores que j estiverem familiarizados com o sistema podem passar direto para as lies propriamente ditas; mas aqueles que s conhecem anotao descritiva ou que tenham pouca experincia em xadrez iro considerar til o material que se segue. Partimos do princpio de que os nossos leitores j sabem jogar xadrez. Cada pea representada por um smbolo, conforme se segue: Peo Cavalo Bispo Torre Dama Rei !""""""""# tMvWlVmT% OoOoOoOo% + + + +% + + + + % + + X + +% + + + + % pPpPpPpP% RnBqKbNr% /) p n b r q k As casas do tabuleiro so descritas por meio de um sistema de coordenadas, a cada uma correspondendo um par formado por uma letra e um nmero a letra para a coluna e o nmero para a fileira (veja o diagrama). A casa marcada com um X denominada "e4". O princpio exatamente o mesmo aplicado no jogo "batalha naval". No h mistrio algum nisto! 4
  • 5. LIO 1 Por Que Estudar Xadrez? A proposta da revista Sport in the URSS, de publicar uma srie de lies minhas para os seus leitores, me pegou um pouco de surpresa; porque eu mesmo ainda estou estudando as sutilezas do xadrez. Depois de pensar um pouco, eu resolvi que, escrever a respeito da minha compreenso e da minha interpretao dos fundamentos do xadrez, tambm seria til para mim. Eu sou um apaixonado pelo xadrez; esta paixo j dura muitos anos e para sempre. Eu estou sempre estudando xadrez, e estudando minuciosamente. Mesmo quando eu analiso aquilo que j fiz e trao planos para o futuro, no consigo deixar de me impressionar diante da inesgotabilidade do xadrez e de me tornar cada vez mais convencido da sua imprevisibilidade. Veja por voc mesmo: j foram disputados milhes de partidas e milhares de livros foram escritos, sobre vrios aspectos do jogo. E assim mesmo no existe um mtodo ou uma frmula capaz de garantir a vitria. No h critrios, matematicamente comprovados, para avaliar-se sequer um lance, quanto mais uma posio. Os experts em xadrez no tm dvidas de que, na maioria das posies, h mais de uma continuao recomendvel e cada um escolhe o "melhor" lance com base na sua prpria experincia, capacidade analtica e at mesmo carter. Nem mesmo a possibilidade do emprego de computadores, para anlise, parece sria no presente, uma vez que ainda no foi encontrado um algoritmo [definitivo] da partida de xadrez, e no h programa algum capaz de lidar confiavelmente com suas complicaes mltiplas. E por que falar a respeito de detalhes, posies e estgio da partida 5
  • 6. quando nem mesmo h uma resposta para a pergunta O que o xadrez? Um esporte, uma arte ou uma cincia? Alguns diro: Os jogadores de xadrez participam de torneios e disputam partidas, lutam para vencer e o resultado importante para eles - o que significa que o xadrez um esporte. Ele desenvolve a fora de vontade e ajuda as pessoas a se tomarem mais fortes. E como pode algum convencer outro da correo da opinio daqueles que sempre se impressionam com a beleza das combinaes e da lgica das tticas do xadrez? Para estes um engenhoso sacrifcio da Dama em uma partida perdida uma fonte de prazer, ao passo que uma partida montona, forada, os deixa indiferentes. Para estes o xadrez uma arte, capaz de trazer felicidade e de dar sentido aos momentos de lazer. Ao mesmo tempo, h tambm muitos entusiastas capazes de passar noites em claro resolvendo um problema do tipo: Por que as Pretas moveram a Torre para a casa d8 em vez de mover o Cavalo para a casa c6? Por que a posio das Pretas melhor? Para estes o xadrez principalmente uma cincia baseada no raciocnio lgico. Eu gosto do xadrez pela sua versatilidade e pela sua multiplicidade. Foi a beleza e o brilhantismo dos golpes tticos que me cativaram ainda na infncia. Primeiro admirando este brilhantismo, e depois buscando-o nas minhas prprias partidas, e a seguir tentando jogar bonito - tais foram os estgios do meu crescimento como um prisioneiro da arte do xadrez. Mas depois veio a poca em que comecei a competir com os outros, a tomar parte em torneio aps torneio, e isto quer dizer que tive que comear a trilhar o caminho do xadrez como esporte. Eu ainda gosto de jogar bonito, mas no mais posso ser indiferente aos meus resultados; a se vou ganhar ou terminar nas ltimas posies. Eu quero vencer, eu quero derrotar todos, mas quero faz-lo com estilo, em um combate esportivo honesto. O ex-campeo mundial, Mikhail Botvinnik, que eu considero meu professos um acadmico do xadrez, cujo trabalho me ajudou a abordar o xadrez cientificamente. Ele despertou em mim o prazer de pesquisar e de resolver os inumerveis problemas do jogo. Ao longo de meus 6
  • 7. !""""""""# + V +tL% + +p+ Oo% + + + +% + + + + % + + + +% + Q + + % pP OoOpP% + +r+ +k% /) preparativos para as competies, e durante minhas anlises de partidas e aberturas, de repente, percebi que estava tentando estudar meticulosa e metodicamente, com uma persistncia tpica de um pesquisador. Estou convencido de que a minha afeio por todos estes aspectos do xadrez ir contribuir para preservar a minha paixo, pelo resto da minha vida. Meus pais me ensinaram a mover as peas quando eu tinha cinco anos, e eu fiquei fascinado. Um ano mais tarde, fui levado para um grupo de xadrez no Clube de Jovens Pioneiros em Baku, onde eu me imaginava em um reino de jogadores de xadrez. Desejando convencer-nos do carter paradoxal do xadrez, o nosso instrutor arrumou as peas sobre o tabuleiro, logo em uma das primeiras sesses; veja o diagrama a seguir. Esta posio, onde os pequenos Pees derrotam o inimigo, era to surpreendente que parecia um conto de fadas, e tomei-me incapaz de viver sem o xadrez desde ento. Sempre admirei esta posio. Eu sempre gostei de atacar desde a infncia; ainda gosto de jogar na ofensiva. Dediquei muito tempo para estudar os fundamentos, que parecem no ter nenhuma influncia direta no jogo mas que - estou convencido - so necessrios tanto para um Grande Mestre quanto para um amador que queira melhorar o seu jogo e obter agradveis resultados em torneios. Para atingir o seu alto padro de jogo, um Grande Mestre tem que gastar milhares de horas estudando centenas de partidas. Seu talento jamais se desenvolveria sem tamanho trabalho. Se voc gosta de jogar xadrez mas no tem tempo para dedicar-se a um estudo independente, mas assim mesmo quer derrotar seus amigos, voc ter que gastar algumas dezenas de horas debruado sobre o tabuleiro. Nesta srie de artigos, tento expor a minha compreenso dos fundamentos, em uma linguagem que seja clara para todos, e falar sobre as sutilezas que so imprescindveis aos verdadeiros amantes do xadrez. 7
  • 8. LIO 2 Idias e Tcnicas Antes de discutir os fundamentos da partida de xadrez, eu gostaria de mostrar um trecho de uma partida, e apresentar alguns comentrios meus preparados especificamente para o jogador de nvel mdio. Espero que, aps ler a minha anlise, voc seja capaz de ver, por si mesmo, que qualquer um que queira prover seus movimentos de significado e beleza precisa de muito conhecimento. estudar por duas ou trs horas os princpios bsicos que guiam os primeiros estgios da partida: colocar as prprias peas em ao to rpido quanto possvel e assumir o controle do centro do tabuleiro. 1... Cf6 Este um dos melhores movimentos para as Pretas. As Pretas pem uma pea em jogo e impedem que o adversrio conduza seu Peo para a casa e4, de modo a consolidar seu domnio sobre o centro. 2.c4 Agora as Brancas impedem o avano do Peo da Dama para a casa d5, pois, neste caso, aps 3.cd as Pretas tero de escolher entre 3... Dxd5 4.Cc3, quando as Brancas desenvolvem o Cavalo ao passo que as Pretas tm que mover novamente a Dama, desacelerando o desenvolvimento G. Kasparov F. Gheorghiu Moscou 1982 1.d4 Os jogadores experientes sabem que este lance, assim como o lance do Peo do Rei para a casa e4, o mais lgico e direto, ou para falar de modo mais simples, o melhor para se iniciar uma partida. Cada um de vocs pode chegar mesma concluso, aps 8
  • 9. de suas peas, ou ficando para trs no desenvolvimento, conforme costuma dizer-se. Se as Pretas tornarem o Peo com o Cavalo via 3... Cxd5, permitiro que as Brancas joguem 4.e4 e mantenham um forte par de Pees no centro, todos eles controlando posies importantes no lado das Pretas, ou seja, as casas c5, d5, e5 e f5. Vamos voltar s primeiras linhas da nossa anlise do movimento 2.c4, onde dissemos que as Brancas impedem.... Este o incio de um conflito consciente no jogo de xadrez. Idias se chocaram, o combate comeou. Quanto maior for a habilidade e o conhecimento de um jogador, tanto melhor estar ele capacitado a detectar a ocorrncia de tais microconflitos, dos quais h dezenas em uma partida, e tanto melhor ser tambm o seu julgamento sobre as conseqncias e as aes futuras. 2... e6 As Pretas abrem uma passagem para o Bispo, e, como se querendo compensar o tempo perdido, preparam-se para levar o seu Peo da Dama para a casa d5. 3.Cf3 As Brancas tm uma boa gama de continuaes fortes, inclusive os lances 3.Cc3 e at mesmo 3.Bg5 ou 3.Bf4. So primordiais compreenso dos princpios de desenvolvimento rpido das peas e a sua implementao prtica durante a abertura. 3... b6 As Pretas preocupam-se com o seu Bispo na casa c8 e preparam-se para coloc-lo em ao na posio principal de combate na casa b7 ou na posio alternativa a6. 4.a3 Para entender este movimento, aparentemente passivo, necessria uma compreenso profunda de medidas preventivas em uma partida. Este movimento discreto das Brancas evita que o Bispo Preto possa exercer uma presso ativa a partir da casa b4, e ao mesmo tempo prepara a conduo do Cavalo Branco casa c3 onde ele pode desempenhar um papel vital na luta pelo centro. 4... Bb7 5.Cc3 Ambos os lados tentam colocar logo as peas em jogo, de modo a consolidar seu poder de fiscalizao das casas centrais do tabuleiro. 5... d5 As Pretas fortalecem, radicalmente, a sua posio no centro. Mesmo assim, o Lance d5 tem as 9
  • 10. 7... c5 As Pretas poderiam acabar com o plano das Brancas jogando 7... f5, mas o custo seria muito alto. Elas ficariam com um Peo fraco e atrasado na casa e6. 8.e4 Cxc3 9.bc Aqui h um novo ganho por parte das Brancas. Elas conseguiram colocar um forte par de Pees no centro e esto lutando pelo controle da quinta fileira, isto , de territrio inimigo. Os jogadores de xadrez chamam isto de vantagem em espao. 9... Be7 10.Bb5+ Bc6 11.Bd3 Em xadrez nem sempre uma linha reta corresponde menor distncia entre dois pontos. Ao mover o Bispo para d3, em dois lances, as Brancas colheram mais benefcios do que teriam feito caso o tivessem movido para l diretamente. As Pretas tiveram que abdicar do lance mais natural contra o xeque, porque aps 10.Bb5+ Cc6 11.e5 Tc8 12.Da4 Dc7 13.Dxa7 Ta8? 14.Bxc6+ as Brancas venceriam. O Bispo das Pretas fica em uma posio infeliz na casa c6, atrapalhando as suas prprias peas. Os jogadores de xadrez costumam se referir a suas desvantagens, um vez que bloqueia a diagonal do Bispo na casa b7. 6.cd Cxd5 Aps 6...ed, o Bispo na casa b7 teria sido bloqueado pelo seu prprio Peo e correria o risco de continuar imobilizado por algum tempo. Embora uma tal caracterstica na posio das Pretas no seja capaz de, por si s, determinar o sucesso das Brancas, o acmulo consistente de pequenas vantagens como esta que permite a um Grande Mestre virar o jogo a seu favor. !""""""""# tM WlV T% OvO +oOo% O +o+ +% + +m+ + % + P + +% P N +n+ % P +pPpP% R BqKb+r% /) 7.Dc2 Um outro microconflito se desenvolve na partida em torno do lance e4, que permitiria s Brancas ocuparem o centro. Ao escolher este lance as Brancas levam em considerao que aps 7.e4? Cxc3 8.bc Bxe4 as Pretas ganham um Peo. 10
  • 11. tais casos como mau posicionamento de pea e pobre coordenao de foras". 11... Cbd7 O Bispo ocupando a casa c6 forou o Cavalo a um papel passivo, impedindo que pudesse exercer um papel ativo naquela casa, de onde ele atuaria sobre o centro controlado pelas Brancas. Pode ser que as Pretas no quisessem dar s Brancas a vantagem do par de Bispos aps 11... O-O 12.Ce5, mas este teria sido o menor de dois males, uma vez que na situao presente o Rei Preto permanece no centro. Teria sido mais razovel se as Pretas buscassem a segurana do seu monarca retirando-o do centro, to logo quanto possvel. 12.0-0 J que as Pretas demoram a colocar seu Rei em segurana, as Brancas decidem abrir o centro a qualquer custo (removendo os Pees das colunas centrais). Para isto elas afastam o seu Rei da zona de combate deixando a rea livre para a ao das Torres. 12... h6 Uma medida preventiva, similar ao lance 4.a3, que impediu o lance das Pretas ... Bb4. Mas 12... O-O seria mais adequado. O seqenciamento preciso das operaes um componente importante da partida, e o Grande Mestre Florian Gheorghiu escolheu um momento infeliz para medidas preventivas. 13.Td1 As Brancas centralizam a Torre, antevendo a abertura da coluna da Dama. 13... Dc7 J tarde demais para as Pretas rocarem. Depois de 13... O-O 14.d5 (um sacrifcio de Peo) 14... ed (14 ... Bb7? uma jogada fraca, pois com 15.de fe 16.Bb5! as Pretas teriam problemas por causa do seu Cavalo preso na casa d7) 15.ed Bb7 16.c4 Bf6 17.Bb2 as Brancas obtm um forte Peo passado no centro. 14.d5! !""""""""# t+ +l+ T% O WmVoO % Ov+o+ O% + Op+ + % + +p+ +% P Pb+n+ % +q+ PpP% R Br+ K % /) 11
  • 12. Aquele que est em vantagem deve agir rpido. Esta era uma das mximas do grande pensador do xadrez e primeiro campeo mundial Wilhelm Steinitz (1836-1900), que formulou as leis bsicas da estratgia enxadrstica. Uma anlise da herana clssica deixada pelos corifeus do passado til para todos os entusiastas do xadrez e uma necessidade para aqueles que desejam estudar seriamente e melhorar seu jogo. Na partida anterior as Brancas sacrificaram apenas um Peo para obter tudo o que queriam: abrir as colunas centrais, amarrar as peas Pretas na coluna da Dama e manter o Rei adversrio no centro. As Brancas visivelmente venceram o primeiro estgio da partida a abertura e fizeram por meio de um plano de ao consistente. No entanto, para capitalizar tais vantagens, preciso agir de modo rpido e preciso. 12
  • 13. LIO 3 Equilbrio Material De modo a avaliar corretamente o equilbrio de foras em um tabuleiro, preciso, antes de tudo, estar ciente do valor comparativo das peas. O Rei ocupa uma posio excepcional aqui, ele no tem preo. Ele no pode ser trocado, e qualquer ameaa ao mesmo deve ser eliminada, ou a partida termina imediatamente. A pea mais poderosa a dama, que em mdia costuma ter o valor de uma Torre, um Bispo e um Peo e meio. Uma Torre tem aproximadamente o valor de um Cavalo ou Bispo e um Peo e meio. E por ltimo, um Bispo ou um Cavalo so mais ou menos equivalentes a trs Pees. Mas alm do valor nominal de cada pea, h um valor real que se modifica ao longo da partida. Esta noo mais sutil e importante reflete a importncia de cada pea no que se refere sua carga de trabalho, em um dado momento (na hora de um lance), e s suas perspectivas, que decorrem da posio especfica no tabuleiro e do plano de jogo. A avaliao correta da fora real de cada pea, a cada lance, determina em grande parte a extenso do potencial de um jogador. A noo de vantagem material no xadrez reside no desequilbrio de foras. Quando um lado obtm uma vantagem material, ele tenta aument-la, de modo a quebrar a resistncia de seu adversrio; ou mantm a vantagem, trocando tantas peas quanto possvel para entrar na fase final. Mas s vezes acontece de um jogador entregar material deliberadamente. Eu, por exemplo, gosto de atacar a posio do Rei, e no hesito em sacrificar peas em troca dos Pees, de modo a derrubar sua defesa. Foi deste modo que joguei, 13
  • 14. 20 Txd5 Agora, quando o Rei busca proteger-se atrs do seu Peo, o Bispo restante vem e, ao custo de sua vida, aniquila de vez o ltimo refgio do Rei Preto. 20... Rg8 21.Bxg7 Rxg7 algum tempo atrs, com Lajos Portisch, um Grande Mestre hngaro. Depois dos primeiros 16 lances chegamos seguinte posio: !""""""""# +t+ Tl+% OvW VoOo% O +o+ +% M + + + % +pP + +% P +b+n+ % B +qPpP% + +r+rK % /) !""""""""# +t+ T +% O W VoL % O + + +% M +r+ + % + + + +% P + +n+ % + +qPpP% + + +rK % /) Se ns imaginssemos que o Peo na casa d4 no estivesse no tabuleiro, veramos que os Bispos Brancos atacam exatamente os dois Pees Pretos que protegem o Rei, que no tem nenhuma outra proteo. Tudo isto exige um ataque-relmpago cujos fins roubar do Rei suas ltimas defesas - justificam os meios, que neste caso representam a perda de um Peo Branco e do formidvel par de Bispos. Uma srie de sacrifcios deixou o Rei Preto encarando o nada, em uma posio na qual a Dama Branca representa a maior ameaa. 22.Ce5! Td8 23.Dg4+ Rf8 24.Df5 f6 25.Cd7+ Txd7 Se 25... Rf7 as Brancas vencem imediatamente com 26.Dh7+ Re6 27.Te1+ Rxd5 28.De4+ Rd6 29.De6 mate. 26.Txd7 Dc5 27.Dh7 Tc7 Em primeiro lugar necessrio abrir caminho para o Bispo na casa b2. 17.d5! ed 18.cd Bxd5 O prximo passo eliminar as defesas do Rei. 19Bxh7+ Rxh7 14
  • 15. !""""""""# + + L +% O TrV +q% O + O +% M W + + % + + + +% P + + + % + + PpP% + + +rK % /) 28... Rf7 29.Td3 Xc4 30.Tfd1 Nunca demais pr em jogo as suas reservas... 30... Ce5 31.Dh7+ Re6 impossvel recuar com 31... Rf8 porque se seguiria um novo sacrifcio com 32.Td8+! Bxd8 33.Txd8 mate. O Rei obrigado a dirigir-se para o centro do tabuleiro, e em noventa e nove por cento dos casos, isto sinnimo de derrota. 32.Dg8+ Rf5 33.g4+ Rf4 34.Td4+ Rf3 35.Db3+ E as Pretas abandonam. No preciso dizer que todos os jogadores devem conhecer e respeitar os princpios bsicos do xadrez, inclusive os valores relativos das peas, mas exatamente a diversidade de excees a esta regra, que torna o xadrez um jogo to fascinante. Tais excees levam a situaes de equilbrio incomuns, onde o caminho correto costuma ser encontrado pela intuio e pela experincia. Como parte das minhas experincias eu lembro de um trecho de uma partida, disputada entre H um certo equilbrio material na posio acima. Uma Torre e um Peo Brancos confrontam um Bispo e um Cavalo. Ainda assim as peas Pretas esto mal posicionadas, especialmente o Rei, e as Brancas penetraram na stima horizontal com duas de suas peas mais fortes. O final da batalha est prximo. Tudo depender de quo rpido as Brancas possam trazer uma de suas Torres para a casa g3. No entanto, o ltimo lance das Pretas arma discretamente uma cilada, para os jogadores afoitos. 28.Dh8+ Se as Brancas tivessem jogado 28.Td3 de imediato as conseqncias seriam desastrosas, j que as Pretas fariam um sacrifcio de Dama - 28... Dxf2! 29.Rxf2 Bc5+ e Txh7 a seguir. A rplica 29.Txf2? ainda pior, seguindo-se mate com 29 ... Tc1+ 30.Tf1 Bc5+ 31.Txf1 mate. 15
  • 16. !""""""""# + + Tl+% + + R Oo% o+ + + +% +oO + + % +mT B +% + + +q+p% pP + Pp+% Mv+ + K % /) Mikhail Tal e Oscar Panno, em 1958. !""""""""# t+vW Tl+% + + V Oo% o+ + + +% MoO N + % +mP O +% +b+q+ +p% pP B Pp+% Rn+ R K % /) Dois Cavalos e uma Torre no valem, de algum modo, menos que uma Dama e, alm disto, o Bispo Branco no se encaixa adequadamente no jogo. Obviamente o resultado desta luta depender da agilidade da Dama Branca. 24.Dg4! Bg6 25.De6+ Bf7 26.Df5 Cc2 27.b3 Bg6 Tal temia mais um contraataque Preto iniciando-se com 27... Td1+ 28.Rh2 Cd2. As Pretas acabam por jogar um lance slido que fora as Brancas a complicarem o jogo ainda mais. 28.Txg7+ Rxg7 29.Bh6+ Rxh6 30.Dxf8+ Rg5 31.bc bc Mais uma vez a posio transformou-se radicalmente. As Brancas tm apenas a Dama e alguns Pees no ataque. Sem que houvessem concludo o desenvolvimento de suas peas, os adversrios iniciaram um embate feroz em que o equilbrio material de foras perdeu a sua importncia imediata. A coisa vital ali era avaliar corretamente o alcance e a eficcia das peas. 18... Cxb3 19.Cc6 As Brancas pretendem tomar a Dama com este lance, mas entregam material demais em troca. 19... Cxa1 20.Cxd8 Bf5! 21.Df3 Taxd8 22.Txe7 Bxb1 23.Bxf4 Txd4 A posio se alterou, alm de qualquer possibilidade de reconhecimento, em cinco lances. 16
  • 17. !""""""""# + + Q +% + + + +o% o+ + +v+% + O + L % +o+ + +% + + + +p% p+m+ Pp+% + + + K % /) !""""""""# + + + +% + + + + % o+ + + +% + O + +o% +o+ +vP% + + TlP % p+ + + +% + + Q K % /) 32. g3 Be4 33.h4+ Rg4 34.Rh2 Bf5! Panno visa entregar uma pea (35.f3+ Rxf3 36.Dxf5+ Re3) de modo a trazer o Rei para o flanco da Dama. Por isso que as Brancas a recusam, preferindo a oportunidade de manter o Rei inimigo no flanco direito, ao alcance dos seus Pees. 35.Df6 h6 36.De5 Te4 37.Dg7+ Rf3 38.Dc3+ Ce3 Um empate mais simples dar-se-ia com 38... Rxf2 39.Dxc2+ Rf3. 39.Rg1 Bg4 40.fe h5 41.De1 Txe3 41... Te6 42.e4 c3 poderia ser outro caminho alternativo para um empate, j que as peas Pretas acabariam defendendo umas s outras, como Rei Branco imobilizado em uma jaula. 42.Df1+ Re4 43.Dxc4+ Rf3 44.Df1+ Re4 45.Dxa6 Agora a Dama Branca conta com o auxlio do Peo passado na casa a2. Foi este Peo que definiu o resultado do combate, mas tratase de assunto para uma outra lio. 17
  • 18. LIO 4 A Importncia do Centro As casas e4, d4, e5 e d5 no centro do tabuleiro so muito importantes. Elas comparam-se a uma colina do alto da qual pode se ver todo o campo de batalha ou lanar um ataque nocauteador a qualquer alvo no tabuleiro. no centro (ou o ocupa) geralmente garante uma facilidade de mover suas peas, de um lado para outro do tabuleiro, o que constitui uma vantagem para suas foras. Cem anos atrs o combate pelo centro era bem mais descomprometido e cavalheiresco. As Brancas em geral corriam e ocupavam o centro com os seus Pees e dispunham-se razoavelmente a sacrificar material. Os gambitos, ou as aberturas em que se entregava material, estavam muito em voga. 1.e4 e5 2.f4! ef Atualmente a resposta mais comum o contra-gambito 2... d5 3.ed d4!, tornando o combate central mais sutil. 3.Cf3 Wilhelm Steinitz (18361900), oficialmente considerado o primeiro campeo mundial, gostava de jogar 3.d4, de modo a permitir !""""""""# + + + +% + + + + % + + + +% e5 + +d5 + + % + d4 e4 + +% + + + + + % + + + +% + + + + % /) Expresses tais como "luta pelo centro", "controle do centro" e "minar o centro" tambm refletem instantes cruciais da batalha e so velhas conhecidas de qualquer jogador experiente. A luta pelo centro comea mesmo nos primeiros lances. O lado que conquista uma vantagem 18
  • 19. 3... Dh4+ 4.Re2. Ele acreditava que ter uma vantagem no centro era mais importante, do que uma boa proteo para o Rei. 3... g5 4.Bc4 g4 5.O-O! gf 6.Dxf3 Df6 7.d3 Bh6 8.Cc3 Ce7 9.Bxf4 d6 10.Bxh6 Dxh6 11.Dxf7+ Rd8 12.Tf6 Dg5 13.Taf1 prtico a estratgia das Brancas no centro. Esta foi a continuao de uma das partidas disputadas pelo grande enxadrista russo Mikhail Chigorin, em 1878. As Brancas sacrificaram uma pea e desencadearam um forte ataque, onde a sua superioridade no centro desempenhou um papel decisivo. O eminente enxadrista americano Paul Morphy (18371884) ilustrou de modo mais Naquela poca esta posio interessantssima no ficava nada a dever atual popularidade da abertura espanhola. Ao sacrificar um Peo, as Brancas obtm uma clara vantagem no centro, onde elas mantm um poderoso par de Pees que, se usado como um escudo slido, permite que as P. Morphy J. Arnous de Rivire Paris 1863 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 Bc5 4.b4 Bxb4 5.c3 Bc5 6.O-O d6 7.d4 ed 8.cd Bb6 9.Cc3 !""""""""# tMvL + T% OoO Mq+o% + O R +% + + + W % +b+p+ +% + Np+ + % pPp+ +pP% + + +rK % /) !""""""""# t+vWl+mT% OoO +oOo% VmO + +% + + + + % +bPp+ +% + N +n+ % p+ + PpP% R Bq+rK % /) 19
  • 20. qual as Pretas podem se adaptar. Mas cada um destes Pees pode avanar, criando novas situaes para as quais as Pretas tero que achar uma defesa, o que consideravelmente mais difcil. Por isto que um "centro mvel" de Pees um fator importante na hora de se avaliar as chances de ambos os lados na batalha que se anuncia. 9... Df6 10.Cd5 Dg6 11.Cf4! Df6 12.e5! O Peo central avanou e criou uma situao na qual as Pretas, em vez de desenvolver suas peas, tm de se preocupar com a defesa do seu Rei. Ser preciso um esforo formidvel, j que a maior parte das peas Pretas est ainda presa nas suas posies iniciais. neste ponto que as Brancas - valendo-se da sua vantagem com relao ao nmero de peas efetivamente envolvidas no combate - executam uma operao tpica: abrir o centro (eliminando os seus prprios Pees e tambm os do inimigo) para dar passagem s peas maiores. Quando o centro est aberto, o papel das peas aumenta consideravelmente, e o seu posicionamento revestido de uma importncia crtica. Brancas reagrupem suas foras conforme necessrio. As Brancas tambm estabeleceram um forte controle sobre o centro do adversrio, i.e., dois ataques contra duas defesas casa e5 e trs ataques casa d5, que no conta com defesa alguma. As Pretas no podem jogar 9... Cf6 porque a se expem ao ataque 10.e5! de 11.Ba3! Bxd4 12.Db3! Be6 13.Bxe6 fe 14.Dxe6+ Ce7 15.Cxd4 ed 16.Tf1! !""""""""# t+ Wl+ T% OoO M Oo% + +qM +% + + + + % + O + +% B N + + % p+ + PpP% R + R K % /) Considera-se que a melhor resposta para as Pretas 9... Bg4, continuando aps 10.Bb5 com 10... Bd7 ou 10... Rf8. J. Arnous de Rivire fez um lance natural, mas infeliz, que permitiu, s Brancas, tirar partido de uma outra vantagem, do seu par de Pees no centro - a sua mobilidade. De fato, enquanto os Pees esto fixos na casa e4 e d4 eles provocam uma situao 20
  • 21. 16.Be3! Dg5 Se 16... Dxg4 segue 17.Dh5+ 17.Cf3 Da5 18.Bxb6 Dxb6 19.Cd5 Da5 20.Cd2! Agora as Pretas no podem fazer nada contra a ameaa Torre em a8 aps 21.Cb3 e 22.Cxc7+, nem contra a ameaa no menos importante Dh5+. O fim est prximo. 20... Cd4 21.Cb3 Cxb3 22.ab Dc5 23.Dh5+ Rd8 Com 23... g6 24.Cxf6+, perde-se a Dama. 24.Tad1 Esta etapa exige um timing que s se consegue com clculo e preciso excepcionais. 12... de 13.de Df5 As Pretas no podem, certamente, tomar o Peo com 13... Cxe5? 14.Cxe5! Dxe5? 15.Tel, aps o que as Brancas ganham a Dama. E o Peo do Rei continua a movimentar-se para a frente. 14.e6 !""""""""# t+v+t+mT% OoO +oOo% Vm+p+ +% + + +w+ % +b+ N +% + + +n+ % p+ + PpP% R Bq+rK % /) !""""""""# t+vL +mT% OoO + Oo% + +pO +% + Wn+ +q% +b+ + +% +p+ + + % + + PpP% + +r+rK % /) 14... f6 As Pretas no melhoram a sua situao com 14... fe 15.Cxe6 Bxe6 16.Bxe6! Df6 17.Dd7+ Rf8 18.Bb2! (por isso que o Peo saiu da casa e5) 18... Dxb2 19.Df7 mate. Agora o Peo na casa e6 divide o contingente das Pretas em dois e o seu valor revestido de uma importncia ainda maior. As Brancas s precisam impedir que o Rei Preto consiga fugir para um dos lados. 15.Ch4! Dc5 No h como fugir das graves conseqncias do xeque descoberto (25.Cb6+; o Cavalo deixa a coluna da Dama expondo o Rei inimigo Torre), portanto as Pretas abandonaram. 21
  • 22. essencial que cada lado preste ateno formao dos Pees no centro e tente fazer com que os seus predominem. s vezes apenas um Peo se mantm no centro. Esta situao cria novos problemas como, por exemplo, ocupar um "posto avanado" no centro, que de modo geral permite que as peas possam ser utilizadas de modo mais vantajoso, determinando assim uma superioridade em relao ao adversrio. desta posio lances. nos prximos !""""""""# tM +lV T% O +o+oOo% O + W +% + Oq+ + % + + + +% + + Pn+ % pPp+ PpP% R + Kb+r% /) Ao mesmo tempo, as debilidades das Pretas na coluna da Dama so permanentes e podem adquirir grande importncia. Os enxadristas experientes nunca do incio a ataques nos flancos sem antes consolidar suas posies no centro. No diagrama a seguir, as Brancas, sem terem feito o necessrio Cc3, iniciaram um ataque de Pees na ala do Rei. Isoladamente no uma ameaa muito grande. Em uma partida por correspondncia, entre Neergard e Simagin, em 1964, as Pretas provaram o perigo que ele representa para as Brancas (!) de modo bastante convincente. 1... b5!! 2.cb d5!! 3.ed e4! 4.Dxe4 T. Petrosian - Kozma Munique 1958 1.Cf3 Cf6 2.d4 e6 3.Bg5 c5 4.e3 b6?! O modo despretensioso como as Brancas jogam a abertura, diminuiu a vigilncia das Pretas e permitiu que, por causa deste lance aparentemente natural, seu adversrio ocupasse um posto avanado no centro com uma pea. 5.d5! ed 6.Cc3 Bb7 7.Cxd5! Bxd5 8.Bxf6 Dxf6 9.Dxd5 As Brancas tm um forte posto na casa d5, j que as Pretas no podem forar a sada da Dama 22
  • 23. !""""""""# t+ WtVl+% Oo+m+o+o% + Ov+o+% + + O + % +p+p+pP% +p+qBp+ % p+ +n+ +% + +rKb+r% /) !""""""""# +t+t+l+% O + +o+o% + V Wo+% +p+pM +v% q+ + + P% +p+ Bp+ % p+ RnKb+% + + + +r% /) A 4.fe seguir-se-ia 4... Ce5!, mas ainda assim as Brancas ficam em uma posio desconfortvel. 4... Bxg4 5.Df4 Bh5 6.Rf2 Ce5 7.Bg2 Bd6 8.Da4 Tc8! 9.Td2 Df6 Em poucos lances a posio Branca, que parecia slida, desmoronou a partir de um contraataque no centro no momento correto. A partida continuou: 10.Bg5 Df5 11.Cf4 Bxf3 12.Bh3 Se 12.Bxf3 Cxf3 13.Rxf3 segue-se 13... Tc3+ 14.Rf2 Bc5+ 15.Rf1 Tf3+ 16.Rg2 Dg4+. 12... Bg4 13.Rg2 Tc2 e as Brancas abandonam, pois a seqncia 14.Thd1 Bxh3+ 15.Cxh3 Df3+ ou 14.Tf2 Txf2+ 15.Rxf2 Cd3+ decisiva. Portanto, tente controlar as casas centrais, proteg-las e nunca subestime o seu valor! 23
  • 24. LIO 5 Como Ganhar Espao Uma vez que o xadrez jogado em uma rea limitada, as 64 casas de um tabuleiro, a dimenso do espao, isto , do nmero de casas conquistadas por cada lado, para o posicionamento de suas peas, tm, em geral, grande importncia no desenvolvimento do jogo. No incio, as Brancas e as Pretas controlam a mesma rea. Geralmente, qualquer jogada na abertura visa ao controle de um nmero maior de casas, de preferncia no territrio inimigo. Os Pees, ao pressionar as peas maiores do adversrio e dar maior liberdade para as prprias peas, desempenham o papel principal no ganho de espao. Mas seu movimento tem de ser necessariamente acompanhado do apoio das outras peas, ou iro sucumbir logo. Um enxadrista experiente tenta sempre assegurar a sua superioridade no centro do tabuleiro, delimitado pelas colunas c e f, onde esto as melhores posies para as peas. Para tomar a nossa discusso mais especfica, vamos analisar duas partidas. A primeira foi jogada no final do sculo passado. S. Tarrasch R. Charousek Nuremberg 1896 1.d4 2.e4 3.Cc3 4.f4 5.Cf3 6.Be2 d6 Cf6 g6 Bg7 O-O !""""""""# tMvW Tl+% OoO OoVo% + O Mo+% + + + + % + PpP +% + N +n+ % pPp+b+pP% R BqK +r% /) 24
  • 25. 7.e5 8.Be3 Apenas cinco lances feitos, mas as vantagens em espaos das Brancas so grandes: trs Pees controlam casas importantes na quinta fila, que territrio do adversrio. Com o apoio das demais peas eles podero avanar ainda mais, aumentando o controle sobre o territrio inimigo. No xadrez moderno, um mtodo estratgico confivel para combater tais cadeias de Pees um imediato contra-ataque de Pees (geralmente com o apoio das demais peas) com o objetivo de impedir a progresso dos Pees inimigos; ou ao menos abrir espao para as prprias peas, atravs de trocas de Pees. Ao mesmo se segue uma ofensiva de Pees contra os Pees adversrios buscando quebrar a cadeia em sees isoladas, ou "ilhas". A variante 6...c5! 7.d5 e6 8.O-O ed 9.ed ilustra bem este mtodo. Charousek, um dos jogadores mais fortes da poca, tambm tenta restringir a cadeia de Pees Brancos, mas sem sucesso. Ele bloqueia a movimentao de suas peas e, mais importante, toma impossvel um ataque ao centro de Pees Brancos. A posio das Pretas se torna extremamente delicada aps mais trs lances. 6... d5 Ce8 e6 !""""""""# tMvWmTl+% OoO +oVo% + +o+o+% + +oP + % + P P +% + N Bn+ % pPp+b+pP% R +qK +r% /) Sob a proteo do tridente de Pees nas casas d4-e5-f4, as peas Brancas dispem de bastante espao para manobrar e podem ser reagrupadas em qualquer ponto do tabuleiro, O grande jogador alemo, Tarrasch, resolve o problema de explorar esta superioridade de um modo muito simples: ele inicia um ataque de Pees no flanco do Rei. Os seus Pees iro abrir espao para as peas mais importantes, e as peas Pretas, confinadas s duas ultimas fileiras, acabaro por atrapalharem-se umas s outras no conseguindo organizar uma defesa. 9.h4! Uma das regras bsicas do xadrez : "Uma ofensiva nos flancos melhor contestada por um contra-ataque no centro." 25
  • 26. G. Kasparov T. Georgadze Minsk 1979 1.e4 e5 2.Cf3 d6 3.Bc4 Be7 4.d3 Este lance no foi por medo, mas por querer evitar as variantes desta abertura que se seguem a 4.d4 ed 5.Cxd4, bastante estudadas pelo meu adversrio. 4... Cf6 5.c3 O-O 6.O-O c6 7.Bb3 Be6 8.Bc2 h6 9.Te1 Cbd7 10.Cbd2 Dc7 Ambos os jogadores jogam sem pressa, parecendo manobrar com o mesmo sucesso, mas isto no verdade. As Brancas so as primeiras a conquistar espao. 11.d4! Tfe8 12.h3! Infelizmente ao efetuar o lance 6... d5 as Pretas perderam esta chance e tiveram o seu destino selado. 9... Cc6 10.h5 Ce7 11.g4 f5 12.hg Cxg6 13.Bd3 h6 14.g5 Rh7 15.De2 Th8 16.Dg2 c5 17.gh !""""""""# t+vWm+ T% Oo+ + Vl% + +o+mP% + OoPo+ % + P P +% + NbBn+ % pPp+ +q+% R + K +r% /) As Pretas abandonaram tendo em vista as inevitveis perdas de material, e.g. se 17... Bxh6 18.Dg5! A segunda partida ilustra os mtodos modernos de obter uma vantagem em espao. Esta partida tem uma importncia especial para mim por representar a minha primeira vitria, jogando uma partida posicional contra um adversrio forte em uma competio de alto nvel. !""""""""# t+ +t+l+% OoWmVoO % +oOvM O% + + O + % + Pp+ +% + P +n+p% pPbN Pp+% R BqR K % /) 26
  • 27. Limitar as oportunidades do adversrio (nem o Bispo ou o Cavalo podem chegar casa g4 agora) tambm um meio de se ganhar espao. 12... Cf8 13.c4! Cg6 As Pretas no desejam abrir o centro, liberando jogo s peas Brancas, aps 13... ed 14.Cxd4 Rb6 15.C2f3! Bxc4 16.Cf5. Pelo contrario, as Pretas abandonam a rea sob fiscalizao do tridente c4-d5-e4. 14.d5 Bd7 As Pretas deveriam ter jogado 14... cd para obter espao para manobrar no flanco da Dama com ... b5! posteriormente. 15.Cb1! Bf8 16.Cc3 c5? 17.Ba4 Em uma posio restringida como esta, a maior parte das trocas seria favorvel s Pretas, mas este no o caso do seu Bispo de casas brancas. Ele defende casas importantes e tambm a pea menor que tem mais potencial. 17... a6 18.Bxd7 Cxd7 19.g3 Be7 20.h4! As Brancas decidiram pela estratgia de limitar a mobilidade das peas Pretas na ala do Rei, e prepararam-se para uma ruptura na ala da Dama. 20... Cf6 21.Ch2 Dd7 22.a4 Dh3 23.Df3 Dd7 24.a5! As Brancas cruzaram a linha central tambm no flanco da Dama, pressionando ainda mais as Pretas. A sua expanso agora evidente para ambos os jogadores, mas as Pretas, incapazes de manobrar suas reservas, no podem fazer nada a respeito. 24... Cf8 25.Bd2 Tec8 26.Cf1 Cg4 27.Ca4 Bd8 28.Tec1 Tab8 29.b4! cb 30.Bxb4 h5 31.Cb6! Em princpio esta parece tratar-se de uma continuao !""""""""# TtV Ml+% +o+w+oO % oN O + +% P +pO +o% Bp+p+mP% + + +qP % + + P +% R R +nK % /) 27
  • 28. 34.f3 Ch6 35.c5 dc 36.Bxc5 Df6 37.Rg2 Te8 38.Be3 Cd7 39.Tab1 De7 As Pretas perderam no tempo, por no terem efetuado 40 lances nas duas horas e trinta de que dispunham. Porm, aps 40.Dxe7 Txe7 41.Tc7 a posio das Pretas seria desesperadora. Concluso: valorize o espao, obtenha tanta vantagem em espao quanto puder. Mas no seja ganancioso demais, a sua estrutura de Pees muito avanada pode ser bloqueada e destruda, com as peas adversrias correndo ao ataque por entre as brechas abertas, e a qualquer resultado possvel. ilgica, pois poder-se-ia exercer uma presso maior na coluna b. Mas as Brancas planejavam abrir a coluna c e muito importante ter um ponto de entrada disposio. A casa c7 a melhor cabea-deponte para um ataque das Brancas. 31... Bxb6 32.ab De7 33.Da3 Td8 A ltima oportunidade de resistir era impedir o avano do Peo da coluna c sacrificando a Torre em troca de um Bispo 33... Tc5! 34.Bxc5 dc. Ainda assim as Brancas manteriam todas as chances de vitria. Agora, porm, a ofensiva das Brancas se desenvolve rapidamente e de acordo com o planejado. 28
  • 29. LIO 6 Estruturas de Pees T. Petrosian - H. Pfleger URSS vs. Alemanha Ocidental 1960 Embora os Pees sejam os elementos mais fracos, eles freqentemente determinam a progresso e o resultado de uma partida. Se algum dos lados tem uma vantagem de 2 ou 3 Pees, esta vantagem na maior parte das vezes suficiente para forar uma vitria. A situao mais complexa quando h um nmero igual de Pees. Ai a avaliao da posio d-se pelo exame do posicionamento dos mesmos. Antes da partida iniciar-se, os Pees esto alinhados nas suas casas originais. Ao avanar eles se apoiam mutuamente e limitam a mobilidade das peas adversrias. Os enxadristas experientes freqentemente sacrificam material para conseguir uma linha de Pees mvel, flexvel, onde os mesmos se protegem mutuamente, conforme o diagrama a seguir: !""""""""# t+ +l+ T% +vW Vo+o% oO +o+o+% + M P + % +p+ P +% + N + + % pBq+b+pP% + +r+rK % /) 1.Cd5! ed 2.cd Agora os Pees nas casas d5 e e5 tomaram-se o fator decisivo. 2... Dc8 Veja o diagrama a seguir 3.e6! O-O 4.Dc3 f6 5.d6 Ca4 29
  • 30. !""""""""# t+w+l+ T% +v+ Vo+o% oO + +o+% + MpP + % + + P +% + + + + % pBq+b+pP% + +r+rK % /) 11.Tc7 Agora h a ameaa de 12.e8D+. 11... Rh6 12.Bxf6 E as Pretas abandonam. Como pode algum lidar com uma potente falange de Pees? E preciso usar de uma soluo radical: destruir toda a linha, ou ao menos o elo central. Em outras palavras, quebrar a linha em duas entidades separadas, incapazes de protegeremse mutuamente. No entanto costuma acontecer que o meio mais eficaz de combater uma linha mvel de Pees seja contendo a sua mobilidade ou preparando um bloqueio. O que pode ser feito, por exemplo, vulnerando as casas em frente aos Pees. A linha de Pees Pretos nas casas c4, d5 e e6 pode ser contida por um Bispo Branco posicionado na. diagonal a1-h8. 5... Dxe6 no e uma boa jogada, j que se perde a Dama aps 6.Bc4. 6.Dxc8 Tfxc8 7.Ba1 Tc2 8.de Txe2 9.Td8+ Rg7 10.Tc1 Seria um erro promover a Dama com 10.e8D, j que aps 10... Txg2+!! 11.Rh1 Tg3+ as Brancas tomam um xeque-mate inesperado. !""""""""# + + + +% + + + + % + +o+ +% + +o+ + % +o+ + +% + + + + % B + + +% + + + + % /) !""""""""# t+ R + +% +v+ P L % oO +pOo+% + + + + % m+ + P +% + + + + % p+ +t+pP% B R + K % /) 10... Mas se o avano dos Pees Pretos for apoiado por um Cavalo Txe6 30
  • 31. !""""""""# t+vWl+ T% Oo+ MoOo% + O M +% + OpO + % +p+p+ +% + Pb+n+ % p+ + PpP% R BqK +r% /) Preto na casa c6, somente o Bispo Branco no ser capaz de parar o avano da cadeia de Pees. O melhor mtodo para montar uma barricada bloqueando Pees com Pees. Se os Pees Pretos nas casas c4, d5 e e6 fossem bloqueados no por um Bispo mas por trs Pees colocados nas casas c3, d4 e e5, tal barreira seria intransponvel. !""""""""# + + + +% + + + + % + +o+ +% + +oP + % +oP + +% + P + + % + + + +% + + + + % /) Conforme se v, trs Pees c4, d5 e e4 enfrentam a oposio de uma estrutura das Pretas nas casas c5 e e5, apoiada por um Peo na casa d6. Isto mostra-se suficiente para tomar a posio no centro estvel. Nem todos os jogadores, no entanto, tentam restringir a mobilidade dos Pees com tamanha meticulosidade. As propriedades dinmicas das linhas de Pees oferecem grandes oportunidades de combinaes, que pode levar a complicaes interessantes, principalmente quando ambos os jogadores preferem uma partida aberta. Por outro lado, uma cadeia de Pees estacionria, bloqueada, geralmente leva a uma partida lenta e no muito espetacular. Voc j deve ter esbarrado na literatura enxadrstica com expresses do tipo "Peo dbil", "Peo isolado" e etc. Cada uma destas denota uma falha na estrutura No xadrez moderno os dois lados tentam restringir a mobilidade dos Pees desde o incio da partida. Veja esta abertura, por exemplo: 1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4 4.e3 c5 5.Bd3 Cc6 6.Cf3 Bxc3+ 7.bc d6 8.e4 e5 31
  • 32. de Pees que restringe a sua mobilidade e aumenta a sua vulnerabilidade. Aqui se segue um exemplo simples: Aqui est um final que foi disputado de fato, h 55 anos, por dois jogadores poloneses, Tulkowski e Wojceiwski, em Poznan. !""""""""# + + + +% + + + + % L + + +% + + + + % K + + +% + + + + % P + + +% + + + + % /) !""""""""# + T + +% Or+ + Ol% V + + O% + O + + % +o+ P +% + N + P % pP + +p+% + + + K % /) Apesar do obstculo representado pelo Rei Preto, as Brancas, jogando corretamente, podem no s proteger o Peo como tambm forar a sua promoo. Mas assim que movermos o Rei, digamos, para a coluna a, o Peo se torna fraco porque pode ser facilmente atacado pelo Rei inimigo. Outras fraquezas comuns na formao de Pees so Pees dobrados ou triplicados na mesma coluna. Portanto, muito raro que algum os enfileire voluntariamente. Sua defesa difcil, principalmente nos finais, onde podem se tomar a fonte de muitos problemas. Mas h excees a todas as regras, especialmente no xadrez. Aps os lances bvios 1... Td2 2.Ca4 comeam a ocorrer milagres no tabuleiro. 2... Txb2 Acontece que os defeitos da estrutura de Pees (d uma olhada nos Pees Pretos) podem ser compensados por um jogo criativo. As Pretas entregam sua Torre sem nenhum motivo aparente. 3.Cxb2 c3 Acontece que aps 4.Cd3 c4+ o Bispo que at ento estivera dormindo entra no jogo, e o decide. 5.Txb6 cd 6.Rf2 c2 7.Tc6 d2 e um Peo promovido. 4.Txb6 32
  • 33. !""""""""# + + + +% Or+ + Ol% V + + O% + O + + % + + P +% + O + P % pN + +p+% + + + K % /) Torre no pode voltar para b4 e o Peo na coluna b promovido. Um final surpreendentemente belo! Mesmo tais finais clssicos podem ser examinados criticamente. O que aconteceria se as Brancas jogassem 2.a4 como resposta a 2... Txb2 com 3.a5? Um final semelhante aconteceu dois anos depois entre Sanz e Ortueta, em Madri, com leves diferenas na posio dos Pees na ala do Rei. Ns conclumos a nossa breve introduo s peculiaridades das estruturas de Peo com este exemplo. Voc encontrar uma descrio mais detalhada dos termos, regras e excees mencionados nesta lio em manuais de xadrez. Gostaria de recomendar aos principiantes que se atenham aos princpios comuns de estabelecer e consolidar uma estrutura de Pees evitando enfraquec-la tanto quanto possvel. Os enxadristas experientes podem usar das excees. a capacidade de avaliar quando tais excees se aplicam que em grande medida toma o xadrez to belo e cheio de surpresas. jogada bvia 4... ab seguese 5.Cd3 e as Brancas vencem com uma pea a mais. As Pretas, no entanto, respondem com 4... c4! Agora a casa d3 tomada ao Cavalo e aps 5.Cxc4 o Peo da coluna c promovido. Ser possvel que duas peas no sejam capazes de conter dois Pees aleijados rastejando pela coluna c? 5.Tb4 Parece que as Brancas vo vencer j que no h defesa contra o lance 6.Txc4. 5... a5! Trata-se de uma verdadeira ode aos Pees. O Peo deixado para trs que no tomou a Torre agora define o combate em um salto que parece irreal. Agora a Txc4 segue-se 6... cb, sendo que a 33
  • 34. LIO 7 Dinamismo e Iniciativa As regras do xadrez so semelhantes s de qualquer outro esporte. E no se aplicam apenas aos esportes: aqueles que so mais ativos, habilidosos e criativos que tm sucesso. O que ento o dinamismo no jogo de xadrez? Na minha opinio, dinamismo o fortalecimento da prpria posio a cada lance e as ameaas colocadas sobre as peas inimigas. Para que os lances sejam bemsucedidos preciso que sejam adequados estratgia do jogo e baseados em fundamentos tticos slidos. Um enxadrista com a reputao de ser um indivduo enrgico tenta impor o seu prprio estilo ao adversrio, forando-o a lidar com vrios problemas. Para ilustrar estes princpios, vamos analisar uma partida disputada pelo ento campeo mundial, Anatoly Karpov. A. Karpov -I. Dorfman Moscou 1976 1.e4 e5 2.Cf3 d6 3.d4 cd 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 e6 6.g4 Be7 7.g5 Cfd7 8.h4 Alguns dos resultados da abertura so bvios: as Brancas limitaram as peas adversrias na ala do Rei s duas ltimas fileiras, com o Cavalo na casa d7 bloqueando o Bispo na casa c8 e at a prpria Dama, parcialmente. 8... Cc6 9.Be3 a6 10.De2!? Veja o diagrama a seguir. uma idia interessante e ativa, que leva a uma disposio 34
  • 35. !""""""""# t+vWl+ T% +o+mVoOo% o+mOo+ +% + + + P % + Np+ P% + N B + % pPp+qP +% R + Kb+r% /) Esta jogada muito desagradvel para as Pretas, porque o lance natural 13... O-O ir levar logo derrota devido ao ataque por parte dos Pees Brancos, ao passo que 13... e5 cria um ponto fraco na estrutura Preta na casa d5. 13... b4 !""""""""# t+v+l+ T% + +mVoOo% o+wOo+ +% + + + P % O Bp+ P% + N + + % pPp+qP +% + Kr+b+r% /) equilibrada de peas. Karpov coloca a sua Dama na coluna do Rei de modo que a mesma no fique na frente da Torre na casa d1 e ao mesmo tempo contribua para criar ameaas de combinaes. A Dama no bloqueia o Bispo na casa f1 que pode ir para h3 e jogar Bxe6 posteriormente. Conforme voc pode ver, o lance das Brancas eficiente e pressiona as Pretas. 10... Dc7 11 O-O-O b5 A resposta adversria forada. As Pretas so empurradas para trs e tentam encontrar algum jeito de impedir que as Brancas executem algum lance decisivo. Mas o jogo j vai adiantado e o ltimo movimento das Pretas tem mais a ver com desespero que com uma ao justificvel. 12.Cxc6 Dxc6 13.Bd4! As Pretas tentam forar a sada do Cavalo de uma posio de controle da casa d5. Elas jogam de modo lgico, mas sua estratgia carece de um embasamento slido e as suas peas esto mal posicionadas. Como podem as Brancas explorar estas fraquezas? 14.Cd5! Este um lance extremamente eficaz j que o Bispo na casa d4 se torna mais forte e a Dama Branca entra no combate, para a surpresa das Pretas. 35
  • 36. 20.Bh3 O desejo de restringir o contra-jogo do adversrio tpico do estilo do campeo do mundo. As Brancas poderiam ter jogado 20.fe sem correr o risco de 20... Tc8 por causa de 21.Th2 Da5 22.Dxa6 Dxa6 23.Bxa6. Karpov decide-se por trocar os Bispos de casas Brancas eliminando assim qualquer risco casa c2. 20... Bxh3 21.Txh3 Tc8 22.fe Na minha opinio, 22.b3 e4 23.Dxe4 Tf8 24.f5 seria melhor, porque assim a Dama Preta no poderia entrar no jogo. 22... Dc4! As Pretas pem sua Dama em uma posio ativa e o equilbrio parece alterar-se. 23.Tdd3 Manobras de Torre ao longo da terceira fila tambm fazem parte das tticas preferidas do campeo. Neste caso, este lance no s precede a troca de Damas como tambm serve ao propsito de melhorar a coordenao das peas Brancas. A coordenao das peas um fator muito importante que de fato define a fora de um jogador de xadrez. A habilidade de coordenar a movimentao de cada uma das peas e de 14... ed 15.Bxg71 Tg8 16.ed Dc7 17.Bf6 As Brancas ganharam dois Pees em troca do Cavalo e boas perspectivas de ataque contra o Rei inimigo que fica preso no meio do tabuleiro. 17... Ce5! o nico jeito de resistir. Uma vez que h a ameaa de 18... Bg4 as Brancas no tm tempo para jogar 18.f4. As Pretas tm que procurar reduzir o potencial de ataque das Brancas. 18.Bxe5 de 19.f4 Agora um ataque de Pees substitui o ataque das peas. As Pretas no tm como evitar que as Brancas conectem os seus Pees pois aps 17... e4 seguir-se-ia a seqncia vencedora 18.d6 Bxd6 19.Dxe4+ etc. 19... Bf5 !""""""""# t+ +l+t+% + W Vo+o% o+ + + +% + +pOvP % O + P P% + + + + % pPp+q+ +% + Kr+b+r% /) 36
  • 37. localizao desfavorvel do Rei e da Torre das Pretas. A falta de coordenao das peas do adversrio resultado do mau posicionamento da Torre na casa g8 e da limitao da sua mobilidade. 26... Txe3 27.Txe3 Dxh4 O contra-sacrifcio 27... Txg5 28.hg Bxg5 seria ineficaz por causa da m localizao do Rei: 29.d7+ Td8 30.Dxa6 Dxe3 31.Dc8+ Re7 32.De8 mate. 28.Df3! Os Pees Brancos dividem as foras das Pretas em duas partes e no h uma defesa adequada s ameaas de Dc6+ ou Da8+. Um Peo defendido, que penetre fundo na posio do adversrio ou a conquista de um posto avanado similar, desorganiza as foras do adversrio e divide em duas unidades mais fracas. 28... Dxg5 29.Te1 Dg2?! 30.Df5 Tg6 31.Tf1 Dd5 32.de Rxe7 33.Df4! As Brancas recuperaram a pea e mantiveram o ataque. O pequeno nmero de peas restantes s melhora, ligeiramente, as chances cada Peo de modo que eles hajam em conjunto e sob um nico plano, ao mesmo tempo em que se protegem mutuamente, uma grande arte. Aqui novamente ambas as Torres na terceira fileira esto prontas a apoiar o progresso dos Pees centrais, ao passo que a Dama protege a casa c2 e est pronta para apoiar as Torres. A dupla de Pees (d5, e5), protegida por suas prprias peas, muito poderosa. Estes Pees podem forar o adversrio para a ltima fileira e desorganizar as suas aes. 23... Df4+ Esta parece ser a melhor resposta. Se 23... Dxa2 24.d6. 24.Rbl Tc4! 25.d6 Te4! !""""""""# + +l+t+% + + Vo+o% o+ P + +% + + P P % O +tW P% + +r+ +r% pPp+q+ +% +k+ + + % /) 26.The3 As Brancas tm de trocar outro par de peas, abandonando qualquer esperana de explorar a 37
  • 38. 36.Dh8+ Re7 37.Dh4+ Re8 38.Dc4! Db7 39.b3 Te6 40.Tg1! Txe5 41.Tg8+ Re7 42.Dh4+ Rd7 43.Df6+ Te7 44.Df5+ Rd6 45.Dxa5 Te5 46.Dd8+ Re6 47.Rb2! f6 48.Tf8 Dg7 49.Dc8+ Rd5 50.Dc4+ E as Pretas abandonam. Portanto, tente ser enrgico e voc poder realmente gozar dos benefcios. Deixe as suas peas interagirem bem, e ajudarem-se mutuamente. Assim voc experimentar os louros da vitria com mais freqncia que a amargura da derrota. de sobrevivncia das Pretas. Quando somente restam algumas poucas peas no ataque tudo depende da fora das defesas do Rei. Neste caso o Rei Preto no tem praticamente defesa alguma e tudo o que as Brancas precisam de preciso no ataque, o que no falta ao campeo mundial de ento. !""""""""# + + + +% + + Lo+o% o+ + +t+% + +wP + % O + Q +% + + + + % pPp+ + +% +k+ +r+ % /) 33... a5 34.Dh4+ Re8 35.Dxh7+ Df3 38
  • 39. LIO 8 Evitando Desastres na Abertura Tendo aprendido as noes bsicas do jogo, o jogador ir perceber que os lances da abertura, quando quase todas as peas ainda esto no tabuleiro, freqentemente determinam o desenrolar da partida e em alguns casos o seu final. comum que um enxadrista, que tenha dominado todos os fundamentos e observado ataques brilhantes jogados por Grandes Mestres, tenha que passar toda a partida em uma defesa montona, tentando consertar fraquezas na sua posio que se originaram na abertura, mas com pouco sucesso. Este o resultado de um fraco conhecimento da teoria das aberturas e de uma carncia de habilidades bsicas para se jogar a primeira etapa de uma partida. Uma partida de xadrez , de certo modo, semelhante a uma confrontao militar onde, como se sabe, em muito depende no somente da capacitao tcnica e dos equipamentos das tropas, mas tambm da capacidade dos comandantes de antever o desenvolvimento da batalha e posicionar suas foras de modo a engajar as mesmas nos momentos e na ordem mais favorveis. por isto que cada jogador que controla a movimentao dos seus exrcitos de madeira deveria conhecer os princpios bsicos da abertura. bem sabido que qualquer partida de xadrez pode ser anotada e preservada para a posteridade. Um enorme nmero de partidas foi escrito ao longo da histria do xadrez, e a sua anlise ajudou a desenvolver todas as nuances da estratgia das aberturas. Eu no pretendo abordar todas as aberturas e as suas caractersticas, o que seria ama tarefa impossvel em face da abundncia de informaes. Eu vou limitar-me 39
  • 40. tabuleiro com os prprios Pees. Isto tem de ser feito na abertura, de modo a posicionar as peas do modo mais favorvel. por isso que o lance e4 mais forte e mais lgico que o lance e3. Eu quero reforar mais uma vez o que disse, que importante tentar dominar as casas com Pees, especialmente as casas centrais. O segundo lance das Brancas (2.Bc4) no to fcil de se contestar, embora ele no tenha tantos mritos. A experincia das geraes anteriores nos indica o melhor mtodo para desenvolvermos nossas peas: primeiro avanar os Pees para o centro, depois mover os Cavalos, seguidos dos Bispos e s ento as peas mais fortes - as Torres e a Dama. No nosso exemplo o Bispo saltou direto para uma posio importante, mas sem atentar para as conseqncias de um possvel lance 2... d5 das Pretas, em que elas obteriam um forte Peo central e forariam o Bispo Branco a recuar para posies inferiores, tais como d3, e2, b5 ou b3. O xadrez um jogo de lgica, e uma combinao de jogadas tmidas como 1.e3 e agressivas como 2.Bc4 no faz nenhum sentido e como tal merece ser castigada. a descrever alguns princpios gerais a serem seguidos e como evitar um desastre. O Primeiro Princpio A abertura ganha pelo jogador que desenvolve as peas mais rapidamente. Esta uma regra bsica e muito importante aplic-la corretamente. Vamos analisar um exemplo simples: 1.e3 e5 2.Bc4 Cc6 3.Df3 Cc5 4.Dxf7 mate !""""""""# t+vWl+mT% OoOo+qOo% +m+ + +% + V O + % +b+ + +% + + P + % pPpP PpP% RnB K Nr% /) Parece que as Brancas fizeram tudo corretamente desenvolveram duas peas e deram xeque-mate. Ainda assim, esta linha de jogo merece crticas. O primeiro movimento fraco. Ns dissemos, em uma das nossas lies anteriores, o quo importante ocupar o centro do 40
  • 41. As Pretas retrucaram 2... cc6, que deve ser encarado como um lance regular, no sendo de modo algum o mais forte possvel, dada a situao. verdade que o lance 2... Cc6 est de acordo com os princpios de desenvolver rapidamente as peas, mas ele no cria problemas para as Brancas, o que seria o caso do lance 2... d5!. O terceiro lance Branco 3.Df3 parece eficiente, mas um enxadrista experiente no o teria executado; mais at, ele nem mesmo o consideraria. Se as Pretas reagissem corretamente com 3... Cf6! a jogada da Dama Branca teria sido em vo. E alm disso a Dama Branca ao ocupar a casa f3 priva o Cavalo do Rei de uma boa casa para agir, deixando ao mesmo nenhuma escolha seno ocupar um papel passivo na casa e2 ou mover-se para h3, para longe do combate no centro. A pea mais poderosa do jogo, a Dama, no deve entrar na batalha de modo apressado, sob o risco de ser caada pelas peas menores do adversrio, com ganho de tempo. Com relao jogada das Pretas 3... Bc5??, ela lgica apenas sob uma tica formal (as Pretas desenvolvem uma segunda pea na seqncia correta), pois ela perde a partida. O fato que as Pretas no levaram em conta a ameaa real representada pelo adversrio. Voc pode ver o quanto se pode aprender a partir da anlise de uma partida muito breve e cheia de erros mtuos. Ns ilustraremos o primeiro princpio o do desenvolvimento rpido das peas, com uma partida disputada h mais de um sculo. J. Schulten - E Morphy Nova York 1857 1.e4 e5 2.f4 Esta uma abertura antiga e romntica, que recebeu um belo nome, "O Gambito do Rei". Ela em geral define o jogo atravs de um rpido avano das peas. A teoria moderna cr que a melhor defesa aqui um contra-ataque, o que foi claramente demonstrado pelo talentoso jogador americano Paul Morphy. 2... d5! 3.ed e4! Tomar quaisquer dos Pees no seria bom, as Pretas tentam ganhar tempo e desenvolver as suas peas colocando-as nas casas planejadas. 41
  • 42. 4.Cc3 Cf6 Brancas desejam manter um Peo a mais no centro. 11... c6! 12.dc?! Ainda no era tarde para jogar 12.Rf2 ou l2.h3. Ainda com uma vantagem material, as Brancas permitem que o seu adversrio desenvolva o Cavalo da casa b8 com muita eficcia, e a a vantagem das Pretas se toma esmagadora, na parte mais importante do tabuleiro. 12... Cxc6 5.d3 Bb4 6.Bd2 Aps 6.de Cxe4 7.Dd4 De7 8.Be2 O-O 9.Bd2 Cxd2 10.Dxd2 Bxg4, seria fcil para as Brancas ativarem suas peas. 6... e3! !""""""""# tMvWl+ T% OoO +oOo% + + M +% + +p+ + % V + P +% + NpO + % pPpB +pP% R +qKbNr% /) !""""""""# t+ Wt+l+% Oo+ +oOo% +m+ M +% + + + + % +p+ Pv+% + +p+ + % p+pBb+pP% R +qK Nr% /) Trata-se de um sacrifcio de Peo ousado e com vistas ao desenvolvimento futuro, j que a Torre ir ocupar a coluna do Rei aps o roque. 7.Bxe3 O-O 8.Bd2 Bxc3 9.bc Te8+ 10.Be2 Bg4 11.c4? Podemos dizer, com um grau de confiana razovel, que esta jogada particularmente prejudicial s Brancas. Seria prefervel livrar-se da clavada na coluna do Rei, de preferncia com 11.Rf2. Mas as 13.Rf1 difcil dar bons conselhos para as Brancas. 13.Bc3 Cd4 14.Bxd4 Dxd4 15.g3 pode ser retrucado com 15.Txe2+ 16.Cxe2 Te8 com um ataque decisivo. Parece que aps 12.dc?! no h defesa para as Brancas. 13... Txe2! 14.Cxe2 Cd4 42
  • 43. Toda a ao se passa na coluna do Rei, onde a clavada vertical tem um papel decisivo. Pois de fato as ameaas colocadas sobre esta coluna foraram as Brancas a atrasar a retirada do seu Rei da clavada. Agora segue-se uma nova pequena combinao, transformando a clavada vertical em uma ainda mais perigosa, diagonal. 15.Db1 Bxe2+ 16.Rf2 Cg4+ 17.Rg1 O Rei comea a correr para todos os lados sentindo a iminncia do desastre. Eu recomendaria, a todos os que querem desenvolver as suas habilidades de ataque, a deixar este livro de lado por uns 20 ou 30 minutos e tentar achar sozinhos uma vitria rpida para as Pretas, s ento retornando ao livro e comparando a sua deciso com a que foi tomada por Paul Morphy. 17... Cf3+ 18.gf Dd4+ 19.Rg2 Df2+ 20.Rh3 Dxf3+ 21.Rh4 Ce3 22.Thg1 Cf5+ 23.Rg5 Dh5 mate. Continuaremos a estudar os princpios das aberturas no prximo captulo. !""""""""# t+ W +l+% Oo+ +oOo% + + + +% + + + + % +pM Pm+% + +p+ + % p+pBv+pP% Rq+ + Kr% /) 43
  • 44. LIO 9 Negligenciando os Princpios da Abertura ocorrem desastres, mesmo nos sistemas de abertura mais sofisticados. Vamos analisar uma posio que ocorre na antiga e romntica Abertura Italiana: 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 Bc5 4.c3 Bf6 5.d4 ed 6.cd Bb4+ 7.Cc3! Em vez de jogar um cauteloso 7.Bd2, as Brancas decidem sacrificar dois Pees e uma Torre em troca do desenvolvimento rpido das suas peas - um artifcio tpico de jogadores de estilo agressivo. Os mtodos modernos de luta na abertura no recomendam os prximos lances das Pretas, mas preciso ter em mente que esta partida ocorreu um sculo atrs, quando ningum duvidava Na ltima lio aprendemos que o domnio do centro e o rpido desenvolvimento das peas em larga escala determinam o resultado do combate na abertura; especialmente quando a partida jogada por enxadristas experientes. Antes de prosseguir com a teoria das aberturas, vamos analisar alguns erros que so freqentemente cometidos por jogadores inexperientes nos estgios iniciais da partida. Em primeiro lugar, importante lembrar que os pontos mais vulnerveis na ala do Rei so aqueles que s contam com a proteo do mesmo. Na posio inicial tais pontos so os Pees nas casas f2 e f7. Aps o roque, tais pontos so os Pees nas casas h2, g2, h7 e g7. A proteo destas casas deve ser uma preocupao primordial. A experincia mostra que, geralmente, nestas casas que 44
  • 45. perdem a ltima oportunidade de retirar o Rei do centro. A chance era: 10... d5 11.Bxd5 O-O. 11.Bxf7+ Rf8 12.Bg5 Ce7 13.Ce5! do princpio de que qualquer sacrifcio deve ser aceito. 7... Cxe4 8.O-O Cxc3 9.bc Bxc3? !""""""""# t+vWl+ T% OoOo+oOo% +m+ + +% + + + + % +bP + +% + V +n+ % p+ + PpP% R Bq+rK % /) !""""""""# t+vW L T% OoOoMbOo% + + + +% + + N B % + P + +% +q+ + + % p+ + PpP% V + +rK % /) As Pretas tomaram dois Pees adversrios mas ficaram para trs quanto ao desenvolvimento. O castigo por tais violaes das regras de uma boa abertura vem em geral de forma rpida e selvagem. Esta velha anlise uma boa amostra das conseqncias desastrosas da ganncia na abertura. Ainda assim voc no deve imaginar que esta partida somente tem valor histrico. uma situao freqente em simultneas. No se distraia capturando todos os Pees do inimigo em detrimento da mobilizao das suas prprias foras. 10.Db3 Bxa1 As Pretas mantm-se consistentes em seu desejo de ganhar tanto material quanto possvel e chegada a hora das Pretas pagarem por terem ignorado o desenvolvimento de suas peas e sado devorando Pees na abertura. Neste caso, o desastre deu-se na casa f7. As Pretas perdem, no importa o quanto tentem defender-se. Por exemplo: 13... Bxd4 14.Bg6 d5 15.Rf3+ Bf5 16.Bxf5 Bxe5 17.Be6+ Bf6 18.Bxf6 gf 19.Dxf6+ Re8 20.Df7 mate. (novamente a casa 17). Alm de perseguir Pees, outro erro tpico de muitos enxadristas demorar para retirar o Rei do centro. Na prtica dos mestres, h muitas partidas onde ambos os Reis permanecem no centro e sobrevivem, 45
  • 46. Pretas na abertura, as Brancas tiveram que jogar de modo criativo e vigoroso. 5.de de Aps 5... Cxe5 6.Cxe5 de 7.Bxf7+! as Pretas estariam perdidas. 6.Bxf7! O primeiro golpe recai no ponto mais vulnervel. 6... Rxf7 7.Cxe5+ Rf6 Qualquer outra coisa s apressada o desfecho. 8.Cc3! mas tratam-se de excees regra e ainda assim so baseadas em um conhecimento profundo da situao e em habilidades defensivas. Os principiantes e aqueles que no tm tanta experincia devem fazer o roque na primeira oportunidade. Ao permanecer sem rocar, o Rei pode ser atrado para o centro do tabuleiro atravs de sacrifcios e a o desastre se torna iminente. Y. Vasyukov - B. Lebedev Moscou 1960 1.e4 e5 2.Cf3 d6 3.d4 Cd7 O desenvolvimento, no muito sofisticado, das Pretas muito freqente em partidas de amadores. A idia perfeitamente vlida de fortalecer o posto avanado, representado pela casa e5, no centro, executada de um modo meio esquisito, que acaba por bloquear o Bispo da casa c8. 4.Bc4 h6 uma deciso dbia. Em vez de desenvolver suas peas (com 4... Be7, por exemplo), as Pretas, que planejam colocar seu Cavalo na casa e6, perdem tempo impedindo a ida do Cavalo das Brancas para g5. Mas ainda assim, para demonstrar a impropriedade da estratgia das !""""""""# t+vW VmT% OoOm+ O % + + L O% + + N + % + +p+ +% + N + + % pPp+ PpP% R BqK +r% /) Para trazer o Rei Preto para fora as Brancas sacrificaram um Cavalo. As ameaas de 9.Cd5+ e 9.Dd4 s podem ser evitadas de um nico modo, porque qualquer continuao diversa no salva as Pretas. Por exemplo: 46
  • 47. 8... c6 9.Df3+ Rxe5 10.Df5+ Rd6 11.Bf4+ Ce5 12.Dxe5+ Rd7 13.Td1+ ou 8... Bc5 9.Df3+ Rxe5 10.Df5+ Rd6 11.Bf4+ Re7 12.Cd5+ Re8 13.Cxc7+ ou 8... De8 9.Cd5+ Bxe5 10.Bf4+ Re6 11.Cc7+. 8... Rxe5 A caminhada de e8 para e5 foi curta, e o mesmo pode ser vlido quanto ao retomo, por isso as Brancas tm de atacar sem demora. 9.Dh5+ g5 As Pretas tentam usar o Peo para bloquear a Dama. O enfraquecimento destes Pees no muito importante aqui porque a prpria caminhada do Rei est cheia de perigos: 9... Re6 10.Df5+ Re7 11.Cd5+ Cd6 12.Bf4+ Rc6 13.De6+ Bd6 14.Cb4+ etc. 10.Bxg5! 14.Dxf5+ Rd6 15.Td1+ Re7 16.Cd5+ Rd8 17.Cb6! cb 18.Dxf8+ Rc7 19.Dg7, ganhando. As Pretas tentam agora safarse entregando uma Torre. 10... hg 11.f4+! Re6 12.f5+ Re7 13.Cd5+ Rd6 14.Dxh8 Cgf6 15.O-O-O Rc6 16.The1 b6 17.Cb4+ Bxb4! As Pretas encontram um engenhoso modo de complicar o combate sacrificando a Dama. A resposta para 17... Bb7 seria 18.e5. 18.Dxd8 Bb7 !""""""""# t+ Q + +% OvOm+ + % Ol+ M +% + + +pO % V +p+ +% + + + + % pPp+ +pP% + KrR + % /) !""""""""# t+vW VmT% OoOm+ + % + + + O% + + L Bq% + +p+ +% + N + + % pPp+ PpP% R + K +r% /) Uma idia diablica! A Dama Branca acaba encurralada prestes a perecer Mas o xadrez um jogo Um toque brilhante. A 10... Dxg5 seguir-se-ia 11.f4+! Rxf4 12.O-O+ Re5 (12... Re3 13.Tad1! Dxh5 14.Td3 mate.) 13.Tf5+ Rxf5 47
  • 48. 28.De4+ Rd7 29.Dd4+ Td6 30.Dg7+ Rc6 31.f6 Cd8 32.f7 Cxf7 33.Dxf7 Be6 34.De8+ Rd5 35.Da8+ Re5 36.Dxa7 Tc6 37.Da4 Tc4 38.Db5+ Rf4 39.g5 c6 40.Dxb6 E as Pretas abandonam. lgico, e no parece que as Brancas possam perder aps conquistarem tanta vantagem. E de fato as Brancas tm um trunfo. 19.Txd7 Cxd7 Seria mais vantajoso para as Brancas o lance 19 ... Txd8 20.Txd8 Bxe1 21.e5! Cg4 22.e6 Bb4 23.Td4. 20.Dxg5 Bxe1 21.De3! !""""""""# t+ + + +% OvOm+ + % Ol+ + +% + + +p+ % + +p+ +% + + Q + % pPp+ +pP% + K V + % /) Para confirmar a tese exposta acima, eu gostaria de oferecer uma partida elegante e instrutiva, disputada no sculo passado, para uma anlise independente por parte dos leitores. Agora a situao est clara. O Bispo das Pretas est perdido, pois a 21... Bb4 ou 21... Ba5 segue-se 22.Dd4! 21... Bh4 22.Dh6+ Bf6 23.e5 Tf8 24.ef Txf6 O combate est praticamente terminado. No h como conter os Pees Brancos da ala do Rei, apoiados como esto pela Dama. 25.Df4 Bc8 26.g4 C5 27.b4 Cb7 M. Chigorin - S. Alapin St. Petersburg 1883 1.e4 2.Cf3 3.Bc4 4.b4 5.c3 6.O-O 7.d4 8.de 9.Bd5! 10.Bxe4! 48 e5 Cc6 Bc5 Bxb4 Ba5 Cf6 O-O Cxe4 Bxc3 Bxa1
  • 49. !""""""""# t+vW Tl+% OoOo+oOo% +m+ + +% + + P + % + +b+ +% + + +n+ % p+ + PpP% VnBq+rK % /) 11... Rh8 Aps 11... Rxh7 as Brancas vencem com 12.Cg5+ Rg6 13.Dg4 f5 14.ef Ce5 15.Dg3! Rxf6 16.f4 Re7 17.Te1 d6 18.Cc3! 12.Cg5 g6 13.Dg4 Bxe5 14.Dh4 Rg7 15.Ce6+! fe 16.Dh6+ Rf7 17.Bxg6+ Re7 18.Dh4+! Tf6 19.Ba3+! d6 20.Dh7+ Rf8 21.Dh8+ Re7 22.Dg7+ Tf7 23.Dxf7 mate. 11.Bxh7+ Um sacrifcio de Bispo exatamente no ponto mais vulnervel. Como voc pode ver, o Rei est melhor posicionado na casa g8 do que na casa e8, mas ainda assim ele no est 100% seguro. 49
  • 50. LIO 10 O Objetivo da Abertura pata manobrar, sem amontoar as peas, e ao mesmo tempo tentar dificultar que o adversrio faa o mesmo. No importa qual seja a abertura, os melhores lances para cada lado esto sempre subordinados a uma meta - a luta pelo centro. As Brancas, tendo a vantagem do primeiro lance, podem atingir o seu objetivo mais rpido que as Pretas, que fazem o possvel para atrapalhlas. Examine Nas duas lies anteriores ns nos voltamos para os erros mais comuns, cometidos por jogadores inexperientes, nos estgios iniciais da partida. Tendo visto como no jogar uma abertura, vamos agora tentar descobrir o que deve ser feito para conquistar uma boa posio desde o incio. Praticamente todas as instrues a este respeito esto presentes na lio 8, onde foi explicado o Primeiro Princpio para o combate na abertura. Este princpio define os fatores mais importantes do desenvolvimento, que so vlidos independentemente de como esta abertura se desenvolve. preciso lembrar-se que se deve liberar as peas para assegurar uma vantagem definitiva no meio-jogo, que onde os eventos principais acontecem. Ao desenvolver as suas peas importante, especialmente para os menos experientes, manter uma harmonia, isto , deixar espao !""""""""# t+vTmVmT% OoOo+oOo% +m+ + +% +b+ O + % + +p+ +% + + +n+ % pPpP PpP% RnBqK +r% /) 50
  • 51. 8.O-O os primeiros lances de dois dos mais complexos sistemas da teoria moderna, a Abertura Ruy Lopez (1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5) !""""""""# t+vW Tl+% OoO VoOo% +mO M +% + + + + % + PpB +% + N +n+ % pPp+b+pP% R +q+rK % /) !""""""""# tMvWl+ T% OoOo+oOo% + +oM +% + + + + % VpP + +% + N + + % pP +pPpP% R BqKbNr% /) Este , alis, o modo pelo qual as partidas entre principiantes ou em partidas simultneas costumam comear. Ambos os lados parecem ter mantido o ritmo de desenvolvimento, mas as Brancas esto claramente mais desenvolvidas, com um forte centro de Pees e espao para manobrar. claro que a posio das Pretas no est nem perto de perdida, mas por que comportar-se passivamente desde o incio? Ns no vamos recomendar aqui nenhuma abertura, mas considerando a grande popularidade do gambito do Rei, entre jogadores inexperientes, ns talvez devssemos examinar os mtodos por trs da mesma. e a Defesa Nizmo ndia (1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4). Est evidente que, desde o incio, a luta se d em tomo das casas centrais, e5 e e4, respectivamente. Isto natural, j que o domnio do centro (significando no apenas a sua ocupao por Pees mas tambm o seu controle por peas) permite o estabelecimento de um ponto forte de onde operar no meio-jogo. Vamos tentar ilustrar isto com uma partida bastante elementar: 1.e4 e5 2.f4 Cc6 3.Cf3 ef 4.d4 d6 5.Bxf4 Cf6 6.Cc3 Be7 7.Be2 O-O 1.e4 e5 2.f4 ef 3.Cf3 d6 4.d4 g5 5.Bc4 Bg7 6.O-O h6 51
  • 52. !""""""""# tMvWl+mT% OoO +oV % + O + O% + + + O % +bPpO +% + + +n+ % pPp+ +pP% RnBq+rK % /) Mestres, podemos ver como a negligncia dos princpios do desenvolvimento na abertura levou as Brancas ao desastre rapidamente. E. Bogoljubow M. Botvinnik Nottingham 1936 1.d4 Cf6 2.Cf3 b6 3.e3 Basicamente as Brancas esto se recusando a lutar ativamente pelo centro. As tentativas de se garantir uma vantagem na abertura envolvem, em geral, os lances c4 ou Cc3. (Compare com a partida Kasparov-Gheorghiu na lio 2.) 3... Bb7 4.c4 c5 5.Cc3 cd 6.ed e6 7.Bd3 Be7 8.O-O O-O? 9.b3? Um momento instrutivo. As Brancas, na nsia de desenvolverem suas peas, no pesaram os problemas das Pretas e no viram o lance 9.d5!, que tornaria impossvel o desenvolvimento tranqilo das peas adversrias. O que digo que a continuao 9... ed 10.cd Cxd5 11.Cxd5 Bxd5 12.Bxh7+ Rxh7 13.Dxd5 As Pretas ganharam um Peo que pode ser mantido com segurana, e ao mesmo tempo no negligenciaram o desenvolvimento. 1.e4 e5 2.f4 d5 3.ed e4 4.d3 Cf6 !""""""""# tMvWlV T% OoO +oOo% + + M +% + +p+ + % + +oP +% + +p+ + % pPp+ +pP% RnBqKbNr% /) Esta uma tentativa de contraataque que guarda muitos perigos, para ambos os lados, e exige um bom conhecimento de muitas variantes. Do exemplo que se segue, tirado de uma partida entre Grandes 52
  • 53. !""""""""# tM W Tl+% O +oVoOo% O +oM +% + + + + % +pP + +% +pNb+n+ % p+ + PpP% R Bq+rK % /) 10... Ce4 11.Tac1 Cd7 12.De2 Ao continuar a jogar de modo descuidado, permitindo o desenvolvimento das Pretas, as Brancas perderam agora a sua ltima chance de contestar o domnio das Pretas no centro, com 12.cd ed. 12... Tc8 Agora a troca cd no mais possvel. 13.Tfd1 f5 claramente vantajosa para as Brancas, e portanto as Pretas teriam que fazer concesses pela existncia do Peo Branco na casa d5, o que restringe a sua posio. 9... d5 10.Be3! Aqui preciso dizer claramente que este lance do tipo vamos ver no que d. O Bispo na casa e3 foi colocado da forma mais desajeitada possvel, j que atrapalha as peas Brancas e as impedem de controlar a importante casa e4, para onde o Cavalo das Pretas ir em breve. A partir do que vinha jogando, as Brancas deveriam prosseguir com Bb2 e De2, e ento, dependendo do que acontecesse, jogar Tac1 e Tfd1 ou Tad1 e Tfe1. As Brancas teriam ento mais liberdade e poderiam encarar o desenrolar do jogo com confiana. !""""""""# +tW Tl+% Ov+mV Oo% O +o+ +% + +o+o+ % +pPm+ +% +pNbBn+ % p+ +qPpP% + Rr+ K % /) As Pretas consolidaram a posio do seu Cavalo no centro. Agora est claro que as Brancas esto em srios apuros. Em primeiro lugar, as Pretas prevalecem no centro. Alm disso, a fraqueza das Brancas nas casas pretas da ala da Dama est comeando a vir tona. E lembramos que tudo isto poderia ser evitado se as Brancas tivessem colocado seu Bispo na 53
  • 54. 15... g4 16.Ce1 Cxe5 17.Bxe4 de 18.de Dc7 A luta acabou. O Peo na casa e5 vai seguir em frente e o forte par de Pees central das Pretas, apoiado pelo par de Bispos, vai forar em breve as Brancas a abandonar. 19.Cb5 Dxe5 20.Td7 Bg5! Um fecho de ouro para o final o Bispo escapa do perigo e ganha um tempo. 21.Tcd1 Bc6 22.Txa7 Tcd8 E agora alm de tudo as Pretas obtm o controle da coluna da Dama. A partida terminou assim: 23.h4 Txd1 24.Dxd1 Td8 25.Dc2 Bd2 E as Brancas abandonaram. casa b2 o lugar mais natural para o mesmo nesta posio! Este um exemplo claro de como a m colocao de uma nica pea pode afetar a solidez de uma posio inteira. 14.Bf4? As Brancas tentam controlar a casa e5 tarde demais (e no momento errado!). Teria sido mais sbio passar defesa e tentar simplificar a posio atravs de uma srie de trocas: 14.Cb1, seguido de cd e Txc8. 14... g5! Valendo-se da cobertura do seu Cavalo na casa e4, as Pretas deslancham o ataque decisivo, sem se preocuparem com o enfraquecimento da posio do Rei. 15.Be5 Uma maior resistncia seria com o lance 15.Be3, mas como as Brancas poderiam fazer um lance deste? As Brancas no poderiam defender-se dos lances ... Ra1 e ... e3 ao mesmo tempo. Este pode ser um bom momento para citar uma anlise de Mikhail Botvinnik de uma outra partida disputada entre ele e o Mestre Alexander Sokolsky nas semifinais do campeonato sovitico de 1938: ... e o controle das casas centrais passa gradativamente para as Pretas. Aos poucos se torna claro !""""""""# +t+ Tl+% OvW V +o% O +o+ +% + + Po+ % +p+o+o+% +pN + + % p+ +qPpP% + RrN K % /) 54
  • 55. que as Brancas no tm nenhum plano de jogo e esto meramente preocupadas com o 'desenvolvimento'. Talvez algum pudesse safarse jogando assim na virada do sculo, mas hoje, quando todos os mestres comeam a estabelecer planos para o meio-jogo, a partir do sexto ou oitavo lance, no h forma melhor de acabar em uma posio restringida do que buscar apenas o desenvolvimento." Botvinnik fala aqui da viso dos experts, e por isso seria no mnimo frvolo da minha parte exigir dos leitores tamanha compreenso e anlise de uma posio. Mas acho que a anlise deste ex-campeo mundial pode ser tomada como um axioma vlido para qualquer pessoa que jogue xadrez. Lembre-se dele e tente ainda na abertura valer-se de qualquer chance para planejar mais ou menos como voc quer que a partida prossiga. 55
  • 56. LIO 11 A Escolha da Abertura Branco na casa e4 controla a importante casa d5, e espera por reforos na casa d4. Como voc pode ver, as metas das Brancas so bem claras e diretas, e por isso natural que as aberturas que se iniciam por 1.e4 sejam chamadas de "abertas" ou "semi-abertas". Assim, as Brancas jogaram 1.e4. Qual a melhor resposta para as Pretas? Embora possa parecer estranho, as Pretas tem uma ampla escolha. A resposta mais bsica realizar um lance simtrico, com o Peo do Rei. Todas as aberturas que se iniciam por 1.e4 e5 caem na categoria das "aberturas abertas", que so ricas em histria e pela prtica nos torneios. O Gambito do Rei: 1.e4 e5 2.f4 ef 3.Cf3 d5 4.ed. Esta abertura esplndida saiu do circuito dos grandes torneios devido s idias Tendo estudado as lies anteriores voc arruma as peas e pensa sobre qual ser o seu primeiro lance. No se apresse em ler um manual de aberturas este s ir afast-lo do caminho correto. Vamos tentar fazer uma escolha juntos. Em primeiro lugar, lembre-se de que no existe nenhum lance que possa ser considerado "o melhor" ou "o mais forte" a partir da posio inicial. H vrios lances que atendem aos princpios de desenvolvimento na abertura, e voc deve fazer uma escolha baseando-se no seu gosto, no seu conhecimento e na sua experincia. Eu sugiro que voc comece o jogo avanando um dos Pees centrais. Antes de me tornar um Grande Mestre eu costumava iniciar com 1.e4! Este lance me evocava imagens de cavalheirismo galante e prontido para o combate. O Peo 56
  • 57. que advogam de um contragambito que capacita as Pretas a lutar com sucesso pela iniciativa, jogando 2... d5! 3.ed e4! ou 2... ef 3.Cf3 d5 4.ed Cf6. A Giuoco Piano: 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 Bc5. A idia ocupar o centro e atacar a casa f7. Esta uma das aberturas mais antigas do xadrez e rica em possibilidades. As tentativas de empregar sacrifcios jogando 4.b4 Bxb4 5.c3 Bc5 6.d4 ou 4.c3 Cf6 5.d4 ed 6.O-O. !""""""""# tMvWlV T% OoO +oOo% + + M +% + +p+ + % + + O +% + + +n+ % pPpP +pP% RnBqKb+r% /) !""""""""# t+vWl+ T% OoOo+oOo% +m+ M +% + V + + % +bOp+ +% + P +n+ % pP + PpP% RnBq+rK % /) Uma outra tentativa de retirar o Peo do centro 2.d4 ed 3.Dxd4 encontrou muito poucos defensores. O resultado do passeio da Dama 3... Cc6 4.De3 Cf6. caminham lado a lado com os mtodos modernos de lento desenvolvimento das peas aps 4.d3 d6 5.c3 Cf6 6.O-O O-O 7.Bg5. !""""""""# t+vWlV T% OoOo+oOo% +m+ M +% + + + + % + +p+ +% + + Q + % pPp+ PpP% RnB KbNr% /) !""""""""# t+vW Tl+% OoO +oOo% +mO M +% + V O B % +b+p+ +% + Pp+n+ % pP + PpP% Rn+q+rK % /) que as Pretas pem seus dois Cavalos em jogo, garantindo chances iguais. 57
  • 58. A Ruy Lopez, 2.Cf3 Cc6, Bb5 o exemplo mais tpico das aberturas abertas. A abertura rica em idias estratgicas e tticas. Os melhores Grandes Mestres encaram a habilidade de jogar a Ruy Lopez com ambas as cores como um teste de fora no xadrez. A abertura tem variantes para todos os gostos. A Variante das Trocas, por exemplo, que relativamente simples (3 ... a6 4.Bxc6 dc) o famoso contra-ataque Marshall (3... a6 4.Ba4 Cf6 5.O-O Be7 6.Te1 b5 7.Bb3 O-O 8.c3 d5!? 9.ed Cxd5 ou mesmo 9... e4), e, finalmente, !""""""""# t+vW Tl+% + O VoOo% o+m+ M +% +o+p+ + % + +o+ +% + P +n+ % pP + PpP% RnBqR K % /) !""""""""# t+vWlVmT% +oO +oOo% o+o+ + +% + + O + % + +p+ +% + + +n+ % pPpP PpP% RnBqK +r% /) a Variante Clssica, que somente jogadores experientes e bem preparados esto capacitados a jogar (3... a6 4.Ba4 Cf6 5.O-O Be7 6.Te1 b5 7.Bb3 O-O 8.c3 d6 9.h3 Ca5 10.Bc2 ou 9... Cb8 10.d4). !""""""""# tMvW Tl+% + O VoOo% o+ O M +% +o+ O + % + Pp+ +% +bP +n+p% pP + Pp+% RnBqR K % /) a luta aberta pelo centro na Variante Aberta (3... a6 4.Ba4 Cf6 5.O-O Cxe4 6.d4 b5 7.Bb3 d5 8.de Be6) !""""""""# t+ WlV T% + O +oOo% o+m+ + +% +o+oP + % + +m+ +% +b+ +n+ % pPp+ PpP% RnB +rK % /) Vamos voltar posio que se segue ao primeiro lance das Brancas. Alm do lance 1... e5 as Pretas podem iniciar o jogo com 58
  • 59. outras aberturas que no a Ruy Lopez. Todas as aberturas onde as Pretas evitam jogar 1... e5 em resposta ao lance 1.e4 das Brancas, so chamadas "semi-abertas". A abertura mais simples a Defesa Escandinava: 1.e4 d5 2.ed Dxd5 3.Cc3 Da5. Ao custo de perder um tempo recuando a Dama, as Pretas reduzem a tenso no centro, esperando poder desenvolver as peas do seguinte modo: 4.d4 Cf6 5.Cf3 Bg4 6.Bc4 e6 7.O-O Cc6. ricas em possibilidades tticas e caracterizadas por uma luta complexa em torno das casas centrais. Eu o aconselharia a comear a estudar a Defesa Siciliana em algumas partidas bem conhecidas na linha da Variante Drago: 4... cf6 5 5.Cc3 d6 6.Be3 g6 7.f3. !""""""""# t+vWlV T% Oo+ Oo+o% +m+ Mo+% + + + + % + Np+ +% + N Bp+ % pPp+ +pP% R +qKb+r% /) !""""""""# t+ +lV T% OoO +oOo% +m+oM +% W + + + % +bP +v+% + N +n+ % pPp+ PpP% R Bq+rK % /) (ou 7.Be2), ou no Sistema Scheveningen: 4... Cf6 5.Cc3 d6 6.Be3 e6. !""""""""# t+vWlV T% Oo+ +oOo% +mOoM +% + + + + % + Np+ +% + N B + % pPp+ PpP% R +qKb+r% /) seguido por ... O-O-O. No uma abertura popular entre os enxadristas experientes (ns no gostamos de perder tempo), mas bastante aceitvel para a maior parte dos jogadores. A Defesa Siciliana, que se inicia com 1... c5, a abertura jogada com mais freqncia. As Pretas desencorajam as Brancas de manter dois fortes Pees centrais. A continuao 2.Cf3 Cc6 3.d4 cd 4.Cxd4 costuma conduzir a posies 59
  • 60. !""""""""# tMvWl+mT% Oo+ +oOo% + +o+ +% + OoP + % V P + +% + N + + % pPp+ PpP% R BqKbNr% /) Duas aberturas a Defesa Caro-Kann (1.e4 c6 2.d4 d5) e a Defesa Francesa (1.e4 e6 2.d4 d5) tm conceitos estratgicos semelhantes. As Pretas combatem a formao do centro de Pees ideal limitando a sua mobilidade e estabelecendo um ponto de controle bem protegido na casa d5. As posies mais crticas na Caro-Kann so, a primeira, 1.e4 c6 2.d4 d5 3.e5 Bf5 4.Cc3 e6, e a segunda, 1.e4 c6 2.d4 d5 3.Cc3 de 4.Cxe4 Bf5 5.Cg3 Bg6 onde as Brancas tm uma pequena vantagem. Estas duas aberturas so consideradas bastante confiveis e levam a um meio-jogo rico em manobras complexas. Aqueles que se do a trabalhos meticulosos no tabuleiro e tm pacincia para usar bem o tempo, fariam bem em estudar uma destas aberturas, embora eu, pessoalmente, prefira a Defesa Caro-Kann, onde as Pretas desenvolvem livremente suas peas, ao passo em que na Defesa Francesa o Bispo Preto na casa c8 fica preso pelos prprios Pees. O desenrolar dos acontecimentos bem mais lento se as Brancas iniciam jogo com o avano do Peo da Dama 1.d4. Neste caso aps os primeiros lances os planos de ambos os lados no esto claros e so resguardados do adversrio. Todas as aberturas que se iniciam com o lance 1.d4 so ditas "fechadas" ou "semifechadas". Para jog-las bem e com eficincia preciso !""""""""# tM WlVmT% Oo+ OoOo% +o+ +v+% + + + + % + P + +% + + + N % pPp+ PpP% R BqKbNr% /) Mas no h fraquezas na posio das Pretas, nem entraves ao seu desenvolvimento. A posio bsica da Defesa Francesa 1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cc3 Bb4 4.e5 c5 leva posio em que os Pees bloqueados nas casas d4 e e5 esto sob ameaa constante. 60
  • 61. !""""""""# tMvWl+ T% OoOo+oOo% + +oM +% + + + + % VpP + +% + N + + % pP +pPpP% R BqQbNr% /) que se tenha um certo entendimento de jogo posicional e experincia. Portanto, eu o aconselho a jogar, por ao menos um ano, partidas abertas e somente ento comear a jogar partidas fechadas. De modo anlogo ao lance 1.e4, a resposta mais bsica possvel a imitao do lance 1.d4 com 1... d5. 2.c4 leva a diferentes linhas do Gambito da Dama. A resposta 2... c6 leva Defesa Eslava ou e na Defesa ndia da Dama (1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cf3 b6) !""""""""# tMvWlVmT% Oo+ OoOo% +o+ + +% + +o+ + % +pP + +% + + + + % pP +pPpP% RnBqKbNr% /) !""""""""# tMvWlV T% O Oo+oOo% O +oM +% + + + + % +pP + +% + + +n+ % pP +pPpP% RnBqKb+r% /) as Pretas tentam lutar pelo controle da casa e4. Na Defesa ndia do Rei (1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 Bg7 4.e4 d6) 2... e6 leva as Defesas Ortodoxa ou Tarrasch. As Pretas iro tentar consolidar sua posio na casa d5, ao passo que as Brancas iro, metodicamente, criar condies favorveis para o avano do Peo do Rei para a casa e4. No presente sculo surgiram outros mtodos de desenvolvimento que visam oferecer s Pretas um contrajogo menos direto, no centro. Na Defesa Nimzo ndia (1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 Bb4) !""""""""# tMvWl+ T% OoO OoVo% + O Mo+% + + + + % +pPp+ +% + N + + % pP + PpP% R BqKbNr% /) 61
  • 62. !""""""""# tMvWlV T% OoO Oo+o% + + +o+% + +m+ + % + Pp+ +% + N + + % pP + PpP% R BqKbNr% /) e na Defesa Grnfeld (1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 d5 4.cd Cxd5 5.e4) as Pretas permitem que as Brancas estabeleam um forte centro de Pees mas adotam uma estratgia de min-lo. E aqui termina o nosso breve esboo das aberturas bsicas do xadrez. Quando voc ler um dos vrios manuais de xadrez disponveis, no se deixe confundir pela profuso de variantes que voc poder encontrar. Elas refletem tudo o que pode ser importante nos torneios, ou, em outras palavras, as leis bsicas da estratgia das aberturas. Ns j discutimos a respeito e elas so uma necessidade absoluta para o principiante. 62
  • 63. LIO 12 A Arte do Planejamento eu vou jogar visando um mate desde o incio e por isso eu jogo de acordo com um plano". Trata-se de uma abordagem redondamente equivocada; no existem condies de se dar mate ao Rei do adversrio no incio da partida. O mate o objetivo mximo do jogo e "jogar visando um mate desde o incio" to-somente uma vontade de satisfazer este desejo. Primeiro, desenvolva as suas peas segundo um padro, para estabelecer uma supremacia em alguma parte do tabuleiro. Em seguida aumente a presso para conquistar vantagens posicionais concretas ou vantagens materiais no meio-jogo. Finalmente, explore as vantagens no final, atravs do estabelecimento de uma vantagem material que torne qualquer resistncia impraticvel. Antes de dedicar-se a qualquer atividade, quase todas as pessoas contemplam as operaes que tero de executar para atingir suas metas, e tenta descobrir qual a melhor seqncia para execut-las. Eu acredito firmemente que o xadrez , at uma certa extenso, um espelho de vida e que, portanto, o planejamento uma caracterstica fundamental deste jogo. O que o planejamento em uma partida de xadrez? uma srie de operaes em uma ordem bem calculada que visam a um objetivo concreto, sendo que esta ordem determinada pelas posies que se apresentem no tabuleiro e constantemente alterada pelas aes do adversrio. O plano no deve ser confundido com o objetivo do jogo. Algum amador poderia pensar, "eu quero dar um xeque-mate, por isso 63
  • 64. Para ilustrar o que foi dito, vamos considerar os exemplos que se seguem. O lado que se defende tambm no deve jogar de qualquer maneira; deve jogar segundo um plano, considerando todos os perigos, ameaas e debilidades na sua posio e tentando acima de tudo livrar-se delas. O plano elaborado com base em uma avaliao concreta da posio e das suas peculiaridades. Portanto, importante ser capaz de analisar as formaes de combate de ambos os lados e compreender todas as sutilezas desta posio. A capacidade de se elaborar um plano e execut-lo de modo consistente no tabuleiro um dos aspectos mais atraentes do xadrez; s vezes, chega a ser mais gratificante que, digamos, lanar um ataque direto ao Rei inimigo. E se voc levar em conta que, freqentemente, os jogadores disfaram suas intenes, lanando mo de manobras que visam distrair o adversrio, voc entender que jogar segundo um plano uma grande arte. claro que demora muito para que algum aprenda a conduzir as suas operaes no tabuleiro de xadrez. Erros graves e erros menores iro acontecer e estes so inevitveis. Mas acredito que aprender com seus erros melhor do que jogar sem qualquer plano. A. Suetin -I. Bondarevsky Moscou 1963 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 d6 5.O-O !""""""""# t+vWlVmT% +oO +oOo% o+mO + +% + + O + % b+ +p+ +% + + +n+ % pPpP PpP% RnBq+rK % /) Esta uma das linhas mais antigas da abertura Ruy Lopez. Aps cumprirem a primeira metade do plano na abertura (tirar o Rei do centro), as Brancas planejam a criao de um centro de Pees atravs dos lances c3 e d4, que tambm pressionam o Peo Preto na casa e5. As Pretas normalmente tentam sustentar seu Peo na casa e5 jogando Cg8-e7-g6, seguidos de Be7. Tambm possvel montar uma outra formao 64
  • 65. agora ocupada pelo Cavalo, que tomar parte no combate pelo centro o setor decisivo. 11... Bd7 12.Da5! As Brancas alteram o seu plano e se valem da debilidade do Peo na casa c7 para impedir que as Pretas faam o roque, frustrando a inteno do adversrio de mobilizar suas peas. A perda de tempo mais do que compensada pela desarmonia das peas Pretas. 12... Rd8 13.Cd3 Bg7 14.e5! defensiva: ... Cg8-e7, ... g6, ... Bg7. Ambos os lados parecem estar dispostos a engajarem-se em lentas manobras posicionais. De repente as Pretas jogam um lance impulsivo e antiposicional. 5... g5?! 6.d4! As aes enrgicas no centro devem ser consideradas como a melhor resposta para o avano prematuro dos Pees da ala do Rei das Pretas. A melhor maneira de se explorar o desenvolvimento lento das Pretas abrindo o centro. O sexto lance das Brancas um bom exemplo de uma correo de um plano anterior no momento adequado, de modo a explorar as aes do adversrio. 6... g4 7.Bxc6+ bc 8.Ce1 ed? Outra concesso posicional. Iludido por achar que a sua vantagem em conservar o par de Bispos lhes permitir abrir o centro, as Pretas ainda pouco desenvolvidas fazem concesses importantes, no centro. 9.Dxd4 Df6 10.Da4 Ce7 11.Cc3 Mais uma correo efetuada no plano para a abertura. Esta posio no mais requer o avano do Peo casa c3, por isto esta casa !""""""""# t+ L + T% + OvMoVo% o+oO W +% Q + P + % + + +o+% + Nn+ + % pPp+ PpP% R B +rK % /) Esta a parte do plano das Brancas que visa organizar um ataque ao Rei, sem rocar. O modo mais rpido limpar o caminho no centro. 14... 65 Df5
  • 66. Aps 14 ... de 15.Cc5 no h defesa para Td1. 15.Te1 d5 O nico meio de salvar a partida evitando a abertura da coluna da Dama. No entanto, as debilidades das casas no territrio das Pretas acabam por tomar-se um fator decisivo. 16.Ce2 Cg6 17.Cg3 De6 18.Bg5+ Rc8 19.Cc5! De8 Aqui est um outro exemplo tirado de uma partida entre Svetozar Gligoric e Vasily Smyslov. !""""""""# +t+ Tl+% O + +oOo% O +oM +% + + O + % +p+p+ +% +pN + P % p+ R Pk+% R + + + % /) !""""""""# t+l+w+ T% + Ov+oVo% o+o+ +m+% Q NoP B % + + +o+% + + + N % pPp+ PpP% R + R K % /) Alm do Peo extra que somente poder ser explorado no final, a maior vantagem das Pretas reside no controle de varias casas no centro: d4, d5, c5, f4 e f5. As Brancas tambm tm suas chances de contra-jogo: uma maioria de Pees na ala da Dama e a coluna da Dama aberta. Quantas posies semelhantes no acabaram em empate como resultado de lances superficiais. Mas Smyslov um grande expert em tais finais. O seu plano para vencer consiste de trs estgios fundamentais. O primeiro estgio a troca imediata de uma das Torres para evitar a penetrao na coluna da Dama. A outra Torre ser preservada para combater um eventual avano dos Pees Brancos na ala da Dama. 20.Ch5! Os Cavalos das Brancas ganharam controle total sobre o tabuleiro. O ltimo estgio do plano das Brancas obter uma vantagem material decisiva. 20... Tg8 21.Cxg7 Txg7 22.Cxa6 Ta7 23.Be3 Txa6 24.Dxa6+ e as pretas abandonaram logo. 66
  • 67. 20... 21.Tad1 22.Txd2 23.f3 Tfd8 Txd2 Rf8 Re7 A terceira e ltima etapa do plano incorpora um ataque ao Peo Branco na casa e4. 27... g4 28.fg Cxg4+ 29.Re2 Cf6 30.Re3 Td4 !""""""""# +t+ + +% O + LoOo% O +oM +% + + O + % +p+p+ +% +pN +pP % p+ R +k+% + + + + % /) !""""""""# + + + +% O + Lo+ % O +oM +% + + O +o% +pTp+ +% +pN K P % p+ + + +% + + + +r% /) A segunda etapa do plano criar uma ameaa de criao de um Peo passado na coluna h, para que a Torre Branca, ao evit-lo, conceda a coluna da Dama Torre Preta. 24.Rf2 h5 25.Re3 g5! 26.Th2 Td8 27.Th1 Agora que as peas Brancas tm que defender o Peo na casa e4, o Rei Preto entra no jogo, dirigindose para a casa g4. 31.Tf1 Cg4+ 32.Re2 Rf8 33.Tf3 Rg7 34.Td3 Rf6 !""""""""# + T + +% O + Lo+ % O +oM +% + + O Oo% +p+p+ +% +pN KpP % p+ + + +% + + + +r% /) !""""""""# + + + +% O + +o+ % O +oL +% + + O +o% +pTp+m+% +pNr+ P % p+ +k+ +% + + + + % /) 67
  • 68. 41.Cd6 Ce5 E as Brancas abandonaram. Qual o melhor mtodo de se planejar uma partida de xadrez? Presumivelmente, analisando os comentrios dos Grandes Mestres sempre que for dada uma nfase especial seqncia lgica de operaes necessrias obteno do objetivo final. Os comentrios de partidas, dos jogadores que lideram o ranking, sero altamente benficos para todos os amantes do xadrez que desejem melhorar o seu jogo. Uma correo necessria ao plano. Originalmente, a rota traada para o Rei Preto era g7-g6-g5-g4, desde que as Torres fossem preservadas. As Brancas, no entanto, buscam a salvao em um final com Cavalos, e por isto o Rei das Pretas deve manter-se junto ao centro. 35.Txd4 ed 36.Cb5 Re5! 37.Cxa7 Rxe4 38.Cc8 d3+ Certamente no 38... e5? 39.Cd6 mate! 39.Rd2 Rd4 40.c5 bc 68
  • 69. LIO 13 Forando as Continuaes acaso; mas como resultado de um jogo posicional baseado na observao das leis da estratgia enxadrstica. Portanto, aqueles que querem ter sucesso em xadrez devem perceber que o jogo de combinaes no se ope ao jogo posicional, mas que, pelo contrrio, se complementam. Eu gosto de atacar e de fazer sacrifcios, mas ainda assim tenho uma firme convico de que o jogo posicional a base do jogo de xadrez, refletindo a lgica interna do combate no tabuleiro e fechando com os requisitos da partida moderna. A base do jogo posicional o planejamento, do qual falamos no captulo anterior. A formao de um plano (correto) profundo e eficaz exige tanta imaginao e versatilidade quanto o clculo de uma combinao complexa. Se Para a maior parte dos entusiastas do xadrez, o jogo constitui-se numa partida onde os fogos de artifcio, representados por ataques impetuosos e combinaes, que encantam. Todo mundo busca atacar e realizar belas combinaes, mas muito poucos se encantam com a genuna beleza de manobras posicionais sutis e planos estratgicos profundos. A arte do jogo posicional no completamente apreciada por aqueles que em geral no compreendem como os Grandes Mestres conseguem executar tantos ataques bonitos e eficazes. Muitos amadores so to capazes de resolver problemas e estudos quanto os Grandes Mestres, mas somente se mergulharem de cabea nas complexidades do jogo que podero perceber que as oportunidades para ataques e combinaes eficazes no se do por 69
  • 70. desenvolvimento e a abertura de colunas no centro. Morphy compreendia intuitivamente as leis da estratgia enxadrstica e, graas a esta compreenso, obteve tantas vitrias brilhantes. O grande pensador do xadrez do final do sculo passado, e primeiro campeo mundial oficial de xadrez, Wilhelm Steinitz, foi o primeiro a formular as leis bsicas do jogo posicional (estratgia). Ele mostrou que um plano no surge da imaginao do jogador. O plano baseia-se em algum fator concreto presente (ainda que escondido) no tabuleiro num dado momento. Ele demonstrou que cada posio no tabuleiro caracterizada por vrios fatores, favorveis ou desfavorveis a cada lado, que devem ser analisados em separado e em conjunto para que se avalie uma posio. A capacidade de avaliar corretamente a situao a qualquer momento de uma partida determina, em grande parte, a fora do jogador. Vamos acompanhar um exemplo simples: h idia de uma combinao, ento o clculo dos lances uma questo de tempo e de tcnica. Os lances, com freqncia, assumem um carter de movimentos forados; e se tornam reais e concretos. Ao formular um plano o jogador tem que levar em conta as posies que podem ser atingidas dentro de alguns lances. O clculo concreto, destas variantes, freqentemente, leva a especulaes semi-abstratas acerca das posies a que, provavelmente, se deve chegar como resultado. A capacidade de jogar de acordo com a posio, ou posicionalmente, importante em situaes complexas e abstratas, quando o alvo de um ataque ainda no est definido ou preciso manobrar as peas para consolidar uma posio e descobrir debilidades no territrio do adversrio. A simples meno do nome de Paul Morphy, o brilhante jogador americano do final do sculo XIX, suficiente para que muitos amantes do xadrez lembrem dos seus fantsticos ataques e combinaes brilhantes. Ainda assim, muito poucos percebem que estas combinaes eram baseadas em princpios estratgicos profundos, tais como: a centralizao mxima das peas, a superioridade no I. Boleslavsky - A. Kotov Zurique 1953 Em um exame preliminar as chances no parecem estar claras 70
  • 71. !""""""""# + T T L% +v+ + Oo% oW VqM +% +o+ + B % + + + +% +pN +n+ % P + PpP% + +rR K % /) !""""""""# + +m+ L% + + + O % o+v+ + +% +o+ B +o% P + + +% + N +p+ % P + +pP% + + + K % /) aqui. As Brancas tm um Peo a mais, mas os Pees da ala da Dama so dbeis e o par de Bispos das Pretas bem capaz de lhes oferecer condies de atingir a igualdade. Seu problema que o Bispo na casa d6 se encontra clavado. Para libertarem-se as Pretas precisam jogar em busca de simplificaes, na esperana de garantir um empate em um final com Bispos de cores opostas. Infelizmente, h uma pequena falha nesta avaliao que leva, em sete lances, as Pretas derrota. 20.Bf4 Bxf3 21.Txd6 Txd6 22.Dxd6 Dxd6 23.Bxd6 Te8 24.Txe8+ Cxe8 25.Be5! Bc6 26.b4! h5 27.f3 Se as Pretas pudessem trocar os Cavalos, o empate estaria assegurado, ainda que elas permitissem que o Rei Branco ocupasse o centro e entregassem o Peo na casa a6. Mas isto impossvel. fcil notar que o Bispo das Brancas ir tomar o Cavalo das Pretas caso ele se mova. Por isso que o final com Bispos de cores opostas no salva as Pretas e o Rei Branco se dirige para a ala da Dama, aps o que os Pees das Pretas ali presentes cairo com certeza. Este exemplo elementar mostra que as Brancas puderam explorar esta vantagem com tanta facilidade porque dentre tantas posies possveis no meio jogo o jogador viu que a melhor viria atravs do lance 25.Be5! e 26.b4! Aps isto o clculo das variaes possveis tornou-se bastante simples. Para avaliar corretamente uma posio preciso que o jogador 71
  • 72. de continuaes combinativas e posicionais. Se voc escolher dez belos ataques de combinaes de qualquer Grande Mestre e tentar analisar as posies iniciais, voc ver que estas combinaes estavam lastreadas na superioridade posicional. Em uma superioridade em termos de desenvolvimento ou mobilidade, por exemplo. Nos ltimos 100 anos os analistas de xadrez revelaram muitos mistrios na teoria do jogo posicional. As leis bsicas da estratgia enxadrstica formuladas pelo grande Steinitz permaneceram inalteradas, mas dada hoje uma nfase maior a fatores como a dinmica da posio, a compensao de algumas desvantagens posicionais por algumas outras. dada uma maior importncia a coordenao das peas, j que duas ou trs peas bem coordenadas podem sair vitoriosas sobre peas de maior tora do adversrio mas com menos mobilidade. E finalmente, em contraste ao jogo de 150 anos atrs onde as combinaes visavam principalmente ao ataque a fortaleza do Rei, hoje, com o progresso das tcnicas defensivas, combinaes complexas so executadas para aumentar ganhos posicionais. analise a disposio das peas, a sua centralizao, a qualidade da estrutura de Pees, a mobilidade, a disponibilidade de linhas abertas e as relaes materiais entre as peas. A profundidade e a sutileza da avaliao geral depende de cada um dos fatores citados em cada posio. Por exemplo, sabido que uma Torre mais forte que um Cavalo, mas se o Cavalo ocupa um ponto avanado bem protegido no centro enquanto a Torre est totalmente fora de jogo, ento o Cavalo , obviamente, mais forte que a Torre. No final a avaliao da posio determinada pela existncia de Pees passados e pela centralizao do Rei. No meio-jogo, pelo contrrio, melhor que o Rei permanea longe do centro. Qualquer enxadrista experiente respeita a arte do jogo posicional, porque ele valoriza os benefcios da acumulao sistemtica de pequenas vantagens, que acabam por determinar, em ltima anlise, aquilo que se chama de vantagem posicional para um dos lados. O jogador que detm a vantagem posicional d as cartas na situao. Repentinamente ele descobre uma grande riqueza de possibilidades para as suas peas e uma boa escolha 72
  • 73. Os sacrifcios posicionais tornaramse uma das tcnicas mais eficazes quando Pees e peas so entregues em troca de ganhos posicionais (embora no decisivos). Concluindo, gostaria de aconselhar todos aqueles que gostam do xadrez a estudar com mais persistncia a arte do jogo posicional. Eu lhes asseguro que vocs no vo se arrepender. 73
  • 74. LIO 14 Sacrifcios de Dama inexorvel, j que ao longo de uma combinao os movimentos do adversrio so geralmente forados. Este um dos paradoxos mais surpreendentes do xadrez. Quando h um combate, cada lado pode escolher entre vrios lances possveis, mas as complicaes combinacionais violam os valores normais e limitam de modo estrito o modo pelo qual uma partida pode se desenvolver. Mais que isso, o adversrio no tem nenhuma escolha de lances. Vamos analisar uma partida entre Edward Lasker e George Thomas que foi disputada em 1911. Ela iniciou-se tranqilamente. Enquanto uma partida de xadrez se desenrolar sem sobressaltos e de acordo com as leis da estratgia enxadrstica, o valor hierrquico tradicional das peas se mantm. Algum pode, claro, discutir a respeito do que teria mais fora uma Torre ou um Bispo e dois Pees dependendo da posio ocupada por tais peas. Mas s vezes as peas se revestem de uma fora sobrenatural e comeam a fazer milagres. Toda a escala tradicional de valores reduzida a p: um Peo, por exemplo, se reveste de mais valor que uma Torre ou mesmo que uma Dama. Isto acontece com freqncia quando uma combinao bem formulada operacionalizada no tabuleiro. bem sabido que o jogo combinacional agrada aos entusiastas do xadrez. Por qu? Primeiro pela sua beleza, por ser surpreendente e pela sua lgica Edward Lasker G. Thomas Londres 1911 1.d4 2.Cf3 74 f5 e6
  • 75. 3.Cc3 4.Bg5 5.Bxf6 6.e4 7.Cxe4 8.Bd3 9.Ce5 Cf6 Be7 Bxf6 fe b6 Bd7 O-O Um sacrifcio desconcertante. As Brancas entregam a Dama em troca de um Peo fazendo com que o Rei Preto tenha que dirigir-se para o outro lado do tabuleiro onde ter uma morte inglria. 11... Rxh7 12.Cxf6+ Rh6 Se o Rei tivesse recuado para a casa h8 a partida terminaria imediatamente com 13.Cg6 mate. 13.Ceg4+ Rg5 14.h4+ Rf4 15.g3+ Rf3 16.Be2+ Rg2 17.Th2+ Bg1 Esta casa geralmente abriga o Rei das Brancas, mas o Rei das Pretas est fadado a perecer ali. 18.Rd2 mate. Bonito? Sim! Inesperado? Sim! Forado? Sim! Mas por que to de repente? Como pode uma combinao ser vista e aplicada? Todo enxadrista experiente sabe que uma combinao nunca comea do nada. Para que uma combinao seja possvel preciso que algum tenha certas vantagens. as quais so acumuladas lentamente, lance por lance, O processo acumulativo pode acelerar os erros do adversrio. O que tornou possvel o sacrifcio de Dama analisado acima? As Brancas no tinham vantagem !""""""""# tM W Tl+% OvOo+ Oo% O +oV +% + + N + % + Pn+ +% + +b+ + % pPp+ PpP% R +qK +r% /) Agora vem o sinal de ataque: 10.Dh5! De7 As Pretas evitam jogar o lance 10... Bxe5 achando que podem safar-se do lance 11.Cf6+ jogando 11... gf. Mas se ela soubesse o que estava por vir... 11.Dxh7+!! !""""""""# tM + Tl+% OvOoW Oq% O +oV +% + + N + % + Pn+ +% + +b+ + % pPp+ PpP% R + K +r% /) 75
  • 76. 23.Bxc3 no vivel porque segue-se 23... Bxe4+ 24.Dxe4 Dxh2 mate. 23... Td2!! A Dama tem tarefas demais ao proteger as importantes casas h2 e e4. O ltimo lance das Pretas impossibilitou-lhe a defesa destas casas por mais tempo. 24.Dxd2 Bxe4+ 25.Dg2 Th3!! Brilhante! A Dama, clavada no pode evitar que o Rei leve mate na casa h2, e as Torres nada podem fazer! no desenvolvimento, mas tinham quatro peas menores apontando diretamente para o Rei inimigo e para a fraca casa h7. A ausncia do Peo Preto na casa e7 originou as pr-condies para a obteno de uma posio de mate: Cavalos Brancos nas casas f6 e g6, Rei Preto na casa h8 e o Peo das Pretas na casa g7. uma posio tpica. O conhecimento de tais posies essencial para o enxadrista. H muitas posies desta natureza e bem fcil lembrar-se delas. Portanto, diante de um labirinto de combinaes preciso ser capaz de enxergar os elementos das posies de mate elementares. Vamos analisar uma posio que ocorreu em uma partida entre G. Rotlevi e A. Rubinstein em 1908. !""""""""# + + +l+% + + +oOo% oV +o+ +% +o+ P + % P +vPmP% P + + +t% B + +qP% R + +r+k% /) !""""""""# +tT +l+% +v+ +oOo% oV +o+ +% +o+ P + % P +bPmW% P N + P % B +q+ P% R + +r+k% /) 22... 23.gh Combinaes como esta so inesquecveis. Como surgem? Qual a essncia? Ns iremos devotar algumas lies a tais questes. Agora ns iremos especificar as condies necessrias para a execuo de combinaes. Txc3!! 76
  • 77. !""""""""# +t+t+l+% +o+ +oOo% + O V +% Ow+p+ + % + + +q+% + + +n+ % pP +rPpP% + + R K % /) Uma combinao, conforme se prega, no ocorre em um momento predeterminado de uma partida; a idia de uma combinao acontece quando a situao no tabuleiro apresenta certas caractersticas especficas, delineando o motif da exploso combinacional. Tais caractersticas incluem, por exemplo, debilidades na primeira (para as Brancas) ou oitava (para as Pretas) filas que possibilitam a entrada de peas inimigas no territrio do Rei. Quando isto acontece, o lado que se defende, para evitar um mate imediato, tem de aceitar perdas pesadas e a seguir a luta acaba por tomar-se intil. Um exemplo clssico nos oferecido em uma partida entre Edward Adams e Carlos Torre em 1920. 2.Dc4!! !""""""""# +t+t+l+% +o+w+oOo% + O V +% O +p+ + % +q+ + +% + + +n+ % pP +rPpP% + + R K % /) !""""""""# +t+t+l+% +o+w+oOo% + O V +% O +p+ + % + Q + +% + + +n+ % pP +rPpP% + + R K % /) 1.Dg4!! Dd7 3.Dc7!! Db5! Estas elegantes ofertas da Dama so bonitas mas so aparentemente inteis. O que que as Brancas conseguiram? Se elas continuam na mesma idia, com 4.Dxb7 as Pretas responderiam com 4... Dxe2! 5.Txe2 Tc1+ 6.Ce1 Txel+! 7.Te1 com Txe1 quando so as Brancas que levam xeque-mate por causa da debilidade da primeira fila. Portanto, preciso achar um meio de fazer Db5 77
  • 78. !""""""""# +t+t+l+% +q+ +oOo% + O V +% Ow+p+ + % + +r+ +% + + +n+ % P + PpP% + + R K % /) um truque que afaste a vigilncia da Dama Preta sobre a casa c8. Este o tema da combinao. !""""""""# +t+t+l+% +oQ +oOo% + O V +% O +p+ + % w+ + + +% + + +n+ % P +rPpP% + + R K % /) Este sacrifcio decisivo, A Dama Preta no pode mais permanecer na diagonal a4-e8, e as Pretas tm de admitir a derrota. Na prxima lio vamos continuar com a anlise das condies necessrias para que se executem ataques de combinaes em uma partida. 5.Te4!! Um nocaute brilhante! As Pretas no tm tempo para abrir uma casa para fuga: 5... h6 6.Dxc8 Txc8 7.Txa4 e as Brancas ganham uma Torre. Tambm no possvel jogar 5... Dxe4 porque com 6.Txe4 as Pretas no mais podem capturar a Dama das Brancas. Portanto a Dama das Pretas tem que recuar. 5... Db5 6.Dxb7!! 78
  • 79. LIO 15 Estratagemas Tticos uma partida entre Carlos Torre e Emanuel Lasker (Moscou, 1925). Na nossa lio anterior, lidamos com as combinaes e como elas ocorrem nas partidas. Tambm analisamos algumas combinaes baseadas na debilidade da oitava (ou primeira) fileira. Agora examinaremos outras situaes especficas que do origem a combinaes diversas. Primeiro, examine a debilidade da segunda (stima) fila. Debilidades na ltima fileira do origem a ameaas de mate contra o Rei. Debilidades na segunda ou stima fileira, geralmente, facilitam a destruio dos Pees que protegem o Rei, facilitando assim a vitria final. Na lio 14 ns examinamos a partida entre G. Rotlevi e A. Rubinstein, em que as Brancas capitularam por causa da debilidade da sua segunda fileira quando ambas as Torres Pretas ameaaram a casa h2. Vamos agora considerar uma situao anloga a que se chegou em !""""""""# t+ +tMl+% Ov+ +oO % + Oo+ O% +w+ + Bq% P P + +% + + N R % p+ + PpP% + + R K % /) Parece que as Pretas podem contentar-se com a situao presente, mas um sacrifcio brilhante e inesperado do Bispo Branco altera a situao de modo drstico, possibilitando a execuo de uma combinao que conhecida como pndulo. 79
  • 80. 1.Bf6!! 2.Txg7+ 3.Txf7+ 4.Tg7+ 5.Txb7+ 6.Tg7+ 7.Rg5+! Dxh5 Rh8 Rg8 Rh8 Rg8 Rh8 de Pees. No entanto, quando h debilidades (ilhas de Pees) na sua formao a situao diferente. Observe a partida entre Caesias e Vladmir Vukovic, de 1940. 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 Cf6 4.d4 ed 5.O-O Bc5 6.e5 d5 7.ef dc 8.Te1+ Nesta posio as Pretas deveriam entregar um Peo para poderem mobilizar as suas peas. No entanto, as Pretas decidiram-se por proteger o Peo e aps 8... Rf8? 9.Bg5 gf 10.Bh6+ Rg8 os Pees nas casas f7, f6 e h7 acabam por ser uma priso, e no !""""""""# t+ +tM L% O + + + % + OoB O% + + + Rw% P P + +% + + N + % p+ + PpP% + + R K % /) Depois de uma srie de xeques descobertos a Torre mutilou todo o exrcito Preto, ao longo da stima fileira, e agora a Dama Preta tambm perece. 7... Rh7 8.Txh5 Rg6 9.Th3 Rxf6 10.Txh6+ As Brancas, com dois Pees a mais, venceram com facilidade. A prtica demonstra que a entrada de duas peas maiores na segunda (stima) fileira o caminho mais certo para a vitria. Tambm sabido que difcil atacar o Rei inimigo quando o mesmo defendido por uma slida formao !""""""""# t+vW +lT% OoO +o+o% +m+ O B% + V + + % +oO + +% + + +n+ % pPp+ PpP% Rn+qR K % /) 80
  • 81. 16.Cexf6+!! Bxf6 17.Te8+!! Dxe8 18.Cxf6 mate. Uma vez que uma boa formao de Pees particularmente importante para uma boa defesa, h alguns ataques de combinaes tpicos que visam eliminar as defesas do Rei. Vamos agora examinar um outro exemplo de sacrifcios utilizados no ataque aos Pees que constituem a defesa do Rei. um escudo, para o Rei das Pretas. O Bispo Branco na casa h6 o sentinela que evita a fuga do Rei das Pretas. Agora as Brancas tm de trazer uma pea capaz de dar mate para o jogo, mas qual pea? Poderia ser um Cavalo na casa f6, uma Torre na casa e8, ou a Dama na casa g4. interessante que possam ter ocorrido vrias situaes nesta partida em que qualquer uma das peas estava em condies de dar o golpe final. 11.Cc3! Bg4 12.Ce4 b6 13.c3 Ce5? 14.Cxe5 A ameaa 15.Dxg4 mate. Por que no tomar a formidvel rainha? 14... Bxd1 Em. Lasker - J.H. Bauer 1889 !""""""""# t+ + Tl+% +v+ VoOo% oOw+o+ +% + OoB + % + + P +% +p+bP + % p+pPq+pP% R + +rK % /) !""""""""# t+ W +lT% O O +o+o% O + O B% + V N + % +oOn+ +% + P + + % pP + PpP% R +vR K % /) Aps o lance natural 1.Dh5 f5 seria difcil verificar a superioridade das Brancas, mas se as Brancas eliminarem os Pees das casas g7 e h7, a subida da Torre de f1 para f3 seria desastrosa para as Pretas. 15.Cd7!! Be7 Parece que as Pretas conseguiram defender-se do mate na casa contra novos sacrifcios. 81
  • 82. !""""""""# +t+ +l+% OvT W +o% O +o+o+% + + +p+ % + Po+ +% +p+ R + % pB Q +pP% + + +rK % /) 1.Bxh7+! Rxh7 2.Dh5 Rg8 3.Bxg7! Rxg7 4.Dg4+ Rh7 E no 4... Rf6? 5.Dg5 mate. 5.Tf3 e5 As Pretas tm de entregar a sua Dama. 6.Th3+ Dh6 7.Txh6+ Rxh6 Parece que as Pretas tm uma compensao adequada pela Dama, mas 8.Dd7 as Brancas tinham visto esta manobra antes do sacrifcio do Bispo. Lasker recuperou um dos Bispos, o que foi suficiente para assegurar-lhe uma vitria rpida. Concluindo, vamos considerar um exemplo clssico de combinaes em que um outro golpe ttico, chamado desvio, foi usado. Ao executar um ataque com freqncia preciso livrar-se de uma das peas do adversrio que protegem uma ou mais casas importantes. O mtodo mais simples, captura ou troca, nem sempre possvel, assim surge a questo de como de desviar a ateno daquela pea, atravs de um golpe ttico. Johannes Zukertort, no sculo passado, era famoso como um mestre das combinaes brilhantes. Aqui est a sua vitria espetacular sobre J. H. Blackburne. As Pretas acabaram de recusar a captura do Peo na casa f5 e ao colocarem a Torre na casa c8 elas ameaam entrar na casa c2. As Brancas, por sua vez, tm uma oportunidade de ataque: 1.d5 Tc2 2.Dd4, o que praticamente fora as Pretas a capturar o Bispo em b2. No entanto as Brancas escolheram um modo mais complexo e de maior beleza de resolver o confronto. 1.fg! Tc2 As Pretas no tm outra escolha, porque aps 1 ... hg o seu Rei se tornaria to vulnervel que as Brancas no precisariam recorrer a nenhum artifcio especial para vencer. 2.gh+ Rh8! Parece drstico, mas muito eficaz. O Rei se esconde atrs do Peo inimigo. As Brancas no podem 82
  • 83. Explorando a debilidade da oitava fileira, as Brancas aplicam outro golpe que visa desviar a defesa das Pretas: 5.Tf8+!! Tambm um presente que no pode ser aceito 5... Dxf8 seria retrucado com 6.Bxe5+ Rxh7 7.Dxe4+, seguindo-se um mate forado. 5... Rxh7 6.Dxe4+ Rg7 7.Bxe5+ Rxf8 As Pretas ainda tm esperanas de levar o Rei para a ala da Dama, mas agora segue-se o ltimo golpe da combinao: 8.Bg7+ capturar seu prprio Peo e tm de forar as Pretas a faz-lo, do contrrio seu ataque pra. 3.d5+ e5 !""""""""# +t+ + L% Ov+ W +p% O + + +% + +pO + % + +o+ +% +p+ R + % pBtQ +pP% + + +rK % /) 4.Db4!! Este lance , essencialmente, o incio da combinao. Qual a idia das Brancas? Com o desaparecimento do Peo na casa h7, as duas Torres mais o Bispo daro mate ao Rei. O Peo na casa e5, e a sua proteo, a Dama na casa e7, so vitais para a defesa. Assim, a Dama deve ser desviada tanto de e5 quanto do Rei. Agora, se as Pretas aceitarem este presente luxuoso, d-se mate em seis lances 4... Dxb4 5.Bxe5+ Rxh7 6.Th3+ Rg6 7.Tg3+ Rh7 8.Tf7+ Th6 9.Bf4+ Rh5 10.Th7 mate. Tendo percebido o esperto plano das Brancas as Pretas protegem a Dama, tentando sustentar seu Peo na casa e5. 4... T8c5 !""""""""# + + L +% Ov+ W B % O + + +% + Tp+ + % + +q+ +% +p+ R + % p+t+ +pP% + + + K % /) Se 8... Dxg7? a Dama das Pretas bloqueia a fuga do Rei e permite mate a partir da casa e8. Portanto, as Pretas abandonaram. Na nossa prxima lio ns completaremos a nossa apresentao dos princpios do jogo combinacional. 83
  • 84. LIO 16 O Final !""""""""# B + + +% + + + + % + + + P% + + O + % + V + L% + + + + % + + + +% +k+ + + % /) Muitos amantes do xadrez encaram o final com desdm, como uma parte montona onde no h espao para combinaes nem imaginao. Ns vamos analisar o final prtico e voc ver que este estgio da partida, alm de extremamente complexo, dispe de uma rica abundncia de idias originais. Com isto, tentaremos convencer o leitor de que a habilidade e a capacidade de jogar taticamente essencial para o sucesso no final. Durante uma combinao no meio-jogo ou na abertura, a maior parte dos Pees e das peas so observadores passivos. Uma combinao no final, no entanto, exige a participao de todas as peas, sendo o Rei a pea mais ativa. Vamos examinar um exemplo muito simples. Brancas tm que mover, e o seu primeiro impulso de avanar o Peo na casa h6, s que aps 1.b7 e4! no h nenhuma chance das mesmas promoverem seu Peo, j que todas as casas da grande diagonal esto controladas pelo Bispo. Portanto, antes de avanar o Peo, as Brancas devem afastar o Bispo da grande diagonal ou bloquearem o avano do Peo Preto na casa e5. Vamos tentar a primeira opo. 1.Ba7! 84
  • 85. Um tema ttico bem conhecido chamado desvio. O Bispo no pode ser tomado porque o Peo na casa h6 alcanaria a promoo, e o lance 1... Rg5 respondido com 2.h7, quando ento 2... e4 permite que o Bispo das Brancas tome o Bispo das Pretas na casa d4. S h uma resposta possvel: 1... Bc3 2.Rc2 As Pretas no tm escolha: 2... Ba1 Absolutamente espantoso e inesperado. fcil perceber que aps 3... ed segue-se 4.Rd3! E a as Brancas bloqueiam o Peo. O Bispo das Pretas na casa a1 no pode impedir que o Peo Branco seja promovido. Mas possvel tomar o Bispo com o Bispo. 3... Bxd4 4.Rd3! Agora tudo est claro. O Peo na coluna do Rei, protegendo o Bispo, no pode mover-se agora. Depois de 4... Bb2 as Brancas jogam 5.Re4! bloqueando o Peo na casa e5 e garantindo a promoo do seu Peo da casa h6. Uma fantstica obra de arte, no? S havia seis atores no palco, mas cada um desempenhou o seu papel at o limite da sua capacidade. Tambm no menos sutil a performance teatral das peas neste diagrama publicado em um jornal de Glasgow, em 1895. !""""""""# + + + +% B + + + % + + + P% + + O + % + + + L% + + + + % +k+ + +% V + + + % /) Em princpio, parece que as Brancas j conseguiram o mximo daquela posio inicial, mas ainda no podem impedir o avano do Peo na coluna do Rei Ainda assim, a oferta do Bispo no era nenhum truque que contasse com a ingenuidade das Pretas, mas sim o incio de uma bela combinao. 3.Bd4!! Veja o diagrama a seguir A posio bastante bvia; as Pretas tm duas opes: permitir a promoo do Peo das Brancas ou dar um xeque com a Torre, o 85
  • 86. !""""""""# + + + +% + + + + % Kp+ + +% + +t+ + % + + + +% + + + + % + + + +% L + + + % /) F. Saavedra enviou-lhe uma correo: 6.c8T! As Brancas executam um ataque peculiar com um mnimo de foras e com a participao ativa do Rei. 6... Ta4 7.Rb3! o fim. Para evitar o mate, as Pretas tm de entregar a Torre. Este exemplo mostra bem as peculiaridades particulares de um final ttico: o papel ativo do Rei e o valor cada vez maior dos Pees. Aqui est um outro exemplo: 1.c7 que parece bastante desproposital. 1... Rd6+ Este lance no to simples quanto possa parecer. A 2.Rb7 segue-se 2... Td7 e aps 2.Rc5 as Pretas empatam imediatamente, com 2... Td1 3.Rb6 Tc1. 2.Rb5! Td5+ 3.Rb4 Td4+ 4.Rb3 Td3+ 5.Rc2! Agora no h mais xeques e a Torre tambm no pode chegar a casa c1. Mas a luta est longe de terminar: 5... Td4! Uma citada bem planejada! Agora a 6.c8D seguir-se- 6... Tc4+! 7.Dxc4 e h um empate, pois o Rei Preto fica afogado. Ser que mesmo um empate? Era o que sustentava o jornalista que publicou a posio. !""""""""# + +l+ +% +o+ Oo+ % oP + + O% P Pr+ + % t+ + + +% + + +k+p% + + +p+% + + + + % /) As Brancas parecem estar enfrentando dificuldades, j que no fcil proteger o Peo na casa a5. O sacrifcio oferecido pelas Brancas parece um ato de desespero. 1.c6 bc Agora o lance natural 2.Tc5 seria seguido por 2... Rd7, aps 86
  • 87. !""""""""# Q + + +% + + Ol+ % o+ + + O% Po+ + + % + T + +% + + +k+p% + + + +% + + + + % /) o que a Torre das Pretas chega casa b5 atravs da casa b4 e as Brancas ficam em uma posio difcil. Ser que possvel bloquear a Torre das Pretas para que a mesma no possa tomar o Peo na casa b6? 2.Tb5!! Esta idia tpica se chama bloqueio. 2... ab 3.b7 Agora a situao mudou completamente. As Pretas esto beira de um abismo, j que o surgimento de uma Dama Branca eminente. 3... Txa5 4.b8D+ Rd7 5.Dh8 As Pretas perdem o Peo na casa h6 e com ele as suas ltimas esperanas de salvarem-se. A Dama Branca ir atacar os Pees das Pretas na ala da Dama e ao mesmo tempo as Pretas no podem impedir o avano do Peo das Brancas na coluna h. colocando a Torre na casa d6 e eventualmente movendo-a entre d6 e f6. Voc pode dispor das peas das Brancas como quiser que ainda assim no conseguir penetrar as defesas das Pretas. Conhecendo uma outra caracterstica surpreendente do final, as Pretas conseguem achar um caminho diante da seguinte dvida: !""""""""# L + + +% + + + + % Pp+ + +% + + K + % + + + +% + + +b+ % + + + +% + +t+ + % /) A ttulo de especulao, apenas, se no houvesse o Peo Preto na casa f7 nem o Peo Branco na casa g2, as Pretas poderiam salvar a ptria montando uma fortaleza impenetrvel depois de 1.c6 bc 2.Tb5! cb! 3.b7 Td4 4.b8D+ Rf7 As Pretas parecem estar em perigo. Por exemplo: 1... Tc1 2.Rd6 Rc8 3.c7 Txc7! 4.Bg4+!(e no 4.bc que d o empate!) O empate por afogamento do Rei parece ser o nico recurso. 87
  • 88. 1... Td7!! 2.Bd5 Tb7!! Agora as Brancas tm uma escolha. Elas podem tentar empatar aps 3.Bd6 Txb6 4.Be6 Ta6 ou jogar 3.cb e assegurar-se de uma grande vantagem material e s ganhar meio ponto com um empate. Ainda assim, a posio de afogamento nem sempre serve para o lado que se defende. precisamente esta mesma posio que muito freqentemente revela-se uma armadilha para o Rei. 1.Bf3+ Rg1 2.Bh1!! Rxh1 3.Rf1! incrvel! As Pretas tm dois Pees a mais, mas seu Rei, tendo capturado o Bispo, no pode moverse e agora somente um dos trs Pees das Pretas pode efetuar um lance. 3... d5 4.ed e4 5.d6 e3 6.d7 e2+ Ao menos as Pretas conseguiram libertar o Rei. 7.Rxe2 Rg2 8.d8D h1D As Pretas fizeram o melhor possvel, mas a posio passiva da sua Dama, incapaz de ajudar o Rei, que ser responsvel pela sua queda. 9.Dg5+ Rh3 10.Dg5+ Rg3 11.Dg4+ Rh2 12.Rf2! As Pretas tm que abandonar: no h defesa contra Dh4 ou Dh5 mate. Assim, voc pode ver que no final, que tantos fs do xadrez consideram a etapa mais chata da partida, h um amplo espectro de possibilidades de combinaes. !""""""""# + + + +% + + + + % + O + +% + + O +b% + +p+ +% + + + + % + +k+lO% + + + + % /) Apesar da vantagem material, as Brancas devem jogar com muito cuidado. Se o Peo na casa h2 for promovido, as Pretas vencem o jogo. Mas as Brancas conseguem atrair o Rei para uma posio de afogamento atravs de um sacrifcio engenhoso. 88
  • 89. LIO 17 Mtodos de Ataque em 2 ou 3 lances, ou ataques de vrios estgios, que chegam a desdobrar-se por 10 lances ou mais. Na maioria das vezes o Rei inimigo o alvo dos ataques. As peas que atacam tentam por todos os meios esmag-lo, mesmo que tenham que aceitar pesadas perdas materiais. Em tais casos o fim justifica os meios. Para ilustrar tais ataques, gostaria de analisar duas partidas. Primeiro vamos olhar uma de minhas partidas. Todo enxadrista, no importando o seu nvel (h milhes de amadores), sente a sua inspirao crescer quando chega a uma posio em que pode lanar um ataque ao Rei inimigo. Mas para organizar um ataque preciso que se adquira as habilidades do jogo posicional e o conhecimento dos golpes tticos vistos nas lies anteriores. Na maior parte das partidas, um dos lados, atravs de uma acumulao gradual de pequenas vantagens, obtm aquilo que chamamos de vantagem posicional, que precisa ento ser transformada em uma vantagem material real. Nestas situaes, o melhor a fazer passar de manobras lentas e planejadas a aes enrgicas caracterizadas por operaes ofensivas e golpes tticos concretos. Este mtodo da estratgia enxadrstica chamado de ataque. H muitos tipos de ataque, o ataquerelmpago, em que decide-se o jogo E. Magerramov G. Kasparov Baku 1977 A abertura foi bastante calma. 1.Cf3 Cf6 2.d4 e6 3.c4 d5 4.Cc3 Be7 5.Bg5 h6 6.Bh4 O-O 7.e3 b6 89
  • 90. 8.Db3 9.Bxf6 10.cd 11.Td1 12.dc 13.c6 14.Cd4? 15.Txd4 16.Dd1 17.Td2 Db7 Bxf6 ed c5 Cd7 Bxc6 Bxd4! Cc5 Ce6 seria contestado com 20.Rf2! Ainda assim, h uma falha fundamental no plano das Brancas: elas esto atrasadas no desenvolvimento de suas peas. 19... Bxf3!! Um golpe ttico muito eficaz no momento apropriado. Uma vez que 20.Dxf3 contestado com 20... Cxd4+, as Pretas destruram completamente a proteo que os Pees constituam para o Rei das Brancas, impedindo que o mesmo escape do centro. Alm disso, as peas das Brancas tomaram-se descoordenadas. Tudo isto compensao suficiente pelo sacrifcio do Bispo. Ainda assim, as Pretas tm que conduzir o ataque de modo bem enrgico. 20.gf Dh4+ 21.Tf2 Com 21.Re2 havia mate imediato com 21... Cf4. 21... Cxd4+ 22.Be2 Cxf3+ 23.Rf1 Dh3+ 24.Tg2 Ch4 25.Thg1 Tad8! Completou-se um outro estgio do ataque. As Pretas liberaram todas as suas peas e paralisaram as foras do adversrio. Agora elas poderiam ter restabelecido o equilbrio material capturando a Torre, mas as Pretas no tm muita pressa em faz-lo, !""""""""# t+ W Tl+% O + +oO % Ov+m+ O% + +o+ + % + + + +% + N P + % pP R PpP% + +qKb+r% /) Como resultado da manobra incorreta do Cavalo Branco para a casa d4, o Rei das Brancas ficou preso no centro, e ao mesmo tempo as peas na ala do Rei ainda no foram desenvolvidas. Assim, o primeiro estgio do ataque baseia-se em um sacrifcio de Peo, abrindo a grande diagonal para o Bispo e a coluna central para a Torre. 17... d4! 18.ed Te8 19.f3 Um plano de defesa interressante. Agora 19... Cxd4+ 90
  • 91. !""""""""# + Tt+l+% O + +oO % O + + O% + + + + % + + + M% + N + +w% pP +b+rP% + Q +kR % /) a Torre na casa g2 estada desprotegida. 27.Df2 A ameaa era 27... Tf3+! 27... Cf3! Agora as Brancas no tm disposio nenhum lance enrgico ou sequer til. A Torre, por exemplo, ainda no pode ser tomada, porque seguir-se-ia 28... Cxh2 mate. As Brancas teriam tambm levado mate caso o Cavalo recuasse. 28.Db1 Td1+ 29.Bxd1 Cxh2 mate. Uma tentativa de retirada da Dama tambm falharia, 28.Dg3 Cd2+. Assim, as Brancas tm de mover a sua Torre da casa g1 para a casa h1 e voltar para g1. 28.Th1 Tde3 29.Tg1 Rd8 30.Th1 b5! Aps o lance bvio 31.a3 a5! no h defesa contra o avano decisivo do Peo na casa b5 para a casa b4. Por isto as Brancas abandonaram. Ainda assim, um ataque no leva necessariamente total derrocada do inimigo, conforme a partida a seguir ilustra: uma vez que as peas das Brancas cercam o prprio Rei impedindo que o mesmo saia para o centro. 21.De1! O desejo natural de trazer a Dama para junto do teatro de operaes leva as Brancas para a beira do abismo e tira a mobilidade do seu Rei. A nica possibilidade defensiva era levar a Dama casa g4. Ao jogar 26.Da4! as Brancas teriam evitado uma derrota imediata, embora aps 26... Cxg2 27.Txg2 Te5 28.Dg4 Dxg4 29.Bxg4 f5 30.Bf3 g5 as Brancas ainda estariam em uma posio difcil de defender. Aps 26.Del? as Brancas tero de suportar outra onda de ataque, desta vez com a Dama e o Rei como alvos. 26... Td3! A Torre no pode ser tomada porque aps 27.Bxd3 Txe1+ 28.Rxel A. Alekhine - A. Rubinstein Carlsbad 1923 1.d4 2.c4 3.Cf3 91 d5 e6 Cf6
  • 92. 4.Cc3 5.Bg5 6.e3 7.Tc1 8.Dc2 9.a4 10.Bd3 11.Bxc4 12.Bf4 13.ef 14.dc 15.O-O Be7 Cbd7 O-O c6 a6 Te8 dc Cd5 Cxf4 c5 Dc7 Dxf4 A continuao 16... Bxc5 17.Ceg5! g6 (17... Cf8 18.Bd3! ameaando tanto a casa h7 como a casa c5) 18.Tfe1 Cf8 19.g3 Df6 parece passiva, mas , provavelmente, a melhor defesa. 17.Cxc5 Bxc5 18.Bd3 b6 19.Bxh7+ Rh8 20.Be4 A primeira meta foi atingida. Na formao de Pees que defende o Rei das Pretas h uma enorme falha o Peo na casa h7 desapareceu e as Brancas podem situar suas peas pesadas na coluna h. Mas as Brancas tm de jogar de modo enrgico, ou as Pretas traro o seu Bispo casa b7 em dois lances e o ataque ser neutralizado. 20... Ta7? !""""""""# t+v+t+l+% +o+mVoOo% o+ + + +% + P + + % p+b+ W +% + N +n+ % Pq+ PpP% + R +rK % /) !""""""""# +v+t+ L% T + +oO % oO +o+ +% + V + + % p+ +bW +% + + +n+ % Pq+ PpP% + R +rK % /) A vantagem posicional das Brancas determinada pela sua maioria de Pees na ala da Dama e, alm disso, pelo desenvolvimento inferior das Pretas naquele setor. Ainda assim, Alekhine percebe uma outra caracterstica desta posio: a proteo insuficiente na ala do Rei das Pretas, o que o capacita a lanar um ataque contra o Rei. Mas antes de atacar preciso enfraquecer as defesas do adversrio. Observe a tcnica soberba de Alekhine: 16.Ce4! Cxc5 21.b4! Este o incio de uma manobra de desvio eficaz que visa 92
  • 93. 25.Bg6! Um golpe inesperado e muito forte. As Pretas no podem defender a casa f7 e a Dama Branca chega casa h4. Por exemplo, 25... Bb7 26.Dc4! ou 25... fg 26.De4! Bxb4 27.Dh4+ Rg8 28.Dh7+ Rf8 29.Dh8+ Re7 30.Dxg7+ Re8 31.Dg8+ Bf8 32.Dxg6+ Re7 33.Dxe6 mate. As Pretas tm de declinar a troca, mas ainda assim, no sero capazes de livrar-se das deficincias da sua posio. O resto mera rotina. 25... De5 26.Cxf7+ Txf7 27.Bxf7 Df5 28.Tfd1! Txd1+ 29.Txd1 Dxf7 30.Dxc8 Rh7 31.Dxa6 Df3 32.Dd3+ e as Pretas abandonaram. Esperamos que as partidas analisadas nesta lio ajudem-no a ganhar alguma habilidade em conduzir operaes ofensivas. clavar as peas das Pretas, privandoas de mobilidade e criando uma presso aprecivel na ala do Rei. 21... Bf8 22.Dc6! Td7 23.g3 Db8 Agora se 23... Dd6, Alekhine sugeriria 24.Dc4! De7 (ou 24... Rg8 25.Bc6 Tc7 26.Tfd1 De7 27.Dd3!) 25.Ce5 Td6 26.Bg6! ganhando material. Ao colocar a sua Dama na casa b8 (para apoiar o Peo na casa b6), as Pretas deixam o seu Rei virtualmente desprotegido, e era exatamente isto o que Alekhine buscava. Agora ele cria rapidamente uma srie de ameaas diretas contra o Rei do adversrio. As peas das Brancas so transferidas imediatamente para o outro lado do tabuleiro. 24.Cg5! Ted8 A ameaa era 25.Cxf7+ Txf7 28.Dxe8. !""""""""# WvT V L% + +t+oO % oOq+o+ +% + + + N % pP +b+ +% + + + P % + + P P% + R +rK % /) 93
  • 94. LIO 18 Ataque ou Defesa? xadrez Wilhelm Steinitz formulou a sua teoria do jogo posicional e o campeo mundial Emanuel Lasker atingiu resultados espetaculares, que a defesa passou a ser apreciada e novos mestres, extremamente talentosos na arte de defesa, surgiram no cenrio enxadrstico. Como que este problema visto atualmente? A resposta clara: tanto o escudo como a espada so igualmente importantes. Hoje mais do que claro que ningum pode tornar-se um jogador forte sem ser um defensor habilidoso. H 20 anos sacrifcios intuitivos visando ao ganho da iniciativa eram comuns em torneios internacionais. Mas hoje as tcnicas defensivas esto to avanadas que mesmo um sacrifcio de um mero Peo tem que se basear em alguma variante conhecida e O que o mais importante? O ataque ou a defesa? Hoje em dia esta questo no mais de grande relevncia, e cada um joga a seu modo. Os jogadores mais impetuosos e inexperientes tentam resolver logo o assunto atravs de ataques diretos. Atrados pelas combinaes, eles buscam persistentemente golpes tticos bonitos e inesperados. A maioria dos enxadristas experientes prefere formaes slidas e capazes de repelir qualquer ataque. Os fs do xadrez sabem que o ataque, ou o chamado estilo romntico, predominava no sculo XIX. Naquela poca no havia sistemas de defesa complexos; se o seu adversrio sacrificasse um peo ou uma pea, esperava-se que voc aceitasse o sacrifcio e sustentasse a posio. Foi somente ao final do sculo, quando o grande filsofo do 94
  • 95. cansao cometer algum erro e deixar a vitria escapar das suas mos. claro que se ambos os lados jogarem bem nesta situao, uma situao ruim, qualquer que seja a defesa, ir permanecer ruim. Mas ainda assim voc deve dar o melhor de si e jogar at o final. Veja como Lasker o fazia: concreta, ou a defesa ir levar a melhor. E por que ns olhamos para trs, para a histria? A resposta tambm simples: qualquer jogador que queira melhorar suas habilidades deve nutrir-se das experincias das geraes anteriores. Nossos precursores, na carncia de conhecimento de xadrez, valeram-se de mtodos de tentativa e erro e nos deixaram uma ampla sabedoria nas suas partidas e livros. O aprendizado que para eles levou dcadas hoje completado por um jovem enxadrista em um ano. E como algum aprende a preparar uma boa defesa? H muitos caminhos e muitos mtodos. Ns iremos nos inteirar dos mesmos nas nossas lies. Vamos comear com posies ruins. Lasker costumava dizer que qualquer posio pode ser defendida e todos conhecem o ditado enxadrstico que diz que no se ganha uma partida abandonando-a. A experincia mostrou que no importa o quo perdida uma posio esteja, sempre aparece uma chance de se fazer uma resistncia teimosa. Voc precisa encontrar tais chances. Quando o seu adversrio, que imaginava vencer com facilidade, encontrar tais novos problemas e dificuldades, ele pode devido ao E. Lasker - A. Nimzowitsch St. Petersburg 1914 !""""""""# +l+ + T% OoVt+o+ % +o+o+ +% + + +o+ % + Pm+ +% + P +n+w% pP +q+rP% K B + R % /) As Pretas tm um Peo a mais, um Cavalo bem colocado no centro e uma forte estrutura de Pees. Muito poucos teriam se defendido teimosamente nesta situao. Mas o grande Lasker, percebendo que os Cavalos poderiam ser simplificados e que o Peo a mais ainda estava dobrado, percebeu 95
  • 96. 37.c4 Lasker prepara-se para jogar o lance d5. 37... Cf6? O primeiro erro. Tendo esbarrado com uma resistncia obstinada, as Pretas esto meio desorientadas e buscam defender-se da atividade das Brancas. As Pretas deveriam ter forado a sada da Torre das Brancas jogando 37... Dh8! 38.Bg5 Ch5? Desgraas nunca andam desacompanhadas, e freqentemente a um erro segue-se outro. Incapaz de explorar sua vantagem, as Pretas lanam mo de manobras tticas. Agora as Pretas esperam uma vitria fcil com 39.Th7 Cf4! 40.Txh3 Cxe2 ou 39.Be7 Cxg7 40.Bxf8 Ch5. Aps a partida descobriu-se que as Pretas ainda tinham chances de vitria aps 38... Ce4 39.Be7 Te8 40.Txf7 Dg4! 41.Bh4! Dg6 42.Te7 Th8!, mas uma anlise pstuma bem diferente de uma disputa de verdade. Nimzowitsch no v a vitria e, cansado do duro combate, perde a sua vantagem. 39.Txf7 Txf7 40.Dxe6+ Td7 41.Ce5! Bxe5 que a vantagem das Pretas, embora clara, ainda no era decisiva. As Pretas ainda teriam que descobrir como melhorar a sua posio, assim as Brancas deveriam esperar calmamente e jogar de modo a no comprometerem a posio. 27.a3 a6 28.Be3 Thd8 29.Ra2 Th8 30.Ra1 Thd8 O primeiro sucesso das Brancas ao mover a sua Torre ao longo da ltima fileira, Nimzowitsch mostra no saber como explorar a sua vantagem. um bom incentivo para que as Brancas intensifiquem a resistncia. 31.Ra2 Te8 32.Tg8 Txg8 33.Txg8+ Td8 34.Tg7 Td7 35.Tg8+ Td8 36.Tg7 Tf8 As Brancas colocaram novos obstculos no caminho das Pretas para a vitria. Uma troca de Torre aliviou a presso sobre o Peo na casa h2. Alm disso, a Torre das Brancas est posicionada de modo mais ativo que a Torre das Pretas, embora a mesma tenha que ser apoiada, pois do contrrio a Dama das Pretas ser capaz de for-la a abandonar a posio. 96
  • 97. !""""""""# +l+ T +% +oV +oR % o+o+o+ +% + + +oBm% +pP + +% P + +n+w% kP +q+ P% + + + + % /) !""""""""# + + +l+% +w+ +oO % o+ Q + +% +oO + + % + + + P% + P P + % p+ + Pp+% + + + K % /) 42.De8+ Rc7 43.Dxe5+ Apesar da Torre a mais, as Pretas no podem evitar o xeque perptuo. Portanto, jogadores concordam sobre o empate, neste ponto. Lasker muitas vezes safou-se de situaes difceis graa a sua defesa feroz e hbil. O grande jogador cubano Jos Raul Capablanca perdeu muito poucas partidas ao longo da sua carreira de enxadrista. Ele era excelente na defesa. estaria totalmente imobilizada e sua derrota seria inevitvel. Capablanca tenta liberar a sua Dama e obter um Peo passado. 27... b4 Agora aps 28.cb Dxb4 29.Dxa6 c4! o Peo passado na coluna c salva as Pretas. As Brancas s tm um caminho para a vitria: 28.c4! Dc8 29.Db6! (impedindo 29... a5) Df5! 30.Dxa6 Rh7!! 31.Da7 De5 32.Dxf7 Da1 33.Rh2 Dxa2. Ainda assim, Rubinstein segue uma outra linha de jogo. 28.Dxc5 bc 29.Dxc3 Db1+ 30.Rh2 Dxa2 31.Rc8+ Rh7 32.Df5+ g6 33.Df6 A situao est clara. A enorme superioridade das Brancas na ala do Rei contrabalanada pelo Peo da coluna a que apesar de parecer modesto extremamente forte. A. Rubinstein J. Capablanca St. Petersburg 1914 Parece que as Brancas tm uma vantagem tremenda no final, com um Peo a mais e uma Dama bem posicionada. 27... c4 parece um lance natural, mas aps 28.f3 Dc8 29.e4 a Dama das Pretas 97
  • 98. !""""""""# + + + +% + + +o+l% o+ + Qo+% + + + + % + + + P% + + P + % w+ + PpK% + + + + % /) Jogar 36... gh 36.De6! era arriscado demais para as Brancas. 36... Rg7 37.Dg5+ Rh7 38.Dxh5+ Rg7 E o jogo foi empatado aqui. Capablanca defendeu a sua posio inferior com uma facilidade surpreendente, mostrando o seu virtuosismo. D importncia defesa. Um bom escudo pode resistir ao golpe de qualquer espada. A nossa prxima lio ser dedicada aos mtodos bsicos modernos de defesa. 33... a5 34.g4 a4 35.h5 gh 36.Df5+ Reconhecendo a superioridade de Capablanea como finalista. Jogar 98
  • 99. LIO 19 Contra-ataque extremamente teis para mim. Por exemplo, levei muito tempo para entender o porqu do meu ataque aparentemente irresistvel ter sido paralisado na partida que disputamos no supertorneio de Tilburg em 1981. Na nossa lio anterior ns examinamos mtodos de defesa baseados em esforos defensivos extremados e escrupulosos visando melhorar a coordenao das peas. Mas o xadrez hoje mais complexo e dinmico do que, digamos, 50 anos atrs. A arte do ataque tornou-se mais verstil e mais sutil. E isto, por sua vez, gerou uma reao de igual medida. Em outras palavras, uma vez que a lmina da espada teve seu corte afiado, tambm o escudo foi reforado. Para incio de conversa, o papel da defesa ativa, que visa criar contra-ameaas, aumentou consideravelmente. Eu tive a sorte de encontrarem muitas ocasies com Tigran Petrosian, cuja morte foi tragicamente prematura. Ele compartilhou sem reservas a sua experincia comigo, e os encontros enxadrsticos com este fenomenal mestre da defesa foram sempre G. Kasparov - T. Petrosian Tilburg 1981 !""""""""# Tt+ + +% LoVmW + % o+o+o+o+% + +m+oP % p+nP P +% +r+qP +p% +rB +b+% + + + K % /) Tendo sacrificado um Peo na abertura, eu consegui deixar as peas das Pretas sem espao. Alm disto, o Rei das Pretas est, obviamente, mal colocado. 99
  • 100. minhas peas, mas depois deste lance inesperado fiquei confuso. 33.Bb4! Estranho como possa parecer, este lance natural e enrgico acaba por revelar-se um srio erro. Eu estava perfeitamente ciente de que a casa d5 era um foco de resistncia das Pretas, mas no via como super-la. Ao voltar para Moscou eu achei a linha vencedora 33.Ca3! Bb6 34.Cc2! Ta8 35.Cb4 Dd6 36.e4! fe 37. Dxe4 Ta7 38.Dxg6 Bxd4! 39.Rh1 C7b6 40.f5! Como voc pode ver, a vitria no seria nada fcil e ainda exigiria muito tempo. Eu tive que estudar muito a fundo os segredos da posio. 33... De8! O nico lance: o Peo na casa b5 tem que ser firmemente defendido. Aps 33... Dd8 a continuao 34.e4 fe 35.Dxe4 De8 36.Dxd5+! ed 37.Bxd5+ Ra7 38.Txa6+! Dxa6 39.Ta3+ Ba5 40.Txa5 mate decidiria o jogo. 34.Bd6 Ta8 35.Db1 Neste ponto, pela primeira vez na partida, eu comecei a temer pelo resultado do ataque e decidi apenas desenvolver as peas ocupando pontos vantajosos na esperana de poder aplicar algum golpe combinacional srio no A ameaa a4-a5, e no est claro como retrucar os lances Tcb2 e Db1. A posio restringida das Pretas toma a sua defesa passiva e absolutamente nada promissora, e por isso Petrosian recorre a um lance desesperado. 30... b5 31.sb cb 32.Ta2! A impresso de que as Pretas esto beira do abismo. A destruio da sua ala da Dama atravs da coluna aberta parece inevitvel, mas a partir de agora Petrosian encontra lances que transformam toda a partida em um show de mgica. 32... Rb7! A maior parte dos mestres teria preferido 32... Bd6, entregando o Peo com uma posio inferior 33.Txb5 Txb5 34.Cxd6 Dxd6 35.Dxb5 mas evitando uma catstrofe. Escapando de uma clavada, as Pretas se vem diante de duas outras. Eu realmente no sei como que este meu muito estimado adversrio determinou que o seu Rei estaria a salvo na casa b7, mas esta sua resoluo teve um efeito psicolgico adverso sobre mim. Eu ainda podia perceber a fora de ataque das 100
  • 101. Assim, no somente o Rei se defendeu como tambm guiou suas toras vitria. Ao analisar esta partida voc deve tirar uma concluso da maior importncia: voc deve ter sangue-frio e tranqilidade quando for atacado pelo adversrio. A voc pode ser capaz de repetir o ataque com sucesso e escolher o momento adequado para lanar um contraataque que, em ltima anlise, o mtodo de defesa mais eficiente. Vamos analisar um exemplo clssico de contra-ataque em uma partida brilhante entre dois gigantes do xadrez. meu adversrio. Mesmo assim, o prximo lance do antigo campeo mundial me pegou completamente de surpresa. 35... Rc6!! !""""""""# t+t+w+ +% + Vm+ + % o+lBo+o+% +o+m+oP % +nP P +% +r+ P + % r+ + +bP% +q+ + K % /) Fantstico!! O Rei, abandonando a proteo dos Pees, marcha em direo s foras Brancas. Isto no inconseqncia, mas um exemplo de um clculo preciso. Agora as Brancas tm de achar um modo de salvar, as suas peas confusas, sem perdas materiais. Ainda havia uma salvao neste ponto, mas, impressionado com a defesa to cheia de recursos do meu adversrio, eu no consegui achar a melhor continuao e perdi o jogo em uns poucos lances. 36.Tba3? bc 37.Txa6+ Txa6 38.Txa6+ Bb6 39.Bc5 Dd8 40.Da1 Cxc5 41.dc Rxc5! E as Brancas abandonaram. Y. Geller - M. Euwe Zurique 1953 !""""""""# +tWmTl+% Ov+o+ Oo% O +oO +% + + +p+ % +mPpR +% P +b+ N % + + +pP% R Bq+ K % /) O ataque das Brancas parece ameaador. Em um par de lances ele pode trazer a sua Dama e a sua Torre para a coluna h, de modo que praticamente todas as suas 101
  • 102. 21... Dxe6 22.Dxf7+ Rf7 23.Bh6 peas (menos a Torre na casa a1) participem do assalto s defesas do Rei das Pretas. Mas o ex-campeo mundial Euwe havia jogado mais de 70 partidas contra o maior de todos os magos do ataque, Alexander Alekhine, portanto no era fcil confundi-lo. 16... b5 Este lance no perda de tempo. o incio de um grande plano. A defesa passiva da posio do Rei no promissora para as Pretas, j que suas peas tm pouco se que tm espao para manobrar e metade delas ser incapaz de proteger o Rei. Em vista disso Euwe decide reagir, to logo quanto for possvel, com um forte contra-jogo no centro, onde as suas peas no esto posicionadas de modo pior que as das Brancas. 17.Th4 Db6 18.e5 Cxe5 19.fe Cxd3 20.Dxd3 As Pretas eliminaram o perigoso Bispo de casas brancas das Brancas, e abrindo a grande diagonal para o seu Bispo, que controla a casa g2, que muito importante. Ainda assim, parece que as Brancas esto claramente melhor: sua Dama em breve estar no meio do territrio inimigo. !""""""""# +t+mT +% Ov+o+lOq% + +wO B% +o+ + + % + P + R% P + + N % + + +pP% R + + K % /) A posio das Pretas parece crtica. Se as Brancas trouxerem a sua Torre da casa a1 para a casa f1, haver ameaas imediatas ao Rei das Pretas, mas neste momento que Euwe encontra um golpe ttico baseado no desvio e executa um contra-ataque relmpago. 22... Th8!! 23.Dxh8 Tc2! A situao mudou drasticamente de repente. Agora a ameaa 25...Txg2 26.Tf1 Dc4+ etc. Quando o torneio foi encerrado, os Grandes Mestres, depois de anlises exaustivas, concluram que as Brancas poderiam salvar-se se tivessem usado alguns lances sutis e bem disfarados. Esta uma das variante: 24 d5! 102
  • 103. Db6+ 25.Rhl Df2 26.Tg1 Bxd5 27.Te4 Bxe4 28.Cxe4 Dh4 29.Bxg7 Dxe4 30.Df8+ etc. Exausto pelo rduo combate Geller no pde encontrar a continuao correta e a partida encerrou-se rapidamente. 24.Rc1? Txg2+ 25.Rf1 Db3! 26.Re1! Df3! E as Brancas abandonaram. Por que o ataque das Brancas, que parecia to ameaador, foi frustrado? Porque as Brancas queriam usar toda a sua fora de ataque, mas, na prtica, era tosomente a sua Dama que incomodava o Rei das Pretas, sendo as outras peas meras observadoras. Por outro lado, vrias peas das Pretas participaram do contra-ataque bem-sucedido casa g2. Euwe teve sucesso porque defendeu-se com um mnimo de foras. Era este tipo de defesa econmica que Lasker considerava ser a principal caracterstica de um jogador de primeira classe. Portanto, quando na defesa, mantenha a compostura. Quando voc perceber uma ameaa do inimigo, no mova todas as peas para a defesa, use as suas peas de modo econmico e escolha o momento certo para o contra-ataque. 103
  • 104. LIO 20 A Oposio Para a maioria dos entusiastas, o xadrez primordialmente um jogo com uma gama infinita de possibilidades de se executar combinaes bonitas e inesperadas. Estes acham que quanto menos peas restarem sobre o tabuleiro, to menos interessante fica a partida. Para a maioria destes o final como uma terra desolada, sombria e sem graa. Que iluso! O final, a ltima etapa de uma partida de xadrez, inesgotavelmente rica para os jogadores dotados de pensamento original e criativo, e tambm capazes de executar operaes correspondentes a idias profundas, bem planejadas. Esta fase da partida requer a preciso de um mecanismo de relgio. Se voc no estiver satisfeito com a abertura, voc pode melhorar a sua posio no meiojogo. Se voc tiver cometido alguns erros no meio-jogo, voc pode torcer para que possa corrigi-los no final. Mas erros no final, comparveis a um erro do goleiro no futebol, so geralmente decisivos. Lembre-se, a no ser que voc possa jogar bem os finais, voc jamais ser um forte jogador de xadrez. No por acaso que todos os campees mundiais esto sempre dispostos a levar a partida para o final e sempre jogam bem este estgio, de modo firme e artstico. Emanuel Lasker, Jos Raul Capablanca e Mikhail Botvinnik eram virtuosi em finais. Eu no posso jamais desmerecer o valor das lies que me foram dadas nas tcnicas de finais pelo ex-campeo mundial Mikhail Botvinnik. Dez anos atrs ele me convenceu da necessidade de estudar as posies e os mtodos tpicos do final. 104
  • 105. 45... Rd5 46.Rd3 Rc5! 47.Rc3 As Brancas no tm escolha. 47... g4! 48.Rd3 gh 49.gh Rd5 50.Re3 Re5 51.Rf3 f4 52.Rf2 Re4 53.Re2 f3+ 54.Rf1 O grande Capablanca aconselhava que se comeasse a estudar pelos finais de Pees mais elementares. Por qu? Parece que h muito pouca chance de chegar-se a uma destas posies. Se eu tivesse apresentado tal pragmatismo ingnuo em 1978, no torneio de classificao para o campeonato nacional, eu teria me arrependido. Ao final do torneio, na minha partida contra Alburt (eu jogava com as Pretas), chegamos seguinte posio aps o lance 45 das Brancas: !""""""""# + + + +% + + + + % + + + +% + + + + % + +l+ O% + + +o+p% + + + +% + + +k+ % /) !""""""""# + + + +% + + + + % + + + +% + + LoO % + + + O% + + K +p% + + +p+% + + + + % /) primeira vista parece que o Rei das Pretas no pode avanar por causa do empate aps 54... Rf4 55.Rf2 Re4 56.Rf1 Re3 57.Rc1 f2+ 58.Rf1 Rf3. Mas eu sabia que este no era o caso, nesta posio necessrio forar as Brancas a jogar, criando uma posio de "zugzwang", uma posio sem lances teis. Isto se consegue atravs da oposio distante dos Reis. Agora preciso Neste momento muitos espectadores comearam a discutir a respeito da possibilidade de as Pretas ganharem o jogo. Sentado em frente ao tabuleiro, eu estava analisando o mtodo para vencer. Primeiro, as Pretas tm de obter um Peo passado ameaando contornar o Rei das Brancas: 105
  • 106. explicar o que vem a ser o termo oposio, e como ela pode ser utilizada na prtica. O sucesso em um final de Pees depende da atividade do Rei. O Rei tem que buscar de todas as formas ganhar tanto espao quanto for possvel, forando o Rei do adversrio para trs. Portanto, o Rei tm que avanar frente de seus Pees. Na luta pelo espao no tabuleiro, preciso ser capaz de explorar a oposio dos Reis. O mtodo mais eficaz a chamada oposio prxima, ou simplesmente oposio. Vamos considerar um exemplo elementar agora, elas no podem evitar o Peo passado: 1.Rg2 Re3! 2.Rf1 f4 3.Rel f3 4.Rf1 f2 5.Rg2 Re2 etc. Se as Pretas tiverem que efetuar um lance agora, elas no podero forar o recuo do Rei das Brancas e tero que se contentar com um empate aps 1... Re4 2.Re2! f4 3.Rf2 f3 4.Rf1! Re3 5.Re1 f2+ 6.Rf1 Rf3 e h empate pelo tato de o Rei das Brancas estar afogado. A oposio distante, quando os Reis esto separados por trs fileiras, um mtodo sutil que leva, em ltima anlise, oposio direta. Vamos retornar ao meu final de 1978 aps o lance 54.Rf1. 54... Rf5 55.Rg1 Aps 55.Rf2 Rf4 as Pretas tm a oposio, ganhando o ltimo Peo das Brancas aps 56.Rgl Rg3. 55... Re5 56.Rf1 Re4! Agora o Rei das Brancas no pode chegar a e2, e se 57.Rf2 Rf4 58.Rf1 Rg3 ou 57.Rel Re3 58.Rf1 f2 59.Rg2 Re2, portanto resistir intil. interessante notar que cinco anos mais tarde, no torneio internacional da cidade iugoslava de Niksic, eu venci uma partida empregando um mtodo semelhante. !""""""""# + + + +% + + + + % + + + +% + + +o+ % + + L +% + + + + % + + K +% + + + + % /) Os Reis encontram-se em oposio. Aquele que fez o ltimo lance tem a vantagem da oposio. Se as Brancas tm de jogar um lance 106
  • 107. Y. Seirawan - G. Kasparov O Rei das Brancas tem que abrir caminho. 52.Re3 b3! O nico lance possvel. O lance natural 52 ... Rc4 levaria ao empate aps 53.e5! Rd5 54.e6! Rd6. 53.Rd3 Rb4 54.e5 Ra3! Novamente, o nico lance vivel. Aps 54... b2 55.Rc2 Ra3 56.Rb1 as Brancas vencem. Agora a partida chegou ao final lgico: 55.ef b2 56.Rc2 Ra2 57.f7 b1D+ Com um tempo de atraso, as Brancas abandonaram. Pela terceira vez, o meu conhecimento de posies tpicas dos finais de Pees me salvou de jogar um longo final contra Milan Vukic (Iugoslvia) no Campeonato Europeu por Equipes de 1980. Meu adversrio jogava com as Pretas. Est claro que o Rei das Pretas pode avanar sobre os Pees da ala do Rei: 47... b3 48.Rc3 b2 49.Rxb2 Rd4 50.Rb3 Rxe4 51.Rc4 Rxf5 52.Rb5 Rg4, mas o final de Damas com o Peo da coluna h das Pretas leva ao empate. No entanto, eu percebi a possibilidade de explorar a oposio distante, levando o meu adversrio a uma posio de "zugzwang". !""""""""# + + + +% + + + + % + + O +% O L +p+o% pO +p+ P% + +k+ + % + + + +% + + + + % /) !""""""""# + + + +% +o+ +oO % o+lToM O% P + + +p% +p+ Pp+% + B + + % Pk+ + +% + + R + % /) 47... Rc6 48.Rc4 Rc7 49.Rd3 Rd7! Tendo feito uma triangulao, o Rei das Pretas est pronto para uma marcha vitoriosa rumo a casa c5. 50.Re3 Rc6 51.Rd3 Rc5 107
  • 108. As Brancas tm vantagem posicional; o potente Bispo e a forte formao de Pees mantm as Pretas paralisadas em ambos os flancos. Geralmente, a explorao de vantagens posicionais exige muito tempo. Mas neste caso, a partida chega a um fim sbito. Primeiro, as Brancas trocam o Bispo 36.Bxf6 gf e em seguida a Torre. 37.Td1 As Pretas tm de abandonar por causa do final de Pees aps 37... Txd1 38.Rxd1 Rd6 39.g5! facilmente vencido pelas Brancas. Bem, as Pretas tm um Peo de vantagem na ala do Rei, mas por causa das falhas na estrutura de Pees (Pees nas casas e6, f7, f6 e h6) elas no podem impedir que as Brancas obtenham um Peo passado. O Rei das Pretas pode alcan-lo aps os lances 39... fg 40.fg Re7 41.gh Rf8 mas a as Brancas iro passar suas foras no outro lado do tabuleiro: 42.b4 Rg8 43.b5 E o segundo Peo passado no pode ser impedido. Por favor me perdoem por ter usado como exemplos minhas prprias partidas. Eu o fiz para demonstrar como algum pode tirar proveito de um conhecimento concreto deste tipo de final. Eu o aconselho a estudar o final meticulosamente; ser de extrema utilidade para voc. Voc tambm deve ler alguns livros especializados no tema. 108
  • 109. LIO 21 O Ataque no Final Rei as Pretas se arriscam a um final inferior. Na lio anterior, ns fizemos um estudo dos princpios e mtodos bsicos das tcnicas de finais. Eu gostaria de lembrar aos leitores um dos princpios mais importantes que deve sempre nortear os enxadristas nos finais de Pees: o Rei deve lutar para conquistar tanto espao quanto for possvel, afastando o Rei inimigo do centro. Agora que h um grande nmero de manuais de finais e guias de referncia, tudo o que necessrio tempo e vontade para estudar. As posies das aberturas tm sido estudadas, de modo to profundo e sistemtico, que mesmo na abertura o enxadrista deve tentar perceber as peculiaridades de possveis finais. O exemplo mais elementar disto pode ser tirado da Defesa Caro-Kann: 1.e4 c6 2.d4 d5 3.Cc3 ed 4.Cxe4 Cf6 5.Cxf6+ ef, quando para obter a abertura das colunas centrais e fortalecer a defesa do seu !""""""""# tMvWlV T% Oo+ +oOo% +o+ O +% + + + + % + P + +% + + + + % pPp+ PpP% R BqKbNr% /) Nesta lio ns iremos considerar os mtodos empregados em finais com Bispos de cores opostas. Finais com Bispos de cores opostas geralmente acabam em empate, ainda que um lado possa ter uma vantagem de dois Pees. Mas a situao diferente quando alm dos Bispos h Torres em jogo. Neste caso, pode se garantir 109
  • 110. uma vantagem importante coordenando as peas de modo mais ativo. c7. O Bispo das Pretas protege a casa c8 e o Peo na casa b6 fiscaliza a casa c5. Este Peo deveria ser eliminado de qualquer maneira. Para isto as Brancas deveriam posicionar seus Pees na casa a4 e na casa b5, levar seu Rei casa d4. Depois da troca de Torres o Bispo capturaria o Peo na casa b6. A operao inteira seria a seguir coroada com a penetrao do Rei das Brancas na ala da Dama e com a promoo do Peo da casa b5. Mas eu s encontrei esta soluo, com facilidade, em casa quando, irritado com o empate, sentei-me para analisar a partida. 39.hg+? Rxg6 40.Ta3 Bc6 Neste ponto eu ofereci um empate. Meu adversrio, claro, ficou surpreso e contente, mas eu no quis continuar o jogo porque eu havia sido levado a crer em um axioma: que finais com Bispos de cores opostas acabam em empates. Mesmo na posio final eu poderia ter jogado buscando a vitria explorando a passividade das peas das Pretas. Por exemplo: G. Kasparov - E. Gheorghiu Moscou 1981 !""""""""# + + + +% Ov+ +t+l% O +o+oO% + +oB +p% + + Pp+% + R + + % pP +pK +% + + + + % /) A posio das Pretas realmente bastante difcil. O seu Rei est, falando de modo figurado, em uma gaiola, bloqueado pelo Bispo das Brancas e pelo Peo na casa h5. A Torre das Pretas tem que permanecer na stima fila, guardando a casa c7. Aps 39.Re3! gh 40.hg eu poderia ter evitado aventuras desnecessrias em uma corrida contra o tempo, e teria provavelmente achado um modo fcil de vencer, ao analisar o final, em casa. Agora eu penso como poderia ter vencido a partida e como poderia ter penetrado na posio das Pretas. A Torre das Pretas controla a casa 41.Tc3 42.Re3 43.gh+ 44.Rc1 45.Tg1+ 110 Bb7 h5 Rxh5 Rg6 Rh7
  • 111. 46.Rd4! 47.Tg2! necessrio analisar os seus erros vrias vezes, independentemente do resultado da partida. Tendo analisado o meu jogo com Florin Gheorghiu, eu me livrei da ingenuidade na avaliao dos finais. Um ano mais tarde, jogando contra o Grande Mestre dinamarqus Bent Larsen (eu estava com as Pretas), eu obtive um final melhor, com poucas peas no tabuleiro. Ba6 !""""""""# + + + +% O + +t+l% vO +o+ +% + +oB + % + K P +% + + + + % pP +p+r+% + + + + % /) !""""""""# + + + +% + + +oLo% r+n+ +o+% + + P + % + + +mP% + + + P % +t+ + +% + + + K % /) Este ltimo lance isola o Bispo das Pretas da ala do Rei. Aps 47.e3 as Pretas teriam retrucado 47... Be2! Agora as Brancas teriam jogado e3, b3 e a4, e o resultado da partida dependeria da possibilidade da Torre das Brancas poder penetrar na posio das Pretas. sabido que os enxadristas aprendem com os seus erros. Eu gostaria de acrescentar alguns comentrios a esta frase que est, acima de qualquer dvida, absolutamente correta. Alm de estudar os motivos pelos quais voc perdeu, voc deve estudar as situaes em que voc poderia ter melhorado a sua posio e onde voc no viu a melhor continuao. Estas oportunidades perdidas de empatar ou de ganhar deveriam ser consideradas derrotas. Assim, faz-se Em princpio pode parecer que no h obstculos para a vitria das Pretas. Sua Torre est na stima fila. Os Pees das Brancas nas casas e5 e g3 so muito fracos. Mas havia muito poucas peas sobre o tabuleiro. Larsen jogou um lance forte, 41.h5! provocando novas trocas. 111
  • 112. !""""""""# + + + +% + + +o+ % + +p+o+% + + + L % r+ N +m+% + + + T % + + + +% + + + K % /) Mas, como bem sabido, somente os lances que do mate que no tm nenhuma sada. As Brancas conseguem a simplificao mas permitem que as Pretas tragam o seu Rei para o jogo. O Rei est pronto para atacar seu adversrio! claro! Uma pessoa pode facilmente enfrentar um ataque, mesmo no final. 41... Rh6! O jogo poderia facilmente ter terminado em empate aps 41... gh 42.Cd4 Tf2 43.e6 ou 41... Ce3 42.hg hg 43.e6! fe 44.Cd4 g2+ 45.Rh1 e5 46.Ce6+! Rh6 47.Ta4! g5 48.Te4 Te2! 49.Rg1! 42.hg hg 43.Ta4 Rg5 44.Cd4! Tc3! As Pretas no querem mais nada alm de atacar. A captura do Peo 44... Tc1+ 45.Rg2 Cxe5 46.Cf3+ resultaria em um final de Torres com jeito de empate. 43.e6 Aps 45.Rg2 Cxe5 as Pretas ganhariam um Peo, evitando a troca de Cavalos, e embora as chances das Brancas empatarem sejam apreciveis, no h um empate garantido. 45... Txg3+ 46.Rh1! Um caminho bastante espinhoso para o empate; agora as Brancas enfrentam o perigo de um ataque visando ao mate. Seria mais preciso 46.Rf1! f5 47.e7 Te3 48.Cc6! Cf6 49.Ta8 Te6 50.Tf8! f4 51.Rf2 e uma vez que as Pretas no tm como melhorar sua situao, o empate inevitvel. 46... f5 47.e7 Te3 48.Cc6 f4! Agora as Brancas tm de se defender de uma sria ameaa. Por exemplo: 49.Ta8 Te1 50.Rg2 Te2+ 51.Rf1 f3! 52.e8D Ch2+ 53.Rg1 f2+. A idia parece at ter sido tirada de um problema de xadrez. 49.Ce5 Txe5 50.Ta5! no livra as Brancas das suas dificuldades por causa da continuao 50... Txa5 51.e8D Tf5. As Brancas caminham sobre ovos e 112
  • 113. 51.Rg2 f3+ 52.Rf1 Rg3 53.Cd4 Cg4! 54.e8D seria agora refutado com 54... Ch2+ 55.Rg1 f2+ e as Brancas tm que entregar o Cavalo. 54.Cxf3 Txf3+ 55.Rg1 Ch2! 56.Tf8 Tc3 As Brancas abandonaram porque aps 57.Tf1 Te3 elas no teriam mais chances de sobrevivncia. Na lio anterior ns falamos da necessidade de se estudar os princpios da tcnica dos finais e do aperfeioamento das habilidades assim adquiridas por meio de partidas reais. Ao oferecer-lhe exemplos de partidas que eu mesmo disputei, espero convenc-lo a procurar por oportunidades em qualquer final Aps analisar estes exemplos concretos comigo, um entusiasta do xadrez ir concordar que mesmo nos casos onde h igualdade material e muito poucas peas sobre o tabuleiro, ainda bastante possvel lanar um ataque irresistvel. Estude o final e voc no ter medo dele. Familiarize-se com o final e ele ir tomar-se um aliado seu da maior confiana. a nica salvao o lance paradoxal 49.Cd4!! A chave da posio o controle sobre a casa f3. Por exemplo: 49... Txe7 50.Cf3+ Rf5 51.Ch4+, ou 49... Rh4 50.Rg2! Ambas as armadas estariam exaustas aps 49... Cf6! 50.Ta6! Txe7 51.Ce6+ Rg4 52.Cxf4. Mas quase impossvel encontrar lances como 49.Cd4!! durante a partida. 49.Ta5+ Rh4 50.Ta8 50.Ce5 teria levado a uma derrota espetacular aps 50... Cxe5 51.e8D Te1+ 52.Rg2 f3+ 53.Rf2 Cd3+ capturando a nova Dama das Brancas. 50... Cf6! As Pretas esto temporariamente brincando com fogo. Aps 51.Tf8 Rg3! o Rei passa a desempenhar um papel decisivo no ataque. !""""""""# r+ + + +% + + P + % +n+ Mo+% + + + + % + + O L% + + T + % + + + +% + + + +k% /) 113
  • 114. LIO 22 Fortalezas no Tabuleiro Um dos mtodos de defesa nos finais consiste na transformao de posio em fortalezas impenetrveis, sendo as cadeias de Pees os elementos bsicos para a sua construo. Vamos analisar uma partida disputada no Campeonato Feminino da Gergia, entre as mestres Tsiuri Kobaidze e Mzia Tseretei. toma todas as peas das Pretas. Somente foram necessrios dois lances para que as Pretas empatassem o jogo. Dois lances brilhantes. 1... Re8!! 2.Bxb6 Re7!! isso! impossvel desalojar o Rei das Pretas da casa e7. Com relao ao Bispo, ele pode manobrar com segurana ao longo da diagonal a5-e1. Uma vez que toda a ao se passa nas casas Pretas, um dos Bispos das Brancas absolutamente intil, ao passo que o outro est permanentemente preso. Outra posio de defesa brilhante poderia ter sido montada na partida entre o ex-campeo mundial Max Euwe (Brancas) e o canadense Daniel Yanofsky no grande torneio internacional de Groningen, em 1946. Aps 1... c5 2.a6 Ba4 3.e5 Re6 as Pretas poderiam ter empatado !""""""""# + B + +% + + +l+ % M O + +% O Op+ + % pVp+ +b+% +k+ + + % + + + +% + + + + % /) O Cavalo das Pretas est perdido. O lance natural 1... Ca8 refutado por 2.Bh5+, e a o Rei das Brancas caminha na ala da Dama e 114
  • 115. 7.a7 Be4 8.g3 Re6 9.Re3 Na prtica, a fortaleza j foi montada, mas necessrio conhecer as suas dimenses exatas. A idia das Pretas bastante simples: os Pees da ala da Dama das Brancas no podem avanar sem o apoio do seu Rei. !""""""""# + + + +% B + +lOo% +oO + +% P + + + % + +p+ +% +v+ + + % P + +pP% + + + K % /) !""""""""# + + + +% P + + O % + +l+ +% + B + +o% + +v+ +% + + K P % P + + P% + + + + % /) sem dificuldades, mas achando que todos os caminhos levassem a Roma, as Pretas jogaram o lance rotineiro e descuidado. 1... Bc2? 2.Bc5! Agora, as Pretas tm que perder um Peo, para impedir que o Peo na casa a5 promova. 2... Bd3 3.Bxd6 Bxe4 4.a6 c5 5.Bxc5 Assim, as Brancas ficam com dois Pees a mais, mas os finais com Bispos de cores opostas so extremamente peculiares (ns lidamos com um na lio anterior) e nem sempre uma vantagem material assegura a vitria. As Pretas tentam montar uma "fortaleza" e tm bastante sucesso em princpio. 5... h5 6.Rf2 Bd3! Ocupando a casa b6, o Rei das Brancas no ser capaz de mover-se para a frente se o Rei das Pretas estiver na casa d7. No entanto, se o Rei das Brancas ocupar a casa c5, ento o Rei das Pretas ter que posicionar-se na casa e6. E se o Rei das Brancas permanecer onde est, qual o melhor lugar para o Rei das Pretas? Aqueles que tiverem acompanhado a nossa anlise sem dvida diro em f5!. Claro que o mestre canadense 115
  • 116. 18.Bf6 Agora est claro que a bela fortaleza vai cair por terra como resultado do lance descuidado 9... g2. O final realmente espetacular! 18... Bg2 19.h5! gh 20.Rf5!! As Pretas abandonaram, uma vez que a marcha do Rei das Brancas em direo casa c7 inevitvel: 20... Bd5 21.Re5 Bh1 22.Bh4 Re8 23.Rd6 etc. Mas as Pretas poderiam ter evitado que o Rei das Brancas chegasse casa f5 jogando 18 ... Be4? Mas a, aps 19.h5 gh 20.Rf4! Bh1 21.Re5 Re8 22.Rd6 etc., o Rei tambm alcana a casa c7. Vamos analisar um outro final com Bispos de cores opostas. Em tais posies o lado em vantagem deve tentar obter Pees passados em ambos os flancos. Se isto for possvel, o Rei ir apoiar um deles e a vitria estar assegurada. Vamos considerar um exemplo elementar que ilustra outro mtodo de destruir uma posio fortificada no xadrez. vislumbrou a linha 9... Rf5!, garantindo um empate aps 10.Rf8 g6 11.Rd4 Ba8 12.Rc5 Re6 13.b4 Bh1 14.b5 Ba8 15.Rb6 Rd7 16.Ra6 Bh1 17.b6 Rc8 etc. No entanto, Yanofsky resolveu que o Rei no precisava dirigir-se para a ala do Rei, porque as Brancas no seriam capazes de levar a cabo uma ruptura de Pees ali. Este seu erro foi fatal. 9... Bg2? 10.Rf4! g6 11.g4! hg 12.Rxg4 Bh1 13.Rg5 Rf7 14.Bd4 Bg2 15.h4 Bh1 16.b4 Bg2 17.b5 Bh1 !""""""""# + + + +% P + +l+ % + + +o+% +p+ + K % + B + P% + + + + % + + + +% + + + +v% /) Veja o diagrama a seguir. Em princpio as Brancas no parecem ter melhorado a sua posio, e aps 18.b6 Ba8 o seu Rei no poder dirigir-se ala da Dama. As Pretas tm dois Pees a mais, mas no podem dirigir-se para a ala da Dama. Se o Rei das 116
  • 117. microfortalezas entre duas ou mais peas. Coloque o Rei das Pretas na casa a8, o Rei das Brancas na casa b6 e um Peo das Brancas na coluna a. Voc ver que o Rei das Pretas est confortavelmente situado na casa a8 e que no h a menor chance de promover o Peo. Outro fato ainda mais surpreendente que mesmo com as Brancas com um Bispo de casas pretas o jogo continua empatado. !""""""""# + + + +% + + +b+ % + L O +% + + O O % + +p+ +% O + +p+ % Vk+ + +% + + + + % /) !""""""""# l+ + + +% + + + + % K + + +% P + + + % + + + +% + + + + % + + B +% + + + + % /) Pretas for para ala do Rei, o Rei das Brancas, que o guarda, tambm ir para l. Mesmo assim, no h sequer um vestgio de uma fortificao aqui. Tudo de que se precisa so trs lances: 1... f5! 2.ef e4! 3.fe Re5 Agora que ambos os lados esto em igualdade material, as Brancas esto definitivamente perdidas j que seu Rei se encontra numa posio sem a menor esperana. O resto est claro: 4.Rd3 Rf4 5.Bd5 Rg3 6.Re2 g4 7.Rf1 Rh2 e as Pretas vencem. Assim, ns conhecemos alguns mtodos de defesa no final. H ainda mais um mtodo de defesa que constitui-se na formao de Outro bastio, no menos espetacular, pode ser construdo se os adversrios, alm dos respectivos Reis, contarem com uma Dama e um Peo contra uma Torre e um Peo. E sabido que a Dama bem mais forte que uma Torre, mas h posies nas quais tal axioma no verdadeiro. Aqui est uma posio clssica de fortaleza com o Rei no canto do tabuleiro. 117
  • 118. !""""""""# + + + +% + + + + % + + + +% + +l+ +o% + +w+ +% + + +r+ % + + +p+% + + + K % /) o mestre sovitico Victor Khenkin encontrou uma linha que conduz vitria do lado em vantagem. fcil de ver que as peas das Pretas protegem-se mutuamente com segurana. Mas este um fator temporrio. Se voc imobilizar o Rei das Pretas, privando-o de lances, os Pees das Pretas iro cair. O nico modo de consegui-lo conduzindo o Rei para uma posio de afogado Veja como isto feito. 1... Ra4 2.Dc4+ Ra5 3.Dc5+ Ra4! 3... Ra6 4.Db4 e o Rei fica afogado com facilidade. 4.Db6 Ra3 5.Db5 Ra2 6.Db4 Ral Esta a primeira dificuldade: a casa b3 fiscalizada pela Torre, impedindo que a Dama possa colocar-se na casa c2 devido m posio do Rei das Brancas. Portanto o Rei das Brancas dirige-se para a outra metade do tabuleiro: 7.Rc1 Tc3+ 8.Rd1 Td3+ 9.Re1 Te3+ 10.Rf2 Ra2 11.Rf1 Tf3+ 12.Rg2 Te3 13.Rf2 As Pretas tm uma grande vantagem material, mas o mximo que elas podem fazer trocar a Dama pela Torre, retendo um arremedo de vantagem (o Peo na coluna h bastante redundante). Para comprovar a inviolabilidade da sua defesa, as Brancas no devem recorrer a nenhuma manobra complicada. A sua Torre move-se da casa f3 para a casa h3 e vice-versa, e o Rei se movimenta seguindo um tringulo, correndo as casas g1-h1h2. Veja outro exemplo de Dama contra Torre em que !""""""""# + + + +% + + + + % + + + +% + +qO + % L O + +% + + T + % + K + +% + + + + % /) 118
  • 119. Uma microtarefa que j foi executada. 13... Ra1 14.Dd2! Rb1 15.Rg2 Ra1 16.Dc2 Ta3 17.Dd1+ Rb2 18.De2+ Rc3 19.Dxe5 Ganhando o Peo. Agora o Rei das Brancas move-se para a casa d2, e toma o Peo do mesmo modo. O nosso exemplo seguinte envolve Bispo contra Cavalo e Peo da Torre. A posio das Brancas parece perdida porque no h como evitar 1.. h2 2... Rg1 3... Cg2 e 4... h1D. Ainda mais paradoxais parecem os dois lances das Brancas ajudando o adversrio a executar este plano. 1.Bd7 h2 2.Bc6+ Rg1 3.Bh1!! Cg2+ 4.Re2 Rxh1 Se voc retirar o Cavalo do tabuleiro, as Brancas podem empatar com 5.Rf1 ou 5.Rf2. A presena do Cavalo torna o empate um pouco mais difcil. Aps 5.Rf1 Ce3+ 6.Rf2 Cg4+ 7.Rf1 o Cavalo pode chegar a qualquer casa do tabuleiro, mas no pode ganhar o tempo necessrio para libertar o Rei encurralado. Assim, quando voc estiver na defesa em um final, no esquea das possibilidades e dos mtodos de se construir pequenas fortalezas. Se bem que muito melhor no cometer erros srios de modo a no terminar em uma posio inferior no final! !""""""""# + + + +% + + + + % + + + +% + + + + % b+ + + M% + + + +o% + + +l+% + + K + % /) 119
  • 120. LIO 23 A Beleza do Xadrez impossvel. Aquele que cria um problema invariavelmente atribui uma funo a cada pea no tabuleiro. Eu gosto de resolver problemas, e gosto, particularmente, de estudos. O tempo de que eu preciso para resolver os problemas serve como parmetro para medir a minha forma para competies; e, s vezes, eu uso idias semelhantes em partidas de verdade. Os problemas costumam ser cheios de paradoxos e idias originais. Vamos examinar, por exemplo, um dos problemas criados por Samuel Loyd, o famoso problemista americano do sculo Esta lio ser devotada composio de problemas, o aspecto mais bonito e misterioso da arte do xadrez. A definio de um problema enxadrstico como uma arte no um exagero, de modo algum, uma vez que tais problemas e estudos, inspirados pela imaginao, so responsveis por horas de entretenimento para milhes de fs. A composio de problemas guiada pelas suas prprias leis. Os enxadristas lembram-se das partidas e combinaes mais brilhantes, no interessa quantos pequenos erros dificilmente perceptveis - estas possam conter. Os que elaboram problemas de xadrez, no entanto, jogam fora as suas composies caso as mesmas tenham um pequeno erro ou uma soluo dupla. O xadrez apresenta, com freqncia, situaes em que uma ou mais peas esto fora de ao. Na composio, isto simplesmente Veja o diagrama a seguir. H um pandemnio inacreditvel no tabuleiro. O Peo da coluna f das Pretas est tambm prestes a ser promovido. 120
  • 121. !""""""""# + +t+v+% +o+ + B % oN +oR +% Rb+ L + % P +n+ O% + O + V % m+ P O T% + + +k+m% /) !""""""""# + + N L% + + +pOo% + + + +% + + + + % +q+ +o+% + + + + % + + + +% V + + +k% /) As Brancas jogam e do mate em trs lances 1.Re2!! f1D++ 2.Re3!! Incrvel! As Pretas podem agora dar dez diferentes xeques, mas cada xeque refutado com um xeque-mate. Se as Pretas tivessem se decidido por, em vez disto, promover o seu Peo a Torre ou Cavalo no seu primeiro lance, ento 2.Tf2+ foraria um mate no prximo lance. Aqui est outra composio de Samuel Loyd. A variante principal baseia-se em manobras com a Dama ao longo do tabuleiro: 1.Df1! h6 2.Db1! Seguido de 2... g6 3.Dxa1 mate. Ou 2... g3 3.Dh7 mate. 1... g3 2.Cg6+! hg e 3.Dh3 mate uma outra possibilidade. Sem dvida a resoluo de problemas estimula um pensamento As Brancas jogam e do mate em trs lances criativo. Mas os estudos tambm so teis ao jogador, porquanto o capacitam a melhorar seu jogo de outro modo. Em uma destas composies, a idia do autor expressa do modo mais econmico possvel. Resolv-las ajuda o enxadrista a usar cada pea ao mximo nas partidas reais. Vamos ver um estudo composto por Abram Gurvich, um compositor e problemista sovitico bem conhecido. Como podem as Brancas vencer? Seu Peo na casa c7 est perdido, e o futuro do Bispo no est claro, embora seu Rei esteja ativo. 1.Bh5! Bxc7 2.Txf7+ Rd8 As Pretas no tm escolha. 2... Rd6 refutado com 3.Tf6+, por exemplo. 121
  • 122. !""""""""# + +t+ +% + P LoR % + + + O% O + +k+ % p+ + +b+% + + + Vp% + + + +% + + + + % /) pessoa deveria examinar o estudo brilhante composto pelo famoso Grande Mestre checo Richard Reti. !""""""""# + + + K% + + + + % l+p+ + +% + + + +o% + + + +% + + + + % + + + +% + + + + % /) As Brancas jogam e ganham 3.Txc7 Tg8!! Se voc, tendo calculado uma variante longa, puder antever e avaliar corretamente uma defesa destas, no terceiro lance, ento voc chegou certamente a um alto nvel de proficincia. 4.Tc4!! Uma idia esplndida, que constitui o leitmotif deste estudo. 4... Tg5+ 5.Re6! Txh5 6.h4! Apesar da igualdade material, as Pretas esto em "zugzwang", e a derrota imediata. Aps resolver tais estudos, uma pessoa pode compreender, completamente, todas as sutilezas do domnio no tabuleiro. Nos livros de xadrez, freqentemente, encontramos a expresso geometria do tabuleiro. O que a essncia desta geometria? Na minha opinio, para responder a esta pergunta, uma As Brancas jogam e empatam A tarefa parece, absolutamente, impossvel. O Peo das Pretas est bem avanado, e o Rei das Brancas s pode ver o seu Peo na casa c6 com um potente binculo. Portanto, os primeiros lances parecem servir para mostrar que a resistncia das Brancas intil. 1.Rg7 h4 2.Rf6 O Rei das Brancas est ainda longe de ambos os Pees, portanto, as Pretas podem tomar o Peo das Brancas. 2... Rb6 3.Re5! Agora a situao mudou drasticamente. Se 3... Rxc6 as Brancas 122
  • 123. 1.Rc8! b5 2.Rd7! b4 As Brancas tm um Bispo a menos, e ainda assim parecem convidar o Peo das Pretas a converter-se em Dama to logo quanto possvel, mas... 3.Rd6 Bf5 evitando que as Brancas possam promover o seu Peo. Agora lembrese do estudo de Reti. 4.Re5! Bc8 5.Rd4! uma idia bem conhecida, no ? 5... b3 6.Rc3 Be6 7.c8D Bxc8 8.Rxb3 empate. H alguns estudos que eu gosto de jogar repetidamente. alcanam o Peo das Pretas jogando 4.Rf4. Assim, as Pretas tm de avanar o seu Peo, e, ao mesmo tempo, o Rei das Brancas d apoio ao seu prprio Peo. 3... h3 4.Rd6 h2 5.c7 Rb7 6.Rd7 O melhor exemplo da geometria do tabuleiro: o movimento do Rei pela diagonal o caminho mais curto para a sua meta. Este estudo excita a imaginao dos fs de xadrez at hoje, inspirando novas composies. Em 1929, Alexander e Kirill Sarychev, de Baku, publicaram uma composio inesquecvel que acrescenta um Bispo ao material do estudo original de Reti. A posio das Brancas parece estar perdida. Promover o Peo intil, e 1.Re6 refutado por 1... Re4. Os dois primeiros lances das Brancas parecem absurdos. !""""""""# + + W +% M +p+l+ % +v+ + +% + + + + % + + + +% + +n+ + % + +bK +% + + + Q % /) !""""""""# + + + +% +oPk+ +v% + + + +% + + + + % + + + +% + + +l+ % + + + +% + + + + % /) As Brancas jogam e ganham 123
  • 124. 4.Ba6+ Rb8 5.Dg3+ Ra8 6.Bb7+! Bxb7 7.Cd7!! Um golpe esmagador! 7... Dd8 A nica resposta, mas a no h defesa contra a combinao que liquida o jogo. O estudo de Alexander Seletsky composto em 1933, por exemplo. Um estudo tpico de meiojogo. As Brancas no tm vantagem material, uma vez que seu Peo est perdido. Mas as Pretas precisam de algum tempo para tomar o Peo, durante o que as Brancas aumentam a atividade das suas peas. 1.Dg5! Re6+ Se 1... Bxd7 2.Cf4 ameaando 3.Bh5 mate. 2.Rg1 Rxd7 Ento, as Pretas atingiram a igualdade material absoluta, mas agora as Brancas iniciam um ataque visando dar mate. 3.Cc5+ Rc8 O leitor pode tentar encontrar melhores continuaes para as Brancas em resposta a 3... Rc7 ou 3... Rd6. Recuando para c8 o Rei salva a Dama mas cai. !""""""""# l+ W + +% Mv+n+ + % + + + +% + + + + % + + + +% + + + Q % + + + +% + + + K % /) 8.Db8+!! Dxb8 9.Cb6 mate! Fantstico! Como se alguma fora misteriosa houvesse empilhado todas as peas das Pretas no canto do tabuleiro; e o Cavalo das Brancas, sozinho, vence as foras das Pretas. Algum dia, voc poder ter uma chance de jogar tais combinaes. Vendo problemas e estudos enxadrsticos voc novamente encontrar belezas genunas criadas pela imaginao humana. !""""""""# l+ + W +% Mv+n+ + % + + + +% + + + + % + + + +% + + + Q % + + + +% + + + K % /) 124
  • 125. LIO 24 Dedique-se Bastante apenas jogam em torneios e, s vezes, analisam partidas ou resolvem problemas. No entanto, h algumas pessoas para as quais o xadrez sua prpria vida. Para estas o tabuleiro de 64 casas um campo de batalha e o prprio jogo, uma arte misteriosa e atraente. Atravs da rivalidade criam-se verdadeiras obras-primas que, por um longo tempo, despertaro interesse e faro com que muitos fortaleam seu carter ou se deixem abater. Ento por que razo ns, discpulos de Caissa, adoramos xadrez? O que ele faz por ns? Eu, como muitos outros, vejo no xadrez um modelo extremamente preciso da vida humana, com suas lutas dirias, seus altos e baixos. No tabuleiro, temos a chance de controlar os eventos. Podemos conceber nossos planos Agora chegamos ltima lio. Este conjunto de lies, publicado pela primeira vez na revista Sport in the USSR, foi o primeiro que produzi, mas espero ter tido xito, pelo menos at certo ponto, ao lidar com esta tarefa. verdade que, ao reler o material, cheguei concluso que, em certas lies, algumas idias deveriam ter sido explicadas mais detalhadamente e que em outras mais exemplos deveriam ter sido dados. O xadrez um jogo incrvel. Depois de quinze sculos as peas de madeira no s mantiveram seu charme, mas tambm se tornaram mais envolventes. A marcha contnua da cultura e do pensamento humano influenciou o nosso jogo. Para milhes de amadores, o xadrez to-somente um passatempo agradvel. Estes no tm grandes ambies esportivas, mas 125
  • 126. Antes de despedir-me dos leitores eu gostaria de dar alguns conselhos queles que desejem progredir no xadrez: Em primeiro lugar e antes de tudo, voc precisa aprender a analisar as suas prprias partidas, investigando os erros de ambos os lados e tentando achar as continuaes corretas. Geralmente, posies no meio-jogo no so exatamente idnticas, mas com freqncia chega-se a posies semelhantes e aps tais anlises voc estar mais capacitado a encontrar a linha correta. Voc tambm deve acostumar-se a analisar as partidas de outras pessoas, questionando constantemente por que ele fez aquele lance? e mas no teria sido melhor jogar o lance tal? Como resultado, o nmero de posies familiares ir crescer e isto ir ajudlo a orientar-se melhor e com mais confiana ao longo de uma partida. O seu domnio do xadrez tambm beneficia-se muito do estudo das anotaes, dos melhores jogadores, sobre suas prprias partidas; voc deve tentar fazer isso com mais ateno e reflexo. Este trabalho ir ajud-lo a compreender como os verdadeiros mestres resolvem problemas especficos e que fatores eles consideram primordiais em posies particulares. e tentar lev-los sua concluso lgica - e isto no anlogo ao nosso dia-a-dia? Voc no poder ter sucesso em nada se no cultivar em si persistncia, engenhosidade e a capacidade de avaliar objetivamente as suas oportunidades. Voc deve ser capaz de estabelecer as suas prprias metas e busc-las em termos racionais, enrgica e resolutamente. Como que ns, os verdadeiros amantes do xadrez, escravos de Caissa por vontade prpria, conseguimos reconhecimento? Provavelmente do mesmo modo que nos outros esportes. Eu lembro do meu av me levando para o clube de xadrez no Palcio dos Pioneiros de Baku. Havia muitas crianas l que queriam aprender a jogar bem. Mas, depois de pouco tempo, a metade delas parava de assistir s aulas ou de comparecer aos torneios. As primeiras derrotas e claro que no incio haver mais derrotas que vitrias - afastaram os que no estavam firmemente decididos. Ficavam somente aqueles que j, na infncia, eram bons nas competies. Graas ao xadrez, esta capacidade de lidar com qualquer situao fora reforada; a determinao, fortalecida; e o carter tornara-se mais firme. 126
  • 127. quanto de finais. simplesmente impossvel memorizar toda essa informao, mas, ainda assim, voc ter que conhec-la. No entanto, h uma salvao o mtodo de posies tpicas. Voc no poderia, por exemplo, memorizar todas as variantes do Sistema Scheveningen na Defesa Siciliana, e aprender todas as partidas. Mas com 30 a 40 horas de trabalho, com os melhores textos sobre este sistema, voc poder aprender as linhas principais. As variantes e pelo menos uma dzia de partidas ilustrativas devem ser anotadas no seu caderno de exerccios. Como conseqncia, voc aprender a jogar as posies tpicas neste sistema. O repertrio de um mestre constitui-se no de um, mas de uma dzia de sistemas. O estudo e a compreenso, de como jogar cada um deles, requer uma quantidade de tempo considervel. Mas isto indispensvel para um mestre ou para qualquer um que queira se tomar um mestre. Concluindo, se voc quiser desvendar a mirade de segredos do xadrez, ento no perca tempo. Eu lhe desejo sucesso! Em princpio muitas dessas anotaes sero incompreensveis para voc. Depois vir a fase em que elas parecero inquestionveis. Mas chegar finalmente o dia em que voc comear a questionar esses grandes jogadores: Mas por que voc considera isto necessrio e no..., o que significar que sua capacidade de jogo ter aumentado. Eu trabalhei em cima das anotaes de colossos como Alekhine, Capablanca, Botvinnik e Keres. At hoje eu me sinto profundamente agradecido a esses grandes enxadristas por lies que simplesmente no tm preo. claro que trabalhar cuidadosamente sobre, digamos, cem partidas de Capablanca no o far jogar como ele. Voc, na verdade, somente ir aprender a aplicar os mtodos do grande enxadrista cubano em algumas posies. Mas j um grande feito, e compensa ainda mais as horas dedicadas ao trabalho. H um volume enorme de informaes em milhares de livros didticos, colees de partidas, livros sobre os maiores jogadores e enciclopdias tanto de aberturas, 127
  • 128. ndice de Jogos e Posies Adams-C. Torre 77 Alburt-Kasparov 105 Alekhine-Rubinstein 91 Bogoljubow-Botvinnik 52 Boleslavsky-Kotov 70 Caesias-V. Vukovic 80 Chigorin-Alapin 48 Euwe-Yanofsky 114 Geller-Euwe 101 Gligoric-Smyslov 66 Karpov-Dorfman 34 Kasparov-Georgadze 26 Kasparov-Gbeorghiu 8, 110 Kasparov-Petrosian 99 Kasparov-Portisch 14 Kasparov-Vukic 107 Kobaidze-Tsereteli 114 Larsen-Kasparov 111 Ed. Lasker-Thomas 74 Em. Lasker-Bauer 81 Em. Lasker-Nimzowitsch 95 Magerramov-Kasparov 89 Morphy-Arnous de Rivire 19 Neergard-Simagin 22 Petrosian-Kozma 22 Petrosian-Pfleger 29 Rotlevi-Rubinstein 76 Rubinstein-Capablanca 97 Seirawan-Kasparov 107 Schulten-Morphy 41 Suetin-Bondarevsky 64 Tal-Panno 16 Tarrasch-Charousek 24 C. Torre-Em. Lasker 79 Tulkowsk-Wojciewski 32 Vasyukov-Lebedev 46 Zukertort-Blackburne 82 128