y fricções. o lado escuro da lua

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  • Galxia

    E-ISSN: 1982-2553

    aidarprado@gmail.com

    Pontifcia Universidade Catlica de So

    Paulo

    Brasil

    MACHADO, ARLINDO; VLEZ, MARTA LUCA

    Documentiras y frices. O lado escuro da lua

    Galxia, nm. 10, diciembre, 2005, pp. 11-30

    Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo

    So Paulo, Brasil

    Disponvel em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=399641236002

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  • 1 1MACHADO, Arlindo; VLEZ, Marta Luca. Documentiras y frices. O lado escuro da lua. Revista Galxia,

    So Paulo, n. 10, p. 11-30, dez. 2005.

    Documentiras y frices

    O lado escuro da lua

    Arlindo Machado Marta Luca Vlez

    Resumo: Opration Lune, documentrio fake de William Karel, o que se pode caracteri-

    zar como uma farsa sobre uma farsa. O documentrio busca provar que a viagem

    dos americanos Lua em 1969 (ou pelo menos a sua transmisso direta pela tele-

    viso) foi uma mentira, mas ele prprio tambm uma mentira. Em psicanlise,

    costuma-se dizer que quando algum mente sobre uma mentira, acaba dizendo a

    verdade. A verdade que Karel formula simples: no se pode crer em tudo o que

    a mdia diz ou mostra, pois h sempre inumerveis maneiras de manipular a infor-

    mao, editando as entrevistas reais, forjando falsas entrevistas, alterando ou

    renomeando materiais de arquivo, com falsas legendas ou dublagens sobre regis-

    tros histricos, reinterpretando as imagens e os sons atravs da narrao over, e

    assim por diante. O mock-documentary de Karel, sem abrir mo da dvida sobre a

    veracidade das imagens da Lua, tambm uma denncia do modo de funciona-

    mento do sistema miditico. Seu objetivo maior refletir sobre o prprio

    documentrio televisivo, atravs de uma apropriao dos cdigos, modelos e dis-

    cursos desse gnero audiovisual, seja para questionar sua objetividade e a veraci-

    dade que este supe encerrar, seja para demonstrar ao espectador a facilidade

    com que se pode manipular a informao em televiso, ou ainda para propor uma

    utilizao subversiva do documentrio, como formato para a criao de um ima-

    ginativo trabalho de fico, maneira do War of the Worlds (1938), clebre pro-

    grama radiofnico de Orson Welles.

    Palavras-chave: documentrio; transmisso ao vivo; viagem Lua; manipulao de infor-

    mao; falsificao

    Abstract: Documentalies and frictions. The dark side of the moon Opration Lune,

    William Karels fake documentary, is what can be called a farce about a farce. The

    documentary attempts to prove that the Americans voyage to the Moon in 1969

    (or at least its direct television transmission) was a lie, but it is itself a lie. In

    psychoanalysis, it is commonly held that when a person lies about a lie, he ends

    up telling the truth. The truth Karel formulates is simple: one cannot believe

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    So Paulo, n. 10, p. 11-30, dez. 2005.

    everything the media says or shows, for there are always innumerable ways of

    manipulating information by editing real interviews, forging false interviews,

    altering or renaming archival material, inserting false captions or dubbed sound

    tracks into historical records, reinterpreting images and sounds through voiceover

    narration, and so on. Karels mock documentary, while casting doubts on the

    veracity of the images of the Moon, also denounces the way the mediatic system

    works. Its main objective is to reflect upon the television documentary itself, by

    appropriating the codes, models and discourses of this audiovisual genre, be it by

    questioning its objectivity and its presumed veracity, be it to demonstrate to the

    viewer how easily information can be manipulated on television, or yet to propose

    a subversive use of the documentary as a format for the creation of an imaginative

    work of fiction, in the manner of War of the Worlds (1938), Orson Welless

    celebrated radio show.

    Key words: fake documentary; live transmission; journey to the Moon; manipulation of

    information; falsification

    No dia 20 de julho de 1969, a misso norte-americana Apolo 11 alunissa

    sobre o Mar da Tranqilidade, sob os olhares atentos de dois bilhes de

    telespectadores, que acompanhavam pela televiso a transmisso direta dos his-

    tricos primeiros passos do homem na Lua. Em entrevista rede francesa TF1,

    Jean-Luc Godard foi o primeiro a contestar: Ce direct est un faux (Essa trans-

    misso direta falsa). Quase quarenta anos depois, em muitas partes do mun-

    do, ainda h gente que no acredita que os americanos realmente estiveram

    na Lua e razes para isso no faltam. Retomando o velho debate sobre a

    veracidade das imagens do homem na Lua, o diretor tunisiano William Karel

    realizou na Frana um documentrio inesperado sobre o assunto (produzido

    por Arte-TV e Point du Jour, em 2002), incorporando dados novos e testando

    a possibil idade de a conquista da Lua no ter passado de uma farsa.

    Opration Lune (o ttulo internacional The Dark Side of the Moon) recons-

    tri passo a passo a cronologia dos acontecimentos relacionados com a via-

    gem da Apolo 11, ut i l izando testemunhos de personalidades pol t icas,

    cientficas e culturais que foram estratgicas na poca. Tudo isso para colo-

    car em dvida a tal viagem e aventar a possibilidade de que as imagens ao

    vivo que dois bilhes de telespectadores acompanharam em 1969 poderiam

    ser, na verdade, cenas pr-gravadas, filmadas secretamente em algum lugar

    remoto do Vietn.

    O surpreendente nesse trabalho so as entrevistas com as personalidades

    histricas direta ou indiretamente relacionadas ao evento. No deve ter sido

    fcil juntar essa gente toda e faz-la falar sobre um tema to incmodo, ainda

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    So Paulo, n. 10, p. 11-30, dez. 2005.

    mais considerando o seu envolvimento na questo. E o mais espantoso que a

    maioria desses protagonistas importantes parece confirmar a tese de Karel ou,

    quando no, pelo menos no a desmente, deixando insinuado que realmente h

    algo nessa histria toda que ainda no foi contado. A presena deles no

    documentrio, falando com suas prprias vozes, d ao programa a credibilidade

    necessria para que ele possa sustentar a sua ousada tese. Abaixo relacionamos

    as personalidades entrevistadas no programa e seus cargos ou papis durante o

    governo de Richard Nixon ou no perodo da viagem Lua:

    1. Donald Rumsfeld, conselheiro pessoal de Nixon (foi tam-

    bm secretrio de Estado de Ford, cargo que novamente ocu-

    pou no governo de George Bush).

    2. Lawrence Eagleburger, conselheiro pessoal de Nixon e

    de Bush (o pai).

    3. Henry Kissinger, secretrio de Estado (cargo que tambm

    ocupou sob Ford).

    4. Alexander Haig, chefe do Estado Maior (e secretrio de

    Estado sob Reagan).

    5. Richard Helms, diretor da CIA (foi tambm vice-diretor

    da CIA sob Kennedy).

    6. Vernon Walters, anterior diretor da CIA e, depois,

    embaixador dos EUA nas Naes Unidas. o nico que

    fala francs no documentrio.

  • 1 4MACHADO, Arlindo; VLEZ, Marta Luca. Documentiras y frices. O lado escuro da lua. Revista Galxia,

    So Paulo, n. 10, p. 11-30, dez. 2005.

    7. Farouk Elbaz, engenheiro e diretor tcnico da Nasa.

    8. Jeffrey Hoffman, astronauta.

    9. David Scott, astronauta.

    10. Edwin Buzz Aldrin, astronauta, o segundo a pisar

    na Lua, depois de Armstrong. O documentrio explora

    bastante o fato de ele ter-se tornado alcolatra e deprimi-

    do depois da volta da Lua.

    11. Lois Aldrin, esposa de Buzz Aldrin.

    12. Christiane Kubrick, viva de Stanley Kubrick.

    13. Jan Harlan, diretor de produo de Kubrick e irmo de

    Christiane Kubrick.

    Tudo se baseia numa anedota clebre da histria do cinema: para rodar a

    famosa cena do jantar luz de velas, em Barry Lyndon (1975), e sem o auxlio

    de nenhuma luz artificial, o cineasta Stanley Kubrick teve de emprestar da Nasa

    a lente cinematogrfica mais luminosa do mundo e considerada a nica em seu

    gnero. Essa lente, capaz de filmar em condies de quase total ausncia de

  • 1 5MACHADO, Arlindo; VLEZ, Marta Luca. Documentiras y frices. O lado escuro da lua. Revista Galxia,

    So Paulo, n. 10, p. 11-30, dez. 2005.

    luz, teve uma concepo tcnica jamais revelada e nunca se soube de outra

    aplicao especfica para ela, exceto a famosa cena de Barry Lyndon. Por que a

    Nasa desenvolveria uma lente dessa espcie, j que a cinematografia no exa-

    tamente o seu negcio? Por que a confiaria a Kubrick e apenas a ele? Que acor-

    do teria feito este ltimo com a Nasa para obter a objetiva? Uma hiptese

    provvel, que o documentrio de Karel endossa, que Kubrick poderia ter to-

    mado contato com essa lente (e inclusive t-la utilizado) em um outro projeto,

    para o qual ela t

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