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Edição 151 - Agosto de 2012

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  • JORNAL DA UNIVERSIDADE ImpressoEspecial9912196297-DR/RSUFRGSCORREIOS

    Porto Alegre | RS | Brasil Ano XV| Nmero 151 Agosto de 2012

    FOTOS: FLVIO DUTRA/JU

    ISSN 2237-4086

    Uma iniciativa do Hospital de Clnicas de Porto Alegre reco-nhece a importncia do respeito aos credos e valores espirituais no tratamento dos pacientes. Desde o incio deste ano, o HCPA man-tm um cadastro para atender s solicitaes de acompanhamento religioso ou espiritual de pacientes e seus familiares. At agora, dez instituies j se cadastraram: Zen-budista, Esprita, Israelita, Luterana, Episcopal, Adventista, Catlica, Universal e Brasil para Cristo. A ideia do servio surgiu a partir de um encon-tro realizado em 2007. P11

    Apesar do aumento dos catlo-gos, o preo dos livros eletrnicos ou e-livros tem surpreendido os leitores brasileiros. O principal argumento dos editores, para que os livros digitais tenham um preo em mdia somente 30% menor do que as verses impressas, o custo com as tradues, a diagramao e a reviso. No porque digital que a traduo vai deixar de custar entre U$ 10 mil e U$ 15 mil, diz o scio da editora L&PM Ivan Pinheiro Machado. Alm disso, no mercado nacional a venda de obras digitais no chega a 1% do faturamento. P13

    ACESSO INFORMAO

    Lei tem problemas com a burocracia e a falta de uma cultura de transparncia

    Campanha eleitoralCientista poltico analisa as alianas partidrias P2

    Nelson RodriguesUm mestre que revolucionou as artes cnicas do pas P12

    Embora o universo tipogrfico digital oferea todos os desenhos de letras, e hoje no se fale no exerccio da caligrafia para uma bela letra, os livros didticos insistem na importncia da le-gibilidade. Talvez por isso, pes-soas como Elvira Kern, calgrafa profissional, ainda encontrem espao para exercer sua arte. Ex-professora de msica, ela j perdeu a conta de quantos convi-tes de casamento e de formatura preencheu com a escrita cursiva comercial inglesa, um dos dois tipos de letra para escrita mo que aprendeu h cerca de dez

    anos. Conforme a doutoranda no Programa de Ps-graduao em Educao da UFRGS Patrcia Camini, no Brasil, a maioria dos professores fica constrangida ao contar que d tarefas de caligra-fia em suas aulas. Isso porque se trata de um exerccio mecnico e nada ldico. A sada aliar os movimentos repetitivos a ativida-des que ajudem a desenvolver a motricidade, tais como jogos de ligar os pontos. Mas, a caligrafia ganha fora quando nem o pr-prio autor consegue compreen-der o que escreveu. P. Central

    Infraestrutura Para dar conta de admi-nistrar obras no valor de R$ 39 milhes, como as do novo RU e da lancheria do Setor IV do Cmpus do Vale (foto), a Super-intendncia de Infraestrutura da UFRGS precisa superar o dficit de engenheiros e a burocracia da Prefeitura de Porto Alegre na liberao de licenciamentos.

    Acompanhe o JU

  • 2 | JORNAL DA UNIVERSIDADE | AGOSTO DE 2012

    O p i n i O

    Espao da

    O grande desafio que se apresenta hoje para a nossa comunidade universitria, e em especial para os pesquisadores, dar amplitude nossa atuao individual e coletiva na construo da melhor universidade do Brasil, conduzindo a UFRGS a um patamar de Classe Mundial.

    Desde muito cedo, os colegas que iniciaram a pesquisa na UFRGS acreditavam, assim como ns, que a pesquisa para alm do desenvolvimento do saber um instrumento renovador da qualidade acadmica dos docentes e tcnicos administrativos, com bvias repercusses na formao discente. A evoluo da pesquisa na Universidade foi tanta que hoje somos considerados um dos melhores centros de pesquisa e de ensino de graduao e de ps-graduao do pas obtendo, por via de consequncia, grande reconhecimento internacional. Nesse sentido, emblemtica a recente conquista dos pesquisadores da UFRGS contemplados com o maior apoio pesquisa da histria em chamadas do CT-

    INFRA/Finep , destacadamente a frente das melhores instituies nacionais.

    Todavia, podemos e devemos ir muito alm, pois nossa trajetria vitoriosa nos permite dar saltos maiores!

    Na perspectiva da pesquisa, para alcanarmos a meta estabelecida UFRGS Classe Mundial, precisamos ajudar a pavimentar algumas estradas e desobstruir outras, para que o fluxo do fazer cientfico e tecnolgico se acelere. Entre essas esto as vias que levam a uma desburocratizao do desenvolvimento da pesquisa no pas, as que ampliam o investimento em cincia e tecnologia (em franca desacelerao neste momento de crise mundial), as que melhoram significativamente o ensino bsico do Brasil e aquelas que ampliam a capacidade operacional da pesquisa na prpria UFRGS.

    Do ponto de vista da comunidade pesquisadora, h que se considerar dois aspectos importantes sobre os quais ela deve se debruar de forma mais enftica para que a Universidade avance ainda mais

    rpido em qualidade. Primeiramente, necessrio internacionalizar os recursos humanos que atuam em pesquisa, dando muito mais amplitude e articulao ao que fazemos. Ou seja, conquistar profissionais de alto nvel para trabalhar conosco, lado a lado, como pesquisadores convidados, ps-doutores ou outros, diversificando assim as contribuies intelectuais para o saber cientfico e tecnolgico aqui desenvolvido. O segundo aspecto necessariamente vinculado ao primeiro, pois se constata que deve ser tarefa de todos incrementar as colaboraes internacionais e, concomitante e necessariamente, internacionalizar a lngua utilizada nas salas de aula e nos laboratrios de pesquisa.

    bvio que muitas outras aes tambm contribuem para o avano almejado, mas abrir nossos espaos de pesquisa para o mundo um importante aspecto desse conjunto.

    A UFRGS entre as 100 melhores do mundo em ... 2015? Ser a nossa nova grande conquista!

    abertura do calendrio eleitoral de 2012 foi marcada pela repercusso das movi-mentaes partidrias visando forma-

    o de alianas para as disputas pelas prefeituras municipais. Se coalizes partidrias so fenme-nos corriqueiros em democracias, a foto de Lula com Maluf em So Paulo, o debate do PP gacho sobre possvel aliana com o PC do B e a caa aos pequenos partidos para ampliar o tempo dos principais candidatos no horrio eleitoral gratuito, terminaram por reforar o mantra do declnio das ideologias e a inevitabilidade de uma vocao fisiolgica dos partidos brasileiros. Ideologias no contam mais? Coalizes partidrias eleitorais so necessariamente fisiolgicas? Tudo se resume a aumentar o tempo dos candidatos no horrio eleitoral gratuito?

    Antes de entrar em um exame dos fatores que estariam alimentando estratgias eleitorais pelos partidos brasileiros, parece necessrio reafirmar duas premissas: (1) coalizes partidrias so fe-nmenos frequentes nas melhores democracias e no podem ser julgadas de modo simplrio como correspondendo a um vale-tudo eleitoral. Muitas democracias possuem padres conso-ciativos (LIJPHART , 2003), caracterizados por fragmentao e multipartidarismo. Por isso, para disputar eleies, formar governos e dar-lhes apoio legislativo, so formadas no raro grandes alianas partidrias, o que contribui para promover partilha de poder e moderao poltica. Embora a dimenso esquerda/direita tenha uma centralidade nas poliarquias contemporneas, outras clivagens podem constituir base para coalizes consistentes

    programaticamente: governo/oposio, religio, acordos sobre programas de polticas pblicas (gesto pblica, meio ambiente). (2) A distribuio do tempo no horrio eleitoral gratuito, com base na representao de cada partido, conforme sua ltima votao federal, constitui um critrio altamente democrtico, pois faz do voto do eleitor a medida para a fora de cada legenda, ao mesmo tempo que contribui para reforar partidos nacionais, uma vez que utiliza a representao obtida na Cmara dos Deputados, e no aquela conquistada nos colgios municipais. Portanto, no aqui (coalizes, tempo de TV) que reside o problema.

    A observncia de critrios de proximidade ideolgica na formao de alianas eleitorais tanto maior, quanto mais os partidos percebam que eleitores estejam dispostos a punir a violao dessas fronteiras constitudas por ideologias e identidades polticas. Em 1986, PDT e o ento PDS aliaram--se , visando eleio para o governo gacho. Esta estratgia supunha que a soma dos votos dos dois partidos seria suficiente para conquistar o execu-tivo estadual. Contudo, Aldo Pinto, o candidato da coalizo PDT/PDS fez votao inferior a que havia sido obtida pelos dois partidos somados, quatro anos antes, revelando que parte significativa de seus eleitores rejeitava uma aliana entre partidrios do regime militar e trabalhistas, apenas um ano aps a transio para o governo civil.

    Quando falamos em partidos fortes, estamos nos referindo a organizaes baseadas em militn-cia voluntria, cotizaes como base para financia-mento partidrio e bandeiras ideolgicas. O que nem sempre percebemos que estamos falando de

    um fenmeno temporalmente datado, circunscrito a uma idade de ouro dos chamados partidos de massa, geograficamente localizada na Europa oci-dental. Fortes identidades societrias (classe social, confisses religiosas, interesses regionais) conso-lidadas antes mesmo da introduo do sufrgio universal, foram a matria prima para a formao de eleitorados pr-dispostos a responder a apelos ideolgicos bem delimitados e, principalmente, a punir a transgresso de seus representantes em re-lao a esses valores polticos. Partidos ideolgicos tiveram como base o temor em relao punio eleitoral promovida por eleitores ideolgicos. Da mesma forma, coalizes eleitorais delimitadas a contornos ideolgicos dependem de eleitores dis-postos a constranger os partidos a alianas dentro de suas respectivas famlias ideolgicas.

    A legislao eleitoral brasileira oferece sua contribuio para incrementar o custo da forma-o de identidades polticas e partidrias pelos eleitores. Com reduzidas exigncias no somente para a formao de legendas partidrias, mas para o acesso destas a recur

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