tugendhat, ernst. propedêutica lógico – semântica

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PROPEDUTICA L6ICO~SEMNTICATraduo de: Fernando Augusto da Rocha Rodrigues

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-I Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)Tugendhat, Ernst Propedutica lgico-semntica / Ernst Tugendhat, Ursula Wolf ; traduo de Fernando Augusto da Rocha Rodrigues. Petrpolis, RJ : Vozes, 1996.

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ISBN85-326-1659-3 1. Lgica 2. Semntica (Filosofia) . Wolf,Ursula.11. tulo. I T96-2064 CDD-160

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ndices para catlogo sistemtico: 1. Lgica: Filosofia 160

Petrpolis 1997

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@ 1983 Philipp Rec1am jun. GmbH & Co., Stuttgart 71252 Ditzingen, Germany Ttulo do original alemo: Logisch-semantische Propadeutik

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Direitos de publicao em lngua portuguesa no Brasil: @ Editora Vozes Ltda. Rua Frei Lus, 100 25689-900 Petrpolis, RJ Internet: http://www.vozes.com.br Brasil

Apresentao edio brasileira, 7 1. O que significa lgica?, 9

FICHA TCNICA DA VOZES COORDENAO EDITORIAL: AveIino Grassi

2. Frase, frase enunciativa, enunciado, juzo, 17 3. Implicao lgica e verdade lgica; analiticidade e aprioridade, 28 4. O princpio da contradio, 43 5. Caractersticas bsicas da lgica tradicional: teoria do juzo e silogstica, 556. A concepo atual da estrutura de frases singulares e gerais; forma lgico-semntica e forma gramatical. 65 7. Frases complexas, 84 8. Termos gerais, conceitos, classes, 101

EDITOR: LdioPerettiCOORDENAO INDUSTRIAL' Jos Luiz Castro

EDITOR DE ARTE: Ornar Santos

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EDITORAO: Emtorao e organizao literria: Edgar Ortli Reviso grfica: Revitec S/C Diagramao: Slieila Roque Superviso grfica: Valderes Rodrigues

ISBN 3-15-008206-4 (edio alem) ISBN 85.326.1659-3 (edio brasileira)

9. Termos singulares, 115 10. Identidade, 131 11. Existncia, 144 12. Ser, negao, afirmao, 157 13. Verdade, 170

14. Necessidade e possibilidade, 190 Bibliografia,205Este livro foi composto e impresso pela Editora Vozes Ltda. em junho de 1997.

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Aos vrios livros de'lgica, publicados em lngua portuguesa, sej~m eles de autq~es prasileiros ou traduzidos, vem somar~se este manual, traduzido "doalemo. A traduo de Fernando Rodrigues realmente da melhor qualidade. O tradutor confrontouse com um texto e uma terminologia estrita, quase cannic~, e encontrou sempre as melhores escolhas. Assim, temos em nossa lngua finalmente uma propedutica, no sentido mais positivodo termo, para as questes lgico-semnticas da filosofia. Alm disso, a qualidade do portugus que resultou da traduo nada tem de rebarbativo e empolado. Pelo contrrio, conseguiu-se uma clareza, limpidez e fluncia que servem de modelo para outras tradues de carter tcnico. As solues encontradas revelam um domnio tranqilo da terminologia da rea e do idioma alemo. Tenho certeza que esta propedutica ajudar a pr ordem em nossos discursos filosficos. A obsesso de Ernst Tugendhat, junto com UrsulaWolf,de encontrar uma clareza analtica para a escritura filosfica no visa apenas a um carter formal. Nossos problemas podero ser melhor formulados e obter respostas mais claras atravs dos instrumentos que apresentam para conduzir nosso pensamento e linguagem filosficos. Este livro quer dar um primeiro conhecimento do instrumental lgico-semntico atualmente existente bem como do tradicional e moderno, mostrando sua relevncia para algumas questes bsicas da filosofia.Na escolha dos temas tratados, bem como em sua apresentao, h evidentemente preferncias subjetivas, mas no so impositivas. Para no

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ultrapassar os limites de um manual introdutrio de lgica, os autores conscientemente trataram com menos profundidade algumas questes lgicas em sentido estrito, sobretudo as da lgica moderna. Fazer filosofiacom responsabilidade significa tambm entrar nesta escola do pensamento, a melhor entre tantas tentativas apresentadas para "organizarnossas incertezas em vez de impor nossas certezas", neste final de sculo. Espero que este trabalho cuidadoso de nos brindar com a bela verso brasileira seja recompensado pelas novas geraes da filosofia,com o esforo de organizar as mentes e de dizer com rigor e clareza o que se quer dizer. Os captulos 5, 7, 9, 10 e 14 foram escritos por Ursula Wolf, os restantes por Ernst Tugendhat. PortoAlegre, dezembro de 1995Ernfldo Stein

1~O QUE SIGNIFICA LGICA?

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Comearemos nossa propedutica lgico-semntica com o conceito de lgica. A relao desta com a semntica ser mostrada a partir de si mesma no decorrer dos captulos seguintes. O que se entende por "lgica"? A palavra foi concebida no decurso da histria desta disciplina sob vrios aspectos, ora de um modo mais amplo, ora de um modo mais restrito. Com respeito a essa variedade, no contudo sensato perguntar qual o significado correto, j que no existe um significado verdadeiro de uma palavra. O que deve ser aqui evitado no o erro, mas sim a falta de clareza. Por isso importante que expliquemos em que relaes esto uns com os outros os diferentes significados em que a palavra foi usada. Antes de podermos abordar isso, so necessrias algumas observaes prvias orientadoras. Pode-se classificara histria da lgica, grosso modo, em trs perodos1. O primeiro abrange a lgica antiga, estendendo-se aproximadamente desde seu fundador. Aristteles, at fins da Idade Mdia. No segundo, trata-se da lgica moderna, iniciando-se com a chamada Lgica de Port-Royal(1662f Este segundo perodo se caracteriza pela predominncia de problemas ligados teoria do conhecimento e psicologia, devido aos quais a pesquisa lgica no sentido estrito assim como o esclarecimento de conceitos lgicosbsicos passaram a segundo plano.

1. Sobre a histria da lgica, d. Kneale, The Development

of LogjG

2. Amauld/Nicole, La Logjque ou J'art de penser.

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Esta tradio est tambm ainda defendida esporadicamente em alguns livros mais recentes, como por exemplo na Logik do fenomenlogoPfander (1921)ou na Logik de Freytag-Lringhoff (1955).Este segundo perodo foio mais improdutivo do ponto de vista da lgica3, mas suas concepes influenciaram de modo particularmente forte os sistemas filosficos,j que os grandes filsofosda modernidade - Kant, p. ex., e Hegel- se encontram nesta tradio. O terceiro perodo o da lgica atual. comeando com a Begriffschrift de Frege (1879).Esta lgica freqentemente caracterizada como lgica "matemtica" ou "simblica" ou mesmo como "logstica". Estas caracterizaes referem-se ao desenvolvimento da lgica com base em clculos. Mais importante contudo o fato de os lgicos deste terceiro perodo terem de novo separado nitidamente os problemas especificamente lgicos dos psicolgicos e retomado a pesquisa lgica no sentido estrito, conduzindo-a a inesperadas conseqncias, aps os defensores do segundo perodo terem partilhado a opinio de que a lgica no sentido estrito j teria sido completada por Aristteles4(tendo as conseqncias mais importantes da lgica estica e sobretudo escolstica ficado esquecidas neste segundo perodo). Mas o que se entende ento no geral por "lgica"? No se pode compreender corretamente, quanto relao que mantm entre si, as diversas respostas que foram dadas a esta pergunta, se no se diferenciam - por mais paradoxal que isso possa parecer-, antes da delimitao mais exata da temtica, trs diferentes modos de conceber a lgica. Para tal objetivo suficiente inicialmente dizer sobre a temtica da lgica que ela simplesmente investiga determinadas regras, leis ou relaes; e a questo agora : regras, leis ou relaes de qu? Trata-se de leis do ser ou da realidade (chamamos a isso concepo ontolgica),de

leis do pensamento (concepo psicolgica) ou de leis da linguagem (concepo lingstca)? Tomemos p. ex. o princpioda contradio. Ele diz, grosso modo, o seguinte: algo no pode ao mesmo tempo ser e no ser o caso. Por que no? Alguns dizem que isso se funda na essncia do ser; outros, na essncia do pensamento; uns terceiros, na essncia da linguagem. Estes trs diferentes modos de conceber a lgica influenciaram a questo de como se deve delimitar a temtica da lgica. A concepo psicolgica cara.cterstica do segundo dos trs momentos da histria da lgica h pouco diferenciados. A Lgica de Port-Royaldefine a lgica como "a arte de bem guiar a razo (raison)".Encontramos uma delimitao mais ntida em Kant: lgica a "cincia das leis necessrias do entendimento e da razo em geral ou, o que o mesmo, da mera forma do pensamento em gera1"5.Kant enfatiza com efeito que isso no deve ser entendido psicologicamente: a lgica a "cincia do uso correto do entendimento e da razo em geral. mas no subjetiva, isto , no se pauta por princpios empricos [psicolgicos] de como o entendimento pensa, mas sim objetiva, isto , se pauta por princpios a priori de como ele deve pensar,,6. Num sentido amplo, porm, a concepo de Kant psicolgica, na medida em que ela parte justamente do conceito de entendimento' isto , de algumas realizaes do pensamento (mesmo que sejam acessveis a priori). Face a isto a tradio mais antiga - e tambm, novamente, a concepo moderna - se orienta, antes, pela linguagem, respectivamente pelo ser, pautando-se a concepo moderna primariamente pela linguagem. No h contudo na tradio mais antiga nem na lgica atual definies conceituais de lgica que sejam abrangentes, semelhantes s h pouco mencionadas. Isto se deve ao fato de