sou eu, calvino

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Leia um trecho do livro Sou eu, Calvino da Editora Ultimato

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  • ElbEn M. lEnz Csar

  • SOU EU, CALVINO

    Categoria: Biografia / Igreja / Teologia

    Copyright 2014, Elben M. Lenz Csar

    Primeira edio: Setembro de 2014Coordenao editorial: Bernadete RibeiroReviso: Natlia Superbi Dlnia M. C. BastosDiagramao: Bruno MenezesCapa: Rick Szuecs

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

    Publicado no brasil com autorizao e com todos os direitos reservados

    A marca FSC a garantia de que a madeira utilizada na fabricao do papel deste livro provm de florestas que foram gerenciadas de maneira ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente vivel, alm de outras fontes de origem controlada.

    ndices para catlogo sistemtico:

    1. Calvinismo : Teologia : Cristianismo 284.2

    EdITOrA ULTImATO LTdACaixa Postal 4336570-000 Viosa, mGTelefone: 31 3611-8500Fax: 31 3891-1557www.ultimato.com.br

    14-08460 CDD-284.2

    Csar, Elben M. Lenz

    Sou eu, Calvino / Elben M. Lenz Csar. Viosa, MG: Editora Ultimato, 2014.

    ISBN 978-85-7779-113-2

    1. Calvinismo 2. Calvino, Joo, 1509-1564 3. Protestantismo 4. Reforma I. Ttulo.

  • A Jud e Ana, os dois primeiros bisnetos meus e de Djanira, com o desejo de que, pela influncia do Esprito Santo e na

    hora certa, abracem os trs somentes da Reforma: o sola

    Scriptura, o sola gratia e o sola fide.

    * * *

    O verdadeiro discpulo de Calvino s tem um caminho a seguir: no obedecer ao prprio Calvino, mas quele que era

    mestre de Calvino.

    Karl Barth (18861968)

  • Sumrio

    Prlogo 9

    Prefcio 13

    Apresentao 15

    1. A sbita converso de um licenciado em leis 19

    2. Genebra: luz aps trevas 25

    3. O livro transformado em catecismo 33

    4. O voo que no se realizou 39

    5. A igreja de Genebra 45

    6. Luxo, extravagncia e consumismo 51

    7. O doutor que no tinha mais f do que um porco 59

    8. Livro por livro, captulo por captulo, verso por verso 65

    9. Dependendo do espelho o ser humano se v feio demais 73

    10. O absolutamente santo e o absolutamente pecador 85

    11. A Europa pega fogo mais pela palavra escrita do que pela palavra falada 91

    12. A eleio requer evangelizao 97

    13. O francs Jacques Lefvre redescobre o sola gratia antes de Lutero 105

  • 14. A igreja de Genebra na Frana Antrtica 111

    15. O humanismo e a peste negra 121

    16. O nobilssimo e cristianssimo protetor da Inglaterra e Irlanda 127

    17. O Diabo vira tudo de cabea para baixo 133

    18. O cristo no deve correr da fogueira nem correr para a fogueira 141

    ltima pgina 147

    Anexos

    De pai para filho 151

    O que se diz de Calvino 157

    O que se diz de As Institutas 161

    Genebra no mapa 163

    Cidades da Frana e da Sua onde Calvino viveu 165

    Cronologia de Calvino e eventos paralelos 166

    Bibliografia 169

    ndice onomstico 173

  • Prlogo

    Sou eu, Calvino!

    Quando eu era bem peQueno, meu pai me destinou aos estudos de teologia. Mais tarde, porm, ao ponderar que a profisso jurdica comumente promovia aqueles que saam em busca de riquezas, essa viso o induziu a subitamente mudar seu propsito. E assim aconteceu de eu ser afastado dos estudos de filosofia e encaminhado aos estudos de jurisprudncia. A essa atividade me diligenciei a aplicar-me com toda fidelidade, em obedincia ao meu pai. Mas Deus, pela secreta orientao de sua providncia, por um ato sbito de converso, subjugou e trouxe minha mente a uma disposio suscetvel. Tendo assim recebido alguma experincia e conhecimento da verdadeira piedade, imediatamente me senti inflamado de um desejo to intenso de progredir nesse novo caminho que, embora no tivesse abandonado totalmente os outros estudos, me ocupei deles com menos ardor.

  • 10 sou eu, calvino

    Fiquei totalmente aturdido ao descobrir que, antes de haver-se esvado um ano, todos quantos nutriam algum desejo por uma doutrina mais pura vinham constantemente a mim com o intuito de aprender, embora eu mesmo no passasse ainda de mero nefito e principiante.

    Possuidor de uma disposio um tanto rude e tmida, passei, ento, a buscar algum canto isolado onde pudesse furtar-me da opinio pblica. Em suma, enquanto meu nico e grande obje-tivo era viver em recluso, sem ser conhecido, Deus me guiava atravs de crises e mudanas, de modo a jamais me permitir descansar em lugar algum, at que, a despeito de minha natural disposio, me transformasse em ateno pblica. Deixando meu pas natal, a Frana, de fato me refugiei na Alemanha, com o expresso propsito de poder ali desfrutar em algum canto obscuro o repouso que eu havia sempre desejado, o qual me fora sempre negado.

    Mas qual! Enquanto me escondia em Basileia, conhecido apenas de umas poucas pessoas, muitos fiis e santos eram queimados na Frana. E a notcia dessas mortes em fogueira, tendo alcanado as naes distantes, incitavam a mais forte desaprovao entre uma boa parte dos alemes, cuja indignao acendeu-se contra os autores de tal tirania. A fim de conter tal indignao, fizeram-se circular certos panfletos mpios e mentirosos, declarando que ningum era tratado com tal cruel-dade, exceto os anabatistas e pessoas sediciosas, que, por seus perversos desvarios e falsas opinies, estavam transtornando no s a religio, mas ainda toda a ordem civil.

    Frente a tudo isso, pareceu-me que, a menos que eu lhes fizesse oposio, usando o mximo de minha habilidade, meu silncio no poderia ser justificado ante a acusao de covardia e traio.

    Essa foi a considerao que me induziu a publicar minhas Institutas da Religio Crist (1536). Meu objetivo era, antes de tudo, provar que tais notcias eram falsas e caluniosas, e assim

  • 11prlogo

    defender meus irmos, cuja morte era preciosa aos olhos do Senhor. Como essas mesmas crueldades poderiam muito em breve ser praticadas contra muitas pessoas infelizes e indefesas, eu alimentava a esperana de sensibilizar naes estrangeiras para que elas tivessem um mnimo de compaixo e solicitude pelas prximas vtimas. Ao serem publicadas, As Institutas no eram essa obra ampla e bem trabalhada de agora; na verdade, no passavam de um pequeno tratado contendo o sumrio das primeiras verdades da religio crist.

    Tenho labutado fielmente para abrir o tesouro das Sagradas Escrituras a todo o povo de Deus. Embora o que tenho feito no corresponda aos meus desejos, a tentativa que empreendi merece ser recebida com certa medida de simpatia. Quando algum ler os meus escritos, ver claramente que no busquei ser agradvel, a menos que eles, ao mesmo tempo, sejam pro-veitosos a outrem.

    Joo CalvinoGenebra, 22 de Julho de 1557

    (palavras de Joo Calvino, retiradas de sua dedicatria do Comentrio do livro doS SalmoS.)

  • prefCio

    muito difCil escrever sobre Joo Calvino. Pelo menos por trs motivos: o grande volume de obras que ele produziu, a complexidade e amplitude de seu pensamento e o grande contingente de escritores que tm discorrido sobre ele. Tenho tido uma vasta experincia proveniente da longa vivncia com este misterioso personagem. Quanto mais vivo com ele, mais me sinto perplexo ante o fato de que ele viveu to pouco e exerceu, numa poca de poucos recursos tecnolgicos, um imenso ministrio literrio, social, administrativo, pedaggico e, particularmente, teolgico.

    Tudo o que tenho escrito, lido e traduzido sobre Calvino me faz sentir como um nadador em alto-mar: quanto mais nada, mais distante se sente da praia; parece que nunca chega. Digo isto porque, ao ler os originais de Sou Eu, Calvino, de Elben M. Lenz Csar, as informaes recebidas foram tantas, e com tanta

  • 14 sou eu, calvino

    exatido, que era como se eu nunca houvesse lido nada sobre o que Joo Calvino escreveu. Se eu estivesse me programando escrever um livro sobre ele, certamente desistiria da faanha depois de acompanhar o autor deste livro em sua to minuciosa e bela apresentao do grande reformador genebrino na forma de dilogo.

    Nestes ltimos anos, parece que as mentes crists do uni-verso literrio voltaram-se para Joo Calvino. Poucos livros foram escritos sobre ele at a ltima dcada do sculo passado. J li quase tudo o que foi escrito sobre ele no vernculo, mas sinceramente dou boas-vindas ao livro que ora prefacio, dando graas ao Senhor da Igreja pela vida e ministrio de Elben Csar. Que o leitor tire a limpo pessoalmente, lendo com reflexo e orao, estas pginas que certamente iro fascin-lo. Eis um livro digno de ser lido e relido por todos!

    valter GraCiano martinSGoinia, 10 de Junho de 2014

  • apresentao

    uma iGreJa reformada tem de Ser ConStantemente

    reformada

    o franCS Joo Calvino merece mais uma biografia. Ele tem sido apreciado por muitos desde o seu tempo meados do sculo 16 at hoje. um reconhecimento atrs do outro. Alguns chegam perto do exagero.

    Theodoro de Beza (15191605), seu substituto no plpito da Catedral Saint Pierre, em Genebra, escreve: No dia da morte de Calvino, no mesmo instante o sol se ps e o maior luzeiro que houve neste mundo para a direo da igreja foi recebido no cu. E podemos afirmar com acerto que em um s homem aprouve a Deus, em nosso tempo, ensinar-nos a maneira do bom viver e do bom morrer.

    No sculo seguinte, Montesquieu (16891755), escritor francs que lanou as bases das cincias sociais e econmicas, afirma que os genebrinos deveriam tornar bendito o dia em que Calvino nasceu.

  • 16 sou eu, calvino

    No sculo 19, o tambm francs Ernest R