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  • Diogo Araujo Med 92

    Semiologia Mdica

    Semiologia do Sistema Osteoarticular

    Introduo

    Prof. Kozak

    - O exame de uma articulao se inicia pela inspeo. Nela, deve-se pesquisar:

    - Aumento de volume das juntas. Sempre comparar os dois lados. Na inspeo,

    somente falamos em aumento de volume. Depois da palpao que podemos

    diferenciar o tipo de aumento de volume (como, por exemplo, entre calo de escrita e

    aumento de juntas);

    - Atrofia muscular. Ser que existe atrofia da musculatura associada junta? comum

    encontrar em pacientes com artrite reumatoide, por exemplo, atrofia de msculos

    intersseos. Isso se d devido baixa movimentao daquela articulao em virtude

    da dor;

    - Deformidades. Procurar desvios, subluxao, luxaes, contraturas e anquiloses

    (fuso das articulaes). Essas deformidades podem acontecer por distrbios sseos

    ou de tecidos moles. Os desvios podem ser medial (deformidade em valgo ou

    valgismo; aproximao da linha mdia) ou lateral (deformidade em varo ou varismo;

    afastamento da linha mdia). Em meninos, mais comum ter varismo. Em meninas,

    mais comum ter valgismo. s vezes, o varismo e o valgismo so constitucionais

    (relacionados baixa idade e ao desenvolvimento, desaparecendo depois), e no

    deformidades.

    - Depois, realiza-se a movimentao da articulao para avaliar:

    - Amplitude de movimento;

    - Presena ou no de dor;

    - Estabilidade da junta. Durante o movimento, a junta tem de manter o eixo de

    movimento estvel. A junta instvel sai do lugar durante o movimento;

    - Realiza-se a movimentao ativa e passiva do segmento para avaliar a articulao.

    - Palpao vem em seguida. Inicialmente ela superficial e, depois, mais profunda. Serve para:

  • Diogo Araujo Med 92

    - Pesquisar aumento de temperatura:

    1) Verificar nas adjacncias para ver se o calor realmente est vindo da junta.

    2) Utilizar o dorso da mo.

    3) Palpar nas reas onde h mais sinvia se projetando. Ex: no palpar sobre a

    patela, mas sobre as regies laterais dos joelhos.

    - Discriminar causa do aumento de volume: cstico (contedo lquido), elstico,

    fibroelstico, ptreo.

    - Presena ou no de dor compresso. Feita com a compresso do local.

    Consideramos que a dor anormal quando acontece em presso inferior a 4kg de

    presso. Geralmente, essa presso alcanada quando o leito ungueal fica plido.

    Pessoas sadias podem ter desconforto palpao de certas regies. Tem de se

    observar duas coisas:

    - Quando aperta, di no lugar? Isso ponto doloroso.

    - Quando aperta, di em outro lugar? Isso ponto gatilho. Isso indicativo de

    disfuno do crtex sensitivo. Ou seja, esse paciente tem distrbio da

    nocicepo.

    - Crepitaes. Crepitaes patolgicas provm do desgaste da cartilagem. Para

    perceb-las, o movimento tem de ser passivo, fazendo a amplitude completa do

    movimento. Crepitaes finas (constantes, baixa amplitude e baixa frequncia) so

    sempre patolgicas.

    - Resumindo o exame articular:

    Inspeo

    o Aumento de volume

    o Deformidades

    o Atrofia muscular

    Movimentao

    o Amplitude

    o Dor movimentao

    o Estabilidade da junta

    Palpao

    o Temperatura

    o Consistncia do aumento de volume

    o Dor compresso

    o Crepitao

  • Diogo Araujo Med 92

    - A consistncia mais molinha do aumento de volume articular corresponde a um cisto, com o

    chamado sinal da bochecha. Ou seja, aperta de um lado, o lquido vai para o outro.

    - A consistncia fibroelstica se assemelha daquelas borrachas brancas.

    - So causas de aumento do volume articular:

    - Derrame articular: possui consistncia cstica;

    - Proliferao sinovial: consistncia fibroelstica;

    - Edema: marca do sinal do cacifo, causado geralmente por uma inflamao prxima

    da articulao (periartrite). Ex: se h sinal do cacifo em um joelho, por exemplo, isso

    sinal de que o tecido em volta da articulao est edemaciado em virtude de uma

    periartrite.

    - Proeminncias sseas (como os ostefitos);

    - Coxim gorduroso;

    - Tumores e depsitos (como os tofos gotosos observados na gota e os ndulos

    subcutneos da artrite reumatoide).

    - Em uma doena sinovial difusa, o paciente apresenta dor difusa compresso, bem como dor

    movimentao global, ativa e passiva.

    - J quando h dor por leso em estrutura especfica:

    - a dor localizada compresso;

    - aparece durante a movimentao ativa da articulao contra resistncia. Ex: dor no

    joelho quando o paciente tenta estender a perna e o examinador fora contra esse

    movimento, fazendo flexo.

    - dor movimentao passiva com estiramento ou compresso da estrutura.

    Manobras especficas

    - Leses em tendo do bceps (cabeas curta e longa):

    - dor na face anterior do ombro durante flexo do antebrao;

    - dor pronao do antebrao.

  • Diogo Araujo Med 92

    - Manguito rotador: como um todo, realiza a abduo do brao e sua rotao externa. O

    msculo supraespinhal faz a rotao interna do brao.

    - dor na regio subacromial na abduo ou rotao externa do brao contra

    resistncia;

    - dor rotao interna do brao;

    - dor abduo do brao (por pinamento do tendo do supraespinhal).

    - Cotovelo: msculos inseridos no epicndilo lateral realizam a extenso do punho. J os do

    epicndilo medial fazem a flexo do punho.

    - Msculos extensores: dor no epicndilo lateral extenso forada do punho contra

    resistncia;

    - Msculos flexores: dor no epicndilo medial flexo forada do punho contra

    resistncia.

    - Punho: na tabaqueira anatmica, h os tendes que fazem extenso (longo e curto) e

    abduo (longo) do polegar. A tendinite da tabaqueira chamada de tendinite de DeQuervain,

    vista pela manobra de Finkelstein:

    - dor na base do polegar oposio do polegar + flexo do 2 ao 5 dedo sobre o

    polegar + aduo passiva do punho pelo examinador.

    Quando h sndrome do tnel do carpo, h duas manobras para verificar a dor:

    - percusso de Tinel: dor no territrio de inervao do mediano durante percusso na

    topografia desse nervo no punho;

    - teste de Phalen: parestesia no territrio de inervao do mediano durante flexo do

    punho em posio de prece invertida por 1 minuto.

    - Quadril: no h dor compresso ou palpao facilmente por ser uma junta mais profunda.

    Na doena difusa dessa articulao, h manobras para sensibilizar e detectar a dor:

    - Manobra de FABER (flexo, abduo e external rotation) na articulao do quadril. Se

    o paciente sentir dor, dizemos que h sinal de Patrick.

    - Joelho:

    - Teste para tendo patelar: dor extenso do joelho contra resistncia.

  • Diogo Araujo Med 92

    - Teste para meniscos: os meniscos esto entre os cndilos lateral e medial da tbia e

    do fmur no joelho. O joelho no uma dobradia pura: permite certo grau de rotao

    medial e lateral. O estresse medial ou lateral do joelho fora os meniscos. Ento, a

    manobra teste consiste em fazer a rotao passiva da perna em diferentes graus de

    extenso, colocando os dedos sobre a topografia dos meniscos.

    - dor no menisco lateral por rotao interna da perna;

    - dor no menisco medial por rotao externa da perna.

    Outras forma de examinar so:

    - fletir a articulao do joelho, com diversos graus de flexo;

    - fletir a articulao do joelho sob presso com o paciente em decbito ventral.

    - Teste para os ligamentos cruzados: o rompimento dos cruzados gera a instabilidade

    da flexo.

    - realizada a flexo do joelho, com a anlise da movimentao da

    tuberosidade da tbia e ver se h sinal da gaveta:

    - Se ela for para trs, h leso do ligamento cruzado posterior.

    - Se ela for para frente, h leso no ligamento cruzado anterior.

    Ver: http://www.youtube.com/watch?v=jPdCfT2dhHw

    Observao:

    Sinal: presente ou ausente.

    Manobra: pode at ser positiva.

    Articulaes sinoviais (diartroses)

    Prof. Kozak

    - Relembrando anatomia. Quais so os tipos de articulaes no organismo?

    Fibrosas

    o Sutura

    o Sindesmose

    http://www.youtube.com/watch?v=jPdCfT2dhHw
  • Diogo Araujo Med 92

    o Gonfose

    Cartilaginosas

    o Sincondrose

    o Snfise

    Sinoviais (diartroses)

    o Plana. Ex: entre os ossos do metacarpo.

    o Gnglimo. Ex: cotovelo.

    o Trocide. Ex: articulao rdio-ulnar.

    o Elptica. Ex: punho.

    o Selar. Ex: 1 articulao metacarpofalngica.

    o Esferoide. Ex: ombro.

    - Ver: http://www.icb.ufmg.br/mor/anatoenf/sistema_articular.htm

    - As articulaes sinoviais so as mais passveis de leso.

    - A articulao sinovial possui:

    - cpsula articular;

    - cartilagem articular;

    - membrana sinovial;

    - lquido sinovial;

    - ligamentos;

    - bursas sinoviais: bolsas de sinvia que facilitam o deslizamento dos tendes e

    ligamentos, protegendo-os;

    - msculos e tendes externos articulao. Os tendes se inserem em regio ssea

    proeminente, formando uma rea de fibrocartilagem chamada de entese;

    - meniscos (no em todas);

    - pele e subcutneo (regio que pode estar inflamada, causando a periartrite).

    Cartilagem hialina

    - Possui muita gua (60% ou mais), fibras de colgeno e proteoglicanos em sua matriz. Ela

    reveste a superfcie articular dos ossos. Forma superfcie lisa que no gera calor, no gera

    atrito, permite deformao e dura anos e anos.

    - Mas o que so os proteoglicanos?

    - So molculas que atuam como molas no tecido