semiologia 04 semiologia do aparelho cardiovascular aplicada

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  • 1. Arlindo Ugulino Netto SEMIOLOGIA II MEDICINA P5 2009.2MED RESUMOS 2011NETTO, Arlindo Ugulino.SEMIOLOGIA IISEMIOLOGIA DO APARELHO CARDIOVASCULAR APLICADA (Professor Jorge Garcia)O aparelho cardiovascular apresenta uma atividade coordenadapor uma bomba central, o corao, o qual impulsiona o sangue paratodo o organismo. Ao chegar microcirculao, onde ocorrem astrocas metablicas, o sangue realiza a sua funo de levar oxigniopara as clulas teciduais e passa a servir como um meio de transportepara excretas do metabolismo das mesmas. Entre os dois extremos dosistema cardiovascular (corao-microcirculao), estende-se umaintricada rede de vasos artrias e veias que serve de leito para osangue.N OES A NATMICAS O corao, principal estrutura do mediastino mdio, divididoem duas metades direta e esquerda por um septo longitudinal,orientado obliquamente. Cada metade consiste em duas cmaras, ostrios, que recebem sangue das veias, e em outra, os ventrculos, queimpulsionam o sangue para o interior das artrias aorta (iniciando agrande circulao) e pulmonar (iniciando a pequena circulao). Ocorao apresenta trs faces: a face esterno-costal (compostopraticamente pelo ventrculo direito, em contato com o osso esterno ecostelas); a face diafragmtica ou nfero-costal (compostaprincipalmente pelos dois ventrculos repousados sobre o diafragma); ea face pulmonar (composta pelo ventrculo esquerdo em contato com opulmo esquerdo). Como o corao apresenta um formato de cone, seupice est voltado inferiormente para o lado esquerdo (relacionando-seprincipalmente no 5 espao intercostal esquerdo) e sua base, voltadasuperiormente, representada pela chegada e sada das grandesartrias e veias. A base do corao formada pelos trios, que se situam atrs e acima dos ventrculos. O trio esquerdo mais posterior, enquanto que o trio direito mais anterior. O pice corresponde ponta do corao e constitudopelo ventrculo esquerdo, que mantm contato direto com o gradil costal ao nvel do 5 espao intercostal esquerdo.Esta particularidade anatmica importante pois, atravs da inspeo e da palpao do choque da ponta do ventrculoesquerdo, muitas concluses clnicas podem ser tiradas.CAMADAS DO CORAO O corao constitudo de trs camadas: epicrdio, miocrdio e endocrdio. O epicrdio ou pericrdio visceral,frequentemente revestida de tecido gorduroso, tem uma camada mesotelial e outra serosa. As artrias coronrias,responsveis pela irrigao do corao, caminham pelo epicardio antes de atingir o miocrdio. O pericrdio parietal uma formao fibrosa, resistente e pouco elstica distenso rpida, mas com capacidade de se distender lenta egradualmente. Em condies fisiolgicas, existem no interior da cavidade pericrdica cerca de 10 a 20mL de lquido,quantidade suficiente para lubrificar as superfcies do pericrdio parietal e visceral.MUSCULATURA CARDACAAs fibras musculares cardacas que compem o miocrdio dispem-se em camadas e feixes complexos. Amusculatura dos trios e dos ventrculos separada, cabendo ao sistema de conduo cardaca fazer a conexo entreelas. Por ser responsvel por bombear sangue para todo o corpo, a musculatura do ventrculo esquerdo bem maisespessa.1OBS : Sstole consiste na contrao da musculatura cardaca, enquanto que distole corresponde ao relaxamentodas fibras musculares cardacas. A sstole ventricular, portanto, consiste no mecanismo de contrao do ventrculo emque o sangue ejetado do corao, enquanto que a distole consiste no perodo de relaxamento dos ventrculos, osquais se enchem de sangue oriundo dos trios neste momento. 1

2. Arlindo Ugulino Netto SEMIOLOGIA II MEDICINA P5 2009.2APARELHOS VALVARESO corao dispe de quatro aparelhos valvares: no lado esquerdo, um atrioventricular (a valva mitral oubicspide) e um ventrculo-artico (a valva artica); e no lado direito, um atrioventricular (a valva tricspide) e umventrculo-pulmonar (a valva pulmonar).As valvas atrioventriculares consistem em um conjunto de vlvulas (duas na mitral e trs na tricspide) presasem um anel fibroso que circunscreve o stio atriventricular. Cada vlvula (as cspides) presa aos ventrculos porcordas tendneas e msculos papilares.As valvas semilunares da aorta e do tronco pulmonar esto situadas nas origens destes vasos. Cada umaapresenta trs vlvulas em formato de bolsa que impedem o refluxo do sangue destas artrias durante a distole.Durante a sstole ventricular, ocorre o fechamento das valvas atrioventriculares e abertura das valvas artica epulmonar. O fechamento desta valva corresponde primeira bulha cardaca (primeiro som do ritmo cardaco regularem dois tempos). Durante a distole ventricular, ocorre a abertura das valvas atrioventriculares e o fechamento dasvalvas artica e pulmonar (impedindo o refluxo de sangue para os ventrculos). O fechamento da valva pulmonar e davalva artica constitui a segunda bulha cardaca (segundo som do ritmo cardaco regular em dois tempos).IRRIGAO DO CORAO O corao irrigado pelas artrias coronrias, primeiros ramos da artria aorta, logo na sua origem.Resumidamente, a artria coronria direita (ACD), que nasce no seio artico direito, envia ramos para o ventrculodireito, cone arterial, n sinusal, trio direito e o n atrioventricular. A artria coronria esquerda (ACE), que nasce noseio artico esquerdo, divide-se no ramo circunflexo e ramo interventricular anterior, suprindo ambos os ventrculos egrande parte do septo atrioventricular e interventricular. A drenagem venosa do corao feita por vrias veias que desembocam no chamado seio venoso que, porsua vez, chega ao trio direito por meio do stio do seio venoso.INERVAO DO CORAO O corao inervado por fibras nervosas autnomas queincluem fibras sensitivas oriundas do nervo vago e dos troncossimpticos. As clulas ganglionares que constituem os plexosintramurais do sistema parassimptico localizam-se nos trios, prximoaos ns-sinusal e atrioventricular e nas vizinhanas das veias cavas.As fibras musculares destes ns, em virtude da funo que exercem,so ricamente inervadas; j as fibras musculares cardacas sodesprovidas de terminaes parassimpticas, pois so ativadas pelosistema especfico de conduo. Por sua vez, as terminaessimpticas atingem os ns sinusal e atrioventricular e as fibrasmusculares miocrdicas. O SN simptico constitui o componente ativador do sistema decomando, provocando o aumento da frequncia cardaca e da fora decontratilidade cardaca. As fibras simpticas originam-se do 1 ao 4segmento torcico da medula espinhal, fazendo sinapse nos gnglioscervicais e torcicos. As fibras ps-ganglionares simpticas solevadas ao corao pelos ramos cardacos cervical e torcico dotronco simptico.SISTEMA DE CONDUO DO CORAOO estmulo origina-se no n sinusal (sino-atrial ou Keith-Flack); progride na direo do n atrioventricularatravs dos tractos inter-nodais (anterior, mdio e posterior) e na direo do trio esquerdo atravs do feixe deBachmann; atinge o n atrioventricular, onde sofre um atraso em sua transmisso, necessrio para que a contrao2 3. Arlindo Ugulino Netto SEMIOLOGIA II MEDICINA P5 2009.2atrial se complete antes da ventricular; rapidamente, o estmulo percorre o feixede His, seus ramos direito e esquerdo e suas subdivises, para finalmente fechar rede de Purkinje. As clulas P (pacemarker), encontradas nos ns sinusal eatrioventricular, nos feixes internodais e no tronco do feixe de His, apresentamuma funo de marca-passo por serem auto-excitveis. Tal constituio permite ao sistema excito-condutor a formao e aconduo do estmulo necessrio para a excitao das fibras musculares econsequente contrao miocrdica. Este sistema possibilita ao coraoapresentar as seguintes propriedades: Cronotropismo ou automaticidade: o prprio rgo gera o estmulo necessrio a sua contrao (por meio das clulas P). Batmotropismo ou Excitabilidade: capacidade das fibras cardacas de gerar um potencial de ao aps receber um estmulo. Dromotropismo ou condutibilidade: as fibras tm a capacidade de conduzir os estmulos para fibras vizinhas. Inotropismo ou contratilidade: resposta do corao ao potencial de ao. Lusitropismo: capacidade de relaxamento do coraoCIRCULAO SISTMICA E PULMONAR O lado direito do corao recebe o sangue venoso sistmico por intermdio das veias cavas (superior einferior) e do seio venoso (que traz sangue do prprio miocrdio) que se conectam ao trio direito. Da o sangue fluipara o ventrculo direito, passando pela valva tricspide. O sangue impulsionado pela contrao do ventrculoultrapassa a valva pulmonar, chegando artria pulmonar, que o distribui pela rede vascular dos pulmes, onde seroxigenado pelo processo de hematose. Retorna ento ao lado esquerdo do corao pelas veias pulmonares quedesguam no trio esquerdo. Desta cmara, dirige-se ao ventrculo esquerdo passando atravs da valva mitra. Por fim,ultrapassa a valva artica, atingindo a aorta, que constitui o incio da circulao sistmica, responsvel pela distribuiodo sangue pelo corpo todo.CICLO C ARDACO O trabalho mecnico do corao utiliza duasvariveis: volume do sangue e presso. A contraodas fibras miocrdicas causa uma elevao dapresso intracavitria. Seu relaxamento, de modoinverso, induz uma queda pressrica. Em um dadomomento do ciclo cardaco, ocorre um repousoeltrico e mecnico do corao. A partir da, ocorreuma sequncia de eventos que sero exemplificadosa seguir:DISTOLE O perodo do relaxamento isovolumtricotem incio com a 2 bulha cardaca e se acompanhade decrscimo da presso intraventricular. Nestemomento, que sucede a sstole, o ventrculo est semsangue e as valvas mitral e artica esto fechadas. Avalva mitral se abre quando existir uma diferena depresso entre o trio esquerdo e o ventrculoesquerdo (o que tambm vale para as cmarascardacas do lado direito). A entrada do sangue para oventrculo esquerdo acontece devido aos seguintesmecanismos: (1) uma diferena de presso entre asduas cmaras; e (2) o relaxamento ativo do ventrculoesquerdo durante a distole.Durante esta distole ventricular, o afluxo desangue para o trio esquerdo procedente dospulmes resulta na elevao passiva da presso intra-atrial. A ocorrncia da queda da presso 3