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Entrevista com Diego Souza, do Cruzeiro

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  • 86 / placar / MAro 2013 MAro 2013 / placar / 87

    batebola

    VAcinAdo contrA crticAs por gol perdido e

    fAltA de regulAridAde, Diego Souza chegA Ao

    cruzeiro pArA substituir Montillo e enterrAr

    A pAssAgeM ruiM pelo Atltico POR bReilleR PiRes

    Raposa velha

    P| Entre Vasco e Cruzeiro, o que mais pesou em sua escolha?R| Eu no recebi uma proposta oficial para voltar ao Vasco. Na situao em que o clube se encontrava, com a sa-da de jogadores por falta de pagamen-to, era difcil fazer uma proposta. No tinha respaldo para isso. Mas poder trabalhar em um clube bem estrutura-do, sem dvida, faz uma diferena enorme. Se o Vasco tivesse uma es-trutura como a do Cruzeiro, que no-ta 1 000, teria conquistado mais ttu-los. O elenco era muito forte.O fato de o Cruzeiro voltar a jogar no Mineiro este ano tambm fez diferena?Eu joguei contra o Cruzeiro na Arena do Jacar. Querendo ou no, tirava o foco do time. Voc viaja, parece que no es-t jogando em casa. Tanto que nos l-timos anos, depois que o Mineiro fe-chou, o Cruzeiro viveu uma situao complicada. Com a volta ao Mineiro, o torcedor fica mais prximo, enche o es-tdio. As outras equipes chegam com mais respeito, sabem que vo enfren-tar um time grande, em um bom cam-po e de maior dimenso.O adversrio perdia o respeito pelo Cruzeiro na Arena?Mais ou menos. A torcida fica prxima [do campo], mas um estdio peque-no. A equipe que joga em casa precisa

    de espao para ter tempo de recupe-rao em caso de um contra-ataque, por exemplo. Todo time que ia para se defender, como visitante, levava van-tagem. O Cruzeiro na Arena do Jacar acabava se expondo muito. Se saa atrs, era difcil reverter o placar.Antes mesmo de estrear, voc assumiu a camisa 10 do Cruzeiro. A responsabilidade aumenta por ser o substituto do Montillo?No tem por que aumentar. A histria que o Montillo fez aqui bonita. E eu vou procurar fazer a minha. Tentar al-canar o prestgio que ele teve, bus-car ttulos e fazer um time vencedor, porque isso que fica na histria.Voc um jogador verstil, j atuou at como volante. Em que posio voc prefere jogar?Eu gosto de atuar na frente. Sou um meia-atacante, no um meia clssico. Sei fazer essa funo tambm, quan-do o time precisa valorizar a posse de bola, mas eu gosto mesmo de ir pra cima, chegar dentro da rea, usar o contato, fazer gol. Hoje o dinamismo no futebol bem maior. Isso faz com que os camisas 10 atuais tenham que atacar, marcar e criar jogadas.Voc se espelha em algum camisa 10 do passado?O Edmundo foi um dos dolos que eu tive. Ele vestia a 10, mas era segundo

    atacante. Buscava a bola, carregava, ia pra cima e ainda fazia muitos gols. Sempre foi uma inspirao para mim.Pelo seu porte fsico, voc nunca pensou em ser centroavante?Eu no gosto. O cara precisa ter ca- coete de centroavante. difcil. A bola chega ao fundo e voc tem de antever a jogada. Centroavante vive disso.Mas, no Vasco, voc chegou a jogar como referncia de rea... Eu fiz algumas vezes a funo do cen-troavante que caa pelo lado, segura-va a bola. Essa caracterstica eu sem-pre tive. Mas no gosto de puxar no primeiro pau, de ser a referncia para os cruzamentos. Prefiro uma bola de tempo, chegando de trs. Voc j recebeu crticas por falta de maiores sequncias de bons jogos. Elas fazem sentido?Olha, se voc pegar jogadores de meio-campo que jogam tantas partidas co-mo eu, difcil encontrar algum que seja mais constante. Cada jogo uma histria, no sei... [demonstrando hesi-tao] As pessoas falam bastante em falta de regularidade, mas no concor-do com isso. Eu tive somente um ano ruim em minha carreira. Foi em 2010, depois que eu sa do Palmeiras e fui para o Atltico-MG. P, ser destaque um ano fcil. Mas eu fui destaque em 2007, 2008, 2009 e 2011. T enten-dendo? Sempre fiz de 18 a 20 gols por ano. Temos jogos quarta e domingo, no d tempo de recuperar de uma partida para a outra. E, em um ano, cansado ou no, eu fao mais de 50 jo-gos, mole. preciso analisar todos es-ses fatores antes de criticar.

    Trabalhar em um clube bem estruturado faz uma diferena enorme. Se o Vasco tivesse a estrutura do Cruzeiro, teria conquistado mais ttulos.

    foto eugnio svio

  • 88 / placar / MAro 2013 MAro 2013 / placar / 89

    batebola

    Desde quando o clube no pagava os jogadores em dia?O Vasco foi campeo da Copa do Bra-sil em 2011 com salrios atrasados e tinha os mesmos problemas de agora. Mas o grupo contava com muitos joga-dores experientes. Quando os mais jo-vens encontravam dificuldade, ns, Felipe, Juninho, Alecsandro e eu, os ajudvamos. Assim, conseguimos uma Copa do Brasil e um vice-campeonato brasileiro. Essa a diferena entre tra-balhar em um grupo jovem e trabalhar em um grupo mais calejado.

    hoje eu no sei: se foi a melhor defesa ou o gol mais perdido.Por ter arrancado de trs do meio-campo, quase na metade no segundo tempo, voc j estava cansado na hora da finalizao?No tive cansao nenhum. Eu olhei pa-ra trs e vi que estava tranquilo. A op-o que eu escolhi foi tirar do goleiro. O Cssio confiou muito em si prprio. Ele parou na marca do pnalti e ficou me esperando. De repente, se eu ti-vesse batido mal na bola, ela teria passado por baixo dele e entrado.

    O atraso de salrios foi o que inviabilizou sua volta ao Vasco?Fiquei seis meses sem salrio no Al-It-tihad e at hoje no recebi nada. As-sim que tive esses problemas na Ar-bia, eu procurei o Vasco, que estava no meio de uma crise no fim do ano. Acabou que, nesse perodo, a conver-sa com o Cruzeiro foi evoluindo...E no houve tempo para esperar a proposta vascana?No tinha nem como. No me abri pa-ra nenhum clube antes de procurar o Vasco, mas no tiveram condies fi-nanceiras para me fazer uma oferta.Ficou aflito por no conseguir sair da Arbia Saudita?No tive medo, mas fiquei contrariado com aquela indefinio. Sair de l eu sairia, uma hora ou outra. Queria virar logo a pgina. Acordava todos os dias esperando uma ligao e nada acon-tecia. [Os dirigentes do Al-Ittihad] bo-taram presso, falando coisas do tipo voc no pode fazer isso [deixar o clube], est mexendo com pessoas que tm muita fora no pas.Se arrepende de ter ido para o futebol rabe?No me arrependo, no. Era uma boa oportunidade para mim e para minha famlia. Foi uma proposta interessan-te. Eu at brinco dizendo que tenho uma rabiola muito grande. So tios, irmos, dois filhos, pai e me que de-pendem de mim. Eu pensei s no lado financeiro naquele momento e acabou que no deu certo, mas, de uma hora pra outra, as coisas mudaram, e hoje estou no Cruzeiro com uma expectati-va totalmente diferente. De poder vol-tar seleo brasileira, de ser desta-que em campeonatos importantes.Na Arbia, voc no esperava ter novas chances na seleo...No, sabia que eu iria s assistir. Nas folgas, at poderia levar meu filho pa-ra assistir a um jogo da seleo. Mas ser convocado, nem pensar.Ao trocar o Vasco pelo Al-Ittihad, voc j havia desencanado, ento, de retornar seleo? [Diego Souza foi convocado pela

    Sentiu que o peso da eliminao recaiu em suas costas?Estava 0 x 0, eu perdi o gol, e a gente perdeu o jogo em uma bola parada no fim. T entendendo? A gente no po-deria ter tomado um gol de cabea aos 42 do segundo tempo. Mas fute-bol isso. Deu tudo certo para o Corin-thians. Antes do jogo, no vestirio, eu disse que seria uma final antecipada.Nem o Santos, que defendia o ttulo, estava no mesmo patamar de Vasco e Corinthians?Os times mais copeiros eram o nosso e o Corinthians. Vontade no faltava em lado nenhum. Era truncado, duela-va jogador por jogador. Se no tivesse perdido para o Corinthians, o Vasco seria campeo da Libertadores.O gol em que voc chapelou o Fbio, agora seu companheiro no Cruzeiro, em 2011, foi o mais bonito da sua carreira?O gol mais bonito que eu fiz foi em ci-ma do Atltico, em 2009, chutando do meio-campo, pelo Palmeiras. Aquele contra o Fbio foi bonito tambm. Mas agora tenho que dar logo meu carto de visitas e fazer gols pelo Cruzeiro para modificar essa lembrana. prefervel integrar um elenco menos badalado, como esse do Cruzeiro, a um time de estrelas como o do Atltico em 2010?O Cruzeiro tambm tem grandes joga-dores, experientes, assim como o Atl-tico em 2010. Mas aquele time no deu liga. Foi isso. Eu cheguei ao Atlti-co no meio do ano e sa seis meses de-pois. Tive poucas oportunidades por opo do treinador [Dorival Jnior]. Da apareceu o Roberto Dinamite, disse que estava reforando o Vasco, que le-varia o Alecsandro. Falei: P, se for is-so mesmo e tiver o Alecsandro, estou fechado contigo. A eu pedi para sair do Atltico. Felizmente, foi uma esco-lha fantstica, que s me fez crescer.

    O episdio que selou sua sada do Palmeiras foi o gesto obsceno para alguns torcedores em 2010. J no Vasco, mesmo quando a torcida cobrava, voc segurou a onda. Maturidade?Eu aprendi muito. No Palmeiras, a coi-sa ficou saturada. Nosso time era mui-to jovem, tinha poucos jogadores ro-dados. Faltou experincia no momen-to de deciso, nas ltimas dez roda-das do Brasileiro. Ao perder um jogo, por mais que esteja na frente, preci-so ter bagagem para assimilar que qualquer equipe pode tropear. Quan-do voc jovem, isso d uma intimi-dada, te deixa tenso na prxima parti-da. Mas, antes de eu ser convocado, ganhamos do Santos e abrimos 5 pon-tos de diferena. A eu saio por duas rodadas com a seleo, e o Palmeiras me empata em casa com o Ava e me perde de 3 x 0 para o Nutico. Quando eu voltei, perdemos em casa para o Flamengo, em ascenso. Acontece... Fui muito criticado pela perda do ttu-lo no Palmeiras. Eu nunca tinha sido exposto daquela maneira.Um fracasso que serviu de lio?Tudo aquilo me deu casca. Em 2010, a torcida pegou no meu p por no ter-mos conquistado o Brasileiro, achan-do que a gente tinha entregado em 2009. Eu era um jogador que sempre se expunha bastante. Dava entrevis-tas, puxava o time para cima na hora de falar. Naquele momento, faltou um diretor do Palmeiras chegar e dizer que a torcida estava errada, que esta-va queimando um jogador importante do clube. Por isso eu critiq