qualidade de vida da pessoa com doenÇa coimbra .fraco, eu não sou digno nem capaz. desenvolvimento

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  • 8 e 9 Novembro

    2013

    Ermelinda Macedo

    Coimbra

    Escola Superior de Enfermagem

    Universidade do Minho

    QUALIDADE DE VIDA DA PESSOA COM DOENA

    MENTAL EM CONTEXTO COMUNITRIO

    http://www.ese.uminho.pt/default.aspxhttp://www.uminho.pt/default.aspx
  • A pessoa com doena mental foi, durante muito tempo, encarada como no doente e sujeita a tratamentos pouco dignos e violentos em locais

    pouco associados sade e doena. Carta aos Diretores de Asilo de Loucos (Antonin Artaud) asilos como cceres horrveis onde os reclusos fornecem mo-de-obra gratuita e cmoda, e onde a brutalidade norma [] O hospcio de alienados sob o amparo da cincia e da justia, comparvel aos quarteis, aos cceres e s penitencirias. Num internamento de Van Gogh E c estou, h muitos dias, fechado e aferrolhado no manicmio, com guardas vista,

    sem culpa provada, ou sequer provvel. A viso do Inferno (Sylvio Floreal), ao referir-se ao hospcio, diz que Reinava a calma paradoxal, absurda, incompatvel com aquele ambiente. 2

    A histria

  • 3

    O Estigma

    Corrigan (2012) distingue o estigma em dois grupos: O estigma Pblico os efeitos nocivos para as pessoas com doena

    mental existem quando a populao em geral subscreve o prejuzo da doena mental;

    O autoestigma que acontece quando a pessoa com doena mental

    internaliza o estigma, o qual tem impacte na autoestima (eu no valho nada) e na autoeficcia (eu no sou capaz).

  • 4

    O Estigma Conscincia:

    O pblico acredita que as pessoas

    com doena mental so fracas

    Acordo: verdade. As

    pessoas com doena mental

    so fracas

    Aplicao: Eu sou mentalmente

    doente, ento eu devo ser fraca.

    Prejuzo: Porque sou

    fraco, eu no sou digno nem

    capaz.

    DESENVOLVIMENTO DO AUTOESTIGMA

    (Corrigan & Rao, 2012)

  • 5

    O Primeiro Estudo Epidemiolgico Nacional de Sade Mental foi

    conduzido entre 2006 e 2009. Aproximadamente 43% dos

    portugueses sofreram de doena mental ao longo da vida. Quase

    23% das pessoas nos 12 meses que antecederam o inqurito

    tiveram uma doena mental. Ainda segundo os primeiros dados do

    mesmo estudo, as doenas mentais mais frequentes na populao

    portuguesa so a ansiedade (16,5%) e a depresso (7,9%).

    Prevalncia

  • 6

    Declaraes de lvaro Carvalho, Coordenador Nacional para a Sade

    Mental e Coordenador da Equipa de Projeto para os Cuidados

    Continuados Integrados de Sade Mental (EPCCISM), em 11 de

    Outubro de 2012 no III Congresso Internacional da Sociedade

    Portuguesa de Enfermagem de Sade Mental, do-nos conta das

    alteraes propostas para a prestao de cuidados s pessoa com

    doena mental (Carvalho, 2012).

  • 7

    De facto, o peso das doenas crnicas superior ao da doena

    aguda, o que indica que a tipologia de resposta deve ser diferente,

    pedindo uma adaptao do sistema de sade para uma

    organizao mais sistmica, baseada na proximidade e no trabalho

    em rede. necessrio reorientar a resposta para realidades novas

    que necessitam de reas de reabilitao e de apoio domicilirio,

    em detrimento do excesso de hospitais de agudos.

    (Fernandes, 2012)

  • 8

    Relativamente a este aspeto, Cardoso (2008), quando questionado

    sobre o futuro da psiquiatria, refere que o caminho comunitrio com

    logstica de retaguarda e que no se devem correr riscos de exageros

    de boa vontade e entusiasmo. No entanto, acrescenta, que esta

    corrente e a corrente mais conservadora e hospitalar, esto []

    condenadas a encontrarem-se a conhecerem-se (p. 53).

  • 9

    Atendendo conjuntura nacional e internacional que norteia a sade mental e

    psiquiatria, a Qualidade de Vida (QDV) das pessoas com doena mental torna-

    se uma rea fundamental de investigao, tendo em conta a sua

    inquestionvel importncia na aferio de medidas de interveno. Um facto

    observvel relaciona-se com um interesse crescente nos ltimos anos na QDV

    da pessoa com doena mental como objeto de investigao.

  • 10

    O Grupo da Qualidade de Vida da Organizao Mundial da Sade

    (WHOQOL-Group) definiu Qualidade de Vida como :

    a perceo do indivduo da sua posio na vida no contexto

    cultural e sistema de valores nos quais ele vive em relao aos

    seus objetivos, expectativas, padres e preocupaes

    (Fleck et al., 1999a; Fleck, el al., 1999b, 2000; Rapley, 2003; WHO,

    1997b; WHOQOL Group, 1995, 1996, 1998).

  • 11

    QDV COMO UM INDICADOR DE RESULTADO EM SADE A

    PAR DA MORTALIDADE E MORBILIDADE

    Melhorar a QDV das pessoas deve ser um objetivo intrnseco de

    qualquer interveno da sade e a justificao tica para a

    existncia da psiquiatria.

    (Berlim & Fleck, 2003)

  • 12

    Associa-se uma experincia profundamente discriminatria com um grande

    impacte, no somente por serem doenas, na maioria de carcter crnico,

    mas, igualmente, pela sua natureza incapacitante.

    A reflexo sobre o percurso histrico da psiquiatria e o meu prprio percurso,

    enquanto enfermeira e docente, foram fontes de reflexo e forneceram-me

    informaes sobre a forma como as pessoas com doena mental so

    cuidadas e tratadas dentro e fora dos hospitais ou outras instituies de

    sade.

    Os dados revelam um aumento da prevalncia destas doenas, o que nos

    aumenta a preocupao em pesquisar variveis importantes para a sade

    dessas pessoas.

    Porqu?

  • 13

    O facto das doenas mentais serem responsveis por uma grande carga

    familiar, social e financeira, com grande impacte no indivduo e na sociedade,

    quando comparadas com outras doenas (WHO, 2003a), o que nos leva a

    pensar que as caractersticas da prpria doena, os seus tratamentos e o

    cuidado prestado prpria pessoa com doena mental so elementos que

    atuam nas suas vidas de forma marcante e significativa.

    Na investigao em psiquiatria, a QDV uma importante medida de

    resultado para podermos aferir medidas de interveno. Uma das razes o

    reconhecimento de que a predominncia das clssicas medidas de resultado,

    como a mortalidade e a morbilidade, no suficiente para melhorarmos as

    intervenes em sade (Masthoff et al., 2006).

    Porqu?

  • Depresso

    14

    Empurra para o fosso da existncia A pessoa est embaraada, ancorada, emperrada na marcha para diante

    Desgaste do fluxo vital

    H um afrouxamento, dando origem ao fenmeno da inibio o escuro que fica depois de se esgotar uma vela que desapareceu

    O tempo ntimo da pessoa deprimida escurece

    O mundo apaga-se em redor e aproxima-se da morte

    o aqui e agora

    No h futuro

    No h Passado (Carlos Mota Cardoso)

  • 15

    Estudo I (WHOQOL-Bref); Recolha de dados (Domiclio dos sujeitos)

    WHOQOL-Bref (DF)

    WHOQOL-Bref (DP)

    WHOQOL-Bref (DRS)

    WHOQOL-Bref (DA)

    WHOQOL-Bref (Faceta QDV Geral)

    1. Diagnstico

    2. Classe etria

    3. Sexo

    4. Escolaridade

    5. Transportes utilizados para deslocao consulta de psiquiatria

    1. Diagnstico

    2. Escolaridade

    3. Classe social

    4. Transportes utilizados para deslocao consulta de psiquiatria

    1. Classe social

    2. Tipo de atividades

    realizadas aquando da

    visita

    1. Transportes utilizados

    para deslocao

    consulta de psiquiatria

    1. Diagnstico

    2. Escolaridade

    3. Estado civil

    1. D M/PDSOE U=20.0; p=.024 2. < 6anos/>6anos U=-58.00; p=.021 3. s;d;v/c;uf U=102.00; p=.020

    1.

    Distimia/DPSOE U=7.5; p=.01 DPSOE/DB U=2.5; p=.04 2. < 6anos/>6anos U=-38.00; p=6anos t=-4.14; p=

  • 16

    Estudo II (WHOQOL-Bref)

    Domnios

    Grupo I Grupo II

    t p

    MdiaDP MdiaDP

    DF

    DP

    DRS

    DA

    49.7318.71

    45.3016.28

    54.0618.02

    54.4112.64

    68.9614.96

    72.1211.56

    72.0115.35

    58.3312.89

    -5.01

    -8.39

    -4.73

    -1.36

    < . 001

    < . 001

    < . 001

    . 089

    Faceta QDVG 48.4017.49 66.0614.32 -4.87 < . 001

    Comparao da QDV dos sujeitos do Grupo I (com doena) e Grupo II (sem doena).

    Confirmao da H4 : Os domnios da QDV so superiores em indivduos sem diagnstico de doena mental quando comparados com indivduos com diagnstico de doena mental.

  • 17

    O atraso no processo de vida e o comboio regional

    Quem, nesta vida, sofre a dobrar, a triplicar

    A ideia de no suportar a solido

    A tristeza que tentou isolar-me

    A linha de comboio parecia a soluo A

    impotncia na vida de Lusa

    J me levanto a pensar em me deitar

    No tenho amigosno tenhovivo pelos filhos

    Este aperto que no me larga

    s vezes uma alegria que no cabe dentro de mim

    A minha vida foi sempre assim

    Estudo III - A importncia das narrativas das pessoas

    1. O sofrimento

    2. A estigmatizao

    3. Os eventos de vida

    4. A natureza incapacitante

    da doena.

    5. Acompanhamento da

    pessoa com doena mental

  • 18

    A l