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O Brasil em contexto europeu e hngaro

Brazliaeurpai s magyar kontextusban

O Brasil em contexto europeu e hngaro

Brazliaeurpai s magyar kontextusban

Estudos enviados parao simpsio de 20 a21 de outubro de 2014Az 2014. oktber 20-21-i szimpziumrabekldtt eladsok

Centro de Estudos Brasileiros daELTEAz ELTE BTK Brazil Tanulmnyok Kzpontja

Organizao de/Szerkesztette:Pl Ferenc

Responsvel pelaedio: Decano daFL daELTEAkiadsrt felel: az ELTE BTK Dknja

Budapest/Budapeste, 2015

ISBN: 978-963-284-688-0

ndice/Mutat

ndice/Mutat

Ferenc PL: Palavras preliminares/Bevezet Szavak

Roberto VECCHI: Do que falamos quando falamos do Brasil? (Mirl beszlnk, amikor Brazlirl van sz?)

Petar PETROV: AfortunadaLiteraturaBrasileira naBulgria(Abrazil irodalom Bulgriban)

Ferenc PL: O processo do conhecimento do Brasil naHungria(Brazliamegismersnek tjaMagyarorszgon)

Andrs GULYS: Aguerrade Canudos revisitada. O Brasil nos romances de Sndor Mrai, Mario Vargas Llosa e Guram Dochanashvili (Acanudos-i hbor mg egyszer. BrazliaMrai Sndor, Vargas Llosa s Guram Dochanashvili regnyeiben)

ReginaZILBERMAN: Paulo Rnai e arevistaProvnciade So Pedro (Rnai Pl s aProvnciade So Pedro c. folyirat)

ZsuzsannaSPIRY: Umaponte cultural. Paulo Rnai, um filho daHungriaaservio daculturabrasileira(Kultrlis hd. Rnai Pl, Magyarorszg szltte abrazil kultraszolglatban)

Arnaldo SARAIVA: Apoesiaexaltadae exaltante de Alexei Bueno (Alexei Bueno lelkeslt s lelkest kltszete)

Blint URBN: Hungareses naliteraturabrasileira o caso do romance de SuzanaMontoro (Magyarok abrazil irodalomban SuzanaMontoro regnyrl)

Eszter FRTH: Adaptaes televisivas do romance DonaFlor e seus dois maridos (AFlr asszony s kt frje televzis adaptciirl)

AndriaShirley Tacianade OLIVEIRA: Aimportnciadas tradues de obras literrias brasileiras parao idiomahngaro/ magyar (Abrazil irodalmi mvek magyarrafordtsnak jelentsge)

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ndice/Mutat

HAMZAGbor: Kapcsolatok abrazil magnjog s amagyar magnjog kztt trtnetisg s aktualits (Contatos entre odireito civil brasileiro e direito civil hngaro historicidade e atualidade)

ALBERT Sndor: Az egzotikus relik fordtsi lehetsgei Mrio de Andrade Makunamacm regnyben (Apossibilidade datraduo das realias exticas no romance Macunamade Mrio de Andrade)

ARTNER Annamria: Belfldi piac vagy exportorientci? Brazliapldja(Mercado Interno ou tendnciaparaexportao? O Exemplo do Brasil)

SZILGYI gnes Judit: Brazliaaz jabb trtneti irodalomban Magyarorszgon (O Brasil nos estudos histricos hngaros daatualidade)

VOGEL Dvid: ARend s Halads szolglatban: aBrazil Fegyveres Erk (Ao servio daOrdem e Progresso: as Foras Armadas Brasileiras)

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Palavras preliminares/Elljr szavak

Palavras preliminares

Os estudos que o leitor encontraneste livro que por razes tcnicas sai primeiro em formaeletrnica foram pronunciados no simpsio que o projetado Centro dos Estudos Brasileiros daUniversidade ELTE organizou em 20 a21 de outubro de 2014, com o intuito de estimular e dar um foro aos estudos e pesquisas sobre o Brasil. No mencionado simpsio alm de estudiosos de vrios pases de Europae do Brasil, participaram tambm pesquisadores hngaros que estudam vrios as-petos deste pas daAmricado Sul. H entre eles que por carter de seus estudos preferem ou tem de faz-los em hngaro. Respeitando estapeculiaridade, e no querendo perder avaliosacontribuio de eles, este livro sai em duas lnguas, alm daportugusa, tambm em hngara. Dado que nossas condies financeiras no permitiam tra-duzir os estudos em hngaro paraportugus (e eventualmente os estu-dos portugueses parahngaro) traduzimos apenas o ttulo de cadaum paraaoutralngua. Dado que estaedio dedica-se aum pblico in-teressado pelo Brasil, que supomos bilngue, esperamos que paraeste pblico no ser difcil ultrapassar as barreiras lingusticas.

Budapeste, 21 de setembro de 2015

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Palavras preliminares/Elljr szavak

Elljr szavak

Ajelen kiadvnyban tallhat tanulmnyok amelyek technikai okok miatt elszr elektronikus formban ltnak napvilgot azon aszim-pziumon hangzottak el, amelyeket az ELTE formld Brazil Tanul-mnyok Kzpontjarendezett 2014. oktber 2021-n, azzal acllal, hogy sztnzze s sszefogja a Brazlival kapcsolatos kutatsokat. Ezen aszimpziumon az Eurpaklnbz orszgaibl s Brazlibl rkezett kutatk mellett olyan magyar kutatk is rszt vettek, akik en-nek adl-amerikai orszgnak klnbz aspektusait tanulmnyozzk. Ez utbbiak kztt vannak, akik kutatsaik jellege kvetkeztben in-kbb s elssorban magyarul rnak. Ezt tiszteletben tartva, knyvnk kt nyelven is tartalmaz tanulmnyokat: a portugl mellett magyar nyelveket is. Mivel pnzgyi lehetsgeink nem tettk lehetv ama-gyar tanulmnyok portuglrafordtst (s viszont), ezrt csak atanul-mnyok cmt fordtotuk le amsik nyelvre. Mivel ezt aknyvet els-sorban olyan Brazliairnt rdekld kznsgnek sznjuk, amelyrl fettelezzk, hogy mind akt nyelven olvas, remljk, hogy nem okoz legyzhetetlen problmt akt nyelv jelenlte.

Budapest, 2015. szeptember 21.

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Do que falamos quando falamos do Brasil?

Do que falamos quando falamos do Brasil?

Roberto Vecchi Universidade de Bolonha

Resumo: Reflexo sobre acomplexidade de construo de um discur-so de qualquer discurso que tenhacomo objeto o Brasil, alm das banalizaes e esteretipos recorrentes. O percurso crtico esboado, que pode ser til em particular paraquem lecione culturabrasileirano exterior, configuraalgumas possibilidades alternativas dentro de um cnone heterodoxo daliteraturabrasileira, transitando em particular pelos ns tericos implicados por um perspetivaque se inscreve nati-cado discurso.

Aperguntano retricamas expe um problemacontroverso. Alinha-se um pouco aum famoso livro de Roberto DaMattaque to-dos conhecemos e usamos para lecionar que O que faz do brasil o Brasil? (1984) que mostracomo os esteretipos externos mas tambm internos condicionam e plasmam o nome Brasil (com b flutuante en-tre maisculo e minsculo). E o objeto temos que considerar alta-mente escorregadio: lembramos sempre o verso paradoxal conclusivo de Hino nacional, em Brejos das almas de 1934, de Carlos Drum-mond de Andrade -quase um outro lugar comum dapoesiamoder-nista: Nenhum Brasil existe. E acaso existiro os brasileiros?1. Que

1 DRUMMOND 1983: 109.

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Do que falamos quando falamos do Brasil?

o Brasil sejaumasignificante instvel, oscilante, suspenso numaflu-tuao inexaurvel umafiguraao limiar do bvio. suficiente resga-tar agenealogiadeste significante e h intrpretes magistrais quanto aesse nome material mas que acumulaumaforasimblicaextraordi-nria parapercebermos como o significante Brasil em um movimen-to coerente com umateoriado nome prprio realmente flutue desde seus comeos problemticos entre o conhecido e o desconhecido, en-tre o desejo e o medo (paraso e inferno) entre o prprio e o impr-prio. Amediao que foi arranjadaparaconciliar estes polos extremos no foi uma terceira via, mas umafigurade sntese que conciliasse os extremos, numadireo portanto se diria anti-trgica: como foi funcionalmente o mito dailharesgatado do arsenal lendrio medieval (por exemplo, o mito daviagem de S. Brando). E foi pelamoderniza-o dahistriacultural que o problemado nome Brasil foi inscrito no num lugar fixo e permanente, mas sujeito aum movimento inexaur-vel, aumaprecariedade e umainstabilidade que, porm, viram pelo avesso o tabu em totem, tornando afaltaou aausnciapelo contrrio umafora.

Anossaperguntainicial problematizasobretudo isso: o que le-cionamos, penamos, representamos quando falamos do Brasil? O temaganhou umaenorme evidnciaem 2013, quando o discurso de Luiz Ruffato, na aberturadaFeirade Frankfurt, onde o Brasil erao pas convidado, com as polmicas que gerou2, naverdade se concentravasobre amesmaquesto: de qual Brasil falamos quando falamos do Brasil? Qual Brasil re-apresentar ou representar, falando daculturabrasileira, pararetomar adistino filosficaclssicaentre Darstellung e Vorstellung, entre apresentao e representao? Qual Brasil est em jogo dentro de um xadrez de mltiplas possibilidades

2 RUFFATO 2013.

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Do que falamos quando falamos do Brasil?

todas ideologicamente permeveis? O que derivamos de um conhe-cimento direto ou mediado por um contexto to complexo e no banalizvel, que remete paraanossacapacidade limitadade fazer e pensar aexperincia?

Paraquem falado Brasil perante umaaudinciaque reduz seus nicos conhecimentos s estereotipizaes que o Brasil projetaforade si (afamosafrmulainglesado Brasil dos 4 s: sun, sex, samba, soccer) aconscinciadas dimenses ticas do problemadarepresentao do objeto de que se fala essencial paraproporcionar elementos crticos que amaduream outras possibilidades de imagem do Pas. ele o ga-rante atestemunha daarticulao de umaimaginao que sejacoe-rente com o propsito antifalsificador.

Estaresponsabilidade de mediao encontranaliteraturabrasilei-raum arquivo extraordinariamente rico paramoldar um conhecimen-to no rebaixado ou banalizado do Brasil. Que se dirige, sobretudo no exterior, atrs dademandade culturabrasileirase inscreve tambm, pelas melhores intenes, umademandade maior conhecimento do contexto, do que o Brasil e aliteraturaacabase tornando um meio extraordinrio parachegar aeste fim.

Estarelao tensaentre contexto e arquivo daliteraturabrasileira, mais do que um limite daabordagem , justamente no caso dalitera-turabrasileira, umapotencialidade que favorece aproximaes alter-nativas. Porque aliteraturano foi s o repositrio das relquias nacio-nais no momento dafundao do Pas, quando foi pelo meio literrio que se cri