o amor de penelope - georgette heyer

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  • EDIO DIGITAL: GEORGETTE HEYER-FANCLUB

    Ttulo original ingls THE CORINTHIAN

    Copyright 1940 by Georgette Heyer Todos os direitos reservados.

    Direitos de publicao exclusivos em lngua portuguesa no Brasil

    adquiridos pela

    DISTRIBUIDORA RECORD DE SERVIOS DE IMPRENSA S.A.

    Rua Argentina 171 20921 Rio de Janeiro, RJ Tel.: 580-3668

    que se reserva a propriedade literria desta traduo

    Impresso no Brasil

    PEDIDOS PELO REEMBOLSO POSTAL Caixa Postal 23.052

    Rio de Janeiro, RJ 20922

  • Sinopse

    Aos trinta anos, Sir Richard Wyndham j fez na vida tudo o que desejou.Elegante, cognominado O Belo Wyndham, inventor do famoso laoWyndham, cortejado por mes casadouras, bajulado por aduladores efavorecido por todos, sua vida era um tdio total. A famlia lhe cobravacasamento com Melissa Brandon, a quem fora "prometido" pelo pai em nomeda longa amizade que ligava os Brandons aos Wyndhams. Richard no entantoalimentava secretamente a fantasia de uma mulher que o quisesse por amor.

    Um dia, perambulando bbado pelas ruas de Londres, cai-lhe nos braosuma encantadora jovem disfarada de rapaz. Penelope Creed fugia dafamlia, que queria for-la a um casamento de convenincia...

    Mais um romance da srie Regncia, O Amor de Penelope uma histriade amor com todos os ingredientes de crnica de costumes, que GeorgetteHeyer, autora de 57 romances e a primeira-dama do romance histrico ingls,sabe tecer com delicadeza e maestria.

  • CAPTULO 1

    O GRUPO, introduzido no salo amarelo da casa de Sir Richard Wyndham, emSt. James Square, por um mordomo de ares desapro-vadores, compunha-sede duas damas e um cavalheiro. O cavalheiro, que no passava muito dostrinta anos, mas tristemente propenso a engordar, parecia sentir a reprovaodo modormo, pois quando aquele sujeito emproado informou mais velhadas damas que Sir Richard no estava, ele lanou-lhe um olhar de censura,nem de longe o olhar de um fidalgo para um lacaio, mas o olhar vetusto deum homem desamparado para outro. Ento falou, num tom de splica:

    Bem, a senhora no acha, Lady Wyndham...? Louisa, no melhor...?Quero dizer, no adianta entrar, meu amor, no acha?

    Nem a mulher nem a sogra deram a mnima ateno a este discursosuplicante.

    Se meu irmo saiu, vamos esperar at que ele volte disse Louisabruscamente.

    Seu pobre pai sempre estava ausente quando se precisava dele queixou-se Lady Wyndham. Para mim, muito desagradvel ver que acada dia Richard est ficando mais parecido com ele.

    As inflexes oscilantes eram to lacrimosas que parecia provvel queela se fosse desmanchar em lgrimas porta da casa do filho. George, LordeTrevor, mostrava-se inquietamente consciente de um leno, amarfanhado namo fina, enluvada, e no ofereceu mais resistncia a entrar na casa no rastrodas duas damas.

    Recusando o oferecimento de alguma coisa para beber, Lady Trevoracompanhou a me ao Salo Amarelo, acomodou-se confortavelmente num

  • sof de cetim, e deixou clara a inteno de ficar em St. James Square o diainteiro, se fosse preciso. George, com uma ideia muito clara, solidrio aoque seriam as emoes do cunhado ao voltar para a residncia e encontrar arepresentao da famlia ali abancada, disse com ar de infelicidade:

    Vocs sabem, acho que no devamos, acho mesmo! No gosto nemum pouco. Acho que vocs deviam enfiar isto na cabea.

    A mulher, que estava ocupada tirando as luvas de pelica cor dealfazema, lanou-lhe um olhar de desprezo indulgente.

    Meu querido George, se voc est com medo de Richard, te assegurode que eu no estou.

    Com medo dele! No, nem um pouco! Mas gostaria que vocslevassem em considerao que um homem de vinte e nove anos no vaiapreciar que se intrometam nos seus afazeres. Alm do mais, muitoprovvel que v imaginar o que eu tenho a ver com isso, e estou certo de queno terei uma resposta! Gostaria de no ter vindo.

    Louisa ignorou esta observao, considerando intil respond-la oque na verdade o era, j que trazia o marido sob rdea curta. Eru uma mulherbonita, com muita deciso no rosto, e um brilho efervescente de humor.Talvez no se vestisse no rigor da moda, que manda v que as gazes devero revelassem todo o encanto do corpo das damas, mas o fazia com muitaelegncia e propriedade. A moda corrente de vestidos de cintura alta, comcorpetes de decotes baixos, e manguinhas pequenas e bufantes, caa-lhemuito bem: muito melhor, na verdade, do que as calas justssimas e ascasacas de abas compridas em seu marido.

    A moda no favorecia George. Ele ficava melhor de culotes de couro ebotas altas, mas infelizmente era dado elegncia exagerada, e aborrecia osamigos e parentes adotando toda a extravagncia no vestir, passando muitotempo arrumando a gravata, como o prprio sr. Brummell, e apertando acintura com cintas justas que tinham um jei to de ranger sempre que se mexiadescuidadamente.

    O terceiro membro do grupo, reclinado molemente ao sof de cetim, erauma dama com tanta determinao quanto a filha, e meios muito mais sutis

  • de conseguir satisfazer seus desejos. Viva h dez anos, Lady Wyndhamtinha sade frgil demais. O menor indcio da oposio era suficiente paraabalar o seu delicado estado nervoso; e qual quer um que observasse oleno, os sais, e o amonaco, que em geral trazia consigo, teria de serrealmente idiota se no lhes compreendesse a mensagem sinistra. Najuventude, fora bela; na meia-idade, tudo nela parecia ter esmaecido; cabelo,face, olhos, e at a voz, que se mostrava lamentosa e to suave que era deadmirar que conseguisse se fazer ouvir. Como a filha, Lady Wyndham vestia-se com extremo bom gos to, e como era bastante afortunada por possuiravultados bens de viu v era capaz de fazer concesses ao seu gosto pelostrajes dispendiosos do ltimo grito da moda sem diminuir de modo nenhumas outras ds pesas. Isso no evitava que se achasse muito mal de vida, masera capaz de apreciar vrios lamentos a respeito das suas circunstncias deaperto sem sentir o menor indcio verdadeiro de pobreza, e de conquistar asolidariedade de seus conhecidos repisando tristemente a injustia dotestamento do falecido marido, que colocou toda a imensa fortuna nas mosdo filho nico. Os bens de viva, deduziam apressadamente seus amigos,eram a mais verdadeira misria.

    Lady Wyndham, que morava numa casa encantadora em Clarges Street,nunca conseguia entrar na manso de St. James Square sem sofrer um golpe.No era corno se podia supor pelo olhar de dor que sempre lanava um lar de famlia, mas fora adquirido pelo filho, havia apenas dois anos.Enquanto Sir Edward estava vivo, a famlia residia numa casa muito maior emais inconveniente em Grosvenor Square. Quando Sir Richard comunicouque ia morar sozinho, esta foi posta de lado e Lady Wyndham pde, desdeento, lamentar a perda sem ser obrigada a continuar sofrendo osinconvenientes. Mas, por mais que gostasse da prpria casa em ClargesStreet no era de supor que pudesse suportar com iseno o fato de o filhomorar numa casa muito maior em St. James Square; e quando no tinha maisnenhuma fonte de lamentao, sempre voltava a essa, e dizia, como estavafazendo agora, numa voz dorida:

    No consigo compreender o que ele quer com uma casa assim!

    Louisa, que possua uma casa muito boa, alm de uma propriedade emBerkshire, no guardava rancor algum em relao ao irmo por causa da

  • manso. Replicou:

    Isso no tem importncia, mame. de esperar que ele estivessepensando em se casar quando a comprou. Voc no acha, George?

    George sentia-se lisonjeado por ser chamado a opinar, mas era umapessoa honesta, cuidadosa, e no podia ser forado a dizer que achava queRichard tivesse qualquer ideia de casamento na cabea, quer quando tinhacomprado casa, ou em qualquer outra poca.

    Louisa ficou aborrecida.

    Bem! disse ela, parecendo resoluta , ele deve ter se forado apensar em casamento!

    Lady Wyndham baixou os sais aromticos para acrescentar:

    Deus sabe que eu jamais insistiria com meu filho para que fizessealguma coisa desagradvel, mas h anos coisa tida como certa que ele eMelissa Brandon haviam de selar a longa amizade entre nos sas famliaspelos laos do matrimnio!

    George arregalou-lhe os olhos, e desejou estar noutro lugar.

    Se ele no quiser casar com Melissa, estou certa de que eu seria altima pessoa a pression-lo a fazer o pedido falou Louisa. Mas j mais do que tempo de se casar com algum e, se no tiver outra jovemadequada em vista, esse algum tem de ser Melissa.

    No sei como encarar Lorde Saar lamentou-se Lady Wyndham,levando novamente o amonaco ao nariz. Ou a pobre e querida Emily, comtrs filhas alm de Melissa para desencalhar, e nenhuma delas mais do quepassvel. Sophia tem sardas, tambm.

    No considero Augusta um caso perdido observou Louisa, comjustia. Amlia tambm pode melhorar.

    Vesga disse George.

    Um ligeiro desvio num dos olhos corrigiu Louisa. Contudo, noestamos preocupados com isso. Melissa uma pessoa extremamente vistosa.Ningum pode negar isso!

  • E uma unio bem desejvel! suspirou Lady Wyndham. Uma dasmelhores famlias!

    Disseram-me que Saar no aguenta mais cinco anos, no do jeito queest indo agora observou George. Tudo hipotecado at o ltimo bem, eSaar bebendo desbragadamente! Dizem que o pai fez a mesma coisa.

    As duas damas olharam-no desdenhosamente.

    Espero, George, que voc no esteja querendo insinuar que Melissa viciada em lcool falou a mulher.

    Ah no, no! Por Deus, no, jamais haveria de pensar uma coisadessas! Tenho certeza de que uma jovem excelente. Mas asseguro, Louisa,no reprovo Richard por no a querer! disse George desafiadoramente. Eu mesmo preferiria me casar com uma est tua!

    Confesso concordou Louisa que ela um tanto fria, tal vez.Mas para ela uma posio muito delicada, voc h de convir. Desde queeles eram crianas que ficou entendido que ela e Richard iam se tornarmarido e mulher, e ela sabe disso to bem q