nefropatia cães

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Os rins desempenham importante papel na manutenção da homeostase do meio interno através de fino controle do volume e composição dos líquidos corporais, que se dá através da regulação do equilíbrio hidroeletrolítico, regulação da osmolalidade e concentrações de eletrólitos nos líquidos corporais e regulação do equilíbrio ácido-base. Além disto realizam outras funções não menos importantes, tais como: excreção de produtos de degradação do metabolismo (uréia, creatinina), excreção de substâncias químicas estranhas (fármacos), regulação da pressão arterial, secreção, metabolização e excreção de hormônios (eritropoietina, gastrina, renina, vitamina D3) e gliconeogênese.O rim é capaz de realizar suas funções de regulação em situações normais através de três processos básicos seqüenciados compreendidos em ultrafiltração glomerular, reabsorção tubular seletiva e secreção tubular ativa. Em situações de insuficiência renal, as funções de regulação estão ausentes ou diminuídas, o que leva rapidamente ao aparecimento de anormalidades na composição e volume dos líquidos corporais, podendo haver acúmulo de íons potássio, ácidos, produtos do metabolismo nitrogenado, água e outras substâncias capazes de levar a óbito o animal acometido em poucos dias.

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  • NEFROPATIAS E DISTRBIOS ELETROLTICOS EM CES*

    1. Introduo

    Os rins desempenham importante papel na manuteno da homeostase do meio

    interno atravs de fino controle do volume e composio dos lquidos corporais, que se

    d atravs da regulao do equilbrio hidroeletroltico, regulao da osmolalidade e

    concentraes de eletrlitos nos lquidos corporais e regulao do equilbrio cido-base.

    Alm disto realizam outras funes no menos importantes, tais como: excreo de

    produtos de degradao do metabolismo (uria, creatinina), excreo de substncias

    qumicas estranhas (frmacos), regulao da presso arterial, secreo, metabolizao e

    excreo de hormnios (eritropoietina, gastrina, renina, vitamina D3) e gliconeognese.

    O rim capaz de realizar suas funes de regulao em situaes normais

    atravs de trs processos bsicos seqenciados compreendidos em ultrafiltrao

    glomerular, reabsoro tubular seletiva e secreo tubular ativa. Em situaes de

    insuficincia renal, as funes de regulao esto ausentes ou diminudas, o que leva

    rapidamente ao aparecimento de anormalidades na composio e volume dos lquidos

    corporais, podendo haver acmulo de ons potssio, cidos, produtos do metabolismo

    nitrogenado, gua e outras substncias capazes de levar a bito o animal acometido em

    poucos dias.

    O sistema urinrio j era motivo de curiosidade e estudo dos gregos em 130 a.c.,

    quando Cludius Galen, um mdico grego demonstrou que a urina era formada nos rins

    e transmitida bexiga atravs dos ureteres. J em 1210 d.c., William de Salicet explicou

    a hidropsia renal, uma descrio precoce de nefrite crnica. Marcello Malpighi

    descreveu em 1662 o corpsculo de Malpighi, hora chamado de glomrulo. William

    Bowman descobriu a cpsula que circunda o glomrulo e se continua como tbulo renal

    em 1842. Carl Ludwig props em 1844 que a formao da urina comea com a

    separao de um ultrafiltrado livre de protenas do plasma pelo glomrulo. A chamada

    teoria moderna de formao da urina foi proposta por Arthur Cushny em 1917, onde a

    ultrafiltrao ocorre no glomrulo e reabsoro tubular de gua e outros constituintes

    * Seminrio apresentado na disciplina BIOQUMICA DO TECIDO ANIMAL do Programa de Ps-Graduao em Cincias Veterinrias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul pela aluna SIMONE WOLFFENBTTEL, no primeiro semestre de 2004. Professor responsvel pela disciplina: Flix H.D. Gonzlez.

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  • do plasma. As concepes atuais reconhecem a filtrao glomerular, a reabsoro

    tubular seletiva e a secreo tubular ativa.

    O sistema de contra-corrente multiplicador foi proposto por Werner e Kuhn em

    1942, o que explica a capacidade do rim de concentrar a urina. De acordo com Smith

    em 1951, o rim felino tem cerca de 200.000 nfrons e o canino tem cerca de 400.000

    nfrons, enquanto o rim humano tem cerca de 1.000.000 de nfrons.

    2. Anatomia dos rins

    Os rins esto localizados no espao retroperitoneal, em sua face medial encontra-

    se o hilo renal por onde passam a artria renal, a veia renal, o ureter, os vasos linfticos

    e o suprimento nervoso. Quando secionado transversalmente possvel observar a

    regio cortical que contm os glomrulos e os tbulos proximais e distais e a regio

    medular que contm a ala de Henle e a poro final dos ductos coletores. A artria

    renal penetra no rim e se ramifica em artrias lobares artrias interlobares artrias arqueadas artrias interlobulares arterolas aferentes capilares glomerulares arterola eferente capilares peritubulares veias interlobulares veias arqueadas veias interlobares veia renal (Figura 1). Em virtude de possuir dois leitos capilares, o rim tem circulao nica; a presso hidrosttica nos capilares glomerulares

    da ordem de 60 mmHg, o que resulta na rpida filtrao de grande quantidade de

    lquido, em contrapartida a presso hidrosttica nos capilares peritubulares muito

    baixa, da ordem de 13 mmHg, o que favorece a reabsoro rpida de lquido. Assim ao

    ajustar a resistncia das arterolas aferente e eferente, o rim regula a intensidade de

    filtrao glomerular e/ou rebasoro tubular de acordo com a necessidade homeosttica

    do organismo.

    O fluxo sanguneo renal (FSR) de cerca de 20% do dbito cardaco, sendo que

    90% do FSR na cortical, 9% na medular externa e 1% na medular interna, predispondo

    assim esta ltima h hisquemia e hipxia mais rapidamente que as outras regies.

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  • Figura 1. Anatomia dos rins.

    A unidade funcional do rim o nfron e este pode ser de dois tipos, de ala

    longa ou curta, de acordo com a localizao do glomrulo que pode ser justamedular ou

    cortical respectivamente (Figura 2). Nas diferentes espcies as propores de nfrons de

    ala curta ou longa so diferentes de acordo com a necessidade de reter gua em maior

    ou menor grau, no co, quase a totalidade dos nfrons so de ala longa, j no homem,

    85% so nfrons corticais e 15% so nfrons justamedulares, enquanto que nos gerbilos

    que vivem em regies desrticas possuem 33% de nfrons justamedulares . Isso se deve

    ao fato de que o nfron justamedular tem a capacidade de absorver cerca de 25% a mais

    de gua que o nfron cortical.

    Cada nfron formado por um glomrulo, um tbulo proximal, uma ala de

    Henle, um tbulo distal e um ducto coletor, que leva ento a urina formada at a pelve

    renal e ento atravs do ureter at a bexiga, onde fica armazenada at a prxima mico.

    Cada regio do nfron tem funes especficas dentro do mecanismo de formao da

    urina.

    O glomrulo responsvel pela ultrafiltrao do plasma, deixando-o

    praticamente livre de protenas dentro do espao de Bowman. Para que isso ocorra o

    plasma deve passar atravs da membrana de filtrao formada pelo endotlio capilar,

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  • membrana basal e epitlio viceral. Esta membrana possui poros com dimetro de 4 a

    14 nanmetros e cargas negativas, eis porque a albumina com dimetro de 3,6

    nanmetros muito pouco filtrada. A intensidade de filtrao glomerular tambm

    depende da presso hidrosttica e coloidosmtica do plasma na arterola aferente.

    Cabe ainda ressaltar, que se a barreira de filtrao fosse livremente permevel s

    protenas e considerando o volume de plasma filtrado por dia em um homem adulto por

    exemplo, teramos 11,9 kg de protenas filtradas por dia! Se considerarmos que a

    capacidade de sntese protica do fgado gira em torno de 30 a 40 g de protenas por dia,

    teramos uma situao incompatvel com a manuteno da vida.

    No co so filtrados cerca de 4,0 ml plasma/minuto/kg, e 99% deste filtrado

    reabsorvido pelos tbulos. O ultrafiltrado constitudo de gua, eletrlitos, glicose,

    protenas de baixo peso molecular e produtos do metabolismo segue ento atravs do

    tbulo proximal, ala de Henle e tbulo distal, sendo que, cada segmento desta extensa

    rede de tbulos possui caractersticas diferentes e realiza diferentes transportes de

    substncias, com graus variados de intensidade (Figura 3).

    Figura 2. Glomrulo renal.

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  • Figura 3. Sistema tubular renal.

    3. Funo tubular

    Os tbulos renais reabsorvem e secretam substncias seletivamente ao longo de

    seu trajeto a fim de manter o balano zero, ou seja, a quantidade excretada de qualquer

    substncia deve ser igual quantidade ingerida, mantendo assim a homeostase do meio

    interno, de outro modo teramos acmulo ou depleo da mesma no organismo. Os

    diferentes solutos passveis de excreo renal so regulados de forma independente dos

    demais. O rim to eficiente em regular o balano zero de gua que pode gerar

    variaes no volume urinrio de 0,6 L 16 L urina/dia, bem como variar a

    osmolaridade urinria de 50 mOsm/L 1.300 mOsm/L.

    As figuras a seguir mostram valores normais de um homem adulto de 70 kg .

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  • As membranas celulares de modo geral, so muito mais permeveis ao on

    potssio do que ao on sdio, devido a este vazamento passivo de potssio, ocorre a

    separao de cargas eltricas, tornando-se o interior das clulas negativo em relao ao

    meio extracelular. Gera-se portanto uma diferena de potencial eltrico entre os meios

    intra e extracelulares que favorece a entrada passiva de sdio na clula. Esta diferena

    de potencial estabiliza-se em um valor prximo ao do potssio se este fosse o nico on

    do sistema, por isso tambm conhecido como potencial de difuso do potssio.

    Presente em todas as clulas mais conhecido como potencial de membrana, e em

    condies de repouso de aproximadamente 70 mV.

    Com relao ao epitlio, existem os que no so especializados em transporte,

    como o da pele, onde o seu funcionamento semelhante em toda sua extenso e suas

    clulas so simtricas do ponto de vista eltrico. Porm ao considerar um epitlio do

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  • tipo transportador, como o dos tbulos renais ou o epitlio intestinal, suas clulas so

    assimtricas, com bombas de Na+:K+:ATPase confinadas membrana basolateral e

    membrana luminal altamente permevel ao Na+, isto garante a polaridade destas

    clulas que responsvel pelo fluxo resultante de sdio desde o lmen tubular at o

    espao intersticial no caso dos rins. Em virtude da alta permeabilidade ao sdio da

    membrana luminal, o potencial de membrana nesta regio menos negativo, ou seja,

    despolariza a membrana luminal.

    Todas as clulas transportadoras apresentam essa configurao bsica, no

    entanto as clulas tubulares renais apresentam muitas diferenas entre si, conforme o

    segmento do nfron, no que diz respeito : natureza e magnitude d