morin, edgar - cultura e barbrie europeias(1)

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  • 7/29/2019 MORIN, Edgar - Cultura e barbrie europeias(1)

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    DGMORN

    CULTURE BARBRIEEUROPEIAS

    PAGT

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    Ttulo ogna: Cule et barbare eropennes

    or Edg Mo

    Bayad. 2005

    Coco pismoloa e Socedade sob a dieo d io Ovi uz

    To /a Paa d Vivros

    Cp Doo Caho

    Dro rvdos p u pou, xcpo [ra

    INSTIU PAGET- Av. Joo Po li, ot 544 2- !900726 LISBA

    T 2 I 831 00

    Em fo@padocom

    go Iso a

    Mom mpro c cmo CosCos

    ISBN 78727718832

    Dpsto ga 272 /2007

    Nenhum prte des; blic. pe erz o t

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    Paa JaLu a Vull

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    CAPTULO 1

    BRBRIE MN

    E BRBRIE EREI

    Gsi de ce esbnd u nlid bbie hun A ln ds eus blhsenei dens que s ideis de Hm pien Hmb e Hm ecnmcus e insuficienes (m sae c esi cin de se es e/Ram deme? Cpz de deli de denci O Hmb que sbe fbic e us uenslis b c, desde s idis d hunidde de -dui inueveis is O Hm ecnmcs, que sedeein e un d seu i ineesse -b Hm lues que uiin u h lusdeens de ns u sej e d j d des-

    es d desedci. necessi ntegrr e lir esess cndiis Ns iens d que vs cnsi

    Ete texto constitui a trancro corigida de tr conferncia proerida na Biboteca Nacional Franoi Mitterand, no dia , 8e de a de 00 Agrade a Jean Teez p de uma frmandienve te abad na naa dtexto. grade igualente a ean-Loi Pouye cuja eiura da

    proa me oi baante ti

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    derar como a barbre humana, encontrase evdetemete este ado demens, produtor de dero, de do,de despreo e daquo a que os Gregos chamavam a

    Hybris, a desmedda.Podemos pensar que o antdoto para demens seencontra em sapens>>, na rao, mas a raconadadeno pode defnrse de forma unvoca. Mutas veesacredtamos estar dentro da raconadade quadoestamos na raconaao, na readade um sstemagco, mas com fata de fundamento emprco que ermta ustfco. Sabemos que a raconaao pode servr a paxo, chegar at ao dero. Exste um dero racoadade fechada-.o..H -".bl;, o homem fabrca dor, tambm cramtos derantes D vda a deuses feroes e cruis uecometem actos brbaros. De Tehard de Chardn, reto-me o termo noosfera que, na mnha concepo, desgna o mundo das deas, dos espros, dos deusesprodudos peos humanos no seo da sua cutura Sebem que produdos peo esprto humano, os deusesadqurem uma vda prpra e o poder de domnar osesprtos. Assm, a barbre humana gera deuses crsque, por sua ve, nctam os humanos barbre Taha-mos deuses que nos taham Mas no podemos edresta possesso peas deas regosas s ao aspecto brbaro Os deuses que subjugam os crentes obtm deesno s os actos mas horrves mas tambm os mas submes

    Como as deas, as tcncas nascdas do ser humanovotamse contra ee s tempos contemporeos os-tramos uma tcnca que se desenvove escapado humandade que a produu. Comportamonos comoapredes de fetcero Am do mas, a prpra c

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    na raz a sua barbe, uma babe do lulo puofa, gelada que gnora as realdades afetas pprasdos humanos.

    Quanto ao podemos efar que temogos rus omo os jogos de ro ou a tauromaquaembora numees ogos no tenam aratersasbrbaras. Por fm o :w que pe o teresse eonmo frente de tudo tende a adopta on-dutas egontas que gnoam o outo e que, por ssomesmo desenolem a sua ppa babe Assmvemos as potenaldades as vrtuadades de barbresurrem em todos os traos aatestos da nossaespe humana.

    Dto sto, estas rtualdades de babe no so asmesmas nas soedades aaas e nas soedades hstras Astpandram-se por odoo planeta h mutas dezenas de mlares de anos, produzram uma extraordnra dvesdade de lnguas,utuas msas tos deuses Todas tm uma aatersa omum: so pequenas soedades om aguas entenas de ndvduos que se dedam aa e eoeo So pratamente autosufentes e no tmneessdade de onqusta o terrtro de outra soedade Certamente oneem gueas loas e talez tambm assassnos2

    Estas soedades nada tm em omum om -),asadas desta fomdel metamorfoseque e opease talvez oto ml ano noMdo Orente, na baa do Indo, na Cna depos noMo, nos Andes Esta metamofose poduzu as grandes vlzaes das soedades que ontam mlhaes,

    cs as assasss s hazs

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    ou mesmo mihes, de membros que racam a agrcutura consroem cdades, cram Esados, grandesregies, inventam exrcios, desenvovem considera

    vemene as tcnicas. Mesmo que os raos de barbrieudessem caraceriar as socedades arcaicas, na hC

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    uea ineavel d e hii sia (das gras soiae a histri:-eruta$ den Gan Bhl fnda

    1d da leia davia a m em u ac

    1pabr, sts sas z < xans aswarts e la snvlyift o chnt9 at ul. ai r-. a igri ras v.C

    Wale Benjain evieni n exie inal u a de ivilia que n ea a e em a de babie a" m_g2=e oe e r r>e a Y ;la, - - ' ; - ' -- ;es s?

    4 bai um q aa a vza, nte a A civiaoMuzba a rtiuar uita e"d'o nqia ana exel fi ua da aibbaa de da a Aniuiade aqe de Cin naGia e de Numnia e anha a deuie Caa e N enan a ulua ea infiluen inei d und an nad ii Da afaa fae d ea lain: A Gia venida vene eu uel vened A babie duiu ai ivilia

    A nquia bbaa an deu ie aua ande ivilia di de Caaalanede a idadania ana a ind deeva ii qe be a fia d Ne a andeae da Eua de Lee e a naea

    Se e eie u anei qe aqi ne ein a di liea a nvid efle-

    x be en hii aia de leba

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    que Simone Wei, num atigo os Nouveaux Cahierspubicao na vspea a Seguna uea Munia, isseque aconteceia o mesmo no Impio euopeu aps a

    conquista nai Pevia uma vitia a Aemanha e,ento e ois scuos, uma epanso as civiiaes,no moeo aquea que Roma pouiu. Isto no aimpeiu e se empnha com convico na Resistncia,como bem o sabeis No h via que esta ieia inspiou sociaistas e paciistas, que se tonaam coaboaoes ogo no incio a guea, num momento em queaina no ea munia, mas em que se pensava que aAemanha nai ominaia uaouamente a Euopaagicamete, mutos pesavam que, coaboao coma Aemaha hiteiana, coaboavam e acto paa umaEuopa sociaista.

    Auo a este atigo poque tambm me inuen-ciou, no no que i espeito Aemanha, mas noSovitica Em 942 com vinte e um anos, eu tinhatio conhecimento os pioes aspectos a URSS, notina esquecio os pocessos e Moscovo tinha ioTotsky e Souvaine A mina ieia ea que a vitia anio Sovitica pemitiia aos gemes incuos aieoogia sociaista, ieoogia comunitia, iguaitia,ibetia, epaniemse numa maavihosa ea ehamonia socia Comecei a ca esencantao com aguea ia e o etono a gaciao estainista oje, oposso asta a ieia e que tave a Unio Soviticativesse poio epani, com o tempo, os ieais e os ementos e civiiao que a sua babie iniciamenteasiiou. As conquistas bbaas poem eva epansoe uma civiiao, no entanto sem que estas babiesoigias tenham e se etospectivamete ustiica

    as, em cobetas peo esquecimento, evietemete

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    Exise igaene a barbrie reigiosa de ue preciso aar agora a Aniguidade os oo do dioriene ina, cada u, o seu deus da gea ieoso para co os iniigos o enano uer na Grciauer na Roa aniga o poieso pei a coeisn-cia enre difeenes deuses. O oeso gego acoeuu eus apareneene brbaro vioeno, u des dabebeeira, da Hybris: Dioniso. A eraodinra pea deErpdes, As Bacantes, osra a egada desuidoraoca, ese deus Dioniso no deiou de inega a so-cieae os deuses gregos. o scuo uanoiezsche esiona a orige da agdia d eevo aodpo aspeco ue caraceriava a ioogia grega Deu ao poo, sboo da oerao do ouro Dioniso, sboo o excesso. \stah.lid e :;l D s a ercfo: U o a e o e sc>?

    O prio roano, anes o crisianiso, carace-rizavase pea oerncia reigiosa. Os ais diversoscos, incino os os deuses a salvao, a cooo co de Osris e o culo de ira, o ofiso, era per-eiaene aceies

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    s a parr do momeno em que fo reconhecdocomo a nca rego de Esado, provocou o encerrameno da escoa de enas e ps assm fm a quaquer

    fosofa aunoma. a a brb rs a o. s g ecesso ! .lsa,. ee . near o r>:; 9s1 quee que no es de acordo e no querrenuncar sua dferena es forosamene possudopor Saans Fo com esa derane mquna argumenava enre ouras, que o crsansmo exerceu a suabarbre. bvo que ese no eve a excusvdadeda arma sanca Consaamos, ds d h/

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    notvel diversidade de etnias A verdadeira diferenarelativamente ao mrio te a ver com a actividadeintegradora do Estado-nao, que unifica numa identidade naciona comu os seus elementos diferentes.

    Um caso exemlar o da s!onde existia, nazona islmica o A Andaluz u toerncia para comcristos e judeus e, na ona crist um toerncia aracom os muuanos e os judeus at 42. O que sessa nesse inaudito ano de 42? No s a descobertada Amrica e o incio d conquist do ovo Mundo tmb o ano da tomada de Grnada o tio bastio uumano em Esanha e logo deois o ano dodecreto iondo aos judeus e uunos a escolhentre converso e expulso e ; otn st b s igs

    Esta urificao vai adquirir progressivamente umcarcter tnico Ainda e Esanha no incio do sculo dois scuos as decreto que constrangia os judeus e muumanos a escolherem entre convers ouexulso, enconvos soretudo na Andaluzia umaforte opuao ourisca Tratavase de Mouros oficalmene coeido ao catolcismo mas ue, em rivado, coninuaa a manifestr as suas crenas nointerior das grandes prorieddes privadas Os latifun

    dirios os senhores prorietrios toleravm-no ou fechv os olhos Em qualquer braca sumrientetransformada e esquita odia efectuar-se um restode cuto muulno.