manufatura enxuta: uma anÁlise das publicaÇÕes .manufatura enxuta: uma anÁlise das publicaÇÕes

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  • MANUFATURA ENXUTA: UMA

    ANLISE DAS PUBLICAES DO

    ENEGEP ENTRE OS ANOS DE 2002 E

    2011

    Lucas Lorenzoni Cazarotto (FISUL )

    lucascazarotto@bol.com.br

    Ricardo Antonio Reche (FISUL )

    ricardo.reche@yahoo.com.br

    Vinicius Triches (FISUL )

    vtriches@yahoo.com.br

    Na procura por uma maior competitividade, as empresas cada vez

    mais buscam melhorias em seus processos. A Manufatura Enxuta vem

    ao encontro deste propsito de maximizao dos resultados e melhoria

    do desempenho empresarial. Desta forma estee trabalho tem como

    objetivo desenvolver um estudo atravs da anlise de artigos

    publicados no stio do ENEGEP, na rea da Manufatura Enxuta, no

    perodo de 2002 a 2011, sendo realizada uma anlise qualitativa e

    quantitativa dos artigos. Como principais resultados temos que dos 61

    artigos pesquisados, 78,7% so artigos com enfoque prtico (como,

    por exemplo, estudos de caso) e 21,3% so tericos(como reviso de

    literatura). Com relao ao enfoque do objetivo dos artigos, cerca de

    96,7% atingiram o que foi proposto pelo trabalho e somente 3,3% (que

    referem-se a dois artigos) no alcanaram o que foi estabelecido. Isto

    demonstra o foco nos objetivos por parte dos pesquisadores e tambm

    a grande aplicabilidade da Manufatura Enxuta, com resultados

    satisfatrios para as empresas. Outra anlise importante com

    relao utilizao das ferramentas da Manufatura Enxuta, onde

    possvel observar que a maioria dos artigos tendem aplicao do

    sistema como um todo, mas tambm ocorrendo artigos onde

    explorada apenas uma ferramenta, sendo o mapeamento do fluxo de

    valor a mais aplicada em mbito geral.

    Palavras-chaves: Manufatura enxuta, ENEGEP, reviso

    XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gesto dos Processos de Produo e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentvel dos Sistemas Produtivos

    Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

  • XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gesto dos Processos de Produo e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentvel dos Sistemas Produtivos

    Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

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    1. INTRODUO

    O sistema enxuto de produo surgiu a partir da evoluo do sistema Toyota de

    produo. Esta denominao, segundo Womack e Jones (1998) originou-se de uma pesquisa

    realizada que tinha como objetivo identificar quais empresas aplicavam os conceitos da

    Toyota na sua manufatura (LAZZAROTTO, 2010).

    Levando-se em conta o cenrio de crescimento brasileiro, onde a estabilidade da

    economia configura-se em ponto fundamental para uma demanda constante, mantendo

    programas de produo nivelados, um dos pilares da ME, o Just in time, ou seja, produzir no

    tempo certo e na quantidade certa, ganha fora nos mais diversos segmentos.

    A ideia que permeia este trabalho a da busca pelos conceitos e pela aplicabilidade da

    Manufatura Enxuta (ME) nos dias atuais, contemplando os aspectos que influenciam na sua

    implementao nos diferentes setores da economia, sob um enfoque tanto acadmico, quando

    empresarial. Para atingir este objetivo, foi realizada uma pesquisa bibliogrfica, focada na

    anlise de artigos publicados nos anais do ENEGEP (Encontro Nacional de Engenharia de

    Produo) entre os anos de 2002 e 2011.

    2. Referencial Terico

    Buscando evidenciar a evoluo e a aplicabilidade da Manufatura Enxuta, o presente

    referencial terico abordar os principais conceitos do sistema, bem como as principais

    tcnicas a serem aplicadas visando sua eficaz implementao.

    2.1 Manufatura enxuta

    De acordo com Ohno (1997), a Manufatura Enxuta surgiu a partir da necessidade da

    reduo de custos, sendo focada principalmente na eliminao dos desperdcios e de

    elementos desnecessrios. Sua implantao comeou aps a segunda guerra mundial e teve

    ampliada sua importncia na crise do petrleo de 1973, que gerou uma grande recesso

    mundial, provocando um crescimento zero em muitas empresas. Tal fato no foi notado na

    Toyota Motor Company, gerando assim uma curiosidade por parte de outros em relao a esse

    desempenho.

    O pensamento enxuto tem como principal ponto a atribuio de valor para o cliente.

    Neste sistema, o fundamental oferecer ao cliente final um produto especfico, atendendo a

    necessidade esperada, com um preo adequado e no momento certo. uma forma de

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    melhorar as sequncias de aes sem que ocorram interrupes no processo, com a busca do

    aprimoramento contnuo (LAZZAROTTO, 2010).

    A base da produo enxuta a absoluta eliminao do desperdcio, sendo os seus dois

    pilares de sustentao o Just in Time e a autonomao. A filosofia Just in time,

    simplificadamente, refere-se ao processo de fluxo, onde as partes necessrias devem alcanar

    a linha de montagem no momento em que so necessrias e na quantidade certa (OHNO,

    1997). A autonomao, que tambm conhecida como a automao com um toque humano,

    refere-se a utilizao de dispositivos nas mquinas que possam detectar possveis alteraes

    nos processos habituais de fabricao e assim interrompam o processo, evitando a produo

    de peas defeituosas (OHNO,1997).

    2.2 Prticas, tcnicas e ferramentas da manufatura enxuta

    De acordo com Lazzarotto (2010), a manufatura enxuta possui algumas tcnicas e

    ferramentas no processo de implantao, que devem ser levadas a efeito em sua totalidade.

    Uma delas a troca rpida de ferramentas. Ohno (1997) relata que esta essencial para a

    obteno das qualidades necessrias manuteno da estratgia competitiva da empresa em

    relao aos clientes e mercados, principalmente na produo Just In Time e dependem da

    reduo do lead time (tempo de atravessamento).

    O balanceamento da produo, segundo Ohno (1997), depende da combinao das

    tarefas individuais de processamento e de montagem, com o objetivo de atingir tempos em

    dada estao de trabalho da forma mais aproximada possvel. Ritzman e Krajewski (2004)

    definiram o balanceamento da produo como a atribuio de trabalhos a estaes em uma

    linha, de modo a obter o ndice de produo desejado com o menor nmero de estaes de

    trabalho.

    A tcnica de nivelamento da produo (Heijunka) refere-se ao modo de planejar a

    produo de tal forma que o mix e o volume de produtos sejam constantes ao longo do tempo.

    Como exemplo os autores citam a empresa Toyota, onde a programao da produo

    exatamente a mesma para cada dia do ms. A Toyota divide o nmero total de cada modelo

    de automvel a ser produzido durante o ms pelo nmero de dias de trabalho do perodo, para

    assim obter o nmero desse modelo a ser produzido diariamente (FRAZIER; GAITHER,

    2002). Porm, a variao da demanda um grande empecilho, pois raramente os pedidos so

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    sempre os mesmos, tanto referentes aos mix quanto s quantidades de peas (LIKER; MIER,

    2007).

    A produo puxada e o fluxo contnuo so condicionantes de sucesso para a ME.

    Entende-se por produo puxada os processos que so desencadeados por uma sinalizao de

    necessidade vinda do cliente. Nestas situaes, o sistema de informao perfeito permitir que

    cada estao de fluxo abaixo veja a prxima estao de fluxo acima sobre suas necessidades

    imediatas, para assim serem abastecidas rapidamente, em quantidades pequenas, em cada

    estao (OHNO, 1997).

    Com relao ao mapeamento do fluxo de valor, Ohno (1997) o descreve como uma

    ferramenta essencial, pois ajuda a visualizar mais do que simplesmente os processos

    individuais, possibilitando enxergar o fluxo e identificar os desperdcios. Segundo Bittar e

    Lima (2003), o mapeamento de fluxo de valor deve considerar uma anlise do fluxo atual e do

    fluxo futuro, pois assim possvel identificar os pontos a serem melhorados no processo. O

    mapa do fluxo atual demonstra os desperdcios e possveis pontos de melhoria dentro do

    processo, enquanto o mapeamento futuro deixa explcito como deve ocorrer a implantao da

    manufatura enxuta dentro do processo para assim gerar valor para o cliente.

    Dentro do mapeamento so utilizadas as caixas de processos, que vo conter

    informaes como tempo de ciclo, tempo de troca (tempo que demora para trocar a produo

    para outro tipo de produto), disponibilidade, tamanho de lote de produo, nmero de

    operadores, tempo de trabalho e a taxa de refugo (CASAGRANDE; CHIOCHETTA , 2007).

    Esta anlise deve envolver todos, desde a alta administrao at os trabalhadores, em

    forma de grupos, de modo que todos os envolvidos possam expressar suas idias para

    melhorar o desempenho da organizao (CAMPOS; SILVA, 2007).

    Segundo Ritzman e Krajewski (2004), o gerenciamento visual, tambm chamado de

    Kanban (que significa em japons carto), refere-se aos cartes usados no controle do fluxo

    de produo em uma fbrica. Na forma mais bsica desse sistema, o carto fixado em cada

    caixa de itens que foram produzidos e corresponde porcentagem de necessidades dirias de

    um determinado item. Quando a caixa com as peas esvaziada, o carto remov

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