iyami osoronga

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Monografia de pós-graduação da Faculdade Paulista de Artes (FPA/2001)

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FPA - FACULDADE PAULISTA DE ARTEP S-GRADUA O (LATO-SENSU) ARTE-EDUCA O: ARTE E COMUNICA O

Iyami Osoronga (Minha M e Feiticeira)O coletivo feminino na cosmogonia do Universo.

YASKARA MANZINI.

S O PAULO 2001

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FPA - FACULDADE PAULISTA DE ARTEP S-GRADUA O (LATO-SENSU) ARTE-EDUCA O: ARTE E COMUNICA O

Iyami Osoronga (Minha M e Feiticeira)O coletivo feminino na cosmogonia do Universo.

YASKARA MANZINI.Monografia apresentada ao Curso de P sgradua (Lato Sensu) da FPA-Faculdade o Paulista de Artes para obten do ttulo o de Especialista em Arte-Educa na rea o, de concentra em Arte e Comunica o o, sob a orienta da Professora o Doutora Arlete Assump . o

S O PAULO 2001

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A Adekunle Aderonmu - Babala Ogunjimmy, por abrir os caminhos, Babala Fyiomi Fbio Escada, alegria de If - por sua paci ncia e sabedoria, Iya Ob - que apontou a Aj que existe em mim, Edson Gregrio - meu irm o de f , Roberto Santos - filho predileto dos ventos. Vinny (Vinicius) - pelas longas e esclarecedoras conversas e Nelson Tezzoni Manzini (in memorian) pelo apoio que nunca negou -me... Meus agradecimentos... Adukp !

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Este trabalho dedicado a Therezinha Munhoz Manzini, Ruth Nascimento Munhoz, Cacilda Tezzoni Manzini e Minhas Ancestrais. Mulheres fortes e feiticeiras que tornaram possvel minha exist ncia...

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RESUMO ____________________

No presente trabalho, procuramos resgatar o universo simblico feminino do Orix Iyami Osoronga, o coletivo ancestral feminino, atrav s dos mitos referentes a cria o do mundo na cosmogonia iorubana.

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SUM RIO _____________________

Agradecimentos Dedicatria Sumrio Introdu o Captulo 1: Panorama e objetivo do estudo 1.1 Apresenta o do tema e justificativa 1.2 Hipteses 1.3 Procedimentos metodolgicos Captulo 2: Tessituras culturais: novos caminhos para a educa o. Morin e o Bor. Captulo 3: Comunica o e arte na cultura africano brasileira 3.1 Transmiss o oral e aprendizado 3.2 Dan a, resgate cultural e aprendizado. Captulo 4: Cosmogonia iorubana: a cria o do Ai 4.1 Es Ntay Odudua 4.2 A Cria o dos Ara-aiy : O sopro de Orixal 4.3 Diverg ncias 4.4 Considera es metafsicas Captulo 5: Grandes M es ou Feiticeiras? Divindades femininas do pante o iorubano: as Iyami 5.1 Iyami Akko: Oxum 5.2 Iyami Alkko: Oi-Ians 5.3 Iya Ogbe: Ob 5.4 Y y Omo Ej 5.5 Otim 5.6 Eu: a senhora do Ad 5.7 Olocum 5.8 Aj Xalug 5.9 Iyami Imle: Odua Odudua (Od Lgbje) 5.10 Omo tiro ok Ofa: Nan Buruku Captulo 6: Minha M e Osoronga 6.1 Mulheres pssaros 6.2 A trindade Iyami, Orunmil e Ex 6.3 Iyami e a sociedade Geled 6.4 Aj bruxa e velha 6.5 A sociedade Geled no Brasil 6.6 Iyami Osoronga e a sociedade Ogboni 6.7 A Irmandade da boa Morte 6.8 Iyami Agba: a anci de cabelos brancos despede-se dos filhos 6.9 Trabalhos para apascentar Iyami 6.10 A asa encantada de Iyami Osoronga Considera es Parciais Refer ncias Bibliogrficas Sites Anexos

9 10 11 11 13 19 21 23 26 27 28 29 30 32 33 36 38 40 42 43 44 44 45 45 47 48 49 53 56 57 57 57 58 59 62 63

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INTRODU O _______________________

O corpo humano feminino representado como um trono, onde a criana pode sentar-se, o smbolo sagrado da Grande M e. (Susanna Barbara; 1995:88)

O primeiro contato com o nome Iyami Osoronga aconteceu em 1997 ao pesquisarmos bibliografia de apoio para as aulas de dan a negra do grupo EN-CENNA, na Funda o Cultural S o Paulo PUC/SP, quando deparamos com a disserta o de mestrado em Sociologia de Susanna Brbara A Dan a do Vento e da Tempestade : A Grande M apresenta tanto aspectos bons quanto maus. e Seria, na minha opini a poca das iyami (as grandes m feiticeiras). o, es ( Susanna Brbara, 1995:88)

A autora cita a lenda das Eleye, outro nome das Iyami, mulheres-pssaros que usaram mal seu poder mgico e que por isso tiveram de entregar a Orixal sua caba a mgica para que Ele fizesse um bom uso do poder da cria o. Esta lenda das Iyami resultou na coreografia Eleye, existiam as iymi (nossa m ou ent eleye (donas dos pssaros) e) oou ainda gb ou iy gb (a anci a pessoa de idade, m idosa e respeitvel). , e Elas s as mais antigas divindades- m femininas na hist ria iorubana. o es (Verger, 1994:16)

apresentada no I Ensaios de Dan a, realizado em 25 de outubro de 1997 no TUCA (Teatro da Universidade Catlica). Apesar de termos obtido bons resultados coreogrficos a curiosidade sobre o tema levounos a procurar o artigo Grandeza e Decad ncia do Culto ymi srng (Minha M e Feiticeira) entre os Yoruba que nos deixou ainda mais intrigados sobre tal Orix e as supersti es que a , cercam. Os Anos passaram, por m as informa es mal digeridas sobre Iyami Osoronga continuaram permeando nossos pensamentos da a resolu o em retornar tal tema para estudo.

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Captulo 1: ____________________ PANORAMA E OBJETIVO DO ESTUDO

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1.1 APRESENTA O DO TEMA E JUSTIFICATIVA.

Eleye com uma boca redonda. Pssaro tro que desce docemente. (Eles se renem para beber o sangue) voa sobre o teto da casa. (Passando da rua) colocou no mundo (Come desde a cabea, eles est contentes). o (Come desde a cabea, eles est contentes) o colocou no mundo (Chora como uma criana mimada). (Chora como uma criana mimada) colocou no mundo aj . Quando aj veio ao mundo ela colocou no mundo trs filhos. Ela colocou no mundo Vertigem Ela colocou no mundo Troca e sorte Ela colocou no mundo Esticou-se fortemente morrendo . Ela colocou no mundo estes trs filhos. Assim eles n tm plumas. o o pssaro ak lhes deu as plumas. Nos tempos antigos, elas dizem que elas n gratificam o mal o no filho que tem o bem. Eu sou vosso filho tendo o bem, n me gratificai o mal. o Vento secreto da Terra. Vento secreto do al m. Sombra longa, grande pssaro que voa em todos os lugares. Noz de coco de quatro olhos, propriet ria de vinte ramos. Obscuridade quarenta flechas ( difcil que o dia se torne noite). Ela se torna pssaro olongo (que) sacode a cabea. Ela se torna pssaro untado de os n muito vermelho. Ela se torna pssaro, se torna irmcaula da rvore akko. (A coroa sobe na cabea) segredo de do. A rse esconde em um lugar fresco. Mata sem dividir, fama da noite. Ela voa abertamente para entrar na cidade. Vai vontade, anda vontade, anda suavemente para entrar no mercado. (Faz as coisas de acordo com sua pr pria vontade). Elegante pssaro que voa no sentido invertido de barriga para cima. Ele tem o bico pontudo como a conta esuwu. Ele tem as pernas como as contas sgi. Ele come a carne das pessoas comeando pela cabea. Ele come desde o fgado at o cora o. O grande caador. Ele come desde o estmago at a vescula biliar. Ele n d o frango para ningu m criar, o mas ele toma o carneiro para junto desta aqui. (Verger; 1992:90)

O texto de Verger herm tico, simblico, truncado e reticente impelindo-nos a adentrar na complexidade do universo afro-descendente brasileiro O sistema religioso africano-brasileiro passado de gera o a gera o de forma oral, pois acreditam seus sacerdotes que a palavra verbalizada possui o poder de transmitir o Ax , for a contida nos ensinamento herdados de seus ancestrais. Os sacerdotes utilizam dos orculos de If e Jogo de B zios para conhecer os od s, signos que cont m itans: contos milenares que versam sobre a histria da cria o do mundo e dos Orixs 10

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- divindades que simbolizam as for as da natureza, quando da separa o do mundo em Orum (mundo celeste) e Ai (mundo material). O texto de Verger traduz alguns destes itans relativos a Iyami srng, cuja tradu o para a lngua portuguesa Minha M eOsoronga. Iyami Osoronga proprietria de um pssaro chamado Aragamago e de uma caba a segundo o od t Ogb. (Verger; 1992:80). r Para os religiosos africanos e afro-descendentes, a representa o mais perfeita do Universo a Caba a: Igbadu onde est o contidos os segredos da cria o do Ai . Oda, Od Lgbje ou Iya Mal o nome que Osoronga possui quando torna-se sua proprietria: M e dos Orixs. Outra mscara de Iyami como anci , a mulher sbia e respeitvel, que pode tamb m ser chamada de gb ou Igba nla: Aos apelos que seus filhos fizerem, ela responder do interior da caba a, pois ela tornou-se idosa (Verger; 1994:67) . Iyami Osoronga um dos Orixs mais antigos, possui o poder de fecundar, fertilizar ou esterilizar conforme seu desejo. A for a de Iyami t o poderosa e aterradora que se algu m proferir seu nome deve colocar a ponta dos dedos no ch o em sinal de respeito.

1.2 HIP TESESO sil ncio que ronda o nome de Iyami Osoronga leva a supor: 1. Se Osoronga foi um mito matriarcal do perodo neoltico poca na qual o sistema familiar, conceito de posse e leis n o eram definidos, ent o o pnico, terror e supersti o existente entre os sacerdotes e devotos dos cultos africano e afro-descendentes poderiam ser resultantes do medo de um caos social. 2. Caso a devotas de Iyami Osoronga n o pudessem cultu-la abertamente, devido o sincretismo religioso catlico-iorubano, ent o seria venerada sob os v us da Irmandade da Boa Morte, atrav s da devo o a Nossa Senhora.

1.3 PROCEDIMENTOS METODOL GICOSA escassez bibliogrfica sobre o tema levou-nos a encontrar Iyami Osoronga sob as qualidades dos Orixs femininos retratados por Pierre Verger na Bahia e Nig ria, nos rituais nag

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