instituto superior de educaÇÃo licenciatura em ensino .1 morin, edgar. o paradigma perdido - a

Download INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO Licenciatura em Ensino .1 Morin, Edgar. O Paradigma Perdido - A

Post on 09-Nov-2018

213 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAO

    Licenciatura em Ensino de Biologia

    O Gnero Homo e as Estratgias de Explorao de Recursos com

    Impactos sobre o Ecossistema Anotaes da Paleoecologia e da

    Arqueologia Ambiental

    Fernanda dos Santos Craveiro Miranda

    Setembro, 2006

  • 1

    INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAO

    O Gnero Homo e as Estratgias de Explorao de Recursos com

    Impactos sobre o Ecossistema Anotaes da Paleoecologia e da

    Arqueologia Ambiental

    Trabalho cientfico apresentado ao Instituto Superior de Educao como requisito

    parcial para obteno do grau de Licenciatura em ensino de Biologia, sob orientao do

    Dr. Jos Silva vora

    .

    Praia, Setembro 2006

  • 2

    Fernanda dos Santos Craveiro Miranda

    O Gnero Homo e as Estratgias de Explorao de Recursos com

    Impactos sobre o Ecossistema Anotaes da Paleoecologia e da

    Arqueologia Ambiental

    Aprovado pelos membros do Jri e homologado pelo

    Presidente do Instituto Superior de Educao, como

    Requisito parcial para a obteno do Grau de

    Licenciatura em Ensino de Biologia

    O Jri

    __________________________________

    __________________________________

    __________________________________

    Cidade da Praia, ____ de ___________de 2006

  • 3

    Agradecimentos

    Gostaria de deixar aqui explcitos os meus agradecimentos todos aqueles que, de uma

    forma ou outra, me apoiaram na elaborao deste trabalho cientfico. Ao meu

    orientador, Dr.Jos vora, ficam aqui registados os meus sinceros agradecimentos, no

    s pelas sugestes que me deu para a realizao deste trabalho, e por ter disponibilizado

    os seus documentos que me ajudaram na elaborao do trabalho.

    Ao meu sobrinho Helder pelo apoio que me concedeu na impresso deste trabalho. Por

    ltimo, uma palavra de gratido ao meu irmo Jos Luis Craveiro Miranda.

  • 4

    ndice

    Introduo........... 5

    I. Alguns aspectos bioantropolgicos vistos atravs da Paleoecologia e da

    arqueologia.......8

    II. Paleoecologia, Paisagens e Territrios: Anotaes para definio de

    conceitos......14

    III. Por uma Arqueologia ambiental................................................................25

    3.1. Estratgias de Explorao de Recursos....28

    IV. Tendncias actuais em Ecologia Humana: Algumas reflexes...34

    Concluso...39

    Bibliografia.........41

  • 5

    Introduo

    Gostaramos de comear com uma citao de Edgar Morin que na sua obra O

    Paradigma Perdido diz o seguinte: Todos sabemos que somos animais da classe dos

    mamferos, da ordem dos primatas, da famlia dos homindeos, do gnero homo, da

    espcie sapiens, que o nosso corpo uma mquina com trinta bilies de clulas,

    controlada e procriada por um sistema gentico que se constituiu no decurso de uma

    longa evoluo natural de 2 a 3 bilies de anos, que o crebro com que pensamos, a

    boca com que falamos, a mo com que escrevemos, so rgos biolgicos, mas este

    conhecimento to inoperante como o que nos informa que o nosso organismo

    constitudo por combinao de carbono, de hidrognio, de oxignio e de azoto.1

    Sendo finalista do curso de biologia natural que se esperasse que iramos dissertar

    sobre algum aspecto mais intimamente ligado esta cincia. Porem, quisemos fugir

    um pouco do tradicional, para no final do curso, apresentar uma monografia na qual

    dssemos o nosso contributo, ainda que modesto, a aspectos no menos importantes e

    no menos ligado a cincia da vida. Referimo-nos ao Ecossistema e a aces que tem

    vindo a sofrer desde a Era Antropozica, no longnquo perodo Quaternrio2, altura em

    que ter iniciado a aurora da humanidade e, consequentemente, as estratgias de

    sobrevivncia neste mundo adverso. Para o efeito, recorremos s lies da Paleontologia

    Humana, mais precisamente s suas vertentes da Paleoecologia e Arqueologia

    Ambiental, procurando contribuies para a matrias que propusemos desenvolver ao

    longo do nosso trabalho.

    1 Morin, Edgar. O Paradigma Perdido - A natureza humana. Biblioteca Universitria. Publicaes

    Europa Amrica. 6 Edio. Lisboa. 2000 2 Termo introduzido na literatura geolgica em 1829 por J. Desnoyers e que compreende duas sries:

    Plistocnico e holocnico, altura em que ocorreram profundas oscilaes climatricas, com impactos

    profundos na vida dos hominoides

  • 6

    Acontece que, o facto de o Homem ser produto da hereditariedade e do meio ambiente,

    a ecologia enquanto cincia que se ocupa da interelao da espcie com o seu meio a

    chave quer para o entendimento da evoluo da humanidade quer para a compreenso

    da prpria natureza humana. Por outro lado, o desenvolvimento da Arqueologia

    Ambiental, na sua vertente paleontolgica, levou a uma crescente preocupao na

    escolha de ecofactos (faunisticos e floristicos) que podem fornecer informaes sobre os

    ambientes em que populaes do passado se inseriam, assim como as suas paleodietas.

    Propomo-nos neste trabalho, fazer uma anlise possvel do impacto que o ambiente e a

    dieta alimentar tero exercido sobre as populaes do passado inseridos num

    determinado ecossistema com o qual interagiam.

    Como sabido, as espcies vivas no evoluem isoladamente. Fazem parte de

    comunidades biolgicas ou biocenoses, por sua vez integrados no meio de ecossistema

    mas que abrange o conjunto dos factores fsicos (clima, natureza dos solos) e biolgicas

    (fauna e flora) do meio natural, os quais interactuam num dado lugar e numa dada

    poca. Portanto, a Paleoecologia, prope descrever os ecossistemas do passado e

    compreender a sua estrutura e funcionamento permitindo assim recolocar os organismos

    fsseis no contexto fsico e biolgico da sua poca.

    Temos ainda que, o homem essencialmente dependente do meio em que vive e com

    qual tende sempre a estar em equilbrio. Se destruir o ambiente natural ser obrigado a

    evoluir no mesmo sentido, de maneira a poder sobreviver no meio novamente criado.

    Pode acontecer que o homem aja de tal modo sobre o seu ambiente que esteja em

    equilbrio mutvel com ele. Em contrapartida, este ambiente impe as suas condies ao

    homem. H assim uma interaco constante entre o homem e o meio.

    O homem no s tem usado como tambm tem abusado de natureza. assim que, em

    diversos pontos do globo assiste-se, hoje, quer em terra, no mar, ou no ar, a desastres

    ecolgicos, exterminao de espcies, acontecimentos que tendem para a destruio de

    vida na terra. Propomo-nos, neste trabalho, procurar mostrar que a adaptao das

    populaes no meio, embora imperrivel a sua afirmao e sobrevivncia, tem exercido

    impactos diversos e adversos, desde os primeiros hominoides da era quaternria at os

    nossos dias.

  • 7

    A feitura deste trabalho, pretende-se ainda com as exigncias curriculares em curso no

    Instituto Superior de Educao, para obteno do grau de licenciatura em Biologia.

    Quanto a estrutura, o trabalho comporta as seguintes partes: Uma Introduo, seguida de

    quatro Captulos, a Concluso e Bibliografia utilizada.

    No primeiro Capitulo, Alguns aspectos bioantropolgicos vistos atravs da

    Paleoecologia e da Arqueologia destacamos as contribuies que essas duas variantes

    da paleontologia Humana so capazes de dar no processo do conhecimento das

    humanidades do passado.

    No segundo, incidimos sobre a definio dos principais conceitos que permitir-nos-o

    compreender o tema em anlise.

    No terceiro, Por uma Arqueologia Ambiental propomos elucidar o papel da

    Arqueologia Ambiental no conhecimento das estratgias de explorao de explorao

    de recursos desde o longnquo perodo quaternrio e os impactos da advenientes.

    No quarto e ltimo Capitulo, Tendncias em Ecologia Humana, propomos algumas

    reflexes sobre esta temtica no mundo actual, tendo em conta a pertinncia e a

    actualidade do assunto ainda nos nossos dias.

    Finalmente temos os Anexos que consistem em algumas ilustraes extradas da obra de

    Giovanni Carrada, e que mostra-nos algumas das aces que ainda na aurora da

    humanidade o homo exerceu sobre o meio envolvente, em busca de sobrevivncia.

    Pensamos que ter sido a partir de ento que o ecossistema deixou de ter o seu percurso

    natural, para no sculo XXI chegar onde chegou.

  • 8

    I. Alguns aspectos bioantropologicos vistos atravs da Paleoecologia e

    da Arqueologia

    Diz-nos Piaget que existe uma relao indivduo/meio, porquanto os organismos vivos,

    pela necessidade de se adaptarem a novas situaes, organizam-se, construindo

    estruturas biolgicas mais adequadas. De facto, se retrocedermos no tempo, na ordem

    da histria geolgica da terra, constataremos que a vivncia do homem esteve sempre a

    merc do clima. Mas, se verdade que o clima molda o corpo humano, no menos

    verdade que o homem muda o meio em que vive criando mecanismos que lhe permita

    readaptar-se, logo, sobreviver.

    Hoje sabemos que a adaptao um termo-chave da teoria da evoluo. Aplica-se ou

    pode aplicar-se tanto ao estudo das formas de vida orgnica como s formas de vida

    social dos seres humanos. Um organismo existe e mantm-se vivo se conseguir adaptar-

    se tanto interior como exteriormente ao meio ambiente. A adaptao interior depende do

    ajuste dos seus diversos rgos e das suas actividades, de forma que os vrios processos

    fisiolgicos constituam um sistema contnuo operacion

Recommended

View more >