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  • 1

    UNIVERSIDADE FEDERAL DE SO JOO DEL-REI

    Curso de Artes Aplicadas com nfase em Cermica

    EM BUSCA DE UM SONHO DISTANTE, DESCOBRI: SOU

    A HERANA DA MINHA MEMRIA

    Rosa Trindade de Souza e Silva

    So Joo Del Rei

    02 de setembro de 2013

  • 2

    Rosa Trindade de Souza e Silva

    EM BUSCA DE UM SONHO DISTANTE, DESCOBRI:

    SOU A HERANA DA MINHA MEMRIA

    Trabalho de Concluso de Curso apresentado

    no Curso de Artes Aplicadas com nfase em

    Cermica da Universidade Federal de So

    Joo Del-Rei.

    Orientadora:

    Prof Ms. Luciana Beatriz Chagas

    So Joo Del Rei, 02 de setembro de 2013

  • 3

    Dedico este trabalho ao

    Fernando, Felipe,

    Filomena Felcia ( Fil ) e ao

    meu pequeno Gabriel pelo

    Carinho, pela Confiana e

    Cumplicidade .

  • 4

    Agradecimentos

    A Deus pela paz e a vida que Ele me deu, a meus pais j falecidos que me

    conceberam em seus coraes, a meu marido Fernando, meu filho Felipe e meu neto

    Gabriel pelo apoio, amor e compreenso. Especialmente aos colegas e professores que

    de uma maneira ou de outra me acolheram e me ajudaram a cada dificuldade. A todos

    meus amigos e familiares peo desculpas pela minha ausncia. Deixando meu sincero

    agradecimento ao apoio, ateno da minha orientadora professora Luciana Beatriz

    Chagas e gratido por tudo e principalmente pelo incentivo da minha amiga do corao

    Filomena Felcia do Nascimento.

  • 5

    Contedo:

    Apresentao - pag.06

    Introduo: Descrevendo a Fora da Origem pag. 07

    Vov Rosa pag. 09

    Proposta de Trabalho Plstico pag. 15

    Fascinao - pag. 16

    Memorial - pag. 16

    Percurso na UFSJ - pag. 17

    Cozedura do Barro - pag. 23

    Manoel Galdino - pag. 24

    Apresentao do Trabalho Plstico - pag. 26

    Consideraes finais pag. 27

    Referncias Bibliogrficas - pag. 37

  • 6

    Apresentao

    Hoje percebo que desde muito pequena, entre seis a sete anos, eu vim estilizando

    peas. Para algumas usei tecidos, em outras criei coisas diferentes em lindas tecendo o

    tric. Nem sei quantas ideias eu tive nas quais desenvolvi em madeiras. Inmeros

    tambm foram os trabalhos em que produzi bordados, principalmente naqueles que fiz

    em pontos de cruz. Tantas bonecas de palha e de retalhos eu fazia colocava-lhes os

    olhinhos bordados com a linha preta e a boquinha com a linha vermelha. Os cabelinhos

    eram feitos com tecido, preto que depois de costurado, era cortado em tiras e ficavam

    bem parecidos como se fossem verdadeiros. Eu trago ainda na memria muitos detalhes

    que fiz em vrios objetos que produzi.

    E assim eu vivia inventando coisas, usando os mais diversos tipos de materiais,

    na tentativa de que um dia eu tivesse oportunidade de me formar em alguma

    especialidade, e claro, pensando que somente que fosse dentro das artes.

    Eu sinto que est bem prximo a realizao dos meus sonhos, que ser uma

    bacharel nas artes da cermica e orgulhosamente pertencer a primeira turma desse curso

    na UFSJ.

  • 7

    Introduo: Descrevendo a Fora da Origem.

    Este trabalho tem como principal inspiradora minha vov Rosa. Ela era forte,

    bonita, determinada e enfrentava a luta diria com muita garra e sabedoria.

    Extremamente criativa, esta senhora improvisava e tonificava com muita inteligncia

    todos os seus movimentos e atitudes em todos os seus afazeres. A influncia que exerce

    em meu trabalho muito clara, evidente e enriquecedora.

    Desde que passei pela prova de Habilidades Especficas do vestibular da UFSJ,

    percebi e expus essa artimanha incomensurvel. Justo naquele dia sombrio, chuvoso e

    frio, as pernas da cala estavam ensopadas e isso fazia a temperatura cair mais, tudo

    aumentava aquela tenso, aflio e pnico que senti ao enfrentar uma situao que no

    estaria preparada para tal.

    Foi numa atitude desesperadora que comecei desenvolvendo com aquela poro

    de argila, um pequeno ferrinho e alguns palitos de picol, umas poucas pecinhas de

    cozinha, que foram a minha salvao.

    Iniciei com um fogozinho a lenha que custou a parar de p, fiz as panelinhas

    sobre a chapa, pois elas no estavam l grandes produes. Quando coloquei aquele

    bulezinho entre os ties de lenhas simulando deixar o caf bem quentinho percebi que

    faltava uma pequena mesinha.

    Consegui fazer um pires com uma xcara ornamentada com aquela simples

    florzinha combinando com o detalhe acrescido ao bule. Foi feito tambm um cestinho

    com rosquinhas. Como me deram trabalho para constru-los! No conseguira conform-

    las, talvez pela ignorncia dos meus conhecimentos relacionados com este barro, pois

    nem me passou pela cabea usar a gua para umedec-lo e obter uma melhor

    plasticidade.

    E porque no faria os assentos, ou seja, as cadeirinhas ou banquinhos. Pois bem:

    fiz meia dzia deles. Modelei um cestinho de palha, sem jeito e sem alas, havia

    esquecido de coloc-las claro, deixei-o em um canto qualquer dessa pequena cozinha

    mas os ovos que nele coloquei, pareciam estar bem fresquinhos e colhidos ainda h

    pouco.

  • 8

    Fig.1: Recriao da pea feita na prova de Habilidades

    Especficas do Vestibular da UFSJ

    Mas aquele ferrinho mgico me ajudara modelar aquelas coisinhas ressecadas e

    feias! Faltava alguma coisa naquela mesa tapeada com uns risquinhos em torno da sua

    circunferncia. Ento produzi pratinhos com biscoitos, pes de queijo, um bolinho e um

    queijinho, cortei-lhe uma fatia para que parecesse verdadeiro.

    Foi feito ainda aquele pilozinho para socar vegetais, ficou esquisito, mas muito

    organizado ao lado do fogo. Esse ambiente ficou idntico ao de uma cozinha da roa e

    muito familiar.

    A proposta da prova de aptido era modelar algo que simbolizasse a cidade de

    So Joo Del Rei. Que decepo senti! Eu pedia desculpas, no conseguia fazer um

    bonito sino, pois a nossa So Joo acidade da msica, onde os sinos falam e eles so

    reconhecidos como patrimnio nacional. E nem to pouco criar uma locomotiva com

    seus vagezinhos, pois essas nossas to imponentes bitolinhas de metro, assim

    chamada carinhosamente pelos ferrovirios aposentados, so preciosidades, conferem

    serem as nicas locomotivas a vapor existentes no mundo. So centenrias e brilhantes

    esculturas de ferro trafegam em trilhos de 75 cm de largura, viajando daqui at a cidade

    vizinha de Tiradentes. Ser que esses dois monumentos no identificariam com

    esplendor o habitar da nossa terra natal, sendo esta questo to ardilosa a ser respondida

    para enfim ter o meu passaporte e ingressar numa universidade?

  • 9

    Pois bem: tudo isso transpareceu muito solto e feito como um pedido de

    clemncia sem acreditar que pudesse conseguir alguma classificao, pois aqueles

    objetos me pareciam coisas muito simples, mal acabadas e memrias de criana.

    Vov Rosa

    Voltando quela mulher feliz e analfabeta, quem diria, no sabia ler nem

    escrever. Parece mentira, mas fazia clculos como ningum, qualquer pessoa

    escolarizada perderia a cabea com o rpido raciocnio matemtico que fazia.

    Cabocla sbia e rf, librava a vida como se tivesse gramaticado todas as coisas.

    Fora criada em fazendas, sofrera bastante explorao pelos patres durante a prestao

    de seus servios.

    Fig.2: Retrato de Vov Rosa (foto: arquivo pessoal)

    Esta senhora era um gnio em seus conhecimentos, sabia criar e fazer com arte

    seus quitutes, ou seja suas quitandas assim chamadas por ela.

    Em seu quintal, conhecido como terreiro da v Rosa havia um grande forno a

    lenha feito com barro de copla arredondada. Tinha uma coberta esfumaada e alguns

    buracos entre as telhas, quando chovia apareciam as goteiras. Estariam ali sobre a mesa

  • 10

    umas gamelas grandes para fazer as massas de biscoito e balces apoiando os tachos e

    as frutas para se fazer os doces, utenslios e ingredientes estaria sempre mo. Ficavam

    tambm muitas latas retangulares para assar os biscoitos e em um canto ficavam

    aqueles piles usados para socar o arroz, o milho e o amendoim. Esses piles eram

    feitos com tronco de arvores e esculpidos por algum da famlia ou um amigo mais

    prximo. Sem esquecer que os feixes de lenhas e gravetos serviam para aquecer o

    forno

    Aquela lata cheia de gua ficava ao lado do formo, servia para molhar as

    vassouras feitas com galhos de alecrim macho (de preferncia) , era para se varrer as

    brasas do forno e este contato do calor com este tipo de planta deixava exalar um aroma

    delicado, perfumando o ambiente e o tornando mais acolhedor.

    Havia tambm o paiol, onde era armazenado bastante reserva de milhos tanto

    para fazer o fub quanto para alimentar as galinhas e porcos como tambm os que eram

    usados para fazerem as pipocas e as canjicas.

    Na despensa tinham