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O DESENVOLVIMENTO HUMANO PR-NATAL E O AMBIENTE INTRA-UTERINOO ser humano, assim como qualquer outro ser vivo, depende do meio ambiente antes mesmo de nascer. Durante o perodo de desenvolvimento pr-natal humano, a criana em formao recebe continuamente recursos do ambiente onde est inserida, provenientes da me, e esta interao se modifica em funo da sucesso de etapas do desenvolvimento e das relaes ambientais a que a prpria me est sujeita. A embriologia o estudo do desenvolvimento pr-natal, e uma disciplina cujo corpo de conhecimento muito vasto, embora exista muita coisa a ser descoberta. O contedo a ser apresentado nesta seo corresponde a apenas uma noo geral desse processo. A FECUNDAO A formao de uma nova pessoa tem incio a partir do momento da fecundao, que um processo em que os gametas (clulas reprodutoras) masculino e feminino se encontram e misturam o material gentico materno e paterno. Este encontro ocorre nas tubas uterinas pouco tempo aps o vulo ter sido expelido pelo ovrio durante a ovulao. O material gentico dos gametas corresponde ao DNA localizado no interior do vulo e do espermatozide. Para que o espermatozide consiga atingir seu objetivo, ele ter que romper dois envoltrios existentes ao redor do gameta feminino: a corona radiata, composta por clulas ovarianas que acompanham o vulo aps a ovulao, e a zona pelcida, formada por um conjunto de substncias de Processo de fecundao consistncia viscosa. A clula originada dessa fuso de gametas denominada zigoto, que corresponde primeira das milhares de clulas que constituiro o organismo dessa futura pessoa. Dentro do zigoto, existe um conjunto de informaes genticas que sero teis na elaborao da estrutura corporal e para seu funcionamento, embora a estrutura e o funcionamento do organismo iro tambm depender em larga escala da ao do ambiente. CLIVAGENS Para que o zigoto origine as milhares de clulas que iro compor o novo indivduo, necessrio que se inicie um processo de diviso celular. As primeiras divises celulares que ocorrem no zigoto e em suas clulas-filhas so denominadas clivagens, e comeam a ocorrer cerca de 30 horas aps a fecundao. As clulas resultantes da diviso do zigoto so chamadas de blastmeros. Assim, o zigoto origina dois blastmeros aps a clivagem, os quais sofrem clivagens e originam quatro blastmeros, oito, e assim sucessivamente, de modo que estas clulas diminuem de tamanho a cada clivagem. importante lembrar que tanto a fecundao quanto a formao dos blastmeros ocorre na poro da tuba uterina mais prxima do ovrio.

2Este embrio em formao ter que atingir as paredes internas do tero para se fixar e comear a receber nutrientes da me. Assim, medida que as clivagens vo ocorrendo e originando blastmeros, esse agrupamento de clulas ser empurrado pelas paredes da tuba uterina em direo ao tero. Essa massa celular permanecer envolta pela zona pelcida para que no se fixe em local inadequado. Quando h de 12 a 15 blastmeros no agrupamento, este passar a ser chamado de mrula (estrutura que parece uma amora). Isto ocorre cerca de trs dias aps a fecundao. neste estgio que o novo ser humano em desenvolvimento chegar ao tero.

Seqncia de etapas da primeira clivagem formao da mrula

FORMAO DO BLASTOCISTO Chegando ao tero, a mrula passar por transformaes importantes. Surgir uma cavidade em seu interior, totalmente preenchida por fluido proveniente do tero. Essa cavidade tornar-se- cada vez maior em funo do acmulo de fluido, o que far com que os blastmeros internos sejam direcionados para a periferia. Neste estgio do desenvolvimento pr-natal ser formado o blastocisto, uma estrutura que possui formato de anel. Um pequeno grupo de blastmeros ainda permanecer voltado para o interior da cavidade cheia de fluido do blastocisto. Esse grupo de blastmeros conhecido como massa celular interna, a qual ir originar todos os rgos do embrio propriamente dito em uma etapa posterior. Aps cerca de dois dias em que o blastocisto se encontra flutuando nas secrees uterinas, a zona pelcida gradualmente desaparecer. A perda da zona pelcida permitir que o blastocisto cresa e se fixe ao endomtrio, que a parede interna do tero.

vulo

O blastocisto, antes e aps a perda da zona pelcida

Ovrio

Seqncia de eventos da fecundao implantao

FIXAO PAREDE UTERINA E IMPLANTAO DO BLASTOCISTO

3Se o blastocisto permanecesse flutuando em fluidos uterinos por muito tempo, correria o risco de ser eliminado do organismo materno. Portanto, necessrio que ele se fixe parede uterina. Essa fixao ocorrer cerca de seis dias aps a fecundao, e se dar pela regio adjacente massa celular interna. Caso houvesse apenas essa fixao superficial do blastocisto ao tero, ele tambm no resistira muito tempo sem ser expulso do corpo da me. necessrio, pois, que esse agrupamento de clulas garanta a sua permanncia dentro do tero, e isso ser possvel apenas se o blastocisto se enterrar completamente no endomtrio. Para que o blastocisto se enterre na parede do tero, necessrio que ele promova uma verdadeira escavao do endomtrio. Com esse intuito, as clulas da periferia do blastocisto, localizadas logo acima da massa celular interna, comearo a se proliferar e a se diferenciar em uma massa gelatinosa cheia de ncleos celulares, resultante da fuso entre as clulas da regio. Essa massa gelatinosa originar projees em forma de dedos, que se estendero pela superfcie do endomtrio e gradualmente comearo a invadir as camadas mais profundas dessa parede, liberando substncias que iro fazer a eroso da parede uterina. Aps certo tempo, o blastocisto ter criado condies para se enterrar literalmente no endomtrio, processo conhecido como implantao.

Fixao do blastocisto e incio da implantao

A implantao do blastocisto na parede uterina comea ao final da primeira semana aps a fecundao e se completa ao final da segunda semana. Uma vez completamente enterrado no endomtrio, o blastocisto precisar garantir alguma forma de suprimento. Comearo, assim, a surgir lacunas em suas camadas mais perifricas, as quais se tornaro preenchidas com uma mistura de sangue materno, derivado de vasos capilares rompidos durante a eroso do endomtrio, e de secrees provenientes de glndulas uterinas erodidas. Podemos afirmar que, depois todo esse perodo de implantao, o blastocisto comea a modificar o seu meio ambiente no sentido de garantir proteo e nutrio s suas clulas. FORMAO DO DISCO EMBRIONRIO E DOS FOLHETOS GERMINATIVOS medida que o blastocisto se implanta na parede uterina, sua massa celular interna inicia um processo importante de transformaes. Uma pequena cavidade se desenvolver no interior dessa massa celular, a cavidade amnitica. Ao mesmo tempo, comear a haver uma alterao na forma dessa massa celular, de modo que ela vai se tornando mais e mais achatada. O resultado final dessa

4alterao o surgimento de um disco achatado e circular, o disco embrionrio, o que ocorre na terceira semana de gestao. A partir de um processo chamado gastrulao, o disco embrionrio ir originar os folhetos germinativos, os quais so camadas celulares que apresentam o potencial para formar todos os rgos do futuro indivduo. Estes folhetos germinativos so:

Ectoderme: origina o sistema nervoso, a poro sensorial dos olhos, orelha e nariz, epiderme (camada superficial da pele), glndulas mamrias, etc. Mesoderme: origina cartilagens, ossos, msculos, corao, vasos sangneos, rins, ovrios, testculos, tecido conjuntivo, etc. Endoderme: origina o revestimento interno dos sistemas respiratrio, digestrio e urinrio, fgado, pncreas, etc.

Estabelecimento de circulao entre me e embrioFases da evoluo da implantao e formao do disco embrionrio

Durante um perodo que vai da terceira/quarta oitava semanas de gestao, ocorre a formao da maioria dos rgos e sistemas do corpo a partir dos folhetos germinativos. Com isso, termina o perodo embrionrio, caracterizado pelo conjunto de processos que levam formao dos rgos, e tem incio o perodo fetal, marcado pelo rpido crescimento corporal e aumento na complexidade funcional dos rgos e sistemas. O perodo fetal se inicia na nona semana de gestao e vai at o nascimento.

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PERODO FETAL A mudana mais notvel ocorrida durante o perodo fetal a lenta taxa de crescimento da cabea em relao ao resto do corpo. A taxa de crescimento do corpo durante este perodo muito rpida, e o ganho de peso fetal fenomenal durante as ltimas semanas. No h um sistema de classificao formal dentro do perodo fetal, porm o estudo desse perodo fica facilitado quando se consideram as modificaes ocorridas em perodos de quatro ou mais semanas. Vejamos algumas delas: Da 9 12 semana: Ao final desse perodo terminar a maturao da genitlia. Neste perodo, o fgado ser o principal formador de glbulos vermelhos do sangue, e a urina comear a ser produzida e eliminada no lquido amnitico onde o feto est mergulhado. Da 13 16 semana: Os movimentos do beb sero coordenados, porm muito suaves para que a me os perceba. A ossificao do esqueleto fetal ser ativa neste perodo. possvel identificar o sexo da criana ao ultra-som. Da 17 20 semana: Os movimentos fetais j podero ser percebidos pela me. O tero estar completamente formado e o canal vaginal comear a ser construdo. Os testculos se deslocaro do abdome rumo bolsa escrotal. Comear o crescimento de cabelos na cabea. Da 26 29 semana: Os pulmes e a vascularizao pulmonar atingiro um grau de desenvolvimento que possibilitar a ocorrncia de trocas gasosas, de modo que o nascimento prematuro neste estgio permite freqentemente a sobrevivncia da criana. Uma grande quantidade de clulas sangneas ser formada pelo bao e, depois, pela medula ssea vermelha. Da 30 38 semana: As ltimas oito semanas antes do parto sero devotadas principalmente preparao dos sistemas envolvidos na transio do ambiente intrauterino para o ambiente externo, principalmente os sistemas respiratrio e cardiovascular. Haver tambm acmulo