diário do comércio - 22/07/2014

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Ano 91 - Nº 24.168 - São Paulo, terça-feira, 22 de julho de 2014

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  • So Paulo, tera-feira, 22 de julho de 2014Concluso: 23h55 www.dcomercio.com.br

    Jornal do empreendedorAno 91 - N 24.168 R$ 1,40

    Pgina 4

    ISSN 1679-2688

    9 771679 268008

    24168

    BRASILABAIXO DE 1%

    Na semana passada, a previso para o PIB estava em1,05%. Ontem, caiu para 0,97%, revela a pesquisa

    Focus do Banco Central (pela 1 vez no ano, a projeoficou abaixo de 1%). Pior: foi a 8 queda seguida.

    O consolo a discreta melhora na perspectiva para ainflao, projetada em 6,48%. Pg. 11

    O jurista Ives Gandra uniu o decreto departicipao popular, que esvazia o

    Congresso, queda de Dilma nas pesquisas.Perdendo, ela teria uma 5 coluna. Pg. 5

    Sada de Dilma se perder aeleio: o decreto 8.243.

    Presidente Rogrio Amato (ACSP/Facesp); jurista Ives Gandra; e Alencar Burti (Sebrae).

    Paulo Pampolin/Hype

    14 dia, e tudo igual: mais mortos emsseis, enquanto a trgua no sai.

    O Hamas conseguiu infiltrar um grupo em Israelpara um ataque que matou 7 soldados, mas ele foi

    dizimado na boca do tnel na volta a Gaza. A chuvade msseis palestinos continua. Os israelenses

    avanam, no rastro de 570 mortos, tendo perdido 27soldados. A trgua est em discusso no Cairo. Pg. 7

    Mohammed Saber/Efe

    Derr ubadade avio na

    Ucrnia: crimede guerra.

    Enquanto investigadoresda queda do Boeing da Malaysia

    Airlines recebem dos separatistas ascaixas-pretas (acima), governo holands

    quer que o abate seja tratado comocrime de guerra, ideia j

    endossada pela ONU. Pg. 7

    Robert Ghement/Efe

    Elosa Samy teriaordenado atos

    violentos no Rio. Pg. 8

    Advogada deativistas pedeasilo. Uruguai

    nega.

    Reproduo

    Dois programas degesto levam

    eficincia a lojistasde moda e a

    empreendedores darea de foodservice,com solues para

    avaliao precisa degiro e estoque de

    mercadorias. P g. 18

    P r o gra m apara loja

    p r o m ov i d oa gerente

  • 2 DIRIO DO COMRCIO tera-feira, 22 de julho de 2014

    SA DE , ENTREA L I B E R D A DEE A OP R E S S O .

    H uma chance maior de persistncia do estado recessivo em 2015 do que o seu opostoRoberto Fendt

    RISCO DEESTAGFLAO

    Devemos ter uma economiarecessiva em 2015 com lentaretomada em 2016. A alta de

    preos depender das polticasfiscal e de combate inflao.

    ROBERTO FENDT

    De todas as situaes

    em que possa estar

    uma economia, tal-

    vez a pior de todas

    seja aquela que se convencio-

    nou chamar de "estagflao": a

    concomitante ocorrncia de re-

    cesso com inflao. Podera-

    mos aqui estar nos encami-

    nhando para uma estagflao?

    Pode ser prematuro afirmar,

    mas alguns indicadores suge-

    rem que os riscos de sua ocor-

    rncia aumentaram nos lti-

    mos meses. Antes de entrar no

    mrito do argumento, cumpre

    esclarecer os conceitos.

    Por conveno, caracteriza-

    se tecnicamente uma reces-

    so como a queda no nvel de

    atividade, medido pelo PIB,

    por pelo menos dois trimes-

    tres consecutivos. Em econo-

    mias maduras, parte da vida

    que o crescimento se d de

    forma cclica, com perodos de

    expanso e perodos de retra-

    o da atividade econmica.

    Por ser frequente, no causa

    grande "frisson" entre os ana-

    listas econmicos.

    Entre os pases emergen-

    tes, que apresentam taxas de

    crescimento mais robustas

    que seus sucedneos desen-

    volvidos, o ciclo econmico

    geralmente visto sob um outro

    prisma. Em lugar de perodos

    de expanso e de retrao, o

    que se observa o aumento ou

    reduo das taxas de cresci-

    mento, sem que ocorram pe-

    rodos de queda do nvel de ati-

    vidade econmica.

    Surpreende, portanto,

    que possamos estar no

    rumo de uma queda do

    PIB real em valor absoluto, em

    lugar de v-lo apenas desace-

    lerar sua taxa de crescimento.

    Se isso vier a ocorrer proxima-

    mente, estaremos diante de

    um evento raro na histria

    econmica recente do Pas. De

    fato, somente no incio do Pla-

    no Collor e durante a ltima

    crise internacional observou-

    se fenmeno dessa natureza.

    E o que dizer da inflao?

    Aqui as coisas so de mais di-

    fcil interpretao. Provavel-

    mente teremos um repique do

    alta dos preos no momento

    em que aqueles que esto

    atualmente represados sejam

    liberados. Esse repique de-

    pender de como a liberao

    dos preos vier a ocorrer: de

    uma s vez ou escalonada ao

    longo do tempo. De todo mo-

    do, h um grande potencial de

    acelerao na carestia.

    Mais difcil especular so-

    bre a magnitude e a persistn-

    cia desse aumento. O quanto a

    inflao aumentar vai de-

    pender do estado da econo-

    mia como um todo, do merca-

    do de trabalho e das polticas

    fiscal e monetria a serem se-

    guidas pelo governo a partir

    do incio do prximo ano

    qualquer que seja o governo

    que vier a ser eleito.

    H uma chance maior de

    persistncia do estado

    recessivo em 2015 do

    que o seu oposto. Ainda que a

    confiana de investidores e

    dos consumidores retome

    com o novo escolhido nas ur-

    nas em outubro, leva tempo

    para que a retomada da con-

    fiana se transforme em no-

    vos projetos de investimento.

    Mais tempo ainda leva para

    concretiz-los. Portanto, erra-

    r menos quem apostar que a

    economia continuar pati-

    nando em 2015.

    O mercado de trabalho j

    comea a dar sinais de que os

    tempos de quase pleno em-

    prego passaram. Estamos

    atravessando a fase em que as

    demisses comeam a supe-

    rar as novas contrataes,

    mas o fenmeno ainda est lo-

    calizado em algumas regies

    e atividades especficas.

    A tendncia, contudo, a

    generalizao das demisses,

    dada a contrao tanto do

    mercado interno como das ex-

    portaes. O fim dos incenti-

    vos fiscais e o endividamento

    das famlias tambm fator

    que vai no sentido contrrio

    sustentao da demanda, da

    produo e do emprego.

    Por fim, se o novo governo

    assumir um compromis-

    so de combate efetivo

    inflao para traz-la de volta

    ao centro da meta, se ter

    completado o conjunto de fa-

    tores que podem sinalizar, em

    prazo mais longo, um freio al-

    ta dos preos.

    Mas no se deve esperar

    mgicas no combate infla-

    o. As expectativas dos con-

    sumidores desempenham um

    papel importante na definio

    dos preos e essas expectati-

    vas so ruins.

    Portanto, o cenrio atual e

    sua tendncia de entrada

    em recesso e permanncia

    de baixo crescimento, pelo

    menos em 2015. Com a econo-

    mia em recesso e o emprego

    em baixa, a trajetria da infla-

    o nos prximos dois anos

    depender de um conjunto

    amplo de fatores anterior-

    mente enumerados e que in-

    clui o estado da economia, o

    nvel de emprego, as polticas

    fiscal e monetria e as expec-

    tativas dos consumidores.

    Moral da histria: se ti-

    vesse de apostar, di-

    ria que teremos uma

    economia recessiva em 2015

    com uma retomada lenta em

    2016. A alta dos preos poder

    ser maior ou menor depen-

    dendo das polticas fiscal e de

    combate inflao e da exten-

    so do desemprego.

    A verso brasileira de es-

    tagflao que conhecemos

    nas dcadas de 1980 e 1990,

    com o baixo crescimento da

    economia e altas mensais dos

    preos da ordem de 20%, no

    tem espao em uma econo-

    mia com baixo grau de indexa-

    o e possvel e desejvel con-

    trole das contas pblicas no

    prximo governo. Mas nem is-

    so poder assegurar que a in-

    flao fique abaixo dos 10% se

    no controlarmos os gastos do

    governo e se no aplicarmos

    uma poltica monetria mais

    conservadora.

    RO B E RTO FENDT E C O N O M I S TA

    BERNARDO SANTORO

    ACCJ do Senado

    a p ro v o u

    re c e n t e m e n t e

    projeto liberando a venda

    de vrios inibidores

    de apetite no Brasil,

    revogando portaria

    totalitria da Anvisa que

    jogou na ilegalidade

    todos os remdios do

    gnero. Diz a Anvisa

    que os remdios

    no tm 100% de

    eficcia e podem causar

    mal sade. Contra

    esses argumentos,

    duas obviedades:

    nenhum remdio tem

    100% de eficcia e todos

    causam algum tipo de

    efeito colateral;

    por isso que em geral

    so ministrados

    com acompanhamento

    m d i c o.

    Em ltima anlise,

    se o sujeito quer

    tomar o remdio, ele

    deve ser livre para faz-

    lo, cabendo ao Governo

    apenas alert-lo quanto a

    possveis efeitos

    colaterais, e nunca

    proibir o medicamento

    em questo. Portanto,

    nesse caso, o Congresso

    Nacional andou

    a favor da liberdade.

    Por outro lado, a

    Comisso de Assuntos

    Sociais do Senado

    acaba de aprovar, por

    unanimidade, projeto

    de lei que transforma

    a farmcia em uma

    "unidade de prestao de

    servios para assistncia

    sade e orientao

    sanitria individual e

    coletiva", deixando

    assim de ser um

    simples estabelecimento

    c o m e rc i a l .

    Essa medida, que

    contou com o apoio

    do Conselho Nacional

    de Sade e do Conselho

    Federal de Farmcia,

    agora impe que toda

    farmcia deve ter

    um farmacutico e ainda

    cria a figura do fiscal

    farmacutico, alm

    de outras medidas

    que criam burocracia

    muito maior no setor.

    A medida vai

    r