DataSenado Legalização da maconha

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  • www.senado.leg.br/DataSenado 1

    DataSenado

    Legalizao da maconha

    Secretaria de Transparncia

    Coordenao de Controle Social

    Servio de Pesquisa DataSenado

    Julho de 2014

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    DataSenado

    57% dos brasileiros apoiam a legalizao da maconha para uso medicinal

    O debate sobre a liberao e regulao da maconha no

    Brasil ganhou fora no Congresso Nacional aps sugesto

    popular enviada Comisso de Direitos Humanos e

    Legislao Participativa (CDH) do Senado Federal. O tema

    polmico e vem sendo constantemente objeto de

    audincias pblicas e estudos legislativos.

    Com o objetivo de contribuir para a compreenso de alguns

    pontos relacionados a essa questo, o DataSenado realizou

    pesquisa de opinio de abrangncia nacional, com 1.106

    pessoas de 16 anos ou mais. Os dados foram coletados no

    perodo de 6 de junho a 7 de julho, e a margem de erro da

    pesquisa de trs pontos percentuais.

    A mais conhecida propriedade teraputica da maconha

    refere-se ao seu efeito analgsico em diferentes tipos de

    dor. Pacientes com doenas crnicas (tais como cncer,

    AIDS, esclerose mltipla e glaucoma) poderiam se

    beneficiar com a liberao da droga para uso medicinal.

    Nessa esteira, ao todo, 57% dos entrevistados disseram ser

    favorveis legalizao da maconha para fins medicinais, o

    que abrange os 9% que defendem a legalizao para todos

    os fins incluindo o uso recreativo e os 48% que so a

    favor apenas para uso medicinal. Para outros 42% a

    substncia deve continuar totalmente proibida. Apenas 1%

    no soube ou preferiu no opinar.

    Aqueles que defendem a legalizao da maconha inclusive

    para fins de recreao acreditam que o estabelecimento de

    contra; 42%

    NS/NR; 1%

    9%

    48% a favor;

    57%

    Sobre a legalizao da maconha, voc:

    a favor da legalizao para todos os fins

    a favor da legalizao apenas para fins medicinais

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    DataSenado

    regras e critrios tcnicos para a produo e

    comercializao da droga pode trazer benefcios. Entre eles

    estariam: a reduo do comrcio ilegal, a melhoria da

    qualidade do produto o que ocasionaria menos risco

    sade do usurio, e a diminuio da populao carcerria.

    Experincias bem sucedidas em outros pases tambm so

    citadas como exemplos para a necessidade de promover

    mudanas nas leis antidrogas. No Brasil, apesar da

    existncia de movimentos sociais como as marchas da

    maconha, percebe-se que a sociedade ainda bastante

    conservadora e culturamente resistente adoo de

    estratgias mais ousadas.

    Com efeito, para muitos, o debate precisa ir alm da

    cincia, devendo ser encarado como uma questo moral e

    social. Se por um lado, preciso respeitar as liberdades

    individuais, por outro, flexibilizar a legislao em relao ao

    uso da maconha pode estimular o vcio, afetando reas

    como segurana e sade pblicas.

    A anlise da varivel religio/crena indica que, entre os

    que se declararam evanglicos, o percentual contrrio

    legalizao da maconha chega a 55%. Entre os que

    disseram no possuir religio ou crena, so 72% apoiando

    a legalizao para fins medicinais.

    A anlise por regio aponta que, no Centro-Oeste, a

    concordncia com a legalizao para fins medicinais de

    45%, enquanto no Sul do pas esse ndice sobe para 64%.

    55%

    40%

    29% 32% 28%

    44%

    58%

    70% 68% 72%

    Evanglica Catlica Esprita Outra Sem religio ou crena

    Sobre a legalizao da maconha, voc:

    contra a legalizao a favor da legalizao para fins medicinais

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    DataSenado

    Para 82%, a maconha porta de entrada para outras drogas

    Do total de entrevistados, 82% concordam com a frase: a

    maconha leva o usurio a experimentar drogas mais

    pesadas. Entre os mais jovens (de 16 a 19 anos), esse

    percentual cai para 72%, dez pontos percentuais a menos

    que a mdia geral.

    82%

    18%

    1%

    "A maconha leva o usurio a experimentar drogas mais pesadas."

    Concorda

    Discorda

    NS/NR

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    DataSenado

    A ideia de que a maconha abre caminho para drogas mais

    perigosas parece bastante difundida: interpreta-se que o

    usurio acostumado aos efeitos da maconha poderia

    subestimar os efeitos de drogas mais pesadas, alm de ter

    acesso facilitado pelo maior contato com o trfico.

    67% no creem que o trfico de drogas vai diminuir; 77% acham que haver elevao do consumo

    O combate ao trfico de drogas apontado, em tese, como

    um dos principais impactos positivos que a legalizao da

    maconha pode trazer mas pouco menos de um tero dos

    entrevistados (32%) acredita que isso de fato ocorreria.

    Dois em cada trs entrevistados (67%) discordam que, com

    a legalizao da maconha, o trfico iria diminuir.

    No s o trfico no diminuiria com a legalizao, como,

    para a maioria dos entrevistados, o consumo iria aumentar.

    Somaram 77% os que acreditam que, aps a legalizao,

    haveria aumento no nmero de usurios de maconha,

    assertiva da qual 22% discordam.

    Com efeito, esse um risco que deve ser levado em conta.

    A legalizao afirmam aqueles que so contrrios pode

    aumentar o nmero de consumidores da droga,

    notadamente os mais jovens, levando pessoas a

    experimentar e a tornarem-se usurios regulares.

    32%

    67%

    1%

    "Com a legalizao da maconha o trfico de drogas ir diminuir."

    Concorda

    Discorda

    NS/NR

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    DataSenado

    78% conhecem algum que fuma ou j fumou maconha, mas s 7% declaram j ter usado

    Quando perguntados se conheciam algum que fuma ou j

    fumou maconha, 78% dos entrevistados afirmaram que sim.

    No entanto, apenas 7%1 declararam j ter fumado,

    enquanto 93% disseram nunca ter experimentado.

    1 Estimado em 10,3 milhes de brasileiros, segundo dados da Pnad 2012

    (populao brasileira com 16 anos ou mais)

    Essa diferena pode ser explicada ao se considerar que o

    assunto ainda visto como tabu no Brasil, de forma que

    muitos entrevistados podem se sentir desconfortveis em

    responder a uma pergunta delicada de carter pessoal ou

    admitir que fazem uso de uma substncia proibida.

    A anlise segmentada permite identificar os grupos que se

    destacaram por apresentar percentual mais elevado que o

    geral de pessoas que disseram j ter usado a droga. So

    eles: homens (10%), habitantes da regio Sul (13%), jovens

    77%

    22%

    1%

    "Aps a legalizao, haver aumento no nmero de usurios de maconha."

    Concorda

    Discorda

    NS/NR 78%

    22%

    Voc conhece algum que fuma ou j fumou maconha?

    Sim

    No

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    DataSenado

    de 16 a 19 anos (10%), aqueles cuja renda varia entre 2-5

    salrios (10%) e 5-10 salrios (10%), bem como os que se

    declaram sem religio ou crena (18%).

    Cumpre ressaltar que, no geral, dos que disseram j ter

    fumado maconha, 13% ainda usam a substncia.

    Para mais da metade (55%) dos entrevistados que

    disseram j ter feito uso da droga, o principal motivo que os

    levou a fumar maconha pela primeira vez foi a curiosidade.

    Em seguida, 29% citaram a influncia dos amigos. Outros

    7% viram na necessidade de novas experincias a principal

    causa para fumar pela primeira vez, e 4% buscaram a

    droga para suportar uma situao difcil.

    Para metade dos entrevistados, a maconha to prejudicial quanto o cigarro

    No debate sobre a legalizao da maconha, partidrios da

    ideia defendem que a droga deve ter o mesmo tratamento e

    submeter-se a regras semelhantes s que regulam o

    mercado de lcool e tabaco. Muito se discute sobre os

    No; 93%

    13%

    87% Sim; 7%

    Voc fuma ou j fumou maconha?

    Ainda fuma

    No fuma mais

    55% 29%

    7%

    4% 3%

    Qual o principal motivo que levou voc a fumar maconha pela primeira vez?

    Por curiosidade

    Influncia de amigos

    Necessidade de novas experincias

    Para aguentar uma situao difcil

    Outro

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    DataSenado

    efeitos adversos dessas trs substncias no organismo.

    Apesar de todas serem txicas, serem usadas para fins

    recreativos, o impacto social que possuem diferente.

    A pesquisa indicou que, na opinio de 50% do total de

    respondentes, a maconha to prejudicial sade quanto

    o cigarro convencional de tabaco. Outros 25% acham que

    ela mais prejudicial sade do que o cigarro. Para 22%,

    no entanto, prevalece a ideia de que a erva faz menos mal

    sade.

    Com relao ao lcool, totalizaram 59% os entrevistados

    que acham que a maconha traz o mesmo prejuzo para a

    sade do usurio. Em compensao, 22% consideram que

    a erva mais nociva, enquanto 17% creem que ela

    menos prejudicial sade que bebidas alcolicas em geral.

    25%

    50%

    22%

    2%

    Em comparao ao cigarro, a maconha :

    Mais prejudicial sade que o cigarro

    To prejudicial sade quanto o cigarro

    Menos prejudicial sade que o cigarro

    NS/NR

    22%

    59%

    17%

    2%

    Para voc, em comparao ao lcool, a maconha :

    Mais