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  • UNIVERSIDADE DE SO PAULO

    FACULDADE DE FILIOSOFIA LETRAS E CINCIAS HUMANAS

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM TEORIA LITERRIA E LITERATURA COMPARADA

    Daniel Lago Monteiro

    William Hazlitt, um ensasta ao rs-do-cho: ensaio e crtica

    So Paulo

    2016

    2805745Texto digitadoVerso corrigida

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  • Daniel Lago Monteiro

    William Hazlitt, um ensasta ao rs-do-cho: ensaio e crtica

    Tese apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Teoria Literria e Literatura Comparada do Departamento de Teoria Literria e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas da Universidade de So Paulo para a obteno do ttulo de doutor em teoria literria e literatura comparada sob a orientao do Prof. Dr. Fbio Rigatto de Souza Andrade

    So Paulo 2016

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  • Firme na terra, nativa,

    que no quer negar a terra

    nem, como ave, fugi-la.

    Joo Cabral de Melo Neto

    A educao pela pedra

  • Agradecimentos:

    Fapesp, que financiou esta pesquisa: # de processo 2011/23902-4.

    CAPES/Fulbrigt, que fincanciou parte desta pesquisa.

    Aos meus pais, Dorimar Lago Monteiro e Flvio Mota Monteiro, e aos meus irmos, Lucas

    Lago Monteiro e Flvia Lago Monteiro, pelo apoio e carinho incondicionais e por terem

    vivido mais esta aventura ao meu lado, ainda que s vezes distncia .

    Ao meu orientador, Prof. Dr. Fbio Rigatto de Souza Andrade, que mesmo no sendo

    especialista aceitou orientar este trabalho e o acompanhou com a receptividade e a

    compreenso de um intelectual de mo cheia.

    Ao Prof. Dr. Michael McKeon, que me acolheu como pesquisador visitante em Rutgers, The

    State University of New Jersey. O crescimento intelectual que obtive na participao de suas

    aulas, grupos de estudo e conferncias de valor inestimvel.

    Profa. Dra. Luisa Cal, que me acolheu como pesquisador visitante em Birkbeck,

    University of London, e cujas indicaes bibliogrficas enriqueceram enormemente a minha

    pesquisa, e a todos os pesquisadores que conheci durante a minha estadia em Londres,

    sobretudo ao Prof. Dr. Gregory Dart, Profa. Dra. Uttara Natarajan e ao Philipp Hunnekuhl

    (membros da Sociedade Hazlitt), que me mostraram que possvel combinar o rigor

    acadmico com a leitura fina, vivaz e witty de verdadeiros hazlittianos que so.

    Profa. Dra. Sandra Vasconcelos e ao Prof. Dr. Samuel Titan Jr. pela leitura cuidadosa de

    parte desta tese e pelas ricas sugestes no exame de qualificao.

    Ao Prof. Dr. Mrcio Suzuki, grande mestre e amigo, a quem devo a maior das lies nesta

    minha trajetria: a permanncia do nimo de experimentar, a constncia do gosto de

    descobrir, a capacidade imperecvel de renovao; numa palavra, mocidade intelectual.

    Ao Prof. Dr. Pedro Paulo Garrido Pimenta, que anos atrs disse a mim: voc precisa ler

    Hazlitt, vai gostar e muito! Ele estava certo. Tambm lhe sou grato pelos inmeros

    incentivos minha pesquisa.

    Ao Prof. Dr. John Milton, companheiro inigualvel de badminton, por ter sido sempre muito

    solicito e certeiro na reviso de meus textos em ingls, inclusive da verso inglesa desta tese.

  • rica Emilia Leite, Marcella Marino Medeiros Silva, Mario Spezzapria e Thiago Cass pelas

    tardes de sextas-feiras quando, entre uma e outra degustao de caf, provvamos passagens

    deliciosas de Coleridge, Schlegel, Hazlitt, e outros.

    s amizades que travei durante a minha estadia em Nova York: Andra Burgos, Bernardo

    Oliveira, Bruna Fetter, Eugene Osagie, Iuri Bauler, Jerry Clicquot, Julie Tudor, Kristin Henn,

    Pablo Escudero e Sam OHana. A magia da minha experincia nova yorkina no seria a

    mesma sem eles.

    Aos amigos Alexandre Amaral Rodrigues, Christian Tadeu Gilioti, Claudio GH, Daniel

    Nagase, Eduardo Correia, Fabiola Iszlay de Albuquerque, Fernando Seliprandy, Lus

    Nascimento, Marcelo Ferreira, Mara Portugal, Rafael Cardoso, Renato Prelorentzou, Srgio

    Arajo, Thiago Souza, Valter Jos Maria Filho e Vincius Castro Soares pelas experincias e

    vivencias compartilhadas.

    Ana Letcia Adami Batista, que me acompanhou em cada uma das etapas deste percurso.

    Leitora cuidadosa e de uma sensibilidade rara, suas sugestes e conversas estimulantes foram

    ingredientes indispensveis para a confeco desta tese. A ela todo o meu carinho, porque

    carinho, pouco ou muito, nunca demais!

  • Aos meus irmos, Lucas e Flvia.

  • Resumo

    MONTEIRO, D. William Hazlitt, um ensasta ao rs-do-cho: ensaio e crtica. Tese (Doutorado) Universidade de So Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas. Departamento de Teoria Literria e Literatura Comparada.

    Esta tese procura analisar a obra do ensasta e crtico ingls William Hazlitt (1778-1830) a partir de um conjunto de imagens que vinculam as diferentes etapas envolvidas durante o ato de confeco do ensaio crtico e literrio aos acidentes topogrficos e textura do solo, expressos no arqutipo recorrente do autor, ao rs-do-cho. Pela anlise interna de texto e do exerccio de leitura, perseguimos as passagens em que Hazlitt reflete sobre seu prprio meti. A defesa do ensaio como forma de arte coloca-lhe a exigncia de um altssimo grau de elaborao que o aproxima, por analogia, crtica inventiva e a outras formas de arte. Nesse sentido, o estudo desses elementos formais foi indispensvel pesquisa tambm nos foi de grande valia o exame de alguns aspectos histricos e culturais, como o chamado Romantismo Ingls. Nos interessou, sobretudo, aquilo que definimos como atitudes mentais prprias do ensasta, experimentadas e vividas por Hazlitt com intensidade, a saber: o retratista, o amigo e o adversrio. Desse modo, cada um dos trs captulos desta tese pretende cobrir uma dessas atitudes. No primeiro captulo, sobre o retratista e o estgio inicial de confeco do ensaio (a inspirao), acompanhamos o autor em suas peregrinaes juvenis na leitura cerrada de algumas passagens de dois ensaios em que ele narra a sua experincia de converso ao mundo das artes, My First Acquaintance with Poets e On the Pleasure of Painting, e no modo como os retratos literrios que escreveu de Jean-Jacques Rousseau e de Edmund Burke, seus legtimos precursores, apontaram a ele os caminhos para uma crtica inventiva. No segundo captulo, sobre a atitude do amigo e a leitura, encontramos Hazlitt ora na solido de seu quarto, mastigando os pensamentos, ora em companhia de pessoas prximas. Intimidade e convivncia so os ingredientes chaves para essa etapa do trabalho. Para Hazlitt, a escrita de ensaio envolve um convite cordial ao leitor, com o qual o ensasta espera dividir amigavelmente a sua tarefa. No terceiro captulo, sobre a escrita, investigamos o papel do ensasta como agente das transformaes sociais, prpria atitude do adversrio. O ensaio se apresenta como espao privilegiado onde se travam lutas com ideias e se disputa uma causa; o ensasta, por sua vez, se apresenta como o homem das ruas (man-about-town), cujas andanas pela metrpole londrina e convivncia com os homens, sobretudo aqueles pertencentes s classes baixas, permitiu-lhe combinar elegncia do ensasta os momentos combativos e ousados de prosa.

    Palavras-chaves: William Hazlitt Romantismo Ingls Ensaio Literrio Critica

  • Abstract

    MONTEIRO, D. William Hazlitt, an essayist on the plain-ground: essay and criticism. Thesis (Doctorate) Universidade de So Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas. Departamento de Teoria Literria e Literatura Comparada.

    This thesis analyzes the works of the English essayist and critic William Hazlitt (1778-1830) from a body of images that binds the different stages involved in the craft of the critical and literary essay to topographical accidents and the texture of the soil, as expressed in the author recurrent archetype on the plain-ground. My point of departure was the internal analysis of texts and close reading of certain passages where Hazlitt reflects on his own metier. The claims he makes in that essay is an art form required from him a high standard of formal elaboration that analogically approaches the literary essay and inventive criticism to other art forms. Thus, a careful examination of these formal elements was indispensable for this study. Moreover, some historical and cultural aspects that encompass Hazlitt and his time, the so called British Romanticism, were also part of my analysis, inasmuch as the author brings them to bear in his writings, and according to what I have conceptualized as mental attitudes proper to the essayist. In my understanding, three are the essayists attitudes as intensely experienced by Hazlitt, namely, the portraitist, the friend, and the adversary. Therefore, each of the three chapters in this dissertation aims at unveiling one of these mental attitudes. In the first chapter, on the portraitist attitude and the first stage in the making of the essay (the insight), I have followed Hazlitt during his youthful pilgrimages from an analysis of a few emblems pertaining in My First Acquaintance with Poets and On The Pleasure of Painting, where he narrates his moment of conversion to a world of art. Furthermore, I have linked these essays to the literary portraits Hazlitt traced of Jean-Jacques Rousseau and Edmund Burke, his genuine precursors, in order to understanding the paths along which he was initiated into inventive criticism. In the second chapter, on the friend mental attitude, we find Hazlitt by the fireside, either in th