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    In forme Agropecur io , Belo Hor izonte,v .23, n .214/215, 713, j an . /abr . 2002

    7Caf Orgnico

    Anlise agroeconmica do caf orgnico:Anlise agroeconmica do caf orgnico:Anlise agroeconmica do caf orgnico:Anlise agroeconmica do caf orgnico:Anlise agroeconmica do caf orgnico:

    definies, anlise de mercadodefinies, anlise de mercadodefinies, anlise de mercadodefinies, anlise de mercadodefinies, anlise de mercadoe viabilidade econmicae viabilidade econmicae viabilidade econmicae viabilidade econmicae viabilidade econmica11111Resumo- Adaptao do documento prepa-

    rado pela Junta Executiva do Conselho da

    Organizao Internacional do Caf, que trata

    do tema caf orgnico. Contm definies

    desse tipo de caf, anlise de seu mercado e

    sua viabilidade econmica, com informaes

    teis sobre potencialidades econmicas, carac-

    tersticas deste mercado, limitaes e propos-tas desse tipo de cafeicultura nos mtodos

    adotados pela agricultura orgnica.

    Palavras-chave: Cafeicultura orgnica; Ma-

    nejo orgnico; Comercializao; Certificao;

    Mercado orgnico.

    1Adaptao de: ORGANICAZAO INTERNACIONAL DO CAF. Anlise agroeconmica do caf cultivado organicamente ou caf orgnico.Londres, 1997. 19p.

    In forme Agropecur io , Belo Hor izonte,v .23, n .214/215, p .713, j an . /abr . 2002

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    I n f o r m e A g r o p e c u r i o , B e l o H o r i z o n t e , v . 2 3 , n . 2 1 4 / 2 1 5 , p . 7 - 1 3 , j a n . / a b r . 2 0 0 2

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    DEFINIO DECAF ORGNICO OUEM SISTEMA ORGNICODE CULTIVO

    Antes de caracterizar o caf orgnico, preciso definir o que se entende por agri-

    cultura orgnica.

    Agricultura orgnica

    A definio de agricultura orgnica, co-mo se costuma denominar o processo decultivar organicamente, assim como sualegitimidade, tem sido e continuar sendoobjeto de grande polmica.

    Isso se deve a vrios fatores: o primeiroe menos transcendental est ligado varia-da terminologia que se utiliza para expressar

    os conceitos pertinentes em diferentesidiomas, que introduz novas palavras esignificados no vocabulrio existente. Vemda a dificuldade em encontrar equivalnciae preciso nos termos utilizados paraexpressar os conceitos de orgnico, ecol-gico, biolgico, convencional, tradicionale, mais recentemente, um termo mais damoda, como sustentvel ou durvel.

    Os economistas rurais, que se interes-sam em observar os sistemas agrrios por

    uma tica microeconmica, prefeririamvaler-se dos adjetivos tradicional e conven-cional ou empregar termos como empequena escala, familiar, de subsistncia,industrial ou tecnificado. Falariam de pa-dres da produo e distinguiriam umaestrutura economicamente auto-suficientede uma estrutura econmica, em que osmeios de produo orientam-se para a me-canizao, a diviso do trabalho e a especi-alizao da produo para gerar economiasde escala. Tambm incluiriam em sua lingua-gem termos como: fatores de produo,aludindo ao solo, mo-de-obra e ao capi-tal. Em seu vocabulrio, os aspectos eco-nmicos da agricultura orgnica seriamconsiderados no contexto de medidasdestinadas a manter a fertilidade do fatorde produo solo pelo uso de tcnicas a-propriadas e a empregar intensivamente ofator de produo mo-de-obra, utilizandoo fator capital de forma menos intensivaque nas estruturas mais mecanizadas, que

    requerem grandes quantidades de ferti-lizantes concentrados de alta solubilida-de.

    Os agricultores, os mais importantespersonagens no aspecto em que essa defi-nio controversa caracteriza, absorveriamos diversos discursos e adotariam e adapta-riam mtodos, tcnicas e idias prove-nientes de outros, atravs de um processode tentativa e erro. Isso nos leva a conside-rar o segundo fator que causa diferenasde opinio e ambigidades, quando seprocura definir agricultura orgnica.

    Este segundo fator subjacente dificul-dade de definir agricultura orgnica atravsde critrios claros, especficos e imutveis a constatao de que cultivar um pro-cesso ligado a uma dada rea geoecolgica

    e, sendo um processo, est sujeito evo-luo. As tcnicas agronmicas emprega-das vo mudando, proporo que a difu-so das informaes e do conhecimentose amplia graas transferncia de tecno-logia e sua adaptao atravs da transmis-so do saber-tudo isso num contexto eco-nmico, social e poltico. O ritmo da adoodos modelos de cultivo depende das con-dies geogrficas, ecolgicas e climticas,assim como das limitaes econmicas dos

    produtores.Os mtodos de agricultura orgnica no

    escapam desta generalizao e isso estclaro para quem tenha tido o privilgio deexplorar as razes desses conhecimentos ea histria da migrao das idias.

    Os pases de tradio anglo-saxnicaadotaram o termo orgnico, que reflete umaviso holstica, porm mecanicista do mun-do. A perspectiva mecanicista permite esta-belecer uma relao de causa e efeito entre

    as partes do sistema agrcola, a partir daqual possvel elaborar receitas e produtosfitossanitrios.

    Os pases de tradio e fala francesapreferem enfatizar o carter vivo dos fen-menos agronmicos observados e denomi-nam o emprego desses mtodos de agricul-tura biolgica.

    Com efeito, a definio de agriculturaorgnica complexa, no bastando descre-v-la como a ausncia de emprego de subs-tncias qumicas, pois esta uma expres-

    so restrita, que pode levar a erros de apre-ciao por quem no esteja familiarizadocom a qumica, a fsica ou a agronomia. Pa-ra melhor compreender o que constitui aagricultura orgnica, propomos uma anliseque inclui trs nveis de definio: tcnico-

    agronmico, econmico e cientfico-filo-sfico.No nvel tcnico-agronmico, descre-

    vem-se os mtodos utilizados na seleode sementes, germinao, preparo e manu-teno dos solos, plantio, proteo fitos-sanitria, fertilizao e, no caso do caf,processamento e armazenamento. A nfaseno na produo e uso de novos fertili-zantes, produtos fitossanitrios ou outrosaditivos, mas no respeito a uma srie deprincpios, que ser enunciada ao des-crever-se o terceiro nvel.

    No nvel econmico, promovem-seestratgias de produo e de comercializa-o que se adaptam ao sistema capitalistaou dele divergem, segundo a regio. Paraos pases da Europa Ocidental ou da Am-rica do Norte, com sistemas de produoaltamente mecanizados e pouca mo-de-obra, a agricultura orgnica no propeuma estrutura de organizao diferente dosistema produtivista desenvolvido desdeos anos 50. A diferena proposta pelos agri-cultores e consumidores de produtos org-nicos que se procure reduzir o excessode intermedirios, para que haja uma rela-o direta, mais socivel e humana, entreprodutores e consumidores.

    Nos pases onde a estrutura de produoassenta-se numa fartura de mo-de-obrafamiliar, mais fcil vender diretamente acomerciantes que garantem um preo jus-to aos produtores e incentiva-se a conser-vao de um sistema, na medida do poss-vel, auto-suficiente ou autrquico. A auto-suficincia s conseguida quando osagricultores so capazes de produzir suasprprias sementes, selecionadas de acordocom a localidade, seus prprios fertili-zantes, seus prprios recursos fitossani-trios e remdios para uso em seus ani-mais, s dependendo, em pequena escala,de distribuidores externos para a obtenode alguns insumos. Em casos extremos,

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    regressaramos s estruturas de policulturafamiliares.

    A base cientfica e filosficada prticada agricultura orgnica foi implantada nosanos 30, em parte como conseqncia dadifuso do conhecimento das cincias na-turais e em parte como reao tendncia mecanizao e especializao na orga-nizao das empresas. Este terceiro nvelcompreende os seguintes princpios:

    a) solo no um substrato inerte, maso habitatde mltiplos organismose microrganismos, que funcionamcomo agentes transformadores dosnutrientes, tornando-os solveis edisponveis s plantas;

    b) desequilbrio nutricional das plantas

    ou do meio ambiente reduz a defesadas plantas e propicia o aparecimen-to de pragas tornando-as mais vul-nerveis s doenas;

    c) fertilizantes de origem mineral, porsua natureza inerte, devem ser evita-dos, pois no tm os mesmos efeitosque o adubo lquido ou o compostobem preparado;

    d) as plantaes devem formar um todoorgnico, para alcanar a maior auto-

    suficincia possvel.

    Mtodos daagricultura orgnicaaplicados ao cultivoe processamento de caf

    O cafeeiro Coffea o principal gneroda famlia das Rubiceas, que inclui maisde 6 mil espcies. Hoje, s duas espciesdo gnero Coffea tm importncia econmi-ca: Coffea arabica (70% da produo mun-

    dial) e Coffea canephora ou robusta (30%da produo mundial). Ambas so culturasarbreas, que comeam a produzir trs ouquatro anos aps o plantio e tm uma vidaeconmica de 20 a 30 anos. Embora s pros-perem em zonas tropicais e subtropicais(temperaturas entre 18oC e 26oC), as duasespcies exigem diferentes condies decultivo. O caf no resiste a temperaturasabaixo de zero e requer uma precipitaode mais de 1.500mm por ano.

    Nas modernas propriedades, para que

    o cafeeiro cresa, utilizam-se maiores quan-tidades de fertilizantes minerais e irrigao.Essas tcnicas aumentam substancialmen-te os custos e s so viveis em reas deprodutividade e rendimento elevados. Por-tanto, so propriedades mais vulnerveisaos efeitos dos baixos preos do mercadodo que aquelas tradicionais, onde os pro-du