caderno de textos norte 2 ?· confederação nacional dos trabalhadores na agricultura – contag...

Download Caderno de textos NORTE 2 ?· Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG 1°…

Post on 04-Dec-2018

214 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • Confederao Nacional dos Trabalhadores na Agricultura CONTAG

    1 Mdulo do Curso Regional Norte de Formao de Educadores e Educadoras em Concepo e

    Prtica Sindical e em Metodologias Belm (PA), 16 a 22 de setembro de 2007 Pgina 1

    CADERNO DE TEXTOS

  • Confederao Nacional dos Trabalhadores na Agricultura CONTAG

    1 Mdulo do Curso Regional Norte de Formao de Educadores e Educadoras em Concepo e

    Prtica Sindical e em Metodologias Belm (PA), 16 a 22 de setembro de 2007 Pgina 2

    NDICE SUMRIO

    Textos Pgina 01 Evoluo dos modos de produo

    Sonia CorraSonia CorraSonia CorraSonia Corra

    01

    02 Para compreender o contexto atual da Sociedade Brasileira

    Daniel SeidelDaniel SeidelDaniel SeidelDaniel Seidel

    07

    03 O debate atual sobre Relaes de Gnero

    Daniel SeidelDaniel SeidelDaniel SeidelDaniel Seidel

    10

    04 Desempacotando o Gnero

    OXFAMOXFAMOXFAMOXFAM

    12

    05 Os direitos do homem e do cidado no cotidiano Os direitos do homem e do cidado no cotidiano Os direitos do homem e do cidado no cotidiano Os direitos do homem e do cidado no cotidiano

    EducaRede

    14

    06 Razes da Desigualdade Razes da Desigualdade Razes da Desigualdade Razes da Desigualdade

    Carmem Silva

    19

    07 Aspiraes Socialistas

    Ralph Miliband

    25

    08 Por uma Poltica Nacional de Formao do MSTTR. 44 09 Gesto democrtica, Estado e Sociedade Civil.Gesto democrtica, Estado e Sociedade Civil.Gesto democrtica, Estado e Sociedade Civil.Gesto democrtica, Estado e Sociedade Civil.

    Marco Aurlio Nogueira

    52

    10 Sociedade Civil e a Construo de Espaos Pblicos Vera Teles

    60

    11 O que ns queremos

    Silvio Caccia Bava

    68

    12 Sistematizao.

    Joo Francisco de Souza e Oscar Jara.

    70

  • Confederao Nacional dos Trabalhadores na Agricultura CONTAG

    1 Mdulo do Curso Regional Norte de Formao de Educadores e Educadoras em Concepo e

    Prtica Sindical e em Metodologias Belm (PA), 16 a 22 de setembro de 2007 Pgina 3

    Evoluo dos modos de produoEvoluo dos modos de produoEvoluo dos modos de produoEvoluo dos modos de produo

    Snia Corra Snia Corra Snia Corra Snia Corra

    O fator decisivo na histria a produo e a reproduo da vida imediata. Isso se d de duas maneiras:

    A produo dos meios de existncia, como produtos alimentcios, roupas, habitao e os instrumentos necessrios a tudo isso;

    A reproduo do prprio homem, a continuidade da espcie.

    Essas duas espcies de produo condicionam a ordem social em que vivem os homens. "Quanto menos desenvolvido o trabalho, mais restrita a quantidade de seus produtos e, por conseqncia riqueza da sociedade, com tanto maior fora se manifesta influncia dominante dos laos de parentesco sobre o regime social. 1

    A origeA origeA origeA origem do homem e a "comuna primitivam do homem e a "comuna primitivam do homem e a "comuna primitivam do homem e a "comuna primitiva

    Em uma poca ainda no estabelecida definitivamente, h centenas de milhares de anos, vivia uma raa de macacos antropomorfos desenvolvida. Darwin descreve aproximadamente essa espcie: eram cobertos de plos, tinham barba, orelhas pontiagudas, viviam nas rvores e formavam manadas.

    O passo para a transio do macaco em homem foi o de que mos e ps precisavam desempenhar funes distintas na busca de alimentos e, ao caminhar pelo cho, os homens passam a adotar uma posio mais ereta. A luta pela sobrevivncia faz com que a mo desses antropomorfos se desenvolva no exerccio de diversas funes, como o movimento de "garra". "Vemos, pois, pe as mos no so apenas os rgos de trabalho; so tambm produtos deles".2

    Esses antepassados que viviam em manadas, agrupados, sentiram a necessidade de dizer algo uns aos outros. A necessidade criou rgo. Lenta e firmemente a laringe dessa espcie foi se transformando e aos poucos foram se articulando os sons. A linguagem surge a partir do trabalho e pelo trabalho. O trabalho e a linguagem foram dois estmulos para a transformao do crebro do macaco em crebro humano.

    A partir dessa compreenso, percebe-se que o trabalho impulsionador da sociedade humana. O trabalho comea com a elaborao de instrumentos. So instrumentos de

    1 Engels, F. A Origem da Famlia, da Propriedade Privada e do Estado.

    2 Engels, F. Sobre o Papel do Trabalho na Transformao do Macaco em Homem.

  • Confederao Nacional dos Trabalhadores na Agricultura CONTAG

    1 Mdulo do Curso Regional Norte de Formao de Educadores e Educadoras em Concepo e

    Prtica Sindical e em Metodologias Belm (PA), 16 a 22 de setembro de 2007 Pgina 4

    caa e pesca mais tambm utilizado como arma. O consumo da carne resultou em outros importantes avanos: a descoberta do fogo e a domesticao dos animais. O homem aprendeu ainda a adaptar-se a qualquer clima, mesmo que isso o obrigasse a procurar habitao e a cobrir o corpo, surgindo aqui novas atividades.

    A agricultura se junta caa e pesca. Nesse perodo j havia a necessidade da diviso de tarefas como caar, cuidar da prole etc. Esta etapa, chamada de "comunismo primitivo", caracteriza-se pela inexistncia de classes sociais. A diviso do trabalho ocorre de forma natural, sem que haja a explorao de um homem sobre outro.

    Resumindo, as principais caractersticas da comuna primitiva so: inexistncia de classes sociais; produo coletiva para o consumo coletivo; baixa produtividade do trabalho, submetido s condies da natureza; diviso natural do trabalho; inexistncia do Estado.

    O O O O modo de produo escravistamodo de produo escravistamodo de produo escravistamodo de produo escravista

    A sociedade escravista uma evoluo da com una primitiva. Ela aparece segundo Morgan, na fase mdia da barbrie e atinge seu mais alto grau de desenvolvimento quando Roma e Grcia constituem verdadeiras formaes escravistas.

    A primeira grande diviso social do trabalho ocorre entre os povos pastoris e as tribos mais atrasadas. Algumas tribos formam grandes rebanhos, que passam a ser a forma preponderante de produo de alimentos. Em contrapartida, outras tribos permanecem como caadoras, com domnio rudimentar da agricultura. Essa diferena no desenvolvimento provocou profundas mudanas na organizao social, dando incio ao processo de aumento da produtividade, baseada na propriedade privada e na diviso da sociedade em classes.

    Vejamos como se procedeu esta evoluo. Conforme vimos anteriormente, na comuna primitiva a propriedade da terra era comum, assim como os produtos da caa e da pesca. Os instrumentos de trabalho, que se resumiam s armas e aos utenslios domsticos, pertenciam ao homem e a mulher respectivamente. A diviso social do trabalho era natural, baseada na diferena de sexo. A produo restringia-se ao consumo dirio da coletividade.

    Com a criao de gado, muda-se essa situao. O homem, que at aqui era dono do instrumento com que provia a alimentao, naturalmente passa a ser o dono do produto - o gado -, que aos poucos vai acumulando. A diferenciao entre proprietrios e no-proprietrios de bens e riquezas passa a processar-se. A reproduo rpida do gado cria a necessidade de um grande nmero de homens para cuidar do rebanho.

    Quem desempenhar essa tarefa sero os prisioneiros de guerra que inicialmente eram mortos, e que agora se tornam escravos. O incio do processo de formao das classes sociais determinado pela produo. "A escravido a primeira forma de explorao, a forma tpica na antiguidade".3 O homem escravizado passa a ser o principal produto dessa sociedade, tornando-se mercadoria e sendo apropriado por outro homem.

    3 Engels, F. A origem da Famlia, da Propriedade Privada e do Estado.

  • Confederao Nacional dos Trabalhadores na Agricultura CONTAG

    1 Mdulo do Curso Regional Norte de Formao de Educadores e Educadoras em Concepo e

    Prtica Sindical e em Metodologias Belm (PA), 16 a 22 de setembro de 2007 Pgina 5

    O trabalho escravo ir produzir excedentes de produo, o que impulsionar o comrcio, criando condies para o intercmbio regular de produtos. A produo ser impulsionada ainda a partir da utilizao do tear, da fundio de minerais e do trabalho com metais e, depois, com a descoberta do ferro, cujo emprego impulsionar todos os ramos da produo de armas, do arado para o cultivo e a agricultura em grande escala. A descoberta do ferro acaba por criar a segunda grande diviso do trabalho: a separao entre o artesanato e a agricultura.

    As guerras, que antes eram feitas por vingana ou ampliao do territrio, tornam-se funes regulares e so feitas apenas para saque, fazendo crescer o poder do chefe militar. O processo de surgimento das classes sociais em dado momento deixa de ser determinado pela produo. quando aparece uma classe de aproveitadores que vivem da troca: os comerciantes.

    Essa sociedade, como qualquer outra dividida em classes, gera relaes conflituosas, estabelecendo a luta de classes. Afim de que essas classes no se destruam, surge o Estado, que tinha que ser o Estado da classe economicamente dominante. O Estado dos senhores de escravos.

    Sua manuteno criou a fora policial-militar e o funcionalismo pblico. Foram criados os impostos e as dvidas pblicas. O Estado transformou-se numa mquina onerosa e dependente da extorso de impostos. Esses fatores, entre outros, ajudaram a derrubar o Imprio Romano e fez passar o tempo da escravido. A existncia desse modo de produo no compensava mais. A populao estava empobrecida e no havia mercado suficiente para o consumo.

    Resumindo, as principais caractersticas do escravismo so: surgimento da propriedade privada; diviso da sociedade em classes sociais, escravos e senhores de escravos; surgimento do Estado, como

Recommended

View more >