Art Deco cine: lo moderno necessário Art Deco cinema

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<ul><li><p>Artes </p><p>| 243POLIANTEA | pp. 243-258 | Volumen IX | nmero 16 | enero-junio 2013</p><p>Fecha de recepcin: 13 de noviembre 2012Fecha de revisin: 4 de febrero de 2013aprobacin: 19 de febrero de 2013</p><p>para citar este artculo / to cite this articleIwata, N. y Luz, L. (2013). Art Deco cine: lo moderno necessrio. Poliantea IX, (16), pp. 243-258.</p><p>Art Deco cine: lo moderno necessrio</p><p>Art Deco cinema: the modern necessary</p><p>Lourdes Luz (Brasil)Universidade Veiga de Almeida</p><p>luz@uva.br</p><p>Nara Iwata (Brasil)Universidade Veiga de Almeida</p><p>nara@uva.br</p><p>ResumenEl trabajo presentado se centra en la lectura de los cines de Art Dco en todo el Ro de las dcadas de 1930 y 1940. El cine Art Dco fue diseado como un espacio de neutralidad, la inevitable transicin de eclecticismo del siglo XIX hasta la asepsia modernista. Con el fin de evocar el necesario moderno, se convirti en una revisin crtica de la misma y Art Dco permite cambios formales y conceptuales, as como un anlisis de los fundamentos tericos que impregnaron el movimiento, tomado como paradigma de los Cines Metro.</p><p>Palabras clave: Art Dco, cines, Ro, arquitectura</p><p>AbstractThis work focuses on the Art Deco, seen through film theaters of Rio de Janeiro be-tween 1930 and 1940. The Art Deco applied to theater buildings, was created as a space of neutrality, key in the transi-tion from nineteenth-century eclecticism to the aseptic modernism. To explore the modernist movement, this paper presents a critical review of the Art Deco and its background that provides a look at the conceptual and formal changes and an analysis of the theoretical basis of the movement, taking Metro theaters as a paradigm.</p><p>Keywords: Art Deco cinemas, River, architecture</p></li><li><p> Art deco cine: lo moderno necesario - Lourdes Luz &amp; Nara Iwata </p><p>244 | POLIANTEA | pp. 243-258 | Volumen IX | nmero 16 | enero-junio 2013</p></li><li><p>Artes </p><p>| 245POLIANTEA | pp. 243-258 | Volumen IX | nmero 16 | enero-junio 2013</p><p>Art Deco cine: lo moderno necessrio</p><p>Lourdes Luz (Brasil)Doctora en Bellas Artes </p><p>Nara Iwata (Brasil)Maestra en Bellas Artes</p><p>Art deco gnesePara analisarmos o Art Deco inserido em um processo, importa escolher um ponto de partida para a anlise, onde o que nos interessa so as ques-tes pertinentes industrializao. Portanto, traando um histrico, no necessariamente cronolgico, mas pinando idias e atitudes importantes para o trabalho, nomeamos a Revoluo Industrial nosso marco.</p><p>A partir de ento, novos elementos passam a fazer parte do processo scio-econmico: a otimizao da produo, a estandardizao, a racionali-zao do trabalho, a diversificao do mercado e a integrao da arte vida. No h mais a possibilidade da existncia de um estilo que exprima a coe-rncia da estrutura do sistema de arte de uma sociedade fechada. necess-ria, ento, uma nova esttica.</p><p>Entretanto, apesar da velocidade impressa ao mundo ocidental, ainda o passado que traz parte das respostas que deflagram as rupturas na arte, de modo geral. Buscar a originalidade tarefa extremamente rdua, embora no imperativa, haja vista que muitas correntes continuaram a ancorar seus princpios nesse passado. Esse perodo fragmentado e ambguo, o que ve-rificamos nas propostas individuais dos arquitetos, bem como naquilo que pertence aos condicionantes de um lugar.</p></li><li><p> Art deco cine: lo moderno necesario - Lourdes Luz &amp; Nara Iwata </p><p>246 | POLIANTEA | pp. 243-258 | Volumen IX | nmero 16 | enero-junio 2013</p><p>Na primeira metade do sculo XIX, o trabalho do profissional-ar-quiteto traz em seu bojo uma pre-ocupao, ainda que embrionria, com o conforto do usurio e a fun-cionalidade do espao produzido. O estilo, enquanto escolha e confeco de ornamentos, comea a no ocu-par mais o primeiro lugar entre os problemas do arquiteto. Na segunda metade do sculo XIX evidencia-se otimismo e entusiasmo pela moder-nidade. Os problemas pertinentes ao conforto do ambiente, utilizao das conquistas tecnolgicas e a pr-pria funcionalidade demonstram a demanda da classe burguesa, que explicita exigncias quanto efic-cia de resultados.</p><p>Em fins do sculo XIX, es-sas questes vo sendo incitadas, principalmente no que diz respei-to validade do uso ou mesmo da existncia do ornamento. De um lado possumos defensores que nele vem a prpria expresso do prazer da vida, desde Viollet Le-Duc, figu-ra central do revivalismo gtico na Frana a Louis Sullivan que utili-zava o ornamento redesenhado em padres geomtricos ou baseado em um simbolismo mais orgnico. Em outro extremo encontramos, de modo pontual e solitrio, o discurso </p><p>de Adolf Loos, arquiteto vienense, que em 1908 escreveu Ornamen-to e Crime no qual criticava o uso abusivo da ornamentao na arqui-tetura europia do sculo XIX, pos-to que entendia que a ornamentao dizia respeito s sociedades artesa-nais e tem seu lugar assegurado na histria, enquanto que para o scu-lo XX ela esconderia a potncia ou lgica de produo desse mundo, que o racionalismo. Para Loos, o ornamento retardaria o avano, se-ria um anacronismo e implicaria na perda de trabalho, capital, material e tempo. S nobreza interessaria o ornamento, porque evitando o seu desaparecimento ao mesmo tempo evitaria a libertao do operariado. Sua postura vem em defesa da razo, do gosto, bem como da moral.</p><p>A busca do novo tambm se faz atravs do Art Nouveau, mas sub-jacente a ele, temos o conceito de moda, com o sentido e importn-cia que assume nessa sociedade in-dustrial. E moda vem a ser um fator psicolgico, onde h o interesse por um tipo de produto mais recente e um desprezo pelo velho. Quando ci-tamos a sociedade industrial, o fa-zemos nos referindo burguesia moderna que est tomada de entu-siasmo pelo progresso, dado que a </p></li><li><p>Artes </p><p>| 247POLIANTEA | pp. 243-258 | Volumen IX | nmero 16 | enero-junio 2013</p><p>caracteriza. O ambiente criado pelo Art Nouveau oferece a este grupo uma imagem de si mesma ideali-zada e otimista, que de certa forma ameniza a dramtica condio de servilismo com respeito ao capital.</p><p>O Art Nouveau e o Art Deco, apesar de formalmente distintos, expressam a fora de uma socieda-de de massa, na qual os objetos e as solues so servidos s pessoas de maneira a serem engolidos sem deglutio, o que prprio de uma cultura de massa que impe um gosto e valores formais. No obs-tante, esses movimentos abrem os olhos da maioria, pela primeira vez, para esferas da vida com que nunca contataram.</p><p>Apesar da existncia de uma cultura de massa na primeira me-tade do sculo XX, o design tra-balhado a partir de formas criativas e preenchendo, em certa medida, as necessidades reais dos homens. Posteriormente, o utilitarismo ocu-pa o espao e a forma tende a ser mais atraente. fundamental para o prosseguimento da anlise que con-ceitos pertinentes a essas questes sejam levantados: ressalvamos que a era industrial, bem como uma in-dstria cultural e cultura de massa, s vo existir a partir da Revoluo </p><p>Industrial. Embora no seja uma condio sine qua non, necess-ria uma economia de mercado, uma economia baseada no consumo de bens, isto , a evidncia de uma so-ciedade de consumo. (Coelho, 1980, p.32-33)</p><p>A indstria cultural foi impul-sionada e conheceu o desenvolvi-mento a partir do esprito capitalista, o que no significa que no possa existir sob qualquer tipo de regime poltico-econmico. De todo modo, intimamente ligada a uma indstria cultural, h uma organizao buro-crtica que filtra e seleciona a idia criativa, o que, por conseguinte, pesa, estabelecendo perfis na pro-duo de uma cultura de massa.</p><p>Essa produo se destina ao mximo consumo, deve, portanto, ser dinmica e se dirigir a um pbli-co universal o que tende a um ecle-tismo, enquanto adjetivo. A cultura de massa animada pelo duplo mo-vimento: o imaginrio arremedan-do o real e o real que toma as cores do imaginrio, sendo esta uma de suas caractersticas fundamentais. A produo gera no s um obje-to para o sujeito, mas tambm um sujeito para o objeto, o que nos leva a compreender a concepo de um pblico de massa e universal. </p></li><li><p> Art deco cine: lo moderno necesario - Lourdes Luz &amp; Nara Iwata </p><p>248 | POLIANTEA | pp. 243-258 | Volumen IX | nmero 16 | enero-junio 2013</p><p>O Art Nouveau entendido como estilo de massa, com suas complexas linhas curvas, internacionalizou-se na dcada de 1890 e teve seu apogeu em 1900. Desenvolveu-se em vrios setores: pintura, escultura, artes gr-ficas e decorativas, at o ponto em que comeou a se deteriorar, por ve-zes se vulgarizando. </p><p>Os primeiros sinais neste sen-tido se encontram na obra do ar-quiteto Charles R. Mackintosh, que despoja o Art Nouveau de ornamen-tos gratuitos, com uma depurao ou abstrao crescente de motivos naturalistas: eliminao das cur-vas e cores em favor do preto e do quadrado branco, reduo do volu-me em favor do plano e o abando-no de referncias do mundo real. A geometria para Mackintosh um dos instrumentos para a liberao da forma enquanto tal e j nos pri-meiros anos do nosso sculo assume um maior significado, como sendo o nico meio de se alcanar funda-mentos slidos em direo ao novo. </p><p>Mas suas propostas so, a princpio, circunscritas cidade de Glasgow. (fig. 1a)</p><p>Podemos dizer que essa com-binao quase racional dos mode-los ornamentais se destaca tambm no final do sculo XIX, nas propos-tas do grupo da Secesso Vienense, onde esto presentes sentimentos de revolta, na medida em que rompe com as instituies oficiais de arte e evidencia uma preferncia pela sim-plicidade das linhas geomtricas. Para o grupo guiado por Otto Wag-ner, a arquitetura deveria libertar-se de toda a imitao e levar em con-ta as condies tcnicas modernas. Eram emergenciais modificaes dos valores formais: sair do relevo-volume e chegar ao plano. A reno-vao da cultura artstica na ltima dcada do sculo XIX no sbita, os discursos so feitos referendan-do o passado que serve, continua-mente, como termo de comparao para um ideal que se queria alcan-ar. (fig.1b)</p></li><li><p>Artes </p><p>| 249POLIANTEA | pp. 243-258 | Volumen IX | nmero 16 | enero-junio 2013</p><p>Figura 1a - Mackintosh, Escola de Arte de Glasgow, Biblioteca, 1905-1909. FRAMPTON, Kenneth. Histria crtica da arquitetura moderna. So Paulo: </p><p>Martins Fontes, 1997. p.83. Figura 1b - Otto Wagner, Caixa Econmica da Agncia dos Correios, Viena, 1904. FRAMPTON, Kenneth. Histria crtica </p><p>da arquitetura moderna. So Paulo: Martins Fontes, 1997. p.93.</p><p>O Art Deco, no que diz respei-to a um modelo formal, possui um sistema fechado e cdigo prprio. Todavia, sua aspirao em tornar-se universal e obter livre trnsito s propostas a ele contemporneas, de modo a assimilar o que quises-se e fosse interessante, expressan-do o esprito da poca, permite-nos inseri-lo na modernidade, enquan-to proposta. O uso de vrias lin-guagens um ato de liberdade de escolha, o Art Deco uma fuso simblica do futuro com o passado, no presente, e mais ainda a fuso do real com a fantasia e o ldico. (Gon-alves, 1990, p.56)</p><p>O cinema: luxuoso, moderno e confortvelElegemos o Cinema como objeto de anlise no universo Art Deco, na </p><p>medida em que no rastreamento da modernidade, estes edifcios se tor-nam smbolos de uma poca, mais do que qualquer outro programa de arquitetura e onde se encontram os mais extravagantes exemplos Deco. O cinema serve de referncia de ur-banidade, contribuindo na consti-tuio de uma nova relao entre o pblico e o cotidiano, interferin-do nos seus hbitos culturais e so-ciais. Vemos, portanto, o Cinema como agente educador do pblico de um modo geral, o lugar onde se apresenta a vida moderna, ou aqui-lo que se pensava ser moderno. O Cinema integra o homem prpria vida.</p><p>O Cinema consegue revelar a beleza secreta, a beleza ideal dos movimentos e ritos do cotidiano, e, elogiado em funo de sua filiao </p></li><li><p> Art deco cine: lo moderno necesario - Lourdes Luz &amp; Nara Iwata </p><p>250 | POLIANTEA | pp. 243-258 | Volumen IX | nmero 16 | enero-junio 2013</p><p>tcnica e industrial bem como pela sintonia com as novas condies da experincia sensorial, testemunha-da pelo dinamismo de sua imagem. (Campos, 1991, p.40) A cincia o mito moderno, o fetiche, e o Cine-ma uma das modalidades de tor-n-la tctil.</p><p>Hollywood, a cidade do sucesso efmero, a cidade de miragens, com a primazia nesta atividade, protago-nizar a divulgao da concepo de uma modelo que chegar ao Bra-sil na dcada de 1920: tentando im-por uma modernizao atravs da exibio, propriamente dita, bem como de uma arquitetura emergen-te, apelidadas de elefantes brancos, construdos com o luxo necessrio para fazer pendant com os mistrios e fortunas dos filmes que projeta-vam. (Arestizabal, 1984)</p><p>Esse modelo que mencionados, est menos ligado ao decorativismo francs Art Nouveau das primeiras salas de cinema e mais empenha-do em repetir Hollywood no Bra-sil, no s Hollywood, mas Estados Unidos de um modo geral. J em 1910, faziam-se altssimos investi-mentos na construo de verdadei-ros palcios cinematogrficos, para atendimento de uma clientela obce-cada pela arte da nova civilizao, </p><p>assim como vida pelo consumo de um novo produto.</p><p>Esses novos cinemas, como o ris, possuam um estilo entre o ecletismo e o Art Nouveau, cuja ma-triz era, provavelmente, a pera de Paris, com todo o aparato do teatro e a significativa presena dos bal-ces. Um espao concebido para ser teatro no deveria funcionar como cinema e vice-versa, uma vez que no teatro, por exemplo, os balces tm uma funo simblica: no ne-cessariamente, deste local se ter a melhor viso do palco, diramos que importa menos ver que ser vis-to. J o cinema requeria outras exi-gncias, entre as quais visibilidade da tela propriamente dita o fator primordial.</p><p>Segundo a crnica da poca, o consumidor-espectador nesse caso mais requintado que aqueles dos an-tigos cinemas, o que poderia, mes-mo que virtualmente, conjugar com aqueles interesses do teatro. Na d-cada de 1920, indubitavelmente, ir ao cinema tinha um carter ldico. O espectador era recebido, de modo geral, por funcionrios treinados, inclusive com noes de etique-ta, a fim de fazer a transposio do real fantasia. Em sesses especiais, porteiros e bilheteiros passavam o </p></li><li><p>Artes </p><p>| 251POLIANTEA | pp. 243-258 | Volumen IX | nmero 16 | enero-junio 2013</p><p>esprito do filme atravs da prpria indumentria. Em certo sentido, perpetua-se uma teatralidade bar-roca. Aqui, subjaz o modelo fran-cs do fin-de-sicle no que tange ao ornamento e prpria produo do espao. Ainda que a funo simb-lica se sobreponha utilitria, a so-ciedade traduz novos padres.</p><p>Arquitetura dos cinemas cariocas: forma &amp; funoQuando o assunto cinema, im-possivel no mencionar o nome de Francisco Serrador, empresrio ou-sado que props fazer da Cineln-dia uma pequena Broadway, com cinemas, teatros, hotel, lojas, par-que de diverses, salas de escrit-rios, restaurantes. Esse visionrio pretendia concretizar uma cidade de divertimento e lazer, com nvel compatvel com o que considera-va moderno, em termos de estrutu-ra. O projeto no foi colocado em prtica em sua totalidade, porm importa menos sua ao que sua in-teno. Nossa mini-Broadway deu partida para a implantao do novo empreendimento.</p><p>Na dcada de 1930, alguns bairros da Cidade do Rio de Janei-ro passaram a abrigar esse novo ser-vio cultural e podemos destacar </p><p>a Tijuca, e em especial a Praa S...</p></li></ul>