APOSTILA 2012 CEE

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COMUNICAO ESCRITA E EMPRESARIAL

2012

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INTRODUO Caro(a) aluno(a), Buscando desenvolver novas habilidades de uso da lngua, o presente curso tem como objetivo principal desenvolver e aprimorar, em profissionais de vrias reas, a competncia comunicativa, entendida como a capacidade do falante/escritor de empregar adequadamente a lngua nas mais diversas situaes de comunicao. Interessa-nos, portanto, para o desenvolvimento da COMPETNCIA COMUNICATIVA, no a lngua como um sistema isolado, mas a lngua como comunicao, ou seja, a relao ntima que existe entre lngua e fatores extralingusticos, fatores socioculturais. Portanto, partimos do pressuposto de que ser competente comunicativamente saber adequar-se situao de enunciao, adequar-se a um contexto (TROSBORG, 1995:9). No basta conhecer o sistema, a estrutura, preciso mais do que isso, ou seja, um saber relativo ao verbal e ao no-verbal sobre uma lngua. O importante no s a gramaticalidade (saber formar e reconhecer um nmero infinito de sentenas bem formadas), mas a adequao ao contexto. Assim, neste curso privilegiaremos o contexto comunicativo, mostrando que um mesmo enunciado pode ter significados diferentes, dependendo, dentre outras coisas, da situao discursiva: CENRIO, QUEM so os interlocutores, qual a relao entre eles, O QUE eles dizem e A QUEM. Em outras palavras, veremos que uma mesma sequncia pode ter efeitos de sentido diversos conforme seja falada, por exemplo, por um chefe, um patro, uma me, etc. Palavras-chave: interao, situao discursiva, inteno comunicativa, efeitos de sentido.

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Aulas 1 e 2Leia as afirmaes a seguir, avalie se so verdadeiras (V) ou falsas (F) e tentem dar exemplos para cada situao apresentada.

1. ( 2. (

) A lngua de um povo revela sua prpria identidade. ) Diferentes situaes comunicativas requerem diferentes comportamentos

lingustico-discursivos. 3. ( ) Toda leitura, para no ser equivocada, deve necessariamente levar em conta o contexto. 4. ( ) Falhas na comunicao interna podem gerar ineficincia no trabalho. 5. ( 6. ( ) A comunicao empresarial contribui para construo da imagem da ) O papel estratgico da comunicao auxiliar internamente, motivando os organizao. colaboradores a uma ao produtiva e, externamente, ajudando a posicionar a empresa junto aos pblicos externos. 7. ( ) Quando uma empresa no se comunica bem os problemas so iminentes. 8. ( ) O cotidiano do profissional da rea de administrao e contbeis apresenta situaes em que necessrio falar e escrever de acordo com a variedade padro da lngua. 9. ( ) Uma comunicao empresarial mal sucedida no pode resultar em perda de tempo e conflitos internos. 10. ( ) A Comunicao Empresarial compreende um conjunto complexo de atividades, aes, estratgias, produtos e processos desenvolvidos para criar e manter a imagem de uma empresa ou entidade junto aos seus pblicos de interesse ou junto opinio pblica. 11. ( ) A Comunicao Empresarial bem planejada e conduzida agrega valor s marcas, ajuda a vender produtos e servios e representa uma vantagem competitiva para as organizaes modernas. 12. ( ) A comunicao empresarial fortalece a reputao corporativa, um ativo de grande valor para as organizaes modernas. 13. ( ) Aulas de Comunicao so dispensveis em cursos que no formam profissionais na rea de Letras.

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Aulas 3 e 4 Linguagem: aspectos discursivos e lingusticos LINGUAGEM: forma ou processo de interao. Nessa concepo, o que o indivduo faz ao usar a lngua no to somente traduzir e exteriorizar um pensamento, ou transmitir informaes a outrem, mas sim realizar aes, agir, atuar sobre o interlocutor (ouvinte/leitor). A linguagem , pois, um lugar de INTERAO HUMANA, de interao comunicativa pela produo de efeitos de sentido entre interlocutores, em uma dada situao de comunicao. (Travaglia, 1996:23) O dilogo, em sentido amplo, o que caracteriza a linguagem(op. cit. p., 23). A interao verbal constitui, assim, a realidade fundamental da linguagem (NEDER, 1992, apud TRAVAGLIA, 1996). No basta estudar a lngua como um cdigo (conjunto de signos) por meio do qual um emissor transmite mensagens a um receptor; nem como um sistema formal, abstrato de relaes entre os elementos de vrios nveis que permitem estruturar as frases de uma lngua, nem com um conjunto de enunciados virtuais, cujo significado determinado fora de qualquer contexto. preciso pensar a linguagem humana como, lugar de interao, de constituio de identidades, de representao de papis, de negociao dos sentidos. Em outras palavras, preciso encarar a linguagem no apenas como representao do mundo e do pensamento ou como instrumento de comunicao, mas sim, acima de tudo, como forma de inter-ao social (KOCH, 1995: 109-110). 1. Consideraes acerca da situao comunicativa: Aquilo que o produtor do texto faz, como ele constitui e constri o seu texto (que elementos lingusticos escolhe, as informaes que seleciona e como as organiza no texto) depende no s de sua vontade, daquilo que pretende dizer, mas de uma srie de elementos presentes na situao de interao, que normalmente so chamados de condies de produo (TRAVAGLIA, 1996:83). So importantes para o efeito de sentido que acontece numa interao determinada, as IMAGENS que o produtor e o receptor do texto fazem: a) do assunto; b) da situao, c) de si prprios, d) um do outro e e) que cada uma acha que o seu interlocutor faz dele (GOFFMAN, 1981: 90). O sentido da sequncia lingustica depende, essencialmente, de fatores como: QUEM FALA, O QUE, PARA QUEM. Exerccios Considerando que a mesma elocuo - A porta est aberta - pode servir realizao de diferentes aes, levando a diferentes efeitos de sentido, observe, nas situaes discursivas abaixo: o que se est fazendo, ou seja, qual a ao que

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se pretende realizar. Com base em suas observaes, explicite a que concluses voc chegou. a) Em uma sala de estar h duas pessoas sentadas, conversando. Em um dado momento, uma delas diz que h uma corrente de ar frio e observa que a porta est aberta, dizendo: A porta est aberta. A outra pessoa se levanta e fecha a porta. b) Duas pessoas esto discutindo, brigando. Num dado momento, uma delas diz A porta est aberta. c) Numa pequena firma, o proprietrio conversa com um funcionrio de quem gosta muito, tanto profissional, quanto pessoalmente. O funcionrio recebeu uma boa oferta de trabalho em outro lugar para ganhar muito mais e vai deixar a firma atual. O proprietrio lamenta ficar sem o empregado e amigo, mas lhe deseja boa sorte e diz que se ele precisar A porta est aberta. d) A me j recomendou inmeras vezes a seus filhos que, quando ela sair, no deixem a porta da sala aberta, principalmente se forem para o fundo da casa, porque perigoso: pode entrar um ladro ou algum que lhes faa mal. A me chega do mercado, encontra a porta aberta e os filhos brincando no quintal. Chega para os filhos e diz: A porta est aberta. e) Uma pessoa em seu escritrio ouve baterem porta e diz A porta est aberta.

Aulas 5 e 6 Adequao/inadequao da linguagem A LNGUA PADRO DO BRASIL Variedades da Lngua O primeiro problema a enfrentar quando se pretende elaborar uma gramtica o de definir que lngua vai ser descrita. No caso do presente livro, isso pode parecer suprfluo: trata-se de uma gramtica portuguesa e, portanto, a lngua descrita a portuguesa. No entanto, o termo Lngua portuguesa, bastante ambguo e se aplica a diversas variedades nitidamente diferenciveis. Por exemplo, todos podemos distinguir claramente a fala de um portugus de Lisboa da de um brasileiro de Belo Horizonte; podemos igualmente distinguir a fala de um indivduo criado na cidade, com segundo grau completo, da de uma pessoa criada no campo e analfabeta. E podemos tambm distinguir entre um texto escrito e a transcrio literal de um texto falado. Como exemplo desta ltima distino, vejam-se os dois textos abaixo: (1) A tarefa de lanar as bases de nova gramtica muito longa e complexa; devemos, portanto, deix-la para a prxima semana. (2) A nova Gramtica do portugus, ela vai ser muito difcil a gente escrever. Melhor a gente deixar ela pra semana que vem.

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O exemplo (1) deve ter sido retirado de um texto escrito; j o exemplo (2) parece ser a transcrio de um trecho de fala espontnea. No s as duas passagens esto organizadas de maneira diferente, mas h diferenas propriamente gramaticais entre elas: muito raro, por exemplo, encontrar em textos escritos (principalmente textos tcnicos) o pronome ela como objeto (Deixar ela), ou a forma pra funcionando como contrao de P(a)ra+a(pra[=para a] semana que vem). No necessrio entrar em detalhes acerca dessa diferena gramatical, entre a lngua escrita e a falada. Todos ns j tivemos contato com ela e sabemos que uma das dificuldades que os escolares precisam enfrentar ao aprenderem a ler e escrever. Para efeitos deste livro, vou chamar a variedade ilustrada no texto (1) de padro, e a variedade do texto (2) de coloquial. Devo deixar bem claro que nem o padro nem, principalmente, o coloquial so totalmente homogneos. Existe uma imensa gama de variedades de lngua, que vo desde as mais informais at as mais formais e estereotipadas. Alm disso, h, principalmente no que se refere ao coloquial, certo grau de variao regional (a fala espontnea de um gacho difere da de um cearense) e social (um operrio no fala da mesma maneira que um mdico). Essa variao (regional, social e individual) muito mais marcada no caso do coloquial do que no padro. As diferentes variedades da lngua so utilizadas em situaes razoavelmente bem definidas. Assim, qualquer pessoa modifica sua maneira de falar conforme esteja discutindo no bar com os amigos, ou respondendo a uma entrevista para obter emprego. De modo geral, pode-se dizer que a variedade coloquial (ou melhor, o conjunto de variedades que chamamos coloquiais) utilizada na fala; j a variedade padro prpria da escrita. H excees; por exemplo, o autor de um romance pode incluir muitos traos coloquiais nos dilogos, a fim de dar-lhes maior realismo