a importância do som nas narrativas fílmicas

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Análise a nível histórico e teórico da importância do som no cinema.

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PedroCostaSantos www.pedrosantos.eu info@pedrosantos.eu 18deFevereirode2010

AIMPORTNCIADOSOM NASNARRATIVASFLMICASTrabalhodesenvolvidoparaacadeiradeHistriaeTeoriadoCinemaleccionadapeloDr.Carlos Melo Ferreira no mbito do Mestrado em Realizao de Cinema e Televiso na ESAP. Este trabalhoconsistenaanliseanvelhistricoetericodaimportnciadosomnocinema.

Pedro Costa Santos 2 A importncia do som nas narrativas flmicas

ndice

Introduo .......................................................................................................... 3 A origem do som na cultura humana .................................................................. 4 Fenomenologia da audio............................................................................. 4 Utilizao do som pelo ser humano ao longo dos tempos .............................. 5 A origem do som no cinema ............................................................................... 7 O advento sonoro ........................................................................................... 7 O Musical ........................................................................................................ 9 A evoluo ...................................................................................................... 9 Sistemas de udio nas salas de cinema .......................................................... 11 Dolby Digital.................................................................................................. 12 Digital Theater System (DTS) ....................................................................... 12 Sony Dynamic Digital Sound (SDDS) ........................................................... 13 Sensaes humanas recebidas ....................................................................... 15 John Williams................................................................................................ 17 Prmios e nomeaes .................................................................................. 18 Exemplos prticos ........................................................................................ 19 Main Theme ( 1) ..................................................................................... 19 2) .................................................................... 20

Bounty Hunter's Pursuit (

The Imperial March ( 3) .......................................................................... 21 Concluso ........................................................................................................ 23 Bibliografia........................................................................................................ 24 Webgrafia ......................................................................................................... 24

Pedro Costa Santos 3 A importncia do som nas narrativas flmicas

IntroduoO ser humano desde a sua nascena que tem a percepo do mundo sonoro que o rodeia. De facto, diversos musiclogos desenvolveram diferentes estudos a crianas para analisar a sua percepo rtmica e meldica, chegando concluso de que estas conseguem diferenciar, no mnimo, quatro tipos de sentimentos diferentes: felicidade, tristeza, raiva e medo. So os contornos musicais e as suas variveis que influenciam a associao de sentimentos a determinadas melodias, por exemplo, Sandra Trehub em 1993 no seu estudo Psychology and music: The understanding of melody and rhythm desenvolve a ideia de que as crianas julgam as msicas com linhas meldicas de elevado registo e de tempo rpido como estando associadas a sentimentos felizes e o inverso a sentimentos tristes. De referir tambm no mesmo estudo, que as sequncias musicais ascendentes criam sentimentos felizes e as descendentes criam sentimentos tristes. A ideia de interpretao e associao de sons cria uma complementao imaginativa no sujeito receptor e o seu controlo implica uma conduo do sujeito atravs de um dado caminho da narrativa flmica tal como nos filmes acsticos (de Alfred Braun em 1924), uma pea radiofnica que ambientava o sujeito receptor no prprio ambiente dos Akustiches Films atravs de sonoridades relativas ao espao onde decorria a aco. Assim sendo, qual a verdadeira importncia do som no cinema? Quais so os sentimentos inerentes e como se transmitem? Como que a prpria histria do cinema lidou com o aparecimento do som? O som complementa a imagem ou a imagem que est ao servio do som? Poderemos afirmar que existe um filme sonoro dentro dos filmes?

Notabreve:nosexemplosprticosnocaptuloSensaeshumanasrecebidas,quandosurge o smbolo significa o nmero da faixa relativa audio proposta dos ficheiros udio anexados.

Pedro Costa Santos 4 A importncia do som nas narrativas flmicas

AorigemdosomnaculturahumanaDurante sculos a escuta pde definir-se como um acto intencional de audio (escutar querer ouvir, conscientemente), reconhece-se-lhe hoje o poder (e quase a funo) de varrer espaos desconhecidos. Roland Barthes in O bvio e o obtuso

Antes de iniciar o estudo relativo importncia do som nas narrativas flmicas, penso que existam dois pontos que devero ser analisados: a fenomenologia da audio e a utilizao do som pelo ser humano ao longo dos tempos.

Fenomenologiadaaudio Em relao a este aspecto, Barthes faz uma primeira triagem sobre o fenmeno da audio. Frisa que necessrio fazer uma diferenciao sobre o ouvir e o escutar, caracterizando o ouvir como um fenmeno fisiolgico e o escutar como um acto psicolgico. Focando-nos no acto de escuta (que o mais importante no contexto do trabalho), Barthes indica-nos que existem trs etapas de escuta: 1) Orientao da audio para indcios O Homem distingue-se dos restantes animais pois estes tm o seu territrio escalonado por odores e sons, ao passo que o Homem consegue se aperceber do seu territrio (ambiente de casa) essencialmente atravs da audio: existe um conjunto de sons que para cada um de ns so familiares: o (...) bater diferenciado das portas, clamores, rudos de cozinha (...). Podemos concluir que a este nvel, no existe nada que nos distinga dos animais, ou seja, existe a partilha desta mesma faculdade. 2) Descodificao S neste ponto que existe uma diferenciao do Homem com os animais. Ao realizarmos a descodificao de um determinado som que escutamos, podemos compreender a sua estrutura e com isso garantimos a faculdade da reproduo do som que acabamos de escutar.

Pedro Costa Santos 5 A importncia do som nas narrativas flmicas

3) Espao comunicacional No acto de comunicao entre dois indivduos, criada uma bolha comunicacional onde ambos se inserem e se relacionam, uma relao social. Por outro lado, a nossa voz funciona como a nossa caligrafia: possvel tirarmos elaes sobre o emissor percebendo o seu estado de esprito, a sua maneira de ser, a sua alegria ou sofrimento, enfim, o seu estado. Assim sendo, por vezes a prpria voz poder atingir-nos mais do que o contedo sonoro emitido. Em relao escuta, Barthes fornece-nos uma posio bastante interessante: diz-nos que escutar o acto de aprender a falar a mesma lngua do emissor, significa que deveremos adequar a nossa escuta ao emissor, primariamente compreendendo-o como pessoa para posteriormente compreender a mensagem que emite. Poderemos concluir que a audio a faculdade mais importante para o Homem pois esta permite-lhe a avaliao espcio-temporal, podendo ser complementada a posteriori pela viso que lhe ir fornecer mais dados para terminar o processo de compreenso.

Utilizaodosompeloserhumanoaolongodostempos A par da viso, a audio ter sido o sentido mais importante na origem do Homem. Atravs desta, o Homem tinha a capacidade de se aperceber do mundo que o rodeava principalmente dos seus inimigos. Como ser social, o Homem desde muito cedo sentiu a necessidade de comunicar e para isso usava, por exemplo, sinais sonoros como gritos, sons corporais ou batimentos com objectos rudimentares como pedras ou ramos de rvores. A inteno de produzir msica veio mais tarde iniciando assim a longa histria da msica. As primeiras utilizaes da msica eram na caa, cerimnias e outros rituais utilizando no princpio apenas a voz e sons corporais e mais tarde, gradualmente foram introduzidos instrumentos como flautas, ramos de rvores perfurados, paus e pedras. Todas estas afirmaes so justificadas atravs de outra arte: a pintura. A arte rupestre encontrada em algumas cavernas poder dar resposta quanto utilizao de msicas e danas em ritos sociais onde tambm se podem encontrar fragmentos que se assemelham a instrumentos musicais.

Pedro Costa Santos 6 A importncia do som nas narrativas flmicas

Nas grandes civilizaes da Antiguidade, a msica foi ganho mais importncia no quotidiano da populao. No Egipto, a msica era composta tanto no palcio do fara como no trabalho de campo e continuava a ter importncia em questes relacionadas com os rituais, como por exemplo, no culto dos mortos ou o culto dos deuses, atribuindo assim msica uma origem divina. Os instrumentos utilizados eram essencialmente a harpa, a lira, a flauta, o alade e instrumentos de percusso. J na Grcia e em Roma, a msica aparece associada poesia no teatro. Esta fase bastante importante na Histria da Msica pela sua contribuio a nvel rtmico e de notao musical. Avanando mais uns sculos encontramos a pera no sculo XVII no perodo Barroco e mais tarde, no incio do sculo XX, no cinema. Apesar da diversidade de estilos, nestes exemplos encontramos a msica como elemento fulcral de interpretao para o ouvinte, pois atravs dela o espectador sente-se imergido na aco que se encontra a decorrer e qual est a assistir.

Pedro Costa Santos 7 A importncia do som nas narrativas flmicas

AorigemdosomnocinemaH uma terminologia bastante desenvolvida na rea da imagem (profundidade de campo, enquadramento, etc.), o mesmo no se passa em relao ao som. Arlindo Machado in O Fongrafo visual

O cinema nunca foi totalmente mudo, o cinema no se